O franquismo e a ausência de crítica da direita

(Joseph Praetorius, 29/04/2019)

A força que resta do franquismo (social e politicamente falando) vem do exemplo vivido da brutalidade triunfante que demonstra, aos olhos de tal gente e ainda hoje, a viabilidade da violência como modalidade de acção e impulso político para o pretendido êxito.

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O franquismo não sofreu a derrota militar e politica do fascismo, do nacional socialismo, ou do ideário imperial japonês. Nunca lhe foi imposta a assunção de uma menoridade política, ou de uma existência que é culpa em si própria.

E o franquismo é, aliás, apenas essa violência e não tem projecto sequer quanto à forma de estado. O franquismo pode ser assumido, portanto, em qualquer proporção conveniente e em qualquer sector da direita católica espanhola. O franquismo é um matiz. Mera realidade adjectiva.

Como bem se viu, Franco conseguiu até desempenhar no teatro do Estado, o papel cerimonial e político do déspota (mal) iluminado. Designadamente pela ostentação da patente de “generalíssimo”, apanágio exclusivo do Rei. E colonizou mesmo a Casa de Bourbon – coisa de que nem os Napoleões se tinham lembrado – impondo à Chefia de Nome e Armas um casamento com sua filha.

Os Duques de Cádiz vêm agora todos arraçados dessa parda progenitura galega e aspiram ao trono de França (mas com isso não é preciso preocuparmo-nos).

Na imagem, o carniceiro engalanado, a filha bimba e o parvo com a farda da vala comum – que é como os malteses chamam à ordem do santo sepúlcro conferida pela colina vaticana.

Sabem o que falta aqui? Falta a crítica do franquismo do ponto de vista da direita.

Sérgio Moro e os “conges”

(Por Joseph Praetorius, 24/04/2019)

Sérgio Moro

Um juiz que não sabe falar e que troca cônjuges com “conges” saberá pensar bem, já nem digo julgar bem? Que mas confusões lhe habitarão as meninges? Ver notícia e vídeo aqui.


Um juiz que diz “conge” – sempre será um juiz que pensa “conge” evidentemente – uma vez alçado a ministro (da justiça) de um demente, traduz situação suficientemente interessante para ser convidado a falar em Portugal.

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Mas – tanto quanto posso entender – como objecto de estudo experimental da neurologia, com os correspondentes eléctrodos na cabeçorra e diante de uma plateia – organizada de molde a não alterar as condições laboratoriais de observação – integrada por investigadores e especialistas médicos em formação.

Para juristas, as demenciais congeminações de que seja ainda capaz a pobre criatura só poderiam ter interesse em sede processual de decisão de acompanhamento de maiores (de acordo com a novíssima disciplina legal).

Os mais marcantes catedráticos da Faculdade de Direito de Lisboa devem, por seu turno, ser chamados (eles e os professores filhos, mais os professores sobrinhos, os professores cônjuges, porventura “conges”, até, e os professores afilhados, mais os prestimosos equiparados) a um aprofundado estudo da área da Psico-Sociologia das Organizações que esclareça o nível de degenerescência atingido, antes de se remeterem tais aberrações ao destino que haja de caber-lhes e que, pela certa, não seremos nós a entravar.

Nem assim, todavia, concordo com a veemência de um jurista perspicaz a quem presto a minha homenagem; todos estamos lembrados da exclamação preferida de Miguel Fonseca bramando, vicentinamente, em defesa da Lei e dos direitos, um “puta que os pariu” nacionalmente audível.

Não concordo, por não dar por demonstrado que tais fenómenos hajam sido paridos. Embora me renda diante da agudeza concludente de Arnaldo Matos, outro jurista de peso, em cujos termos isto é “tudo um putedo”.

Ocorre que não lobrigo, nem concebo, semelhante do qual possa provir aquele conjunto de aberrações. Cada um daqueles entes surge, por si, como género que em si mesmo se esgota. Isso exclui, naturalmente, no plano da liminar exigência lógica, qualquer filiação. É mister (como se diz em Coimbra) fazê-los regressar ao hades de onde saíram (mais aos “conges” e outros espíritos sulfídricos que possam ter-se imaginado).


Abutres pairam sobre a Venezuela

(Joseph Praetorius, 03/02/2019)

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Joseph Praetorius

É angustiante ver os primeiros movimentos de cerco à República Bolivariana e saber que o destino que se lhe prepara é o de uma Líbia, ou Somália, destino do qual partilharão – necessariamente – a Colômbia e o Brasil.

A gravidade dos semblantes dos dirigentes do novo eixo do mundo contrasta com a euforizada histeria assassina dos imbecis UE-USA que assim se prefiguram, mais uma vez, uma saída pela guerra para as desgraças às quais a guerra os conduziu.

A exuberante produção de oiro da Venezuela e a recuperação dos preços dos combustíveis transformaram Maduro em fenómeno eleitoralmente imbatível.

Mas a emergência orçamental da pilhagem para os USA e a inviabilidade de um confronto militar bem sucedido a oriente, exige a guerra, exige-a imediata, sem delongas, sem reservas, sem esperanças, sem mediações possíveis, sem saída, sem alternativa. Eles querem aquele oiro. Querem aqueles carburantes. E estão prontos a mergulhar o sub-continente na maior desgraça militar que este alguma vez conheceu.

Fazer alinhar a ridícula República Portuguesa com uma tal monstruosidade é imperdoável. Não há irrelevância ou grosseria capazes de atenuarem uma tal barbaridade, tão completamente sem freio. O grotesco Costa e o risível Silva… Imaginaram-se sequer a decidir e a falar em tais circunstâncias? Que alguém se lembre, quando houver o tempo, de lhes pôr pimenta nas línguas em memória de tal atrevimento.

Podemos estar a viver os últimos dias de paz precária no que pode bem ser a guerra civil de um subcontinente inteiro. Para as novas gerações crescidas sem qualquer noção do que sejam o esforço e a grandeza da luta pela liberdade e pela dignidade dos homens e dos povos, esta pode ser uma época tremenda.

Deus te guarde, Novo Mundo.