(Eduardo Vasco, in S. C. F., 04/12/2024)

A ofensiva liderada pelo Hayat Tahrir al Sham contra Bashar al Assad começou no mesmo dia em que entrou em vigor o cessar-fogo entre Hezbollah e Israel. Será coincidência?
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Uma nova onda de “terrorismo” tem se abatido sobre o Oriente Médio desde o final do ano passado, desde que “os terroristas do Hamas” cometeram “graves atrocidades” contra “civis inocentes” em Israel, no dia 7 de outubro de 2023.
É esse tipo de discurso que tem permeado os principais noticiários brasileiros e internacionais nos últimos 14 meses. Somente no primeiro mês de “guerra” entre os “terroristas do Hamas” (termo que é repetido exaustivamente pelos âncoras e repórteres da Rede Globo, por exemplo) e o exército de Israel, no Jornal Nacional foram difundidas precisamente 258 acusações de terrorismo contra o Hamas. Os âncoras e repórteres do telejornal, sozinhos, foram responsáveis por 160 dessas acusações – uma média de praticamente sete acusações de terrorismo por edição.
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Isto de terrorismo bom e terrorismo mau sempre foi apanágio do Ocidente.
O terrorismo bom e aquele que nos faz o frete. Aquele que armamos e alimentamos. Esse terrorismo e absolvido, porque luta contra os que classificamos como ditadores, mesmo que o não sejam, por muitas atrocidades que cometam. E quem comete as atrocidades e simplesmente “rebelde”.
Em Angola, os terroristas da UNITA plantavam minas anti pessoal nos campos para provar aos camponeses que o estado central não os podia proteger.
O resultado foram milhares de mortos e mutilados e campos que ainda hoje estão minados.
Jonas Savimbi também era um combatente contra a bruxaria chegando a mandar queimar gente viva.
Quando o estado central passou a fazer nos o frete após a queda da União Soviética, Savimbi passou de bestial a besta, de rebelde a terrorista e foi rapidamente “apagado”.
Também acontece. A definição de terrorista só surge quando deixamos de precisar deles ou eles se viram contra nós.
O caso dos talibãs foi digno de um livro. Hoje da vontade de rir aquele filme da saga Rambo que nos seus créditos se diz “dedicado a heróica luta do povo do Afeganistão” onde figuram como heróis uma gente pouco lavada e as mulheres nem se veem.
Quando aquela gente entrou em Cabul lembro me de um comentadeiro a garantir que “o Afeganistão e uma sociedade medieval que facilmente aceitara as restrições impostas pelos talibãs”.
A execução de Najibullah e a exibição pública do seu cadáver na praça central de Cabul foi justificada pela raiva da população sobre um “carniceiro”.
Rapidamente se deixou de entrevistar os heróis pois que daí só saia asneira. Ao perguntarem a um daqueles mal lavados que faziam cerco a Cabul a razão porque estava ali respondera com todo o sossego “sou das montanhas e não tenho dinheiro para comprar uma mulher. Por isso vou ver se consigo uma em Cabul”. Qual liberdade, qual defesa da democracia e dos direitos humanos.
Só quando os talibãs deixaram de lhes fazer o frete, e que começou a se dar voz aos outros.
Aos que não resistiram não por estarem de acordo mas por saberem que aquela gente infligia suplícios terríveis aos que resistiam e tinham o azar de lhes cair vivos nas unhas.
Como cravar no crânio de um desgraçado tantos pregos como anos tinha o triste.
Aqueles a quem, ao contrário do que se dizia, a execução de Najubullah causara simplesmente terror. Imaginem que os espanhóis conquistavam Lisboa e penduravam o presidente da República no Terreiro do Paco. O que todos pensariamos era “se fizeram isto ao presidente, o que me farão a mim?”.
A CIA, que os treina, e mestre em técnicas psicológicas de terror que funcionam.
As atrocidades dos talibãs só começaram a ser contadas quando os talibãs se viraram contra eles.
Porque isto de apoiar terroristas passando lhes agua benta tem destas coisas.
Ou talvez interesse deixar medrar este tipo de caricaturas do Islao que a todos os muçulmanos que conheci causavam simplesmente horror.
Numa religião com mais de um bilião de crentes pode bem haver umas centenas de milhares que se juntem a gente desta.
O que também nos dá jeito se se tratar de diabolizar o Islao e branquear uma religião messiânica que acredita firmemente numa grande conflagração militar, onde o próprio Deus acabara por intervir, a que só os seus crentes sobreviverão. Bem como os crimes de terrorismo de estado que os seus crentes cometem desde que foram plantados no Médio Oriente
Com o apoio a “rebeldes” capazes de cometer tudo quanto e atrocidade que para isso os treinamos, e sempre a somar.
Agora talvez não dê jeito que os “rebeldes” sírios filmem atrocidades como a crucificação ou o afogamento em jaulas lentamente afundadas em piscinas que fizeram com que muita gente preferisse fugir a lutar. E quem os poderia criticar por isso?
Mas elas acontecerão.
O que e preciso e que os muçulmanos que se mobilizaram contra eles consigam trava los antes que consigam transformar toda a Siria no Inferno em que se transformou a Libia e onde ate se vendem escravos a céu aberto.
Quanto a esta dicotomia entre “terrorista” quando não nos faz o frete e “rebelde” quando somos nós que os armamos não deve surpreender nos. Já e velha.
Efectivamente a inovação não é o apanágio desta gente. Persistem nas mesmas receitas para desgraça dos povos do mundo.