(Major-General Carlos Branco, in Jornal Económico, 20/02/2025)

As alianças são efémeras e funcionam apenas quando existe sobreposição de interesses. Desaparecem ou modificam-se sempre que essa sobreposição deixa de existir.
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A Conferência de Segurança de Munique (CSM) realizada na cidade que lhe dá o nome, de 14 a 16 fevereiro de 2025, ficará registada na nossa memória coletiva. A maratona de discursos teve o seu ponto alto na intervenção do vice-presidente norte-americano JD Vance, que utilizou aquele fórum para informar o mundo de que o projeto globalista norte-americano tinha terminado e que, consequentemente, as relações dos EUA com a Europa iriam sofrer alterações significativas. Esta ia deixar de poder contar com o apoio ilimitado dos EUA.
O carácter disruptivo do seu discurso assemelha-se ao de Vladimir Putin, em 2007, quando sinalizou o início do fim da Ordem Unipolar nascida no final da Guerra Fria, assim como do projeto hegemónico global que lhe estava associado, travestido de “Ordem Liberal Internacional”, que lhe dava o suporte ideológico. O livro de Fukuyama saiu das estantes e foi ganhar pó para os baús da História.
Se o discurso de Putin representou o desafio a essa Ordem e a esse projeto, o discurso de Vance, já num quadro de multipolaridade assumida, veio pôr fim ao projeto exaurido e fantasioso da primazia global norte-americana, causando um grande incómodo aos neoconservadores e neoliberais dos dois lados do Atlântico. E, por consequência, pondo cobro ao atlanticismo ameaçando as alianças que lhe deram corpo, nascidas no fim da Segunda Guerra Mundial.
Vance veio afirmar que o perigo para a Europa não se encontrava na Rússia nem na China, mas sim no seu interior, na distância entre as promessas feitas pelos dirigentes europeus aos seus cidadãos e a forma como (não) eram concretizadas, na falsidade em que assentam os seus princípios, na debilidade do poder político tanto ao nível europeu como nacional e nas ameaças à democracia, dando como exemplo o cancelamento das eleições na Roménia e os ataques à liberdade de expressão. Lembrou que a Europa é fraca e que não está em sintonia com os interesses e valores americanos.
Houve na sala um esgar de confrontação entre duas posições ideológicas distintas. As palavras de Vance chocaram a audiência e provocaram algumas respostas. Como o peixe fora da água em grande agitação antes de morrer, os atlanticistas e defensores de uma esgotada Ordem Liberal davam um ar da sua graça, como fizeram Pistorius e Kaja Kalas, entre outros, mas de um modo inconsequente.
Ao ser formalizado o fim do Ocidente como uma entidade – aparentemente – unida, escancaram-se as portas para a emergência de uma nova Ordem Internacional, por cima dos escombros da antiga, provavelmente mais difícil e agreste para os europeus, cada vez mais irrelevantes geopoliticamente e marginais na gestão dos assuntos internacionais, agora agravada pelo afastamento dos EUA da segurança europeia. O atlanticismo caminha a passos largos para o fundo da gaveta.
Vance veio mostrar quem manda e qual o caminho que vai ser seguido. Não é que isso seja novo, mas costumava ser feito de modo menos rude e arrogante como aconteceu desta vez. Não me recordo de líderes norte-americanos não cumprimentarem os dirigentes de um país anfitrião, por permanecerem pouco mais tempo em funções e, em contrapartida, encontrarem-se com líderes da oposição.
O golpe desferido numa Europa decadente, a caminhar para a irrelevância estratégica, torna evidente o fim do sonho da Europa se tornar num polo de poder mundial, um “par inter pares”, com que muitos sonharam e nos quais me incluo. A adesão incondicional da Europa aos excessos do modelo neoliberal liderado por Washington contribuiu decisivamente para o seu declínio.
A conversa sobre a Europa como um ator global não passou de um delírio alimentado por muitos académicos, quando era claro que a União Europeia, a entidade política que representava a Europa, já não desempenhava um papel de relevo em matérias globais. Como pode a UE querer ser autónoma e pensar ser um ator global se ante esta emergência reúne em Paris durante uma presidência polaca ao invés de em Bruxelas ou, no máximo, em Varsóvia?
A Ucrânia foi igualmente um tema incontornável na agenda da conferência. A posição dos europeus veio confirmar uma evidência histórica e, de certo modo, dar razão ao presidente Trump. As guerras europeias contribuíram para a diminuição da importância estratégica do continente. Foi assim nas duas Guerras Mundiais, em que a liderança da Ordem passou para potências não europeias. No caso da guerra na Ucrânia, mais uma guerra europeia, a negligência em compreender a História está a produzir resultados dramáticos.
A não participação da Europa no processo negocial em vias de se iniciar evidencia a sua menoridade no relacionamento entre as potências maiores. O topo da pirâmide política europeia sediada em Bruxelas não compreende isto. A sua visão do mundo limita-se a séries curtas, recorrendo à linguagem utilizada pelos economistas. Talvez compreendam agora, tardiamente, que não existem potências normativas, como nos quiseram fazer crer durante décadas.
O alinhamento incondicional da Europa com o projeto neoconservador/neoliberal da Administração Biden demonstrou a sua incapacidade em perceber que o projeto Ucrânia se tratava de um projeto norte-americano sedicioso, de longa data, contra a Rússia, no qual participaram afincadamente algumas potências europeias, na esperança de colher alguns dividendos. A complacência dos europeus ante as revelações do célebre F*** the EU, da autoria de Victoria Nuland, ou We find a way relativamente à destruição do Nordstream, da lavra de Joe Biden, na presença do chanceler Olaf Scholz, contrastam hoje com o escândalo e a raiva face ao pragmatismo geopolítico de Trump e Vance.
Os dirigentes europeus ainda estão com dificuldade em perceber o que está a acontecer. Têm de se adaptar a viver sozinhos, sem a proteção securitária fornecida pelos EUA, num mundo multipolar e numa nova correlação de forças internacionais em que são atores de segunda ordem. No curto prazo, a Europa pode ser confrontada com uma revolução conservadora. As eleições que se avizinham em vários países europeus poderão ser decisivas e comprometer, decisivamente, este projeto europeu onde prosperam os burocratas não eleitos, mas não o desenvolvimento. O PIB agregado da Europa passou de 90% do norte-americano, em 1999, para 75%, em 2024.
Recuperando uma ideia do Coronel Carlos Matos Gomes, um insigne historiador militar, “uma leitura superficial sobre os conflitos do século XX permite concluir que os exércitos europeus são exércitos historicamente derrotados… Foram os EUA e a União Soviética que impuseram a descolonização à Europa através das dinâmicas do Movimento Descolonizador. No século XX quem decidiu a sorte das armas na Europa foram os Estados Unidos, a Ocidente, e a União Soviética, a Leste, que dividiram o continente entre si, em Ialta e Potsdam,” como o voltarão a fazer se for necessário. Nada disto foi tido em consideração pelos altivos burocratas bem instalados na bolha bruxelense.
À semelhança das outras guerras europeias do século XX, também a guerra na Ucrânia está a contribuir para o declínio da Europa. As potências europeias terão de perceber porque deixaram de ser uma prioridade para Washington e que o seu destino vai ser decidido principalmente (se não exclusivamente) pelas grandes potências, China, EUA e Rússia. Afinal, como se estuda nas academias militares e nos cursos de segurança, as alianças são efémeras e funcionam apenas quando existe sobreposição de interesses. Desaparecem ou modificam-se sempre que essa sobreposição deixa de existir.
Os europeus pensaram, ingenuamente, que faziam parte da equipa, que integravam o plantel, quando na verdade nunca passaram de apanha-bolas.
Até há pouco tempo, os inefáveis defensores do elo transatlântico combatiam ferozmente quem defendia o reforço da Política Comum de Segurança e Defesa europeia. Colocavam à frente do desenvolvimento de uma Europa forte os interesses norte-americanos. Multiplicavam-se em conferências e reflexões sobre o tema, em que sob a capa de um pretenso debate se fazia propaganda e criavam lealdades, ridicularizando o projeto de autonomia estratégica europeia. Eram, objetivamente, um instrumento de quem em Washington defendia o imperativo de impedir a emergência na Europa de um polo de poder que pudesse rivalizar com o americano.
Os atlanticistas tinham por missão impedir que a Europa alguma vez pertencesse ao universo dos atores que verdadeiramente contam. Dessa forma, traíram a Europa e os europeus. Alguns, têm agora o descaramento de lamentar a fraqueza militar europeia, quando contribuíram conscientemente para o estado em que nos encontramos.
E não há possibilidade de mandar para a Ucrânia com bilhete do de ida os trastes que foram a dita manifestação?
Não sou a favor de mandar ninguém para lado nenhum mas há coisas que passam os limites da decencia.
E se não andássemos atrás de belicistas e expansionistas como os americanos, uma corja de ladrões, como agora se está a ver na Ucrânia em que o Tiranossauro promete continuar a financiar o regime de Herr Zelensky em troca de todas as suas terras raras, não precisávamos de armas para nada.
Os Estados Unidos torram metade do investimento estatal em armas, soldadesca e 800 bases militares espalhadas pelo mundo enquanto a população morre cedo porque não tem acesso a sistemas de saúde decentes e se afoga em drogas para aguentar os dias de trabalho porque ir ao médico tratar dores e outras mazelas sai muito mais caro.
Se e isso que queremos para os povos da Europa, em frente a comprar armas, e a so terem direito a consumir e engordar os comandantes militares e os soldadinhos de chumbo.
A China só agora começa a apostar em armamento a sério por ter percebido que os Estados Unidos não vão hesitar em usar meios militares para os impedir de os ultrapassar economicamente.
A China sim precisa de se defender.
Mas até aqui apostou com sucesso em exportar desenvolvimento para o mundo.
Desenvolvimento e não guerra.
Se tivéssemos apostado na paz não precisaríamos de armas.
Podíamos ter tido uma relação decente com os vizinhos do lado, especialmente depois deles terem desistido disso de criar sociedades alternativas ao capitalismo.
Em vez disso toda a gente achou boa ideia tomar o caminho da confrontação e da guerra e acompanhar os ianques em todas as missões de guerra e conquista a nossa porta.
Não é de hoje que os que não acham isso boa ideia são vilipendiados.
Ainda me lembro de ver o Freitas do Amaral vestido de trajes árabes como o Saddam Hussein as vezes usava no Pasquim do Paulino das Feiras por se insurgir contra a planejada destruição do Iraque.
A guerra aconteceu mesmo e a Europa levou com os refugiados.
Na Síria foi a mesma coisa e agora com a Ucrânia também.
Eles partem os ovos, fazem as omoletes, comem as omoletes e a gente fica com as cascas e joga o lixo fora.
Sabemos que a Rússia não precisa de nós para nada, não quer invadir nos, mas queremos deixar as populações na miséria para engordar o complexo militar norte americano porque se não vem aí o Putin montado num urso.
Vão ver se o mar da tubarão branco faminto.
Ainda se fosse Paulinho dos Souks ou dos Bazares, com um pouco mais de mundo como tinha o seu irmão Miguel Portas, talvez fosse um pouco menos bimbo o conteúdo do seu pasquim, mais sábias as suas prelecções, ou mais credíveis as sondagens que produzia. Ainda assim, com as cunhas e o colinho que teve, chegou a ministro da Defesa (e das negociatas mal-explicadas com submarinos, etc) e depois até a ministro “Irrevogável”. Um autêntico tratado de sabujice e submissão aos Grandes Irmãos, que nem o Ayatollah tem a Alá.
Hoje há uma manif de apoio à (continuação da guerra na) Ucrânia, em Lisboa, e a Ferra Aveia está na Alemanha a falar sobre as eleições, apresentada pela repórter Aninhas Sofia Cardoso como “especialista em política alemã”. Outra na senda do Paulinho das Feiras, que era especialista em todos os tipos de política e mais alguns, sobretudo na “geopolítica atlantista”, talvez só lhe faltando a pós-graduação em astroestratégia, visto que na geoestratégia é um consagrado.
Assim vai o mundo dos pategos, mais um Domingo de sol na Pategónia.
1945—1974—o fim da/s Europa/europas.
Da EFTA à CEE, UE, da economia sem Defesa mas da Belle vie consumi e engordai.
Com mil circos meio romanos de multidões bem ou mal pagas, pão e circo assegurados.
Sem domínios exteriores, a outrora grande França a retirar-se totalmente de África, idem todas as ‘potencias’ europeias,
para quê Defesa/FA?
No peculiar Tuga dos Kamov de Costa MAI e sua nova GNR, Segurança interna, desde a normalização com Cavaco times, Basta. Forças Armadas Ano zero aqui,
Europa colónia Atenas de Roma, dantes com Adriano, agora com os Bidens ou Trumps.
As pessoas (em grande numero mas não todas) foram induzidas em erro pelas reações emotivas e histéricas de membros da casta política (de todos os quadrantes do espectro parlamentar e do estreito e controlado leque pseudo pluralista). As pessoas devem se distanciar, mas por empatia para com os seres humanos de ambos lados. A propaganda de guerra, ao incentivar as reações reações de medo, de odio e a coação em pertencer ao “rebanho” A ou B ou C, perdem humanidade (depois surgem patéticas reviravoltas e estados de denegação da realidade).
A solução não e aumentar gastos militares quando não temos dinheiro para mandar cantar um cego.
E arrepiar caminho e garantir que nunca mais vamos ajudar quem queira destruir o vizinho do lado.
Nunca mais vamos embarcar nas guerras de destruição ianques.
A Rússia não precisa de nós para nada e de certeza não nos quer invadir. Para que raio e que um pais como a Rússia precisava de nós?
Por isso deixem se de tretas e não venham dizer num país onde há reformas de 300 paus que temos de gastar mais para comprar armas.
Vão ver se o mar da choco.