Contributos para um manifesto radical

(Carlos Marques, in Estátua de Sal, 19/12/2025, revisão da Estátua)


(Este texto resulta de um comentário a um artigo que publicámos de Ana Sá Lopes, jornalista do Público (ver aqui), sobre a posição de Pedro Nuno Santos relativamente à moção de confiança que Montenegro apresentou e cuja rejeição levou á queda do governo e a eleições antecipadas.

Pela sua contundência – que muitos reputarão como excessiva -, e também pela identificação de muitos problemas que o mundo – e em particular Portugal – enfrentam, resolvi dar-lhe destaque, não deixando de sublinhar a radicalidade das suas propostas.

Estátua de Sal, 18/12/2025


Pedro Nuno Santos “teme” o abandalhamento das instituições da República… mas se for para obedecer a não-eleitos de Bruxelas para diminuir o tamanho de uma empresa estratégica e prepará-la para ser vendida a alemães ao preço da chuva ao mesmo tempo que despede trabalhadores e corta salários mas paga milhões a uma CEO, para isso o “socialista” Pedro Nuno Santos vai logo a correr.

Já o “socialista” José Luís Carneiro prefere pensar nas “preocupações fundamentais das pessoas”. Será que triplicar o que gastamos com armas sobrevalorizadas do complexo militar industrial da oligarquia dos EUA, em obediência cega ao imperador em Washington DC, para prolongar a guerra proxy na ditadura nazi golpista corrupta ucraniana, em preparação para uma guerra da NATO contra a Rússia, provavelmente com contornos nucleares, e isto tudo porque “gostamos” é de apoiar golpes da CIA e violar direitos humanos e a soberania de n países, será uma das tais “preocupações fundamentais das pessoas”?

A julgar pela pressa com que o José Luís Carneiro foi a correr dar a mão ao Montenegro para que rosas e laranjas tivessem ambos uma mão no pote desta nojenta negociata, se calhar os portugueses até querem mais isso do que ter comida na mesa.

Outro “socialista” chamado António Costa, numa conversa telefónica com o primeiro ministro da Eslováquia, Robert Fico, mostrou quem realmente é. Será que em 4 horas falou de saúde, educação, segurança social, investimento, indústria, impostos, direitos laborais, agricultura, tecnologia, etc? Não. Segundo Robert Fico, o António Costa tem um só servicinho: guerra, armas, Ucrânia. Mais nada. Assim se vê o tipo de espinha dorsal que é preciso ter para se chegar aos tachos EU-ropeus. A espinha dorsal de uma minhoca.

Podíamos correr o partido “socialista” todo, e só encontrávamos cagalhões iguais ou piores que estes três. E a mesma coisa pode ser dita do PSD. E a mesma coisa pode ser dita para os minis BE, Livre, PAN, IL, e CDS (que se transformou no PEV da Direita: só existe na teoria graças a uma “coligação” que garante a eleição aos do costume, mesmo sem terem votos…). E a mesmíssima coisa pode também ser dita do Chega.

As únicas diferenças entre estas estrumeiras é uma mera nuance: uns gostam mais de ajoelhar e abrir a boca perante o baixar de calças da fação “Democrata” do Império; enquanto outros preferem ficar de quatro e virar-se de costas para a fação Republicana ou trumpista. Mas, no essencial, pintem-nos de que cores os pintem, os cagalhões serão sempre cagalhões

Portanto a senhora “jornalista” (se fosse mesmo Jornalista, não tinha lugar na Mainstream Media), está a falar realmente de quê? Está a fazer o seu respetivo servicinho: perder o nosso tempo com a espuma dos dias, encher páginas e páginas com politiquices que têm ZERO impacto na nossa vida, e entreter/distrair os palermas que ainda acham que isto é “jornalismo”, e que ainda se iludem com a “democracia” e “liberdade” e “paz” que na realidade já não existem na Europa. Assim:

  • Por estes dias, a UE aplicou sanções e censura a civis cujo único “crime” foi discordarem da narrativa do regime, e preferirem os factos em vez da propaganda mentirosa.
  • No Reino Unido já se prende gente por ter “opiniões erradas” nas redes sociais. Na Alemanha 2025 foi o ano em que a polícia espancou mulheres no Dia da Mulher por se atreverem a dizer “Liberdade para a Palestina”.
  • Em Bruxelas a ditadura da UE ameaça o governo da Bélgica por este continuar a recusar roubar os bens russos e com isso dar completamente cabo da confiança no nosso sistema financeiro.
  • A direção nazi-fascista terrorista genocida da RTP confirmou que quer o “país” (colónia) de Netanyahu na Eurovisão.
  • A Noruega deu um Nobel da “paz” a uma fascista assassina corrupta e traidora que quer que a “sua” Venezuela seja invadida pelos EUA.
  • Os nazis ucranianos agora deram em fazer terrorismo (com a nossa bênção e dinheiro) contra navios civis que transportam petróleo, e se um dia acontece a desgraça de um derrame no Mar Negro, já sabemos que a Greta Thunberg lá vai aparecer em frente a todas as TVs da NATO a culpar o Putin.
  • Os EUA de Trump já admitiram publicamente que o seu objetivo é colocar os seus vassalos facho-nacionalistas no poder na Europa, em substituição dos facho-liberais que são demasiado vassalos dos “Democratas”.
  • Os terroristas da Al-Qaeda que a NATO e a Mossad colocaram no poder na Síria continuam a matar gente. E Taiwan continua a ser armada até aos dentes pelos EUA em preparação da próxima guerra proxy, desta vez contra a China.

Mas nada disso é abordado pelos “jornalistas” na Mainstream Media. Portanto digam-me lá uma coisa: já perceberam bem porque é que esta tipa escreveu um texto sobre NADA? Sim, porque um caso na politiquice portuguesa, sobre gente que nada decide e em quase nada discorda, é um grande NADA.

Seja o nosso Primeiro-Ministro o Zé ou um calhau, seja o nosso Presidente o Manel ou um pisa-papéis, e seja o nosso Parlamento mais colorido assim ou mais colorido assado, NADA muda em Portugal. Já está tudo decidido, em Washington DC, Wall Street, Silicon Valley, em Bruxelas e Frankfurt, em Londres, e na Jerusalém ocupada.

É aí que moram os monstros que decidem o que se passa na vida dos civis que vivem nas províncias (como Portugal) deste império nazi-fascista terrorista colonialista/sionista corrupto e genocida.

A caminho da guerra

Notícia do ano: um dos vassalos corruptos/submissos de Washington DC em Berlim, disse que temos de nos preparar para a guerra contra a Rússia até 2030. Numa reunião entre o Kremlin e os militares, Putin e Belousov responderam: a Rússia está a ser ameaçada.

Sabem o que acontece a quem ameaça potências nucleares? Em 2030 vamos descobrir. O Medvedev, há uns meses, deixou a resposta no ar, e passo a parafrasear:

Se estamos numa mera operação militar especial, com todos os cuidados, a avançar metodicamente com infantaria, é porque consideramos o povo ucraniano nosso irmão. Não teremos a mesma consideração pelos que não nos dizem nada. Os vossos muros e trincheiras e tanques e blindados não terão utilidade nenhuma no tipo de guerra que acontecerá caso a Rússia seja atacada pela NATO.

Continuem, portanto, a distrair-se com merdas, e continuem a fazer de conta que ainda temos eleições legítimas que representam os interesses do povo ou que podem mudar alguma coisa. Continuem a insistir em dar legitimidade, com o vosso voto, a quem não tem legitimidade nenhuma. Continuem a discutir a espuma dos dias em vez de perceberem o essencial. E depois, quando for tarde demais para fazer a revolução e restaurar o 25 de Abril, digam que eu não vos avisei. Imaginem só isto:

  • O imperador Trump tem a tarefa de separar os EUA da NATO europeia, ao mesmo tempo que manda os vassalos europeus militarizarem-se à maluca;
  • a administração seguinte, em Washington DC, terá a tarefa de mandar os vassalos nos “governos” da Europa sacrificar todos os europeus tal e qual como agora se sacrificam ucranianos;
  • um tresloucado dos Bálticos ou da Polónia pisa uma linha vermelha da Rússia e faz um ataque que provoca mortos civis em Moscovo (tal como os nazis ucranianos fizeram em Donetsk e Lugansk ANTES da intervenção russa) usando um drone Tekever de fabrico luso-britânico;
  • uns minutos mais tarde, um par de cidades da NATO é visitado pelos novos mísseis russos carregados com ogivas nucleares, e estas cidades desaparecem do mapa.

Rezem só para que uma delas não seja Lisboa…Ou então, em vez de rezarem (ao vazio, pois não há Deus nenhum a ouvir as vossas preces), mentalizem-se que temos de fazer uma Revolução o quanto antes. Temos que restaurar o 25 de Abril e a independência, temos de nos tornar militarmente neutrais, e temos de fazer uma limpeza política quer aos Facho-Nacionalistas, quer aos Facho-Liberais, e temos ainda de recuperar a verdade, fechando as redes “sociais” do Tio Sam, e mandando para a rua todas as PRESStitutas que fizeram carreira a mentir e a manipular em nome do Império e sua oligarquia e também do lobby sionista. Uma lei contra a interferência e os lobbys estrangeiros é essencial. O regresso do escudo também. E a saída da ditadura da UE é uma necessidade cada vez mais óbvia.

E um outro projeto para Portugal

E a Constituição é para ser mesmo cumprida. E para além de se proibir partidos fascistas, deve-se também proibir que os outros partidos usem nomes enganadores. Se um partido é Facho-Liberal, então não se pode chamar “Social-Democrata”. Se um partido é sionista, então não se pode chamar “Democrata Cristão” (se bem que ser-se genocida não é incompatível com ser-se glorificador da Bíblia onde “deus” extermina bebés e crianças inocentes no Egito…). Se um partido apoia nazis ucranianos, não se pode chamar nem “Livre” nem “Bloco de Esquerda”. Se um partido aceita retrocessos laborais, não se pode chamar “Socialista”. Se um partido apoia grupos de lunáticos que roubam cães aos sem-abrigo, então não se pode chamar “Pessoas e Animais”. Quiçá podia-se exigir também à IL que acrescentasse a palavra Pinochetista ao nome, e ao Chega que acrescentasse a palavra Salazarista. Já o PCP tem um nome que não engana ninguém, embora fosse interessante perguntar a um qualquer cidadão em Kherson ou Zaporojie ou Donetsk ou Lugansk ou na Crimeia, eleitor do ilegalizado Partido Comunista da Ucrânia (o segundo maior partido nessas regiões até 2014), o que acha de um partido que se diz “Comunista” mas que condena quem luta contra nazis…

Resumindo e concluindo, o lugar de Portugal não é o de mera província descartável do Império dos EUA, e muito menos debaixo da Alemanha à espera que a próxima cuspidela do(a) chanceler não nos acerte em cheio (como aconteceu em 2011-2014).

O lugar de Portugal é estar, ao lado do Brasil, a olhar olhos nos olhos os restantes BRICS+, e a estabelecer rotas comerciais com o Sul Global, desde o México até Angola, desde Moçambique até à China. A fazer negócios em escudos. A exportar o que se pode fabricar na indústria portuguesa. A usar os campos para obter soberania alimentar, em vez de desperdiçar a água do Alqueva a regar a monocultura de abacate para estrangeiro papar. A ir atrás dos que fogem ao fisco, em vez de lhes abrir as pernas no offshore da Madeira. A voar numa TAP 100% portuguesa. A comprar petróleo barato à Rússia e à Venezuela, em vez de torturar as carteiras dos nossos automobilistas só porque um cabrão em Washington DC e uma puta em Bruxelas assim mandaram. A poder ver a RT e a Telesur, em vez de as censurar em violação da nossa próprio Constituição, e em vez de papar notícias falsas da CIA/Mi6/Mossad nas CNN e FOX, BBC, e i24, e companhia. A acabar com a Microsoft e a substituir tudo por Linux. E a estabelecer uma relação privilegiada com a China na ponta oposta da Belt & Road Initiative, para ver se acabamos com a dependência dos automóveis alemães e franceses, e do hardware da Intel/Nvidia. etc.

E o que está em causa

O que está em causa não é se no casinho da semana há mais razão no cagalhão Pedro Nuno Santos ou na estrumeira atual do P”S”. O que está em causa é a luta pela independência e soberania, pela decência e verdade, pelo progresso económico sustentável e pela reindustrialização, pela paz e pela verdadeira democracia realmente representativa.

Por um Portugal que tenha voz e futuro no Mundo Multipolar, e recupere as ferramentas para voltar a ter pleno emprego e valorização salarial (só possível fora do euro e sem neoliberalismo), e desse modo possa recuperar a motivação dos jovens para cá ficarem (em vez de emigrar) e terem famílias com vários filhos (em vez de um só filho, e só tarde na vida).

Para assim podermos depois evitar o inverno demográfico  – a peste grisalha de mais de três milhões de pensionistas num país só com seis milhões de pessoas -, que se prevê até ao final deste século.

8 pensamentos sobre “Contributos para um manifesto radical

  1. Nada a opor. Tudo, tudo verdade. Não quero comentar absolutamente nada. Só posso dizer: sim, sim, sim e mandar um grande e fraterno abraço ao Carlos Marques e à Estátua de Sal.

  2. Ordinarice e doentes morrerem a espera da ambulância, mulheres parirem na rua e dizerem nos que não há dinheiro para nos reformar mos porque é preciso andar a financiar nazis.
    Esses sim são uma cambada de ordinários como o bandalho que hoje foi cumprir o ritual do beija mao a Herr Zelensky.
    Esses sim são os ordinários que metem asco.
    Vai ver se o mar da choco que hoje o tempo até não está mau de todo.

    • Ahahahah, deve ser um eleitor convicto do P”S”…

      Em Portugal eu não tinha médico de família nem saneamento básico. A 20 e poucos Km de Coimbra.

      Dos 9 deputados (100%), todos eram do PS e PSD (juntos só com 65% dos votos), pois o Método d’Hondt manda literalmente para o lixo TODOS os votos nos partidos abaixo de 10%.

      Na poupança no banco quase não recebia juros. Mas por um empréstimo tinha de pagar os olhos da cara.

      Nunc tive um contrato de trabalho estável.

      Paguei, percentualmente, todos os anos muito mais impostos que os muito ricos que podem usufruir do offshore da Madeira e da “otimização fiscal” nos offshores de outros países.

      Não sei o que é isso da “concorrência” nas telecomunicações e nas gasolineiras. É só cartelização com a benção dos deputados.

      Estudei numa escola onde nos chovia em cima e o frio era tanto que por vezes até com luvas era difícil escrever. Repito: a 20 e poucos Km de Coimbra.

      Via notícias na RT, que muitss vezes desmascaram as mentiras das Fake News ocidentais, mas a minha Constituição foi violada e esse canal censurado.

      Nunc pude comprar um PC portátil sem ter de pagar também pelo monopólio da Microsoft.

      Só ao ir estudar na Universidade em Coimbra é que soube o que é ter transportes públicos. Numa capital de Concelho ao lado, ou andas de carro (e és espremido pelos impostos) ou andas a pé.
      E paguei propinas máximas, enquanto via colegas a desistir por não as conseguirem pagar.

      Vi a indústria portuguesa ser encerrada ou vendida a troco de fundos europeus que acabam sempre nos bolsos só de alguns. E sempre nos mesmos bolsos.

      Vi açorianos a terem de abater as vacas, pois o preço do leite pago pelas grandes superfícies não era suficiente sequer para pagar a ração dos animais.

      Vi helicópteros Kamov de combate a incêndio serem desmantelados e enviados para nazis ucranianos, ao mesmo tempo que em Portugal tudo ardia e diziam “não há meios suficientes”.

      Vi a austeridade neste país a ser imposta e o povo a sofrer lavagem cerebral para aceitar tudo como sendo “sem alternativa” e sem perceber que o problema é a própria moeda ESTRANGEIRA que substituit ANTI-democraticamente o nosso Escudo.

      Vi civis inocentes passarem por Lisboa ou pelas Lajes em aviões do Pentágono a caminho do campo de concentração e tortura Guantánamo (Cuba ilegalmente ocupada), e tudo isto com o “yes, my lord” dos governantes portugueses.

      Vi Portugal colaborar no extermínio de 1 milhão de seres humanos no Iraque e 250 mil no Afeganistão, para não falar d a destruição da Líbia e da Sérvia, etc.

      Vejo a nossa Constituição anti-colonialista a ser violada diariamente sempre que alguém tolera (e até apoia) o projecto colonial ilegítimo e genocida chamado “israel”.

      Vi lesados da banca morrerem sem recuperer o dinheiro, enquanto os ladrões gozavam a vida nas duas mansões à espera da INEXISTENTE Justiça portuguesa.

      Podia estar o dia todo nisto, mas fico por aqui.

      Portanto, chamar o que chamei aos P”S” e P”SD” e companhia, não é ordinarice. É o mínimo dos mínimos. Esses animais não merecem apenas palavras zangadas. Merecem prisão perpétua! Suja não ficou a Estátua com o meu texto. Sujo está o meu país, Portugal, devido a esses porcos!!
      E sujo continuará graças a cegos como você, que se indignam contra os indignados, em vez de se revoltarem contra a estrumeira.

      Se calhar és da estirpe daqueles que acham que “ter educação” é não dizer palavrões na direção de Hitler, mas sim ficar chocado com o gesto “up yours” (i.e. “vai levar no cu”) que o Churchill uma vez fez para uma foto do jornal em que se dirigia ao Hitler. Não tenho pachorra nenhuma para gente como tu, da estirpe dos superficiais, superficiais que chamam “sujo” ao trabalhador que manda o patronato fascista à merda, e superificiais que se deixam facilmente seduzir por um qualquer monstro que se apresente de fato e gravata e tenha etiqueta palaciana…

      “trair Portugal, oprimir Europeus, empobrecer portugueses, apoiar nazis e terroristas, colaborar num genocídio? Tudo bem, desde que não digam asneiras. Sujo é chamar nomes a quem faz essas coisas. Ter educação é chamar “senhor” ao Zelenzky e ao Obama e ao Trump e ao Netanyahu e ao Ventura e ao Costa.”

      Tenho sinceramente nojo de gente assim. É superficialidade demais. Total falta de noção.

      Ter educação é dar um tiro nos cornos de quem nos oprime. O homem mais educado de Portugal foi aquele que empunhou a arma que colocou fim à Monarquia. Ou aquele que disparou contra o edifício do governo em 1974. Os homens que faziam a vénia ao rei e os que tratavam o ditador fascista por “senhor Presidente” eram os menos educados de todos.

      Para mim é assim. Uma peixeira do Bulhão a dizer caralhadas é uma pessoa educada. Mas um snob cheio de etiqueta a tratar bem os monstros, é alguém sem educação nenhuma.

  3. Radical porque impossível. Mas uma boa ideia e talvez a única que nos pudesse livrar da grande patranha e do grande sarilho em que estamos metidos e que ao longo dos últimos quase quatro anos se tem agravado.
    Porque os povos teem o sono pesado.
    Ninguém e ditador sozinho. E as ditaduras floresceram na Europa justamente porque os povos teem o sono pesado.
    Não foi só a Gestapo. Muita gente na Alemanha permaneceu a dormir até ao fim. Os soldados não desertaram em massa, a polícia não parou de prender e matar dissidentes. Foi a pressão dos inimigos que causou a queda, não nenhuma revolução popular. Quanto aos militares ficaram se por uma tentativa de assassinato de Hitler que visava apenas conseguir uma paz separada com os aliados ocidentais para poder continuar o conflito com a União Sovietica. Sabiam que muitos fascistas deste lado achariam uma boa ideia. Os recursos da Rússia sempre foram o prêmio almejado por esta canalha toda tivessem os desgraçados o Governo que tivessem.
    E por cá? A verdade e que no tempo da outra Senhora, quando se deu o 25 de Abril, muita gente, em especial no Norte do país estava a dormir, outros, como muitos hoje, achavam que não havia alternativa.
    Muita gente, apesar da miséria, da emigração em massa, da ameaça de os filhos partirem para a guerra como já tantos tinham partido, achava que estava muito bem assim.
    Uma criatura do interior centro do país que em nova mandava umas bocas quase inocuas, pois que se assim não fosse iria mesmo presa, recordava se das velhas que diziam “deviam na prender”. Como hoje se diz que quem não apoia o nazismo ucraniano com toda a sua alma e todo o seu sangue deveria ser mandado para a Rússia.
    Se em Lisboa muita gente estava acordada, e isso viu se nas multidões que saíram a rua logo na manhã desse dia, muita gente na paisagem dormia o sono dos justos ou dos pecadores.
    O que torna a coisa impossível nos dias de hoje e não haver um corpo militar farto de uma guerra que não pode vencer.
    A guerra hoje faz se com os fanáticos ucranianos e com mercenários arregimentados do Brasil, Colômbia e outros.
    Estes últimos são tratados como cães e as famílias denunciam que quando mortos são dados como desaparecidos, sendo muitas vezes os cadáveres dados a comer a animais, para que as famílias não recebam nada dos dinheiros prometidos.
    Porque não é só o fascismo que move essa gente apesar de no caso da Colômbia, muita gente que andava a matar camponeses e líderes sociais por conta de sicarios fascistas se reconverteu na luta contra os russos que continuam a ver como “vermelhos”. E muitos pagaram com a vida o que andaram armando na sua terra.
    Mas, para além da extrema direita, e também a promessa de ordenados que permitem uma reforma tranquila ou pelo menos tirar o pé da lama. E depois as famílias ficam numa situação pior ainda. Sem dinheiro e sem o sustento que o desgraçado que foi no canto de sereia a custo garantia.
    Como aconteceu a mulher e dois filhos pequenos de um ajudante de mecânico brasileiro de 32 anos.
    Esse pelo menos foi dado como morto e agora o problema era pelo menos levar o corpo de volta a sua terra quente.
    Porque eu as vezes penso em que árvore terá um brasileiro batido com os cornos para achar que se pode “dar bem” na Ucrânia.
    Eles vêem para cá e no Inverno dizem cobras e lagartos disto. Queixam se de um frio que paralisa, andam pela rua a parecer uma trouxa de roupa, os que trabalham ao ar livre no verão de Sao Martinho já andam de meias térmicas.
    Quanto tempo acham que podem aguentar funcionais numa trincheira ucraniana?
    Mas o dinheiro, “e tão bonito o maldito” e a isca que faz com que ao nazismo ucraniano nunca falte carne para canhão. A extrema direita e o ódio aos russos vermelhos vem só a seguir. E para alguns nem sequer e ódio. E indiferença, o querer dar se bem não interessa quantas vidas se percam. Condenável de todos os modos.
    Morrem alguns mercenários europeus mas não os suficientes para que alguém se alarme.
    Foi ver muitos dos seus a chegar estropiados ou em caixões, a perspectiva de lhes acontecer o mesmo que fez os nossos militares agirem.
    Hoje e impossível tal acontecer. Não há caixoes europeus a regressarem da Ucrânia em quantidade suficiente.
    Os militares ate ganham com o assunto. Novos brinquedos, uma população anestesiada que conta com eles para ser protegida quando os russos quiserem entrar pelos nossos campos arruinados e escravizar a nossa população em boa parte doente e com a sua população mais idosa, dos 60 anos para cima, a ser regularmente dizimada por um veneno que lhes e impingido todos os anos como salvação através de uma barragem de SMS’s.
    Eles estão bem, os seus hospitais continuam a ter de tudo, querem lá saber se serviços hospitalares fecham para que eles tenham novos brinquedos e se continue a alimentar um conflito que lhes voltou a dar importância.
    Por isso uma revolução, a única coisa que poderíamos salvar nos ante povos cada vez mais alheados, cada vez mais grunhos, cada vez mais encantados pelos cantos de sereia do fascismo era mesmo a única solução para desenrolar este repolho. Um 25 de Abril que desta vez não se fizesse só com cravos mas metendo na cadeia em condições bem duras muita gente que merece. Mas isso e impossível. Não há caixoes militares em quantidade suficiente a vir da Ucrânia e dadas as características desde conflito nunca haverá.
    E por isso estamos metidos numa grande alhada e num grande sarilho.

    • O 25-Abril também parecia “impossível” até ao dia 24 de Abril.

      Nós estamos em passo acelerado para uma realidade Orwelliana cada vez mais parecida com o “1984”.

      Para mim, isso parecia uma coisa “impossível” em 2010. Mas alguém (muitos alguéns) fez alguma coisa para tornar isso possível.

      E este caminho faz-se sempre da maneira como dizes: um povito a dormir e com o sono muito pesado.
      Quando acordam costuma ser tarde demais.

      Por isso os meus textos são exclusivente com este objectivo: fazer abrir os olhos e as mentes.
      Colocar preto no branco aquilo que outros AINDA não se atrevem a dizer.

      As revoluções não precisam sempre de mortos e guerra. Podem acontecer por um conjunto de outros motivos.
      Não há caixões suficientes a virem a Ucrânia cobertos com bandeiras portuguesas… mas há mais de 4 milhões de portugueses a viver com rendimentos considerados abaixo do limiar da pobreza.
      Para mim, nem que fosse só um português nessas condições, já era suficiente para eu me indignar.

      E a indignação cresce com as urgências fechadas, o desmantelar do SNS, os rankings das escolas, os ataques aos trabalhadores, os vende-pátrias a colocarem as nossas TAPs todas (CTT, REN, EDP, PT, etc) nas mãos de estrangeiros, o offshore na Madeira, a bolha do imobiliário, etc.

      Os outros portugueses não se indignam? Indignam-se, sim. Mas estão calados. É a chamada maioria silenciosa. E o colapso do regime partidário tradicional é apenas a primeira evidência de que estamos a caminho de uma mudança.
      Mas, tal como no passado, há dois caminhos possíveis: ou uma revolução popular anti-oligárquica, ou um Facho-Capitalismo ainda mais opressivo.

      Ou seja, a revolução não é impossível. Pelo contrário, perante o apodrecimento deste regime, ela é INEVITÁVEL.
      O que falta decidir é se vamos logo para a revolução para limpar o podre e reconstruir limpo, ou se primeiro passamos umas décadas valentes numa ditadura de facto.
      O império dos EUA (e o lobby sionista) está a apostar na Extrema-Direita europeia, pois já ez os cálculos e sabe que beneficiará mais com uma Europa toda transformada num conjunto de regimes Pinochetistas e Stepan Banderistas, do que se a Europa se tornar democrática, independente e soberana, e pacífica e decente, com ideais anti-fascistas e anti-imperialistas.

      É por isso que a Venezuela é uma “ameaça” para Washington DC. Porque fez a escolha certa no final dos anos 90. Porque teve um líder revolucionário Hugo Chávez, em vez de um porco corrupto fascista vassala de Washington DC.
      Ora, se a Europa fizer a escolha certa de forma colectiva, terá muito mais sucesso que a Venezuela. O império dos EUA até pode ameaçar pequenos países isolados no “seu” continente, mas não teria hipótese nenhuma contra a Europa.

      E é exatamente por isso que o império decidiu infiltrar-se na UE e apodrecer isto tudo por dentro.
      A guerra proxy na Ucrânia é na realidade a derrota da Europa. A Victoria Nuland bem avisou em 2014: “Fuck the EU”.
      E assim foi.

      Muito sinceramente, não gosto de gulags, mas o resto da vida num gulag era o que estes traidores (agentes com mais lealdade a Washington DC do que ao povo Europeu) mereciam. Leyen, Rutte, Stoltenberg, Kallas, António Costa, Durão Barroso, Barbock, Merz, Scholz, Borrel, Macron, Meloni, Draghi, Boris, Sunak, Starmer, etc.

      Portugal, Itália, Irlanda, Espanha, Grécia – os “PIIGS” – e também o Chipre, foram humilhados e mal tratados, roubados e espezinhados durante a crise da moeda de Frankfurt.
      Alguns ficaram sem dinheiro nas contas bancárias, outros ficaram sem tecto, outros passaram fome, alguns até se suicidaram, os países tiveram de vender anéis e dedos para dar dinheiro a barqueiros alemães e franceses e especuladores da City Londrina e de Wall Street.
      O BCE “não podia” fazer o que um banco central faz: garantir a dívida e proteger o país da especulação externa.

      Mas agora, em obediência ao império dos EUA e dos seus oligarcas fabricantes de armas, esta mesma UE vai emitir Eurobonds para DAR (sem juros e sem sequer esperar receber de volta) centenas de milhares de milhões de €uros aos NAZIS e CORRUPTOS da ditadura Ucraniana, só para se poder prolongar a guerra proxy mais 2 anos, até ao último ucraniano, em vez de se negociar a paz.

      Perante isto, há zero indignação naa ruas. Parece que tens razão e uma revolução é impossível.
      Mas o que eu te digo é outra coisa: o silêncio nas ruas é também o da maioria silenciosa que se indigna sem o mostrar em público. Os mais de 70% que não voltam nas eleições Europeias. A esmagadora maioria que sofrerá as consequências desta asneira. Verá o dinheiro que perdeu, e isso causará aindaais revolta sempre que as coisas funcionam mal ou quando lhes dizem que “não há dinheiro” para o que realmente importa.

      As condições para a mudança de regime estão a ser formadas neste preciso momento.
      Quando nos 3 principais regimes (Reino Unido, Alemanha, França) os “líderes”, logo após as eleições, baixam para taxas de aprovação na ordem dos 15% ou 10%, e isto se repete eleição após eleição, isto não é sinal de vitalidade do regime.

      E quando a “mudança” dentro de casa acontece como na Itália, em que até a mussolinista Meloni mostrou ser um mero Macron com vagina, tão vassala da UE e NATO/EUA como todos os outros, e onde a diferença e
      é só o paleio mais xenófobo em vez de woke, então isso deixa-me descansado e ainda mais confiante que a revolução é inevitável.

      O mesmo se passará em Portugal quando o agente dos Republicanos/Trumpistas, André Ventura, for Primeiro Ministro.
      Terá só a mesma taxa de aprovação do Montenegro ou do Costa durante os últimos meses (após matar e enterrar a Geringonça).
      O povo verá que nada muda. E quando nada muda pelas eleições, tem de mudar de outra forma.
      É aqui que está o timing certo para a Revolução.

      Ora então, será nesse momento que os donos do regime irão agir: uma ditadura ao estilo Ucrânia ou “israel” em cada província Europeia.
      Pode ter mais ou menos botas cardadas nas ruas a controlar o pessoal, milícias tipo Azov numas capitais, ou tipo IDF noutras capitais.
      Mas isto é também uma garantia de revolta do povo. Simplesmente levará mais tempo, e os portugueses sabem bem (ou deviam saber) que pode demorar décadas até aparecer um Hugo Chávez, ou um Otelo e um Maia.

      Eles (os donos disto tudo) pensam que estão a controlar os cidadãos que dormem com sono pesado. Mas na realidade, estão a criar um exército de precários e revoltados que sabem que ninguém neste regime os representa, e em determinado momento estes cidadãos não terão nada a perder.

      A hubris desta oligarquia que os levou a celebrar o “fim da história”, será considerado pelos historiadores o chamado linchpin que levou os NeoLib e NeoCon a irem longe demais quer nas suas ambições económicas quer nas geopolíticas. Tudo o que se passoi desde então foi uma sequência progresisva de erros, tiros nos pés, e exagero na prossecução de dois objectivos (que antes do “fim da história” pareciam impossíveis): a acumulação de toda a riqueza, e a total hegemonia global.

      Um sem fim de agressões militares, como ir ao Iraque exterminar 1 milhão de seres humanos, a contínua expansão da colónia “israel” e do neocolonialismo imposto via dólar e euro, a expansão eterna da ofensiva e criminosa NATO, as sanções contra meio Mundo, a arrogância a substituir completamente a diplomacia, e a transformação interna dos regimes ocidentais em coisas onde o povo não tem voz nem decide praticamente nada pois o NeoLiberalismo da oligarquia decide tudo, são as pricipais razões que tornaram o colapso deste regime/império numa inevitabilidade.

      Quem é que algum dia pensou que o Syriza podia ganhar eleições na Grécia, que o Sinn Féin podia ser o mais votado na Irlanda, que um senhor a usar a palavra “Socialismo” podia disputar primárias taco a taco com o establishment Capitalista nos EUA, que o PCP poderia ter uma palavra a dizer sobre os orçamentos em Portugal durante a Geringonça, ou que o Mélénchon poderia almejar a Presidência Francesa?
      E no entanto tudo isso aconteceu.

      Mas no momento seguinte em cada um desses casos, o regime mostrou que o povo não podia mudar realmente nada.

      Agora o descontentamento faz-se pela Direita Nacionalista e xenófoba. A revolta já não é pela positiva, mas SIM alicerçada num ódio, que nada mais é do que a revolta de pessoas comuns, demasiado condicionadas para não questionarem o próprio regime. Então é mais fácil direccionar a raiva contra os fracos.

      Mas e quando também está válvula de escape falhar? Em quem votarão os Europeus após o falhanço da Meloni, do Farage, da Le Pen, da AfD, do VOX, do Chega, etc?

      Há de chegar o ponto sem retorno no descontentamento, em que o povo finalmente se cansa do próprio regime, e já não se deixa distrair com “novidades” partidárias, nem se deixa enganar com o ódio direccionado aos fracos.
      Como dizem os Marxistas, há nos regimes Liberais uma classe média que vive só o suficientemente acima da pobreza, para ter medo de perder o pouco que tem, e com o seu voto manipulado por esse medo, impede as mudanças a favor dos de baixo.

      Mas essa maioria de classe média está a desaparecer no tal exército de precários, sem carro, sem casa, sem contraro de trabalho, sem acesso à saúde, sem garantia de pensão na velhice, sem nada a não ser uma aplicação no telemóvel que apita para lhe dizer que a próxima tarefa está disponível, numa Uberização da economia que é um retrocesso ainda pior que o trabalho à jorna de há 100 anos.
      Junta-se a isto o despesimo e endividamento com a guerra, contra um país longínquo que nunca nos ameaçou, e com as ameaças a virem dos nossos próprios governos: chat control, planos para o fim do dinheiro físico, vacinação experimental obrigatória, vigilância permanente em todo o lado, prisão para as opiniões “erradas” online, polícias militarizadas, e serviço militar obrigatório sob a ameaça de guerra ditecta “inevitável” contra potências nucleares (Rússia e China).

      O povo pode ser ignorante, teimoso, e andar a maior parte do tempo de olhos fechados, a dormir com sono pesado, mas está situação não dura para sempre. Há inevitavelmente um momento em que a opressão vai longe demais e isto rebenta. É como as placas tectónicas. Parece impossível um continente inteiro mover-se, e no entanto, de tempos a tempos, a pressão é tanta que toda a crosta terrestre se move sob os nossos pés. E no momento do tremor, até o ser com o sono mais profundo é obrigado a acordar e a juntar-se aos outros todos na rua.

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