(Carlos Esperança, in Facebook, 26/09/2024)

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Por entre vichyssoises, passeios noturnos ao Beco do Chão Salgado, gelados e moscatel quente, o dissolvente PR arruinou irresponsavelmente as instituições democráticas.
Sabia que o crescimento robusto da economia e a folga orçamental do Estado podiam prorrogar o poder ao PS por mais uma legislatura e conduzir o PSD ao declínio. E, não lhe permitindo o ego a irrelevância a que a maioria absoluta do PS o remetera nos anos que ainda faltavam para o fim do seu mandato, entrou em desespero.
Há de ter estudado todos os cenários e espreitado todas as oportunidades, mas nem os incêndios anuais lhe permitiam demitir mais um ministro! Destruiu na praça pública o ministro Galamba e, até aí, falhou, graças à determinação do PM de não lhe tolerar a calúnia dizendo ao País que era positiva a sua avaliação e o mantinha no Governo.
De cabeça perdida, com o poder efetivo de que dispõe, dissolveu mais uma vez a AR. E conseguiu o que pretendia:
Alterou a correlação de forças entre a esquerda e a direita e entregou as comemorações do 25 de Abril a quem a data nunca entusiasmou, a Saúde a quem nunca quis o SNS, as vias férreas a quem prefere o betão, e tudo o mais que é possível privatizar.
Tem agora um Governo e uma maioria para si e, pela primeira vez, depois de oito anos, o PSD a ocupar os altos cargos do Estado de que estava sôfrego após tão longo jejum.
Já mostrou que detém o poder. Nem disfarça quando revela que já tem o perfil para o/a novo/a PGR, … e que é ele quem o/a nomeia, o Governo só propõe.
O Governo mantem-se em campanha eleitoral, não vá o Diabo tecê-las, e quer para si a estabilidade que o PR comprometeu no seu aventureirismo. E ambos procuram tornar irreversível o golpe que alterou a geometria partidária.
Nem a Constituição respeitam na regulamentação da lei da eutanásia porque, para eles, a CRP é só um conjunto de normas a violar à medida dos seus interesses e preconceitos.
O PR e o Governo sabem que o OE/25 será viabilizado, mesmo que o PS não ceda à sua chantagem. O Chega não quer novas eleições porque perde demasiados deputados para o PSD. Ventura, se não der o dito por não dito, viabilizando agora o Orçamento, fá-lo-á depois, com ou sem Montenegro, com metade dos deputados.
A democracia sofreu um rude golpe e pode não se ressarcir dos golpes deferidos a partir de Belém pelo último e pouco recomendável inquilino.
A correlação de forças permitirá a continuação de um governo de direita e a eleição do futuro PR escolhido por Marcelo e Montenegro, salvo se for Passos Coelho a avançar, levado aos ombros por Ventura sem que o PSD se possa opor. E tem cadastro suficiente!
E se essa barbaridade fosse aprovada e implementada em todo o lado para onde e que dois desgraçados como aqueles tinham fugido?
E como eles tantos holandeses e belgas que estão por cá e contam histórias como ate terem sido pressionados por médicos simplesmente porque tinham uma doença que custava dinheiro?
Continuariam a ser pressionados ate cederem?
A eutanásia e uma caixa de Pandora.
Um desgraçado apanha uma doenca degenerativa pode ser pressionado a pedir a morte para não continuar a dar trabalho. O mesmo para um idoso com dificuldades de locomoção.
Já ouvi disto entre defensores da eutanásia, que ninguém tem o direito de ficar cá a dar trabalho.
Por acaso ouvi uma discussão a propósito entre duas brasileiras, irmãs.
Uma dizia, “eu não queria ficar cá a dar trabalho…”, ao que a irmã volveu “pois eu não quero saber quem vai lavar os meus pés fedorentos não, eu não quero morrer”.
Eu voto na segunda, morrer quanto mais tarde melhor e não quando um médico achar que estou terminal ou alguém achar que está farto de me aturar.
Essa dos dois holandeses que rumaram a Sul teve um final feliz mas a de um alemão que se quis ir matar a Suiça apenas porque estava velho não teve.
A filha fez tudo para o levar a escolher a vida e tentou ate ao fim convence lo a não fazer aquilo.
Chorava convulsivamente enquanto ajudava o homem a vestir a roupa que usaria na “execução”.
A vida será muitas vezes derrotada pela morte muito mais cedo do que deveria quando mesmo os que quiserem lutar por ela até ao fim não tiverem para onde ir.
Pessoalmente quero outro fim de vida que o dos holandeses que enfrentam o Inverno em caravanas até morrerem nos nossos hospitais, até morrerem num verdadeiro exílio, onde o Diabo perdeu a avó torta.
Em resumo, não quero ter de ir para a Polónia a ter de ir a missa ao domingo para não dizerem que o velho estrangeiro e o filho da puta de um herege ou converter me ao islamismo para ter a vida facilitada em Marrocos.
Só para citar dois que, por razões religiosas, quando devia ter sido por humanidade, dificilmente vão aceitar tal m*rda.
Não e porque há atrocidades piores que devemos subestimar esta.
Isso e como dizer que não devemos falar em direitos das mulheres enquanto houver países no mundo em que homens são escravizados.
Ou que devemos achar normal atrocidades como a dos cães do João Moura porque há gente que morre de fome.
São diferentes níveis de atrocidade mas sao atrocidade.
Devem ser combatidas, devem ser desmascaradas, devemos dizer “não passarão”.
Ultimamente tornou se também moda identificar os detractores da injeção letal com o fascismo. Por mim e para o lado que eu durmo melhor que já me chamaram de Bolsonaro quando disse que não ia dar reforço da vacina COVID corno nenhum.
E a propósito, outra barbaridade.
Uma amiga minha regressou recentemente da Alemanha e diz que lá está na lista negra. E porque?
Porque depois de ter dado quatro doses daquilo e ter apanhado uma anemia terrível e uma alergia a glúten que lhe parava os rins decidiu que não dava mais nenhuma.
Agora já não se atrevem a proibir as pessoas de ir trabalhar e fazer a vida se não se forem vacinar. Os sequelados são demais para serem escondidos.
Mas se apanham covid e que a porca torce o rabo.
Pois a senhora tinha recusado a dose de veneno que deveria levar em Janeiro.
E, em Julho, numas férias por cá, apanhou bicho.E não, não interessou nada que a bosta da vacina so de imunidade para dois ou tres meses, se e que dá alguns que duvido, pelo que em Julho ela apanharia o bicho com a mesms intensidade.
Ora, foi obrigada a pagar tudo e não recebeu um tostão pelos 10 dias que esteve em casa.
Por sorte o tratamento foi ambulatório, em casa, se tivesse sido internada teria tido que vender um rim.
Foram 980 euros que eu disse esperar que servisse a quem os cobrou para remédios para os efeitos secundários dos medicamentos comparticipados a 100 por cento.
Com todos estes repolhos ainda precisamos da eutanásia para deitar lenha na fogueira onde nos estão queimando?
Não concordo com as presidenciais bojardas a respeito de quase tudo e a do “somos todos israelitas” ainda me está atravessada.
Limitei me a referir a única coisa em que o homem andou bem.
O genocídio em Gaza e na Cisjordânia, os ataques ao Líbano são o grau 0 da infâmia.
Infelizmente, a eutanásia também o e.
Tal como os sodomitas israelitas não defendem nenhum valor humano, os defensores da morte doce também não.
Não e porque os genocídios matam mais que devemos fechar os olhos a generalização da possibilidade de que nos matem como cães, como faz o veterinário quando o bichinho está a sofrer, só porque a coisa mata menos.
O suicida vive com o seu pecado?
E o assassino, vive com o seu pecado?
A história dos 2 holandeses que foram solicitados pela prole para se “eutanasiarem”, a fim de lhes facilitar a vida, é triste mas acaba por ter um final feliz: a vida venceu a morte, e nem sob “sugestão” as pessoas resolveram terminar a sua vida, decidindo antes vivê-la, e quanto mais longe, melhor!
É um exemplo de como nem todos pensam na “morte doce” ou “suave”.
O problema é que o PR ao mesmo tempo que mostra todos os pruridos morais e, segundo consta, anti-constitucionais em relação à Eutanásia, está na linha da frente do militarismo, armamentismo, belicismo, seguidismo cego, submetendo-se às potências fáticas (não confundir com fálicas), e, segundo consta, indo contra a própria constituição, que promove o contrário do militarismo, armamentismo, belicismo e seguidismo cego na política externa. E sempre com o mantra supremo a servir de justificação ambivalente: “eles estarem a defenderem os nossos valores e a demo-cracia”…
A pergunta que deixo é a seguinte: o que causa mais mortandade e destruição (a todos os níveis), a Eutanásia ou o Belicismo Moral?
Sendo mais específico, a Constituição Portuguesa é anti-colonialista, resultando precisamente de uma revolução promovida por militares para parar a Guerra Colonial, denominada pelo Estado Português Guerra do Ultramar.
Ora, Marcelo Rebelo de Sousa é lesto a dizer “somos todos israelitas” quando há vítimas de um ataque dirigido contra israelitas, mas nunca o ouvi dizer “somos todos palestinianos” ou “somos todos libaneses” ou “somos todos sírios”, etc, quando há ataques dirigidos por israelitas a populações desses países de maioria muçulmana.
A pergunta que se impõe é a seguinte: são os muçulmanos que têm e impõem colonatos em “território de Israel” ou, pelo contrário, são os israelitas que têm e impõem colonatos em terras palestinas, libanesas ou sírias?
Portanto, o PR deixa muito a desejar quer na sua idoneidade, quer no seu sentido de estado, no desempenho das suas funções “constitucionais”. E com isso compromete muita coisa, e influencia muita coisa, e nessas ocasiões a constituição é para ele (e os seus apaniguados) meramente figurativa. Eles são mais “conservadores” que a própria “constituição da república portuguesa”, no sentido de estipular “os nossos valores e a democracia”.
Ou se calhar, mais do que figurativa, como um quadro numa parede do Palácio de Belém, é uma abstracção, no museu Guggenheim em Nova Iorque, que de vez em quando, graças à figura “pontifícia” do PR, de quando em vez, nas suas “fases” inteligíveis, é (re)interpretada à luz do oráculo-mor da praça pública.
E quando o oráculo dita… a constituição é o ditado…
Essa “sobreposição” do PR à constituição da república portuguesa (CRP), submetido aos poderes fáticos, e portanto submtendo-a a esses poderes externos e exógenos, ou seja, não abrangidos pela CRP, está dependente do conceito dos tais “nossos valores”, que se traduzem em “valores judaico-cristãos”. Este é o jargão do politicamente correcto no mundo ocidental e por derivação (ou submissão) no nosso país, a “novilíngua” que pretendendo ser muito sofisticada e sintética, mais não passa do que uma amálgama de conceitos únicos sobrepostos, onde necessariamente algo há-de ser comum, como nos conjuntos matemáticos, suas intersecções e submissões, que aprendemos na escola primária.
O que une a religião judaica à religião cristã que permita aferir que há um conjunto de valores comuns (ou uma intersecção de dois conjuntos diferentes, neste caso religiosos), de modo a pode definir todo o “ocidente” (Europa-América-Oceânia) como “dependente” ou “imanentemente” dos “nossos valores judaico-cristãos”, e nada mais?
E em breve vou tentar aprofundar esta questão, e como estamos a importar “cartilhas ideológicas” (ainda por cima carregadas de contradições, omissões e ilusões) que nada têm a ver com os “nossos valores”, definidos de acordo com a CRP, de um estado laico, não teocrático na sua essência.
Já agora, para apimentar a coisa, posso identificar desde já e de caras 3 “instituições” iminentemente “judaico-cristãs” na sua essência, na sua origem histórica, e permanência (ocidental e europeia):
– a Maçonaria
– o sistema financeiro de juro e usura (pecado para os cristãos mas não para os judeus, e é de religiões que falamos)
– o Sionismo “moderno” (que é uma fusão de vontades judaicas e cristãs – e atenção!, nem todos os judeus e nem todos os cristãos, é preciso estar muito atento a generalizações redutoras
Posso também deixar 3 pistas (ou mais) sobre as 3 religiões do livro que ajudam a desmontar um pouco essa tal coerência e perenidade estrutural no Ocidente dos tais “nossos valores judaico-cristãos”:
– os judeus, principalmente os sacerdotes do sinédrio, segundo o Novo Testamento da Bíblia, foram os primeiros a contestar, acusar e condenar Jesus (a “encarnação” e origem do Cristianismo)
– os cristãos, após alguns séculos de perseguições e linchamentos, ao tornarem-se a religião que “fundou o Ocidente” (daí os tais “nossos valores judaico-cristãos”, e com o “cristãos” em segundo plano, atrás do “judaico), perseguiram, expulsaram, escravizaram e até exterminaram em massa judeus “ocidentais” (que viviam na Europa, sobretudo)
– os muçulmanos, ou islamitas, além de terem contribuído para a cultura do mediterrâneo e sul da Europa com uma influência enorme, reconhecem Cristo como um profeta (apesar de não o reconhecerem como Divino), e não como um apóstata, que é como o sinédrio o viu e os judeus o vêem, para não dizer pior; nem sequer foram eles os autores do extermínio em massa dos judeus
Perante tudo isto, o que significa afinal os tais valores “judaico-cristãos”? Haverá outros valores, como por exemplo os “cristo-islâmicos”? Ou os “judaico-islâmicos”? Por que motivações não merecem destaque, ou uma mera menção? Existe um exclusivo de “nossos valores” unívocos e insubstituíveis, definidos por uma qualquer cartilha programática, e nem sequer por “quotas”, como está agora em voga, os outros “valores comuns” (e é disso que se trata, “valores comuns”, uns com mais marketing e publicidade, outros tabus) têm lugar no espaço público de tempo de antena?
Transpondo:
– Maçonaria Opus Dei
– Usurários Bolsistas (ou vice-versa)
– Sionistas Cruzados (Belicistas)
Penso que este diagrama é interessante quanto mais não seja por ser genuíno.
Por algum motivo hermético, o meu diagrama não foi bem interpretado pelo sistema e foi truncado (automaticamente), talvez pela forma que lhe tentei atribuir. Vou tentar de novo, com outra grafia – este é o diagrama “completo”:
Transpondo:
– Maçonaria – Sinédrio / Opus Dei – Papado
– Usurários – Vendilhões do Templo / Cambistas – Bolsistas (ou vice-versa)
– Sionistas – Zelotas / Paladinos – Cruzados (Belicistas)
Espero que seja desta, e tão cedo já não chateio mais. Bom fim-de-semana às estátuas do costume.
🙂
Transpondo:
– Maçonaria – Sinédrio / Papado* – Opus Dei*
– Usurários – Vendilhões do Templo / Cambistas – Bolsistas (ou vice-versa)
– Sionistas – Zelotas / Paladinos – Cruzados (Belicistas)
Caramba, as voltas que um diagrama deu!
Muito bem.
Claro que era Século XXI que eu queria escrever. Obrigado pela correção.
Que nos seja dado sempre o direito a viver com dignidade, não a uma pretensa morte com dignidade que nada mais e que morrer como um executado sem ter morto ninguém.
Parti o antebraço direito e por isso não tenho paciência sequer para escrever um curto comentário com a minha desajeitada mão esquerda. Por isso, limito-me a fazer corte-e-cola para apoiar o que disse, mais acima, o Whale Project:
«Vamos lá, pelo menos, chamar os bois pelos nomes.
A eutanásia não é um avanço civilizacional. É um retrocesso terrível. E é por isso que temos uma palavra antiga para a designar. Da Grécia antiga. A morte doce.
Fazia sentido no tempo em que os cuidados paliativos disponíveis eram o vinho tinto e a pancada na cabeça. Não faz sentido nenhum no Século XXI /…/»
* A viver com dignidade e não a morrer com dignidade.
Claro que há alguns casos de gente que vegeta sem esperança como aquele caso terrível do galego que há uns anos acabou por ser morto no hospital com cianeto porque depois de 25 anos como um cadáver vivo queria morrer.
Mas esses são excepções que não podem ser usadas para impor a todos nós uma regra que nos permita ser assediados por anjos da morte.
Depois, como no caso da Ucrânia, temos bovinos a embarcar de cabeça e a insultar e mandar para a Rússia quem pensa diferente, neste caso da eutanásia temos gente muito humana a insultar quem defende que devemos ter o direito e a viver com dignidade e a morrer com dignidade.
A dizer atrocidades como que somos fanáticos religiosos e queremos que as pessoas sofram porque o sofrimento e o ginásio da alma.
Sim, um bandalho que se diz comediante, Guilherme Duarte, de seu nome escreveu disto.
Ora, eu não sou religioso, não tenho religião de espécie alguma e não acredito em poderes divinos.
Mas vi demasiada gente a morrer cedo demais, gente muito doente, com doenças muitas vezes potenciadas por tratamento médico dado tarde e a ma hora, em desespero por saberem que iam morrer e não queriam morrer.
Conheço um indivíduo que instala sistemas de televisão por cabo e outras coisas.
Numa das alturas em que estavam mais uma vez a tentar aprovar a coisa o homem dizia que estava apavorado e esperava que a coisa não passasse.
E falava justamente no caso de um holandês. Ele estava a instalar o sistema e a explicar ao homem como é que aquilo ia funcionar. O homem andava atrás dele com um andarilho e uma botija de oxigénio as costas.
Temos sempre a ideia de que a medicina na Europa vai melhor pelo que o triste acabou por perguntar ao homem “na sua terra voce não estaria melhor?”. “Na minha terra eu já não estava vivo”.
Por isso quando e diagnosticado a um Holandes uma doença grave ele não vai tentar a cura na sua terra. Ele morre aqui, longe da sua terra, longe de tudo o que conheceu.
Porque sabe que por lá não será tratado e será pressionado para pedir a morte.
Quem não tem dinheiro para comprar casa vive numa caravana. Enquanto estão ainda com saúde vao lá passar o Verão, que aqui lhes e penoso. No Inverno, quando e mais fácil nessas idades apanhar alguma coisa que os faça ir parar ao hospital como uma pneumonia nem pensar nisso e bom. Quando sentem que a velhice bateu forte deixam de lá ir.
Conheci uma holandesa que insistia em pagar os seus impostos em Portugal mesmo sabendo que era vantajoso manter a morada na Holanda para não ter todos os anos de pagar mais de 1000 paus de IRS.
Mas o terror de ser mandada para a Holanda se ficasse doente por não pagar impostos cá era suficiente para ela preferir pagar. E nunca foi possível conseguir explicar a sobrevivente da ocupação nazi da sua terra que aqui se adoecesse seria tratada pagando impostos ou não.
Dizia ela que sabia bem que aqui havia problemas. Era viúva, o marido tinha morrido cá.
Mas dizia que na Holanda era pior e as coisas tinham piorado muito desde que os médicos podiam acenar com essa perspectiva da morte sem dor.
O que e que leva a pensar os muito humanos bandalhos que se dizem de esquerda que aqui será diferente.
A única coisa em que eu e o Marcelo estivemos de acordo foi nosso. Admirei a luta tenaz do homem que tentou ate ao fim não aprovar aquilo.
Odiei os discursos de ódio lançados contra o homem e até pragas como “ainda hás de ter de duplicar para te matarem”.
Pelo menos reconheceu que aquilo e ser morto por outro, qual morte medicamente assistida qual conho.
Vamos lá pelo menos chamar os bois pelos nomes.
A eutanásia não e um avanço civilizacional. E um retrocesso terrível. E e por isso que temos uma palavra antiga para a designar. Da Grécia antiga. A morte doce.
Fazia sentido no tempo em que os cuidados paliativos disponíveis eram o vinho tinto e a pancada na cabeça.
Não faz sentido nenhum no Século XX e muito menos faz sentido que bandalhos escrevam coisas como “a ideia de cuidados paliativos tão bons que ninguém quer morrer fará sentido quando dois utentes dos cuidados paliativos do Santa Maria tiverem um filho”. Eis uma noção de utilidade que merece uma trapada de m*rda no focinho.
Esses bandalhos deviam passar pela miséria de terem em casa um familiar com sequelas de AVC que afectado também por hipertiroidismo se tornou um suicida furioso. De um dia para o outro. E que me disse duas vezes “se houvesse eutanásia ia pedir”. Eu só lhe pude responder que se o fizesse eu ia para a cadeia mas ele seria executado todo partido porque eu desancava o antes.
Mas a luz da como a coisa está regulamentada na Holanda e Bélgica ele poderia mesmo ter ido pedir.
Agora tem a porra da depressao controlada e já não quer morrer. Mas como seria se naquela altura já houvesse eutanásia a belga?
E muito mais havia a dizer sobre uma coisa que nos tem andado a ser vendida como a última oportunidade de Portugal entrar para o clube das Nações civilizadas.
Por mim dispenso essa civilização e estou muito feliz por a coisa não ter sido regulamentada.
Por mim espero que seja regulamentada quando as galinhas tiverem dentes e os animais falarem fluentemente quatro línguas vivas e uma morta.
Quanto a quem defende esse fantástico direito a morrer pode ir ali ver se o mar da megalodonte.
Está tudo certo. Os direitolas “estarem a defenderem os nosses valores e a demo-cracia”, Só compra quem quer. E umas cenourinhas penduradas à frente dos olhos do “animal não-político” (já que há os “animais políticos”, mais raros), vulgo Zé Povinho, sempre foi um truque de resultados comprovados.
Ainda hoje a anunciarem o dinheiro para as indemnizações dos recentes e devastadores incêndios parecia que estavam a dar prémios da lotaria sem sorteio, como se tivesse saído a sorte grande às vítimas dos mesmos! Como o dinheiro vem de fora, até brilham os olhos aos beneméritos do governo.
E palavras leva-as o vento, vamos ver se os resultados no médio-longo prazo dessa “fortuna”!
As indemnizações dos incêndios de Pedrógão Grande também iam ser justamente distribuídas e reparadoras, mas depois deram barraca, com a quantidade de dinheiro que foi usurpada ou desviada por “penetras” e “chicos-espertos”.
Há de ter estudado todos os cenários e espreitado todas as oportunidades, mas nem os incêndios anuais lhe permitiam demitir mais um ministro! Destruiu na praça pública o ministro Galamba e, até aí, falhou, “graças à determinação do PM” de não lhe tolerar a calúnia dizendo ao País que era positiva a sua avaliação e o mantinha no Governo.
No entanto o então PM, sabe-se lá porquê, não teve ou não quis ter a determinação de dizer ao PR que não se demitia, mantendo assim o governo e a sua maioria na AR.
1 – Dispõe a Constituição que todo o cidadão se deve presumir INOCENTE até haver trânsito em julgado duma sentença que o haja condenado;
2- António Costa, Primeiro-Ministro dum Governo dispondo de MAIORIA ABSOLUTA, não só NÃO fora condenado por crime algum com a respetiva sentença transitada em julgado, como, NEM SEQUER, fora acusado dum qualquer crime ter cometido ou, simplesmente, constituído arguido se viu por suspeição dele;
3 – O próprio afirmou, até, ser um Primeiro-Ministro de CONSCIÊNCIA TRANQUILA!
4- Todavia, ainda que, consequentemente, a isso NÃO FOSSE OBRIGADO, decidiu pedir a sua demissão de PM, assim, LIVREMENTE, «entregando o ouro ao bandido»:
5 – O pretexto foi que soube estar a ser investigado judicialmente, pelo que, segundo os seus princípios (embora não os haja explicitado, se republicanos ou de outra matriz qualquer), deixara de reunir condições para PM continuar a ser;
5 – Pese, embora, investigado continuando a ser (tanto quanto se pode depreender da entrevista dada pela PGR à RTP), tais princípios já não constituírem obstáculo algum para ocupar o lugar de Presidente do Conselho Europeu!
Agora «batam» no Marcelo!
SUBSCREVO integralmente e sem quaisquer rodeios, esta tamanha análise crítica ao estado a que chegamos, da Nação e seus protagonistas do “assalto ao pote”!
Vao para o diabo que os carregue mais a eutanásia.
Num país em que doentes morrem a espera de uma consulta, em que as infeções hospitalares e a negligência médica matam que se fartam precisamos da eutanásia para que?
Querem mesmo que Portugal vire uma Holanda?
Vivo num sítio onde os holandeses velhos são mais juntos que a areia.
Dois contam uma história terrível.
Os filhos vieram ter com eles a dizer que já tinham combinado a eutanásia e até escolhido a música que eles gostavam. Pelo que eles deviam por a casa no nome deles e irem pedir para não terem de sofrer a velhice.
Os desgraçados tinham 65 anos cada um e tinham acabado de se reformar.
Os tristes não viram mais nem boas. Venderam a casa por uma tuta e meia e rumaram ao Sul. Os filhos levaram quatro anos a dar com eles e eles dizem que nunca mais querem ver os filhos pela frente.
Quem pode por as maos no fogo pelos médicos? Sabendo que podem acenar ao desesperado com uma infeção vão dar se ao trabalho de assegurar os tratamentos necessários até ao fim?
Num país onde os casos de desumanidade pura e negligência de médicos são tantos?
Alguém pode ter a certeza de que não terá de passar o resto dos seus dias na Polónia para não ser pressionado a barbaridade de pedir a própria morte?
Não tenho vontade nenhuma de acabar os meus dias em qualquer terra do raio que o parta para não arriscar tratamento as três pancadas e pressão para aceitar morrer como americano executado.
De boas intenções e muita peninha do doentinho que só mexe os olhinhos esta o Inferno cheio.
Por isso metam a eutanásia onde o Sol nunca brilha. Pardon my English.
Caríssimo Whale: inteiramente de acordo com os teus argumentos. Já há uns anos, antes de a urgência da eutanásia se tornar uma prioridade para certa gente que até se diz humanista e de esquerda, escrevi duas crónicas no mesmo sentido que defendes.
Não sou insensível ao argumento do “direito a morrer na dignidade”, depois de ter acompanhado casos de pessoas em França que, em vez de viverem, vegetavam há anos num estado terminal sem a mínima réstia de esperança. Ainda esta semana houve outro caso público com esses contornos.
No entanto, conhecendo nós perfeitamente em que tipo de sociedade vivemos, o exemplo que deste dos dois holandeses que tiveram de fugir dos dedicados herdeiros que queriam acabar-lhes com o pio para se apropriarem da herança, é obvio que as sociedades que se encarregam da tarefa de assassinar os mais frágeis em clínicas de luxo por essa Europa fora arranjarão sempre equipas médicas que assegurem um veredicto de inutilidade superveniente da vida e da razoabilidade de por termo à existência em nome do “direito a uma morte digna”. Estes “anjos da morte” serão a regra numa sociedade individualista em que os velhos são cada vez mais considerados um estorvo para a sociedade quando começam a utilizar mais intensamente os serviços de saúde. A sociedade liberal rege-se por valores cotados em bolsa e não pelo valor da dignidade humana. Lembra-te daquele imbecil que há anos verberava a situação dos mais velhos a quem chamava “a peste grisalha”
É por esses motivos que termino com o teu desabafo: “metam a eutanásia onde o sol nunca brilha”