Quando a fome se junta à vontade de comer

(Major-General Carlos Branco, in Jornal Económico, 14/08/2026)


A “invasão” de Ceuta de 30 de julho foi uma punição por Sanchez ter tido a coragem de se opor a Trump.


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No dia 30 de julho, em poucas horas, entraram de rompante em Ceuta cerca de 70 mil pessoas. Passada mais de uma semana sobre esse sinistro acontecimento encontramo-nos em condições de efetuar uma análise mais qualificada do mesmo. São várias as perspetivas de análise possíveis, que se complementam: migratória, redes sociais, histórica. Este texto aborda apenas a perspetiva geopolítica. Curiosamente, nesse mesmo dia, a cerca de 40 km de Ceuta, o Rei Mohammed VI de Marrocos celebrava o 27.º aniversário da sua entronização.

Por ter sido tão óbvia, é inegável a colaboração dos serviços fronteiriços – que franquearam a fronteira aos «migrantes» -, assim como das autoridades policiais de Marrocos. A Guardia Civil espanhola identificou a presença de agentes dos serviços de informações marroquinos entre os «migrantes». É indesmentível a inação e a cumplicidade descarada da polícia marroquina, só possível por ter recebido ordens superiores.

Esta possibilidade foi corroborada pelo “The Telegraph” e por outros órgãos da comunicação social europeia. Não se tratou de um movimento organizado pelas máfias de tráfico humano, como argumentou o primeiro-ministro Pedro Sanchez que, por curiosidade, em nenhuma ocasião acusou Marrocos de instigar a iniciativa. A esmagadora maioria dos migrantes eram marroquinos oriundos de zonas próximas de Ceuta (Tétouan, Castillejos), embora alguns tivessem vindo de zonas mais afastadas como Rabat. Havia também alguns subsarianos, em número reduzido, esses sim migrantes vítimas das máfias. Inesperadamente, já depois do efeito político produzido, a esmagadora maioria dos “migrantes” regressou voluntariamente a Marrocos.

Convém lembrar que Marrocos reivindica Ceuta e Melilla como partes do seu território, não reconhecendo a soberania espanhola sobre os dois exclaves. O Rei e o Governo marroquino referem-se periodicamente a estas duas cidades como território a recuperar. Esta entrada de “migrantes” em território espanhol foi claramente e acima de tudo um ato com motivações políticas. Mas será que Marrocos atuou sozinho, por sua própria conta e risco, sem apoio político de ninguém? A resposta a esta interrogação deve levar em conta uma série de acontecimentos, que não podem, nem devem ser descartados.

A 15 de julho de 2026, a Câmara dos Representantes do Congresso norte-americano aprovou o H.R. 8595 (National Security, Department of State, and Related Programs Appropriations Act, 2027). No relatório do Comité de Apropriações da Câmara que acompanha o projeto de lei é dito que o comité «nota que as cidades de Ceuta e Melilla administradas por Espanha estão localizadas em território marroquino e continuam a ser objeto da reivindicação de longa data de Marrocos», acrescentando que apoia os esforços do Secretário de Estado para incentivar o diálogo diplomático entre Marrocos e Espanha sobre o «futuro estatuto» de Ceuta e Melilla. Embora não autorize nem dê luz verde a qualquer transferência de território, o texto sugere clara e inequivocamente o alinhamento de Washington com a posição de Rabat sobre Ceuta e Melilla.

Já em plena crise, o Secretário de Estado Marco Rubio reiterou publicamente ser Marrocos o mais antigo aliado dos EUA, e poucos minutos após as primeiras imagens do acontecimento na internet, Ted Cruz postava no “X” sobre o tema chamando-lhe “loucura total” e “suicídio civilizacional”. “A Esquerda odeia o Ocidente e está a trabalhar ativamente para o destruir para sempre” e outras niceties.

Também no “X”, o conhecido neocon Michael Rubin e fervoroso adepto da invasão do Iraque veio dizer, que os “EUA e Israel deviam impor sanções a Espanha se utilizar qualquer equipamento de defesa policial americano ou israelita contra os marroquinos inocentes na Ceuta ocupada”. Rubin instigou Marrocos a marchar sobre Ceuta e Melilla e replicar a Marcha Verde de 1975, quando o Rei Hassan II mobilizou civis desarmados para o Saara Ocidental. Segundo ele, Espanha tem de ser pressionada para descolonizar e entregar as cidades de Ceuta e Melilla a Marrocos.

As declarações de Rubin estão prenhes de atrevimento, sobretudo para quem se arvora de especialista em assuntos do Médio Oriente. Não encontrei nenhuma tomada de posição de Rubin sobre a brutalidade com que o ICE tratou os migrantes que assolaram a fronteira norte-americana; ou sobre a devolução de terras ocupadas/roubadas aos povos autóctones. Rubin podia começar pelo seu país e terminar em Israel. E claro está, Ceuta não é um território ocupado.

Por sua vez, Trump tem sido tremendamente hostil a Sanchez devido à recusa deste em aumentar os gastos com a defesa. Trump chamou à Espanha, repetidas vezes, «sócio terrível» e «causa perdida». Na Cimeira da NATO, em Ancara (julho de 2026), Trump vociferou chamando à Espanha «um péssimo parceiro na NATO. Não participam. Não pagam. Não quero ter nada a ver com Espanha.» e ordenou ao Secretário do Tesouro que cortasse todo o comércio com Espanha, incluindo visitas.

As acrimónias eram e são frequentes. Quando o Governo espanhol proibiu o uso das bases de Rota e de Morón e o sobrevoo do espaço aéreo espanhol por aeronaves norte-americanas que participassem nos ataques ao Irão, Trump respondeu: «A Espanha tem-se portado de uma forma terrível… Vamos cortar todas as relações comerciais com Espanha», afirmando ainda que «Podemos [EUA] utilizar a base se quisermos… Ninguém nos vai dizer para não o fazermos».

Em sinal contrário, as relações de Marrocos com os EUA e Israel têm-se aprofundado. Marrocos é um país parceiro da NATO através do Diálogo para o Mediterrâneo e participou em várias missões lideradas pela NATO, nos Balcãs e na Líbia, para além de ser um dos principais aliados dos EUA, desde 2004. Marrocos disponibilizou-se para um enviar um contingente militar e policial para Gaza, de modo a que Trump pudesse cumprir a promessa de manter Gaza sob tutela árabe, o que na prática se traduz em ajudar Israel a manter e a reforçar o controlo sobre Gaza.

Marrocos é o aliado árabe mais próximo de Israel. No dia 10 de dezembro 2020, foi anunciada a normalização das relações entre Rabat e Telavive, no âmbito dos Acordos de Abraão, como contrapartida pelo reconhecimento norte-americano do Saara Ocidental como parte integrante de Marrocos. Uns meses mais tarde, em 24 de novembro de 2021, Marrocos e Israel assinaram um Memorando de Entendimento de cooperação no âmbito da defesa, o qual incluía a partilha de informações, tendo sido o primeiro acordo formal desse tipo entre Israel e um país árabe.

Em linha com estes comentários, o jornal israelita Ynet veio dizer que Israel se devia colocar ao lado de Marrocos. Telavive só teria a beneficiar se Ceuta e Melilla estiverem sob a soberania de Marrocos, sugerindo que Israel devia usar a sua influência sobre Trump para apoiar as pretensões territoriais marroquinas. No mesmo jornal, o analista marroquino Amine Ayoub afirmou que o agravamento das relações entre a Espanha e os EUA tinha aberto «uma verdadeira brecha na armadura estratégica da Espanha no que diz respeito a Ceuta e Melilla». Como tal, «o parceiro mais importante de Marrocos» encontrava-se «numa posição única para avançar… por essa brecha». Também o embaixador de Israel na ONU Danny Danon criticou Espanha pela forma como geriu a crise e apoiou a posição de Marrocos relativamente aos dois enclaves.

O “assalto” a Ceuta não foi um movimento inorgânico, existem provas mais do que suficientes que indicam ter-se tratado de um movimento organizado. Seria ingénuo atribuir a culpa às redes sociais, que não atuam sozinhas. Apesar de existir um catalisador específico da crise – o acordo assinado pela Espanha e a Argélia sobre o novo contrato de gás natural que conecta a Argélia diretamente a Espanha, dispensando a passagem pelo território marroquino e o pagamento da respetiva tarifa de transporte – será difícil não ver neste movimento uma jogada política do Governo marroquino para “entalar” o Governo espanhol, sancionada por Trump e com o apoio de Israel.

Parece evidente que os interesses de Marrocos se cruzaram com os dos EUA e de Israel disponibilizando-se Rabat para funcionar como um proxy. Washington não perdoa a quem se cruza no seu caminho. A história está cheia de casos, que acabam sempre da mesma maneira: com o afastamento dos dirigentes incómodos através do recurso a golpes de Estado (em desuso), operações de mudança de regime (revoluções coloridas), ou mais recentemente ao higiénico lawfare.

A “invasão” de Ceuta de 30 de julho foi uma punição por Sanchez ter tido a coragem de se opor a Trump: na condenação do genocídio dos palestinianos em Gaza, em não se mostrar disponível para gastar 5% do PIB em defesa, e em condenar a intervenção israelo-americana no Irão. Os dirigentes que se “atravessam” na política externa norte-americana e que não estejam alinhados com os seus propósitos estratégicos têm sido, mais tarde ou mais cedo, alvo de tentativas para os depor.

A história está cheia de casos. José Sócrates está a pagar amargamente a aleivosia de ter acreditado que podia ter uma política externa autónoma quando decidiu estreitar relações com Chávez, um inimigo visceral dos EUA, que Washington queria desalojar do poder, indo contra as tentativas de isolamento internacional da Venezuela e de a tornar num Estado pária. Isto, apesar de em matéria de corrupção, haver nessa altura e ainda existir, em Portugal, muito por onde começar. Situações intocáveis imensamente mais graves daquelas de que o antigo primeiro-ministro é acusado. O objetivo de comprometer irremediavelmente o seu futuro político foi conseguido.

Embora Marrocos tenha um interesse particular em causar embaraço a Sanchez tudo indica que Rabat foi devidamente industriada. Se não o podemos afirmar por falta de provas concludentes, também não podemos excluir a possibilidade de se tratar de uma ação com o conhecimento prévio e apoio de Israel e dos EUA, com dois objetivos distintos: (1) no curto prazo, causar embaraço e desgastar o Governo de Sanchez, criando condições para a sua queda, fazendo-o pagar pelas críticas feitas a Israel e aos EUA; (2) no longo prazo, criar condições para que Ceuta passe para a soberania de Marrocos.

Com Ceuta sob controlo do bem-comportado e obediente Marrocos, Washington podia garantir o controlo do acesso ao Mar Mediterrâneo evitando a repetição de sobressaltos como aconteceu nos estreitos de Ormuz e Bab el-Mandeb, controlados por atores (percebidos como) hostis aos seus interesses. É necessário para Washington e Telavive inviabilizarem qualquer possibilidade de uma das margens do estreito de Gibraltar ser controlada por alguém que já negou o sobrevoo do seu espaço aéreo a aeronaves militares norte-americanas que se dirigiam para ações de combate.

Falamos da razão pela qual Israel e Estados Unidos ambicionam o controlo de ambas as margens do estreito de Gibraltar, privando a Espanha da soberania de Ceuta. Com os problemas nos estreitos de Ormuz e de Bab El Mandeb aumenta a importância do estreito de Gibraltar, tornando-se crucial ter a garantia de que nunca se perderá o seu controlo e que não venha a colocar-se a possibilidade do pagamento de uma portagem a quem o cruzar.

Há um terceiro objetivo atingido, talvez não intencional e provavelmente não incluído no cálculo estratégico dos promotores da iniciativa: evidenciar a fragilidade da UE causada pela ausência de solidariedade entre os seus Estados-membros, chegando mesmo 22 deles a assinar uma carta (iniciativa promovida pela Itália e Dinamarca) culpando a Espanha pela invasão dos “migrantes” e não Marrocos, mostrando a sua prontidão para introduzirem o controlo das suas fronteira com Espanha.

A situação assume contornos sórdidos, uma vez que Ceuta, apesar de fazer parte do espaço Schengen, está sujeita a um regime especial. Viajar de Ceuta para a Espanha continental requer um apertado controlo documental da identidade. Consequentemente, quem entrar irregularmente em Ceuta tem vedado o acesso ilimitado ao território da União Europeia e à liberdade de circulação no espaço Schengen. Falamos da mesma União que paga a Ancara para conter no seu território milhões de pessoas deslocadas.

Alguns países como a Itália e Dinamarca, aproveitaram a oportunidade para mostrar serviço e serem readmitidos no “regaço acolhedor” de Trump. O presidente norte-americano não perdeu tempo e fez um post no seu Truth Social com uma imagem sua sorridente a olhar a Gronelândia de cima para baixo e a dizer “Olá Gronelândia”. Trump estará radiante com a reação de Copenhaga e da sua diligente e oportunista primeira-ministra aos acontecimentos em Ceuta. Perante um ataque oriundo do exterior dirigido a um país da União, várias chancelarias optaram por se alinharem com o atacante. Palavras para quê?

22 pensamentos sobre “Quando a fome se junta à vontade de comer

  1. Esta certo. Decidiste grudar em nós como um carrapato. Ate te fartares como já se fartaram outros.
    Vai ver se o mar da choco. Do grande, daquele que e bom para grelhar.
    Um bom choco grelhado, com batata cozida e salada, acompanhado de um bejeca ou um branco bem gelados podem ser consumidos sem perigo.
    Não corres o risco de ir contra os nossos costumes e cultura.
    Pode ser que te alivie o azedo e a frustração que sempre vos dá por nao conseguirem unanimidade.
    Não desesperes, nem Hitler conseguiu apesar dos milhões de pessoas que fez sair pelas chaminés.

  2. Difamar? Isso e com vocês que até inventaram um assalto ao gabinete do CU.
    Eu estou me nas tintas para quantos votam em fascistas, logo se assoam ao guardanapo como se estão a assoar os idiotas que votaram Trump e agora não teem gente para trabalhar ou os argentinos que pensavam que eram só os outros a levar com a motosserra.
    Nos por cá estamo nos nas tinhas para rale como vocês a não ser quando aparecem por aqui a reggae converter alguém.
    Ou simplesmente a insultar e a gabar se da quantidade de vencidos da vida, frustrados e ressabiados que conseguem enrolar.
    Vai mas e trabalhar, malandro que aqui não convertes ninguém muito menos fazes desistir.
    Vai ver se o mar da alguma das malas roubadas pelo Arruda.

  3. O baixo nível dos comentários aqui deixados por dois radicais da extrema-esquerda, dizem tudo sobre o que vai na cabeça dessa gente. Na Assembleia da República, foram reduzidos à irrelevância política nas últimas legislativas, ficando BE, PCP e Livre reduzidos a meia-dúzia de deputados. Resta-lhes agora, como último reduto, as caixas de comentários das redes sociais, onde através do insulto e da difamação, tentam intimidar qualquer um lhes contrarie a narrativa oficial. Pois bem, comigo bem que podem bufar e chiar, que isso não me vai demover, antes pelo contrário, só me dá ainda mais razão…

    • E a entrevista é de 2010, mais uma prova de que os factos, as realidades, as evidências dos crimes nazionistas estão à vista do mundo inteiro há muito. O problema é o mundo quase inteiro fingir que não vê. E o problema para o nazionismo é ter acreditado, e ao que parece continuar a acreditar, que assim continuaria para sempre. Daí a continuidade inalterada do discurso rançoso da vitimização e do antissemitismo.

  4. Tanto lambe-CU (candidato único) que aqui vem parar…
    Este último espécime, João J. H. Nobrezas (serão títulos nobiliárquicos que este portentoso e misterioso conjundo de iniciais de apelidos entremeados revelam? Ou será primo de algum escritor de literatura do fantástico, mas em versão portuguesa?), é só mais um esbirro da propaganda a pregar a palavra do Evangelho dos fascistas, como fazem os Jeovás, outra seita de cariz religioso e fundamentalista, se bem que estes últimos não são racistas nem discriminam gente humilde ou pobre, e não precisam do Quarto Pastorinho para chegar a Deus.
    Ele que vá encantar pategos para a associação de lançamento de papagaios de papel de lustre (com folhos, ou não fosse Nobre).

    • O baixo nível dos comentários aqui deixados por dois radicais da extrema-esquerda, dizem tudo sobre o que vai na cabeça dessa gente. Na Assembleia da República, foram reduzidos à irrelevância política nas últimas legislativas, ficando BE, PCP e Livre reduzidos a meia-dúzia de deputados. Resta-lhes agora, como último reduto, as caixas de comentários das redes sociais, onde através do insulto e da difamação, tentam intimidar qualquer um lhes contrarie a narrativa oficial. Pois bem, comigo bem que podem bufar e chiar, que isso não me vai demover, antes pelo contrário, só me dá ainda mais razão…

  5. Deixando de lado o chorrilho de paleio oco, vazio e requentado que polula por aqui, atenho-me ao essencial do texto, o controlo do estreito de Gibraltar. A Inglaterra controla o lado Norte e a Espanha o lado Sul do dito. O mesmo é dizer que os EUA querem mandar ali e estão a aliciar Marrocos a ajudar a criar problemas à Espanha. Ora se Sanchez cortou o acesso yankee às bases e espaço aéreo espanhol, tb pode cortar o acesso ao Estreito, já que o RU nada lá tem que valha a pena. E se tantos andam a agitar o espantalho de Ceuta e Melhilha serem entregues a Marrocos, para agradar caninamente a Trump, então tb deveriam instar o RU a entregar Gibraltar a Espanha, país que, a meu ver, já deveria há muito ter tomado definitivamente conta do rochedo. Tudo parece encaminhar-se nesse sentido. É só uma questão de tempo.

    • Pois, já tinha pensado nisso. Um passo mais à frente, num mundo “razoável”, Ceuta e Melila voltariam para a alçada de Marrocos, Gibraltar para os Espanhóis (que poderiam dar salvo conduto de passagem no estreito aos ingleses com condições especiais, tal como os marroquinos aos espanhóis), e Olivença voltaria para a administração portuguesa.
      Assim se matavam 3 coelhos de uma cajadada.
      O Algarve logo se tentava depois noutra fase resgatar da coroa bifânica, quando começarem a deportar paquis e hindus de Inglaterra para as províncias e colónias do Império.

  6. Mas uma coisa e certa. Com a tendência dessa gente para as taras sexuais se chegam ao poder nem os cães estão seguros.
    Que grande patranha e que grande sarilho em que estamos metidos.

  7. Esses sim são links que vale a pena. O do Nobre só abri por aquela curiosidade mórbida que as vezes temos de manhanita pela fresquinha.
    Também porque o homem já cá tinha estado uma vez e mandou uma boca que soou a facho mas quis ter a certeza.
    Ora levei com mais uma cassete que culpa quem tem o azar de cá cair de todos os males que este país sempre teve.
    Porque também não deixa de ser verdade que ter casa em Portugal sempre foi uma carga de trabalhos.
    Senhorios gananciosos e leis que só protegiam os senhorios faziam com que muita gente gastasse todo o magro salário no aluguer do casebre.
    Tres e quatro famílias numa casa, cada uma ocupando um quarto com pais e filhos em promiscuidade eram regra no tempo de que os cheganos teem saudades.
    Durante uns tempos as coisas melhoraram mas a tal da gentrificação voltou a fazer do alugar ou comprar casa uma carga de trabalhos.
    Isso e leis que voltam a privilegiar senhorios e construtores gananciosos e desumanos.
    E voltam a haver barbaridades tipo duas famílias a partilhar o T1 que compraram a meias.
    Mas provavelmente não vou voltar a bater boca com o Nobre porque já sei qual e a cassete, odeio a música e não vou abrir mais nada que dali venha.
    Mas estes da pedofilia e outra falta de vergonha na tromba chegana são sempre bem vindos.
    Pena que não acordem nenhum dos grunhos que acham que devem votar nesse bando de celerados.

  8. Das mesmo a cara? Sabes quantos José Nobre e que há neste país?
    Eu apresento me como me apetece.
    Ainda não puderam proibir, lá vira o dia.
    Agora gosto muito quando vocês dizem que não são desrespeitosos.
    Dizem mentiras, coisas que sabem que são aldrabice redonda, escarram ódio e põe vidas em perigo por isso mesmo.
    Depois dizem que não desrespeitam ninguém.
    Falta de vergonha no focinho sim.
    E se das o teu nome, ou melhor, parte dele, para escrever tretas que são mentira de cima abaixo e mesmo porque o meu diagnóstico está certo, falta de vergonha nas trombas.
    E vocês armam se em campeoes porque sabem que a malta que não papa fascismos nunca vos vai dar uma caldeirada como apanhou aquele actor do Teatro A Barraca que personificava Camoes e por um triz não ficou sem um olho tal como o poeta.
    Vais negar a arrogância dos estrangeiros endinheirados?
    Nunca viste ninguém perguntar com arrogância se fala inglês?
    Não sabes quem compra T2 em Lisboa por coisas obscenas tipo meio milhão de euros ou mais?
    Achas mesmo que e o desgraçado entregador da Uber ou o que se esfalfa nas estufas, nos restaurantes e nos hotéis?
    Gente que já foi até morta para lhes roubarem a bicicleta de trabalho ou abatida a tiro dentro de casa.
    Se calhar por gente a quem discursos como o teu “ensinaram” que a vida dos imigrantes não vale nada.
    Pessoalmente se fosse do Bangladesh ou qualquer outra terra preferia morrer de fome a arriscar a vida aqui. Por discursos como o teu que não li em lado nenhum e também já emigrei.
    Nunca pensei que a minha gente, um povo de emigrantes, que continua a emigrar, se tornasse nisto. Nisto que me mete nojo.
    E já agora não venhas dizer que são os imigrantes que tiram o trabalho aos tugas e e isso que os faz emigrar. Porque a emigração era ainda maior quando nem se podia emigrar e nem o Diabo para cá queria vir.
    A debandada nos anos 60 so teve comparação com o grande êxodo da Irlanda na Grande Fome de 1845 48. Fugia se a fome e também a guerra.
    Parafraseando o outro, e o burro sou eu?

    • O teu tempo de antena acabou. Podes continuar a falar sozinho à vontade, que não te vou dar mais atenção, pois é isso que tu queres. Agradeço que não me voltes a dirigir a palavra.

  9. Nao param mesmo e a prova é o chorrilho de tretas com que um farsola que até tem um blog decidiu brindar nos.
    E preciso não ter vergonha nenhuma nas trombas para culpar os desgraçados que não teem dinheiro para alugar uma tenda pela crise na habitação.
    A crise na habitação surge da estupidez que foi deixar o turismo crescer sem regras como se fosse a nossa salvação e que fez com que muitas casas se transformassem em hotéis.
    A aposta no tal segmento de luxo atraiu também gente endinheirada que pode comprar uma casa de habitação pelo preço com que um jovem a querer constituir família não pode nem sonhar.
    E enquanto os imigrantes se amontoam em caves, estrangeiros endinheirados compram tudo o que há para comprar a precos a que os ordenados tugas não podem chegar.
    E aquilo a que se chamou gentrificação e que nos foi aposentado como a salvação da nossa economia e ai de quem dissesse o contrario que deixou portugueses sem casa e acumulou imigrantes em espaços insalubres.
    Eu estou me nas tintas para se no supermercado que está aberto quase dia e noite e me dá muito jeito não falam português.
    O que me lixa e o turista ou residente de língua inglesa arrogante que entra num serviço público e a primeira pergunta que faz ao funcionário e se sabe inglês.
    E que o insulta se o homem diz que não.
    E não digam os farsolas fascistas da treta que isso não acontece porque já vi acontecer muitas vezes e a última foi ontem mesmo.
    O insultado tinha mais de 60 anos e no concurso de entrada no serviço ninguém lhe exigiu que falasse inglês.
    Já os imigrantes tentam como podem aprender até para estarem a salvo de grunhos. Mas isto, ao contrario do inglês, e uma língua dos Infernos que custa a aprender para caralho.
    Quanto ao caos nos serviços de saúde tenham vergonha no focinho.
    Os imigrantes não estavam habitados a ir a médicos nos seis países e aqui só vão se se sentirem a morte porque infelizmente e isso que faziam lá.
    Mas vao a uma urgência do Algarve ou Lisboa agora a ver o que vêem lá. O turista europeu que acha que deve ir a urgência porque apanhou um escaldão ou lhe picou uma alforreca.
    E vao se lixar com a treta dos nossos costumes e cultura.
    Por razões que não vêem ao caso reduzi a quase nada o consumo de carne de porco e deixei de beber álcool. Também me querem deportar para o Bangladesh por ter deixado de respeitar os costumes cambada de energumenos?
    E se em vez de ate criarem blogs a escarrar ódio arranjassem um trabalho?
    Vão ver se o mar da um grande cardume de tubarões brancos famintos.

    • Fui educado e não vim para aqui desprespeitar ninguém. Ao invés, tu no teu comentário já demonstraste que não passas de mais um ignorante (e bronco…) igual a tantos que por aí andam à solta. E sabes que mais? Eu dou o meu nome e não me escondo atrás de nicks ridículos tipo “Whale project”. Antes de vires para aqui falares de falta de vergonha nas trombas seja de quem for, olha-te primeiro ao espelho…

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