(Por José Gabriel, in Facebook, 05/12/2024)

(A tradução do título, do latim, é A guerra de todos contra todos. É nesse estado que Hobbes entende que viverá a humanidade na situação de estado natural (pré-social), descrita em sua obra Leviatã.
Estátua de Sal, 05/12/2024)
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No princípio eram apoios bilaterais. A NATO fingia assobiar para o lado, como fingia que não tinha nada a ver com as causas da guerra – nomeadamente a tentativa de a Ucrânia entrar para organização, mesmo com um governo saído de um golpe cuja natureza não deixa dúvidas a ninguém. Os apoios militares eram, de início, por solidariedade de este e aquele país – era essa a aparência, a formalidade, embora fosse óbvia a acção concertada dos países da NATO, os já pertencentes e os a haver. Mas, oficialmente, a organização não era protagonista, ou, pelo menos, mantinha-se discreta na sua intervenção.
Agora, tudo isso mudou. O secretário-geral da NATO porta-se como presidente desta freguesia – ainda Stoltemberg, mas mais ainda o arrebitado Mark Rutte. Em coro com o caducado Antony Blinken, que mostra uma agressividade muito mais abrutalhada, dando ordens a todos os países “aliados”, ordens tanto mais atrevidas e terminantes quanto mais se sentem discordâncias e ovelhas a tresmalhar no rebanho “natista”.
As provocações sucedem-se. A boçalidade da criatura chegou hoje ao ponto de ordenar à Ucrânia que alargasse a mobilização e mandasse mais tropas para a frente de batalha. Sabendo nós a dimensão dos números de ucranianos refratários, dos que saíram do país por não quererem participar na guerra, da dimensão provável das baixas em combate e das deserções, a solução fácil de Blinken é, não a mesa das negociações e a busca de paz, mas atirar adolescentes ucranianos para a frente de combate. O seu último discurso foi das intervenções mais pornográficas e psicopáticas de todo este processo.
Agora, pois, fala a NATO – pela voz de Blinken e Rutte -, e não países aliados, mais ou menos empenhados. E o secretário de estado norte-americano pensa-se o dono e senhor, pastor de todo o rebanho belicista. E o trágico é que talvez seja. Desaparecem do espaço público – pelos métodos que bem sabemos – todas as vozes discordantes – em grau ou em substância. Se não está de acordo, tem de parecer. Ou desaparecer.
E a Europa-com-eles, uma tal União Europeia? Essa, começa a provar os efeitos sociais, económicos e políticos desta tragédia. Governada por um bando de uma mediocridade nunca vista, vê os seus maiores portando-se como galinhas tontas, sem inteligência, autonomia ou, sequer, um sentido mínimo do caminho a seguir.
Só parecem saber uma coisa: os ucranianos que morram até ao último. Depois, cá estarão para ajudar. E lucrar faustosamente com o desastre, como fazem os abutres – sem ofensa para os animaizinhos.
E a Palestina? – Perguntareis vós. Hoje, até a Amnistia Internacional acordou e, num extenso relatório, classificou como genocídio a intervenção de Israel. Alguns dos nossos governantes até já manifestaram algum incómodo moral. Que, como de costume, não será transformado em ato.
Mas não faltarão à chamada quando Israel transformar – como já nem disfarça – a faixa de Gaza numa zona balnear de luxo. Tudo será de luxo – até os colonatos. Há muito dinheiro a ganhar. E Deus, está escrito, tudo perdoa.

