A crise do liberalismo

(Por Prabhat Patnaik, in Resistir, 18/11/2024)


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A vitória de Trump nas eleições presidenciais dos EUA está em conformidade com um padrão atualmente observável em todo o mundo, nomeadamente um colapso do centro liberal e um crescimento do apoio à esquerda ou à extrema direita, os neofascistas, em situações em que a esquerda está ausente ou é fraca.

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Dois “especialistas”…

(Miguel Castelo Branco, in Facebook, 16/11/2024)

Take I

Os americanos têm o Professor Mearsheimer, Scott Ritter e Douglas Macgregor, os franceses Aymeric Chauprade, Peer de Jong, Jacques Sapir e Caroline Galactéros. Nós temos a Ferro Gouveia, os Germanos de Almeida e os Poêjos.

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Hoje, a Gouveia foi apresentada na rádio Observador como «especialista em assuntos internacionais e de defesa» e afirmou que os europeus são uns cobardes por não assumirem uma posição forte perante os «ditadores».

Se tudo se limitasse a apor adjectivos e passar ao largo da análise dos factores implícitos num conflito e se tudo ficasse por esta fruste mimese de trocar a realidade pelas palavras redondas, não importa que diletante algum fizesse ciência, qualquer descarada(o) tocasse as teclas de ofícios que exigem décadas de estudo, pelo que Portugal, por muito que nos custe, mostrou nestes quase três últimos anos uma impreparação, um amadorismo e, pois, uma imensa falta de escrúpulos e cobardia ao permitir que a criaturas irrisórias fosse conferido o destaque na informação sobre temas para os quais não têm qualquer preparação. O general Agostinho Costa topou-a à distância e fez o trabalho que à honestidade se impunha.


Take II

O Major-General Arnaut Moreira afirma que a situação económica na Rússia é terrível e agrava-se todos os dias, que sobem as taxas de juro, já não há russos que queiram combater, já não há mão-de-obra e os vencimentos que auferem são miseráveis.

Estranho, pois pensei que se referisse ao desastre económico que espeita, tanto a Alemanha, como a França. Para estes delírios mitómanos, a solução é simples: peçam o visto numa qualquer embaixada da Federação, tirem um seguro de viagem, comprem os bilhetes de ida e volta e marquem estadia num hotel de Moscovo, outra em Kazan e São Petersburgo, contratem os serviços de uma guia, pois que os russos se recusam ostensivamente em falar inglês e viagem sem lentes deformadas.

A Rússia de Arnaut é um pastiche daquelas novelas e fitas da Guerra Fria. Não existe, pelo que o embate com a realidade é precisamente chocante para os leitores do Reader’s Digest e ouvintes da Rádio Europa Livre.

Zelensky, o mais recente putinista

(Tiago Franco, in Facebook, 16/11/2024, Revisão da Estátua)

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Depois da última entrevista de Zelensky, adorava ouvir os defensores dos “game changers”, “as long as it takes” e “agora é que é”.

Gostava que me explicassem, aqueles que durante (quase) três anos defenderam uma guerra paga com o dinheiro de todos e regada com o sangue ucraniano, com que cara é que vão sair disto, depois de ouvirem Zelensky admitir que a guerra termina quando os EUA quiserem e, pior, que é preciso entender quais são as linhas vermelhas definidas pelo governo de Trump.

Ou seja, traduzindo para português corrente, o presidente da Ucrânia assume aquilo que qualquer pessoa com dois dedos de testa diz há anos: a Ucrânia não tem qualquer influência no curso desta guerra.

Cabe-lhe o papel de meter a carne no assador, enquanto as potências decidem as novas alianças, fronteiras e parcerias económicas. Os ucranianos, como dito e escrito 500 vezes, não são tidos nem achados para a sua própria guerra.

Ninguém quis saber durante os anos de guerrilha no Donbass e, a partir da invasão russa, passaram os ucranianos a servir como ponta-de-lança de uma estratégia que pretendia desgastar os russos e deixá-los quietos mais 20 anos. E com sucesso, diga-se.

Zelensky foi elevado a resistente e herói pelos interesses do momento (EUA e RU), foi abraçado pelos idiotas úteis (UE) e no fim, depois de servir devidamente as potências que o manipularam, assume, que vai assinar o acordo que os outros deixarem, ou seja, o mesmíssimo que poderia ter assinado em 2022 mas com menos 500 000 mortos. Hoje até já ouvi dizer que “as fronteiras são dinâmicas” e “até Napoleão e Hitler caíram na Rússia”.

Meus amigos, quem andou a dizer esta merda durante 2 anos, era putinista. Quem o passou a dizer, depois da eleição de Trump, a começar pelo Zelensky, é o quê? Um novo-putinista ou um simples idiota encartado?

O som de tanta espinha a dobrar, ouvido aqui ao longe, daria para fazer a percussão do concerto de Natal do coro Santo Amaro de Oeiras.