O PR e a democracia

(Carlos Esperança, in Facebook, 26/09/2024)

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Por entre vichyssoises, passeios noturnos ao Beco do Chão Salgado, gelados e moscatel quente, o dissolvente PR arruinou irresponsavelmente as instituições democráticas.

Sabia que o crescimento robusto da economia e a folga orçamental do Estado podiam prorrogar o poder ao PS por mais uma legislatura e conduzir o PSD ao declínio. E, não lhe permitindo o ego a irrelevância a que a maioria absoluta do PS o remetera nos anos que ainda faltavam para o fim do seu mandato, entrou em desespero.

Há de ter estudado todos os cenários e espreitado todas as oportunidades, mas nem os incêndios anuais lhe permitiam demitir mais um ministro! Destruiu na praça pública o ministro Galamba e, até aí, falhou, graças à determinação do PM de não lhe tolerar a calúnia dizendo ao País que era positiva a sua avaliação e o mantinha no Governo.

De cabeça perdida, com o poder efetivo de que dispõe, dissolveu mais uma vez a AR. E conseguiu o que pretendia:

Alterou a correlação de forças entre a esquerda e a direita e entregou as comemorações do 25 de Abril a quem a data nunca entusiasmou, a Saúde a quem nunca quis o SNS, as vias férreas a quem prefere o betão, e tudo o mais que é possível privatizar.

Tem agora um Governo e uma maioria para si e, pela primeira vez, depois de oito anos, o PSD a ocupar os altos cargos do Estado de que estava sôfrego após tão longo jejum.

Já mostrou que detém o poder. Nem disfarça quando revela que já tem o perfil para o/a novo/a PGR, … e que é ele quem o/a nomeia, o Governo só propõe.

O Governo mantem-se em campanha eleitoral, não vá o Diabo tecê-las, e quer para si a estabilidade que o PR comprometeu no seu aventureirismo. E ambos procuram tornar irreversível o golpe que alterou a geometria partidária.

Nem a Constituição respeitam na regulamentação da lei da eutanásia porque, para eles, a CRP é só um conjunto de normas a violar à medida dos seus interesses e preconceitos.

O PR e o Governo sabem que o OE/25 será viabilizado, mesmo que o PS não ceda à sua chantagem. O Chega não quer novas eleições porque perde demasiados deputados para o PSD. Ventura, se não der o dito por não dito, viabilizando agora o Orçamento, fá-lo-á depois, com ou sem Montenegro, com metade dos deputados.

A democracia sofreu um rude golpe e pode não se ressarcir dos golpes deferidos a partir de Belém pelo último e pouco recomendável inquilino.

A correlação de forças permitirá a continuação de um governo de direita e a eleição do futuro PR escolhido por Marcelo e Montenegro, salvo se for Passos Coelho a avançar, levado aos ombros por Ventura sem que o PSD se possa opor. E tem cadastro suficiente!

Viva o OE de 2025! – Autocensurado

(Carlos Matos Gomes, in Facebook, 25/09/2024)

(Esta versão do artigo só difere de outra, já pubicada antes, pois não tem a nossa nota final. Motivo: poder publicar no Facebook pois a primeira versão, com a nota da Estátua, “ofendia os padrões da comunidade” e era logo removida! VIVA A DEMOCRACIA E A LIBERDADE DE EXPRESSÃO…

Estátua de Sal, 26/09/2024)


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Se estão de acordo com o essencial porque não estarão quanto às compras da semana, entre gastar mais em detergentes ou em desodorizantes?

O conclave dos cardeais que rege o regime desde Novembro de 1975 – o conselho de administração do Estado, enquanto grupo gestor dos interesses próprios que constitui o “centrão” que a si mesmo se qualifica de democrático, moderado e patriótico – está de acordo quanto à subordinação da política interna portuguesa e externa à da União Europeia e à da NATO, vamos às guerras com eles no Iraque, no Afeganistão, na Ucrânia, na Palestina, em África, está de acordo com a subordinação financeira ao BCE, está de acordo com a decadência política e económica da Europa, e com a crise que a crise na Alemanha anuncia, de desindustrialização, desemprego e desmantelamento do estado social, a mais ou menos curto prazo.

Os partidos políticos que captam 90% dos votos dos eleitores portugueses estão de acordo com o essencial:

  1. Acreditam que a vitória sobre a Rússia é certa.
  2. Que Israel é um estado democrático e de direito que defende os valores do Ocidente.
  3. Que a China é uma ameaça.
  4. Que as 7 maiores companhias do mundo – entre elas a Microsoft, Google, Amazon, X -, são uma garantia de segurança e liberdade, de virtude do mercado.
  5. Que o GPS gerido pelo Departamento de Defesa dos Estados Unidos é um instrumento de boa localização que permite eliminar inimigos à distância e levar os clientes às portas dos hotéis escolhidos no TRIVAGO.
  6. Que os satélites da Starlink de Elon Musk (um filantropo) são um bem comum para fornecer imagens de locais de férias.

E 90% dos eleitores estão de acordo com a transformação do Alentejo numa área de agricultura intensiva de espécies exóticas e exigentes em água. Estão de acordo com o turismo de massas e com a sua eleição como base da economia nacional – a economia do alojamento local e do TUK TUK, tão cara a Carlos Moedas.

Enfim, estando de acordo que a Reserva Federal americana – o FED -, estabeleça o valor da moeda de troca mundial, o dólar, sem referência a qualquer bem material, mal seria que não estivessem de acordo com um orçamento doméstico. E desacordo reduzido diferenças dumas cagagéssimas percentuais no IRS jovem ou a caminho de o ser; se deve ser dado mais apoio à indústria dos fogos ou à dos eucaliptos; de quanto devem receber os industriais da saúde privada do orçamento geral da saúde. Ninharias.

Viva o OE de 2025!

(Carlos Matos Gomes, in Facebook, 25/09/2024)


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Se estão de acordo com o essencial porque não estarão quanto às compras da semana, entre gastar mais em detergentes ou em desodorizantes?

O conclave dos cardeais que rege o regime desde Novembro de 1975 – o conselho de administração do Estado, enquanto grupo gestor dos interesses próprios que constitui o “centrão” que a si mesmo se qualifica de democrático, moderado e patriótico – está de acordo quanto à subordinação da política interna portuguesa e externa à da União Europeia e à da NATO, vamos às guerras com eles no Iraque, no Afeganistão, na Ucrânia, na Palestina, em África, está de acordo com a subordinação financeira ao BCE, está de acordo com a decadência política e económica da Europa, e com a crise que a crise na Alemanha anuncia, de desindustrialização, desemprego e desmantelamento do estado social, a mais ou menos curto prazo.

Os partidos políticos que captam 90% dos votos dos eleitores portugueses estão de acordo com o essencial:

  1. Acreditam que a vitória sobre a Rússia é certa.
  2. Que Israel é um estado democrático e de direito que defende os valores do Ocidente.
  3. Que a China é uma ameaça.
  4. Que as 7 maiores companhias do mundo – entre elas a Microsoft, Google, Amazon, X -, são uma garantia de segurança e liberdade, de virtude do mercado.
  5. Que o GPS gerido pelo Departamento de Defesa dos Estados Unidos é um instrumento de boa localização que permite eliminar inimigos à distância e levar os clientes às portas dos hotéis escolhidos no TRIVAGO.
  6. Que os satélites da Starlink de Elon Musk (um filantropo) são um bem comum para fornecer imagens de locais de férias.

E 90% dos eleitores estão de acordo com a transformação do Alentejo numa área de agricultura intensiva de espécies exóticas e exigentes em água. Estão de acordo com o turismo de massas e com a sua eleição como base da economia nacional – a economia do alojamento local e do TUK TUK, tão cara a Carlos Moedas.

Enfim, estando de acordo que a Reserva Federal americana – o FED -, estabeleça o valor da moeda de troca mundial, o dólar, sem referência a qualquer bem material, mal seria que não estivessem de acordo com um orçamento doméstico. E desacordo reduzido diferenças dumas cagagéssimas percentuais no IRS jovem ou a caminho de o ser; se deve ser dado mais apoio à indústria dos fogos ou à dos eucaliptos; de quanto devem receber os industriais da saúde privada do orçamento geral da saúde. Ninharias.

Nota da Estátua: Tanto ou mais que ninharias, eu diria mais, pintelhos, recordando a expressão de Eduardo Catroga em 2011, também a propósito de diferenças de opinião entre PS e PSD (ver abaixo).