(Hugo Dionísio, in Strategic Culture Foundation, 15/03/2025)

Como jogador que é, Trump quer ficar com todas as cartas na mesa. A EU, apesar do bluff, garante a Trump o acesso ao prémio final.
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Numa semana em que se continuam a degradar as expectativas que muitos atlanticistas tinham relativamente à aventura de Kursk, continuamos a assistir a sucessivos episódios de circo mediático à volta do conflito na Ucrânia. Entre um Trump aparentemente preocupado com uma paz “duradoura” na Ucrânia, uma “Europa” que insiste em classificar a Federação Russa como “ameaça”, um Zelensky alinhado com os poderes da UE mas aparentemente mais aberto ao início de negociações, um Macron que diz falar por toda a Europa e refere “não se poder confiar em Putin”, uma Von Der Leyen que insiste no aumento massivo das despesas militares e uma delegação ucraniana em Riade que, após o espectáculo degradante na Casa Branca, afinal, uns dias mais tarde, e após uma derrota decisiva na aventura de Kursk, vem aceitar uma proposta de cessar-fogo imediato, todos estes episódios, superficialmente contrastantes, acabam por se encaixar de forma perfeita, complementando-se como um baralho de cartas ao serviço de Trump.
Para percebermos bem como se encaixam, a melhor forma de os tratar, é começando pelo último desses episódios: a farsa das negociações na Arábia Saudita. Não é segredo para ninguém, estejam de acordo ou não com a posição e pretensões da Federação Russa, o que é pretendido com o que se designou como “Operação Militar Especial”: desmilitarizar, desnazificar, neutralizar a Ucrânia em matéria militar, impedindo a sua integração na NATO, e proteger as populações russas das perseguições xenófobas registadas após o golpe de estado de Euromaidan.
Não obstante, os russos nunca se furtaram a deixar linhas abertas ao diálogo, de que deram prova quando se deslocaram à Arábia Saudita para conferenciar com a delegação dos EUA. Como é seu apanágio, e bem, não estiveram com meias palavras, jogos e sinais de fumo. Foram bem claros de que não estão preparados para negociar soluções frágeis e temporárias, mas apenas entendimentos sólidos, duradouros, que tenham em conta as preocupações de segurança da Federação Russa. Esta situação não terá mudado, uma vez que a imprensa mainstream vem agora dizer que a Rússia terá feito uma lista de exigências para que possa aceitar o cessar-fogo.
Não obstante, Marc Rúbio, após negociar com a delegação ucraniana um acordo para as famosas “terras raras”, assegurando a sua suposta exploração pelos EUA, disse a quem quis ouvir que os progressos seriam agora objecto de uma proposta concreta à Federação Russa. O tom era claro e visava fazer acreditar que os norte-americanos estão esperançados no resultado de todo este processo de intermediação. Estarão?
Voltemos à Federação Russa e coloquemos a seguinte questão: em que medida a proposta de cessar- fogo imediato, realizada num momento em que as forças de Moscovo obtiveram uma retumbante e humilhante vitória na região de Kursk, será do agrado da delegação russa? Será que algum dos objectivos tantas vezes sublinhados pelo Kremlin está garantido? Será que, do cessar-fogo imediato se pode depreender que a Ucrânia aceita todas as exigências do lado russo? E será de crer que, estando a Federação Russa numa posição de primazia no conflito, deite tudo a perder com um cessar-fogo? Ainda para mais quando, ao contrário do que foi anunciado, os EUA nunca pararam de facto os fornecimentos de armas e inteligência à Ucrânia?
Aliás, como todos ouvimos na imprensa mainstream, Marc Rúbio informou os jornalistas de que os fornecimentos de armas à Ucrânia foram retomados. O que quer dizer que nunca foram de facto suspensos. O tempo entre um e outro acto, dois dias apenas, tendo em conta os prazos burocráticos necessários, tornaria impossível a materialização da suspensão. Logo, se os EUA não suspenderam o fornecimento de armas às forças de Kiev, e, pelo contrário, supostamente até o retomam, que sinal dão à Federação Russa? Um sinal de que querem negociar? De que estão de boa fé? De que estão genuinamente interessados em fazer um forcing junto de Kiev para que aceite negociar?
Não me parece e, pelo contrário, a mensagem que pode passar até será a inversa, nomeadamente que o cessar-fogo servirá ao regime de Kiev para reagrupar, consolidar forças e rearmar-se. Se assim não fosse, qual o propósito, numa fase de discussão de uma proposta de cessar-fogo, do reatamento de um fornecimento que nunca foi, de facto, suspendido? Que mensagem passará para a Rússia? De que os EUA querem parar a guerra, mas não querem parar o fornecimento de armas? No mínimo é contraditório e aparentemente despropositado.
Portanto, se perante esta realidade não é de todo crível que a Federação Russa aceite a proposta de cessar-fogo imediato – vejamos que Lavrov já referiu por diversas vezes que o Kremlin já não se deixará ir em “ingenuidades” -, devemos questionar-nos, tendo em conta todos estes factores, se é aceitável partirmos do princípio de que a proposta norte-americana é genuína e de que são genuínas as intenções da Casa Branca. Como poderão eles, que têm acesso a toda a informação, acreditar que a Federação Russa aceitará, sem mais nem menos, uma proposta deste tipo, sem que sejam prestadas qualquer tipo de garantias e, para mais, continuando o fornecimento de armas a Kiev? Como disse um Ushakov, assessor de Putin, o Kremlin está interessado numa paz duradoura e não num “intervalo”.
A não aceitação russa será muito plausível, nomeadamente na sequência da apresentação de exigências que Kiev não estará preparada, à partida, para aceitar. Mesmo que, por razões diplomáticas, a rejeição de Moscovo seja manifestada com todos os cuidados, para não justificar ou dar razões que justifiquem o afastamento definitivo das outras partes. Tal não significa que os representantes russos não saibam o que está em cima da mesa, as reais intenções da Casa Branca e a possibilidade de, para consumo interno dos EUA, a não aceitação da proposta de cessar-fogo ser utilizada para diabolizar, ainda mais, o próprio Kremlin. Algo que, nos tempos que correm, pouco preocupará os russos e os seus representantes.
Com efeito, não é nada de inédito se Trump e seus comparsas se dirigirem ao povo norte-americano e disserem que a Federação Russa não quer prescindir de nada, não quer ceder em nada e, logo, não está interessada em “parar imediatamente o conflito”. Se, para consumo interno dos EUA, esse discurso funciona, numa perspectiva material, olhando à relação de forças no terreno, porque razão Moscovo cederia nos seus intentos, uma vez que se encontra numa situação de primazia militar? Ainda para mais quando Moscovo sempre afirmou que não pretende apenas “um fim” do conflito, mas que este fim seja acompanhado da resolução dos problemas de fundo?
Esta posição russa só pode parecer revoltante aos ocidentais e norte-americanos que estejam intoxicados pela propaganda que dizia no início que “a Ucrânia estava a ganhar a guerra” e “a Rússia ia ser derrotada no campo de batalha”, mais tarde que “o conflito está empatado” ou, já sob Trump, que “estão os dois lados a perder e a Rússia já perdeu um milhão de homens”. Para os que sabem, desde o primeiro dia, que este seria um conflito perdido para o Ocidente, a não ser que acabasse numa situação em que perderiam todos, ou seja no armageddon nuclear, não é surpresa que o Kremlin não abdique dos seus objectivos, uma vez que, face ao estado de coisas, se não os atingir nas negociações, atinge-os no campo de batalha.
Voltemos então ao consumo interno e ao circo para confundir e convencer os povos ocidentais. Numa situação em que a Federação Russa se mantenha irredutível nas suas pretensões, o que se prevê, julgo que Trump necessitará do “acordo” dos seus minerais de terras “brutas”, como um trunfo a jogar perante o seu público. Afinal, por que outra razão se daria tanta importância a um acordo, o qual, tendo em conta o conhecimento sobre reservas minerais registadas, tem uma eficácia material muito limitada? Tendo em conta que o território dominado pelo regime de Kiev não integra reservas minerais de grande importância, uma vez que as existentes naquela região estão já em posse dos russos ou em território considerado “ocupado”, aos olhos da Federação Russa, porque razão Washington daria tanta ênfase a uma mão cheia de nada?
A importância atribuída ao acordo dos minerais pela Casa Branca encontra explicação no facto de este entendimento constituir um trunfo, para jogar internamente, à disposição da nova administração presidida por Donald Trump. Como business man, para poder continuar o empreendimento ucraniano, após a previsível rejeição ou apresentação, pelos russos, de exigências que os EUA terão dificuldade em garantir, Trump necessita, pelo menos, de dois argumentos:
1. De convencer o povo norte-americano de que são os russos ou os próprios ucranianos – ou até os europeus – que não querem fazer cedências com vista a um entendimento, pois não aceitaram a “razoável, sincera e generosa” proposta do “Presidente Trump”;
2. A manutenção dos gastos com a Ucrânia está salvaguardada porque o “Presidente Trump” fez um acordo de minerais com Kiev, que garante o pagamento aos EUA, com juros, das quantias avançadas, passadas ou futuras.
Ou seja, se os russos não quiserem a paz, os ucranianos não a aceitarem, ou os europeus a boicotarem, Trump terá sempre as cartas necessárias para convencer o povo MAGA de que tudo fez para acabar a guerra, mas não conseguiu. Mas não o conseguindo, mesmo assim garante que os EUA não saem prejudicados com a situação. E assim, Trump sai do problema ucraniano, ficando nele, mas podendo dizer-se desresponsabilizado e como tendo garantido, em qualquer caso, o acesso a reservas minerais “valiosas” que compensam largamente os custos. A guerra continuará? Sim! Mas Trump poderá dizer que não é culpa sua e que, ao contrário de Biden, encontrou uma forma de compensar os contribuintes pelas despesas feitas. Claro que é uma falácia, pois todos sabemos do quanto as multinacionais dos EUA se apropriaram de activos sob posse do regime de Kiev.
Se for este o caso, acredito que possa ir-se por aqui, na medida em que, pelo menos Trump quererá contar com um vasto leque de opções que lhe permitam fugir, airosamente, para um ou outro lado. Continuará, em qualquer caso, não só a vender armas à Ucrânia, como à União Europeia e a outros “aliados”, algo de que não quererá prescindir. Se o conflito parar nas condições por ele pretendidas, Trump contará com as tais reservas minerais da Ucrânia, que compensarão largamente o fim do negócio das armas à Ucrânia e todo o dinheiro que os EUA lhes emprestaram.
Este é, portanto, o papel dual da problemática do acordo mineral com Zelensky. Possibilita o reforço argumentativo, qualquer que seja a situação. O acordo mineral garante o pagamento das quantias passadas, se a guerra acabar ou os EUA dela saírem, e das quantias futuras, se a guerra continuar. Perante o povo norte-americano, Trump sairá sempre a ganhar.
Portanto, para Trump tudo parece resumir-se a garantir ter à sua disposição um vasto leque de opções, igualmente vantajosas e proporcionadoras de justificações perante o povo norte-americano. Existe, contudo, algo que pode não encaixar bem nesta estratégia. E tal dúvida reside no facto de não serem conhecidas as reservas de “terras raras” na Ucrânia e, mesmo considerando outras reservas minerais, é no território que a Rússia considera seu – o Donbass – que se encontram as maiores e mais valiosas reservas. Daí que se deva questionar em que medida a intenção do cessar-fogo, associada à manutenção dos fluxos de armamento para a Ucrânia e, em conjugação com o distanciamento russo relativamente à proposta de cessar-fogo, não tenham na manga ainda outra opção ao dispor de Trump.
Para quem tanto gosta de falar de cartas, esta parece mesmo de jogador. Caso a Federação Russa não aceite o cessar-fogo ou uma qualquer proposta de divisão das terras em disputa, garantindo aos EUA o acesso, pelo menos a parte das mais volumosas e valiosas reservas minerais da região, os EUA conseguem não apenas diabolizar ainda mais o Kremlin perante os eleitores norte-americanos, como conseguirão justificar a continuação da guerra, a venda das armas e tentar almejar – o que sabemos ser uma ilusão – a reconquista, pelo menos parcial, do Donbass, dando assim um efeito prático ao acordo de minerais que fizeram com o gangue de Zelensky.
Ou seja, o efeito prático material do acordo de minerais, a confirmarem-se as suspeitas relativamente às parcas reservas na posse de Kiev, só se verifica se a Federação Russa aceitar negociar – através de cedências negociais exigidas por Kiev – a divisão de terras na sua posse ou em vias de o serem, ou, não acontecendo – como se prevê que a Rússia não aceite – através de uma reconquista pelas forças leais a Kiev, de parte dessas terras. Sem a verificação de uma destas situações, à partida, o acordo mineral não passa de um trunfo para consumo interno. Seja como for, os EUA ganham sempre. Ganham dos russos, se estes cederem (comprando a paz através das cedências territoriais) e dos europeus, porque estes compram mais armas; ganham dos ucranianos, se os russos não cederem e dos europeus, que continuam, em qualquer das situações, no caminho da militarização.
Daí que, na prática, eu tenda a acreditar que Zelensky tenha comprado, dessa forma, através da promessa de proventos futuros, o apoio de que necessita para a continuação da guerra, tentando conseguir dos russos uma pausa de 30 dias no conflito, o que, não alterando grande coisa, pelo menos pararia temporariamente a máquina de guerra que o Ocidente indirectamente levou a Federação Russa a construir. Também podem utilizar a rejeição do cessar-fogo para tentar afastar alguns aliados da Rússia, através da propagação de informação segundo a qual seria, desta feita, a Rússia, e não a Ucrânia, a rejeitar o fim dos combates e a contenção do conflito. O que será outro trunfo ao dispor de Trump, para tentar trazer a Rússia para a mesa das negociações.
Trump espera, através destes estratagemas, poder chantagear a Federação Russa com mais sanções, isolamento internacional e armamento à Ucrânia – onde encaixa maravilhosamente a suposta retoma dos fornecimentos – para dela obter cedências territoriais, onde se encontram as reservas minerais. A Rússia deixará arrastar-se para tal situação? Não me parece, mas na mente de Trump, isto fará muito sentido. Mas em algum lado encaixa a teoria manifestada por Marc Rúbio de que “também a Rússia está a perder” e também à Rússia interessa parar o conflito, tentando transmitir que o desespero não é só de Kiev, mas também de Moscovo.
Ao mesmo tempo que isto sucede e que Trump abre todas estas opções, devemos também ouvir com atenção as palavras de Peter Hegseth em Bruxelas. Se a tónica de Rubio e Trump oscila para a necessidade de parar imediatamente o conflito ucraniano, só agora se sabendo que o pretendem fazer de forma superficial e sem apresentar as garantias pelas quais os russos tanto se têm batido – embora tenham assumido por diversas vezes rejeitarem uma Ucrânia na NATO -, a tónica de Hegseth, por outro lado, tem sido mais direccionada para a necessidade de a Europa assumir a sua própria defesa, assumir as responsabilidades no conflito e fazer face, ela própria, às ameaças que pairam sobre si. Não vale a pena referir que ameaças são essas.
Conjugando estes dois discursos, temos o painel completo, percebendo-se também que, o que parece constituir uma contradição entre o comportamento europeu e as pretensões de Trump, afinal, não é contradição alguma, muito pelo contrário. Tomando Trump como uma espécie de demónio que trouxe consigo o colapso militar da Ucrânia, a União Europeia, depois de andar três anos a esconder dos europeus a real situação no terreno, aproveita agora a diabolização da administração Trump como contraponto da santificação que faz do regime de Kiev. Regime esse que agora se acertou com… Trump. Fechando um círculo aparentemente “inconciliável”.
O facto é que as resistências e rejeição manifestadas pelos “líderes” da EU à estratégia seguida pela administração Trump, no que toca às negociações com a Federação Russa e à intenção – pelo menos enunciada e agora corporizada num simples “cessar-fogo” – de colocar um fim na guerra na Ucrânia, são tremendamente contraditórias com as decisões práticas tomadas pela própria UE, estando tais decisões mais alinhadas com as pretensões destes “novos” EUA, do que possa levar a acreditar o aparentemente conflituante discurso. Uma vez mais, Peter Hegseth disse, em Bruxelas, para todos ouvirem, que era tempo de a Europa retirar o fardo (“unburden”) ucraniano das costas dos seus aliados atlânticos, para que estes possam enfrentar desafios ainda mais tremendos e os quais só os EUA podem e têm interesse em enfrentar.
Daí que, este circo de aparências durante o qual assistimos a uma espécie de complot contra Trump, por parte dos “dirigentes” da União Europeia, quando analisado em profundidade e para lá das aparências, permite constatar que, de alguma forma, a UE permanece alinhada com a estratégia hegemónica dos EUA – a qual não acabou sob o trumpismo. A União Europeia, perante a “deserção” dos EUA, ao invés de exigir destes as responsabilidades que lhe cabiam, logo alinhou no discurso veiculado por Peter Hegseth e, contra as pretensões dos povos europeus, voluntariamente aceitou a proposta de deserção de Washington e iniciou o cumprimento da ordem enunciada pela Casa Branca, apostando tudo numa militarização da União Europeia. Inclusive, garantindo a Trump um prémio pela “deserção”: o aumento exponencial dos gastos europeus no quadro de uma, cada vez mais obsoleta, NATO.
Claramente, e ao contrário das aparências, a União Europeia da veemente Von Der Leyen, não apenas não choca com as pretensões de Trump, como lhe facilita, de facto, a tarefa em relação ao desastre ucraniano. Como se o seu papel fosse o de lhe facilitar a tarefa, ajudando a desviar as atenções em relação ao essencial.
A UE desvia as atenções de Trump, assume o peso do fardo dos EUA, libertando-os para o seu empreendimento do Pacífico. Tudo isto enquanto parece muito zangada com a nova administração, mas tudo fazendo de forma a que as suas acções convirjam com as necessidades estratégicas hegemónicas dos EUA.
A UE, assumindo o financiamento do projecto e o aumento das despesas europeias com armamento, permite a Trump a manutenção do leque de opções de que atrás falei. Se continuar dentro do conflito, Trump tem a justificação da intransigência russa, ucraniana ou europeia, se pretender sair, Trump vende armas à UE e à Ucrânia e, mesmo que o conflito acabe, Trump garante sempre, no aumento de verbas europeias para a defesa, os ganhos que poderia ir buscar ao conflito, e com juros. Garante também, caso o conflito acabe nos seus termos, uma parte dos minerais que hoje estão em posse da Federação Russa. Os EUA nunca perderão, seja qual for a alternativa. Pelo menos acredito ser esta a pretensão de Trump, pretensão essa que choca com o facto de muito dificilmente a Rússia se deixar chantagear ou arrastar para uma situação em que os ganhadores sejam os EUA, às custas da própria Rússia. Não vejo Moscovo em tal situação de desespero. Ao contrário, o desespero está do lado de Kiev e da União Europeia e será a estes que Trump retirará o escalpe.
Daí que devamos de distinguir bem entre o que a entourage de Trump diz quando refere que “o Presidente quer acabar com este problema”. Tudo tem a ver com a óptica, sendo que, o “acabar” significa não poder ser responsabilizado pelo que suceder. Daí que, atirando as culpas à Rússia, à Ucrânia, à UE ou a Biden, Trump tem à sua disposição um amplo leque de cartas, que, pelo menos na sua mente maquiavélica, lhe permite sair deste conflito, de forma airosa. Trump sai do conflito, o que não quer dizer que o conflito não continue e que os EUA não continuem a enviar para lá as suas armas. Trump, ao invés, suceda o que suceder, sairá sempre limpo do mesmo e com ganhos – mesmo que virtuais ou futuros – a apresentar aos seus apoiantes, que “justifiquem” o falhanço das negociações.
Como jogador que é, Trump quer ficar com todas as cartas na mesa. A UE, apesar do bluff, garante a Trump o acesso ao prémio final.
Fonte aqui.
SUGESTÃO DE DESTAQUE NA «ESTÁTUA DE SAL» PARA REFLEXÃO:
https://tertuliaorwelliana.blogspot.com/
E Merz, outro com cara de carrasco nazi, celebrou o rearmamento da Alemanha, com um “A Alemanha está de volta”.
Todos sabemos como acabou quando Hitler disse a mesma coisa.
E a ansia de destruir a Rússia e tanta que ninguém vê o perigo que isto e.
Mais facilmente a Alemanha chega ao Cabo da Roca do que a Rússia.
Quem assistiu e viveu a repressão de movimentos a boleia do COVID e as pressões terríveis e cruéis para que as pessoas se fossem vacinar, o ódio intenso veiculado contra quem não lá ia, as restrições e o veicular de ódio, sem paralelo em nenhum outro lugar da Europa e provavelmente do mundo mostraram que a Alemanha nunca foi desnazificada.
Muita gente se queixou de estar a ser tratada de forma muito similar as restrições impostas aos judeus antes do seu arrebanhar para campos de concentração.
A cadeia de supermercados Lidl fou multada por não recusar o acesso a gente não vacinada. Chegou ao ponto de nem poderem abastecer o carro.
Houve gente condenada a mais de uma década de cadeia por alegadamente ter contaminado pessoas por não estar vacinado.Nao foi um arrebanhar de todos para campos de concentração foi a destruição de algumas vidas para causar terror.
Se ouves dizer que um vizinho teu, com filhos pequenos, apanhou 15 anos de cadeia porque tiveram a pouca vergonha de o acusar e condenar por homicídio, como é que ficas?
Havia muito bons espíritos que queriam que se fizesse o mesmo por aqui mas graças ao santo protector dos cachalotes aqui nao se entrou por aí.
Se vivesse na Alemanha, no meu caso concreto, ou conseguia subornar um enfermeiro para me livrar dos reforços ou teria morrido.
E isso arrepia me porque nos anos anteriores cheguei a esquacionar a emigração para a Alemanha.
Se o tivesse feito talvez já não estivesse aqui.
Esta ideia de que podia ter morrido faz com que ache mesmo muito má ideia rearmar gente desta.
E já nem falo da repressão cruel contra quem se manifesta contra o genocídio em Gaza porque essa e uma doença que corre em todo o lado e essa sim provoca antissemitismo porque começamos a deixar de conseguir distinguir os judeus dos crimes hediondos de Israel.
Porque acabamos por nos esquecer que nem todos os judeus partilham no Século XXI a crueldade bíblica dos seus antepassados de há quatro mil anos atrás.
Acabamos por nos esquecer dos desgraçados mortos em defesa dos direitos civis para toda a gente naquele farol da liberdade no outro lado do mar.
Ou dos judeus mortos por torturadores israelitas na América Latina de que falou o escritor Eduardo Galeano.
Por tudo isto é uma má ideia deixar que gente dessa se rearme. Uma ideia de borrego.
Mas o racismo a a ansia de destruição da Rússia e tanta que já ninguém para para pensar.
Isto tem mesmo tudo para correr pior ainda.
Slava burriquini.
E quando os fornecedores ocidentais já não tiverem stock de munições para continuar a fornecer à Ucrânia, correndo o risco de ficarem eles próprios vulneráveis? Vai Zelensky arranjar outros países fornecedores, com a “boa vontade” dos parceiros transatlânticos?
Em algum momento há-de acontecer uma ruptura de fornecimento logístico por esgotamento e redundância (até agora todo o esforço não permitiu a impedir tomada do Donbass e a destruição generalizada da Ucrânia), e/ou acontecer uma crise inesperada qualquer (um crash bolsista, erupções, terramotos, maremotos, tempestades, até a queda de um meteorito ou um fenómeno parecido com o de Tunguska em 1908, ou a tal “nova epidemia”) os fluxos financeiros para manter a Ucrânia ligada às máquinas também podem sofrer cortes.
Em uma situação de exposição prolongada a esta guerra de atrito, a Ucrânia demonstra ser algo resiliente, mas não a um preço baixo, pelo contrário, quer em vidas quer em infraestruturas materiais, e com perdas territoriais cada vez maiores e mais difíceis de reverter. Vale a pena continuar nisto mais 3 ou 4 anos? Para os russos o pior parece já ter passado, conseguiram conquistar o Donbass mais 2 oblasts, que conseguiram cintar e fortificar, e a coisa pode não ficar por aqui… Odessa, Kharkiv… os russos não se importariam muito de também controlar essas cidades/oblasts.
Quanto a armas de destruição em profundidade, duvido que Trump vá entrar por aí, quer para não seguir os passos de Biden, quer pelas relações diplomáticas que tem com os russos, e não quer deteriorar. Sé em caso de ameaças de ocasião as poderá invocar…
Esta é uma perspectiva penso que realista, se calhar a Ucrânia devia ter parado antes o conflito, logo em Istambul, e cada oportunidade que perde de o fazer a sua situação tende a piorar.
https://aterraeredonda.com.br/o-assalto-a-moscou-a-europa-tenta-novamente/ (O assalto a Moscovo – a Europa tenta novamente. Como em 1938, os exércitos da Europa estão de novo apontando para Moscovo, a ponto de comemorem o rearmamento da Alemanha, esquecendo as consequências do rearmamento alemão para o mundo no século passado. 14/03/2025. Por GILBERTO LOPES)
Diz quem sabe que disse Karl Marx: “A História repete-se, primeiro como tragédia, depois como farsa.” Há outra citação, não tão antiga, de Vladimir Putin, que os burocratas avençados de Bruxelas e Estrasburgo, como vigaristas que são, fingem ignorar. Reza assim:
“Os que não lamentam o fim da União Soviética não têm coração. Os que sonham reconstruí-la não têm cérebro.”
É uma fórmula que sintetiza bem o “perigo russo” para a Europa (nomeadamente para o cabo da Roca, sem esquecer Curraleira, Musgueira e Poço do Bispo!) e é claro que a Ursula, o Toni Bostas e restantes avençados a conhecem. Só fingem ignorá-la para poderem continuar a facturar as belas comissões dos merceeiros da morte, enquanto comem as papas na cabeça dos borregos que lhes pagam as prebendas.
Slava borreguini! Mééééééééé!
OS MÁRTIRES DE ODESSA
https://www.abrilabril.pt/internacional/os-martires-de-odessa-foram-sementes
ISTO É QUE VAI UMA AÇORDA!🤨
https://www.paginaum.pt/2025/03/11/gouveia-e-melo-despachado-das-fileiras-da-nova-school-of-law-apos-protocolo-com-a-marinha
«Com as receitas praticamente estagnadas, o grupo de media atribuiu a descida nos resultados líquidos sobretudo a uma revisão em baixa do valor do segmento televisivo (SIC), que gerou uma imparidade de 60 milhões de euros. Ou seja, o seu activo encolheu. Com a dívida líquida a aumentar de 115 milhões de euros para 131 milhões de euros, o grupo anunciou que admite “a possibilidade de realizar uma operação de venda e subsequente arrendamento das suas instalações em Paço de Arcos”.
https://www.paginaum.pt/2025/03/13/edificio-sede-da-impresa-vai-servir-pela-terceira-vez-como-activo-especulativo
Mas com ilustres comentaristas como um Milhazes e Rogério, entre outros de igual qualidade, a SIC não deveria bater grandes recordes de audiência, com as receitas publicitárias daí decorrentes?🙄
PALHAÇOS:
https://www.paginaum.pt/2025/03/11/foi-voce-que-pediu-o-rearmamento-europeu
Hum, Bom, é assim: os quatro oblasts e a Crimeia na totalidade. Desmilitarização da Ucrânia, OTAN nem falar, que mais? Sim, sanções e tal, assunto importante para falar. Bom, que mais? Talvez o zelérias, para ser enforcado pelos próprios ucrânianos. Tréguas? Aahaha. Mais depressa no verão foi Kherson e o diabo a quatro até às portas de Kiev. Não querem entender, vão ter que entender à força, estes gajos são todos uma anedota, julgavam que estavam a falar com amadores, mas não, acordem de uma vez, antes que ainda venha a ser pior.
Mais sabe Herr Zelensky que Putin já disse com as letras todas que podem bem ir sonhando com 30 dias de trégua para terem tempo de se rearmar.
Agora quem acreditava que o Tiranossauro ia desistir de tentar destruir a Rússia via Ucrânia pode esquecer.
E como o Tiranossauro não e criatura que goste de esperar isto tem tudo para correr pior ainda do que já correu.
Agora temos de tirar o chapéu às técnicas de lavagem ao cérebro ocidentais que conseguirem criar nos ucranianos um fanatismo idêntico ao das tropas de Hitler.
A não ser assim, Herr Zelensky já teria levado o competente tiro nos cornos e alguém já teria acabado com a sangueira.
Assim vamos continuar com a espada da guerra que fará a guerra seguinte ser com paus e pedras em cima da cabeça.
Tudo porque também fanatizaram de tal modo os povos europeus que ninguém se levanta a dizer “nem mais um euro para armar a camarilha de Herr Zelensky” e continuam a acreditar que mais tarde ou mais cedo destruiremos a Rússia sem sofrer nada com isso.
O racismo e realmente uma grande m*rda.
Que grande patranha e que grande sarilho em que estamos metidos.
Vi gorinha mêmo na SIC(K) Notícias a seguinte legenda:
“Zelensky acusa Putin de atrasar acordo.”
Estou farto de o dizer, mas tenho dificuldade em passar a mensagem: os “pretos das neves” são estúpidos que nem portas! Atão nem agora, que os gloriosos guerreiros de Herr Zelensky von Pandora Papers estão às portas de Moscovo, aquele burro do caraças do Creme Lin desiste de levar na tromba? Está à espera de quê? Que Herr Zelensky, com o seu conselheiro de segurança nacional, sargento Isidro, vá esfregar a peida na Sala Oral lá do sítio? Pôcera! Só a mim ninguém me contrata para clauzevitzar o futuro daquela porra! Não sabem o que perdem, cambada de estúpidos!
Bolas, oh Camacho, sargento não, «cabo lateiro»!!!!
As minhas desculpas pelo erro.