Brincar à paz num ritual de morte

(José Goulão, in Strategic Culture Foundation, 03/07/2024)

A recente cimeira do G7, complementada com a chamada “conferência de paz” sobre a Ucrânia confirmaram a decadência do império norte-americano.


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A recente cimeira do G7, complementada com a chamada “conferência de paz” sobre a Ucrânia, realizada na Suíça, confirmaram a decadência do império norte-americano, o fracasso do chamado Ocidente colectivo perante a maioria global e avançaram para a preparação do velório da União Europeia, por enquanto apenas um cadáver adiado.

Em Itália, onde a primeira-ministra, a neo-mussoliniana Giorgia Meloni, teve de correr atrás do zombie Biden e deitar-lhe a mão quando o presidente norte-americano, em modo de sonâmbulo, se dirigia para parte nenhuma, o Grupo dos Sete “mais ricos do mundo” (G7) entreteve-se a encontrar a melhor maneira de “emprestar” mais umas dezenas de milhões de dólares ao regime ditatorial da Ucrânia para prosseguir a guerra e o processo de suicídio.

Decidiu ir buscar o dinheiro supostamente aos juros dos 300 mil milhões de dólares roubados em activos da Federação Russa congelados na Europa, dando mais um exemplo da estratégia cleptómana que tem servido de base ao colonialismo ocidental e “civilizatório” dos últimos 500 anos. A União Europeia, em estado agónico e com o seu eixo franco-alemão a dar sinais quebra a qualquer momento, aceitou mais essa incumbência dos Estados Unidos, em cima das muitas com que Washington se vai desfazendo dos encargos mais pesados da guerra na Ucrânia à medida que se aproximam as eleições presidenciais. Que não se confunda este alijamento de carga sobre os satélites europeus com uma desistência da guerra que opõe, na realidade, o regime dos Estados Unidos da América à Federação Russa. Washington dirige o processo através do seu instrumento NATO, obrigando os Estados membros a assumir o ónus militar e económico da guerra, garantindo também que o conflito permaneça em solo europeu, e deita mão às vantagens que dele pode extrair: um negócio armamentista como houve poucos ou mesmo nenhum outro; desenvolver um desgaste continuado da Rússia, enquanto intensifica as ameaças à China, tentando perturbar a consolidação de uma arquitectura institucional da maioria global no sentido de instaurar uma nova ordem internacional; prolongar o mais possível o estado de guerra para que toda a Europa, exangue, se submeta ao seu diktat sem quaisquer restrições – tentando assim encontrar um novo fôlego para um império a abrir rombos por todos os lados.

Na Ucrânia trava-se, na realidade, uma chamada “proxy war”, uma guerra por procuração dos Estados Unidos contra a Rússia através do regime nazi-banderista imposto desde 2014 em Kiev. Sabemos que no campo de batalha não é bem assim porque toda a NATO está envolvida através do financiamento, da doação ininterrupta de armamento, do recrutamento de mercenários, do apoio às tropas no terreno, da entrega de toda uma panóplia de avançados meios tecnológicos militares de última geração que as forças armadas ucranianas não estão em condições de usar e manusear isoladamente. Pelo que as principais potências militares da NATO, com os Estados Unidos à cabeça, estão efectivamente em guerra contra a Rússia.

Sendo, de facto, uma guerra por procuração, não é correcto atribuir o papel de procurador apenas à ditadura ucraniana; é desempenhado em conjunto com a Europa (União Europeia e membros europeus da NATO), à qual cabe desenvolver a parte mais onerosa e desgastante do esforço militar – excepto a carne para canhão fornecida por Kiev – e acarretar com as duras consequências económicas e sociais impostas aos seus povos.

Um singelo exemplo: a República Federal da Alemanha, outrora o “motor” da União Europeia, o único país exportador da agremiação, caiu para o 24º lugar (entre 67 países) em termos de competitividade económica, situando-se entre o Luxemburgo e a Tailândia e ainda atrás de nações como a Islândia e o Bahrein. Os dados estão contidos no ranking de competitividade económica elaborado pelo Swiss Business Institute. Nessa escala, a Alemanha está em 49º lugar nos custos de energia eléctrica para os clientes industriais; e também em infraestruturas de energia. O governo alemão de Olaf Scholz, porém, não soltou um pio quando os Estados Unidos, em conluio comprovado com a Noruega – produtor e exportador de gás natural -, fizeram explodir o gasoduto Nord Stream 2, entre a Rússia e o território alemão, através do qual a Europa consumia gás natural a preços pelo menos cinco vezes mais baixos que os actuais. Mais do que masoquista perante os seus patronos norte-americanos, a Europa tem vocação suicida. Quem sofre são os povos, nunca as classes políticas, até ao dia em que a paciência das populações se esgote e se inicie o inevitável ajuste de contas com o regime federalista e sociopata pan-europeu.

Nessa altura poderá então desbravar-se o caminho para a reconquista da soberania dos Estados do continente e para uma democracia que deixe de ser adjectivada como “liberal” e da qual a recente reunião do G7 foi um esclarecedor exemplo.

Saiba como é a “democracia avançada”

O “Wall Street Journal”, periódico da oligarquia transnacional governante, qualificou a reunião do Grupo dos Sete como a “cimeira das democracias avançadas”.

Avaliemos então o “avanço” da sua qualidade democrática relembrando a representatividade política dos participantes na reunião realizada em Itália: Joseph Biden, em estado perceptível de insuficiência intelectual – como ficou claro no primeiro debate com o inominável Trump -, mas ainda assim candidato a um novo mandato de quatro anos, age sob o controlo de neoconservadores psicopatas que ninguém elegeu; a anfitriã italiana, Giorgia Meloni, herdeira em linha recta do fascismo italiano, tem uma representatividade relativa, que as recentes eleições europeias ainda não puseram em causa, ao mesmo tempo que ilustra os avanços do extremismo de direita na Europa; o fascista Justin Trudeau, chefe do governo do Canadá que ainda recentemente homenageou no parlamento um criminoso de guerra banderista ucraniano responsável por centenas de assassínios sob cobertura hitleriana, tem as intenções de voto em queda; Emmanuel Macron, presidente francês, ficou-se pelos 15% nas eleições europeias e sentiu-se forçado a convocar eleições antecipadas; pior ainda está o chanceler social-democrata alemão, Olaf Scholz, ao nível dos 14%, enquanto os seus parceiros governamentais, os belicistas Verdes, não chegaram aos 13%; Richi Sunak, oligarca, peão do Goldman Sachs e primeiro-ministro britânico, vai ser despedido pelos eleitores (que nunca o elegeram porque nunca se submeteu a sufrágio popular) nas próximas eleições gerais, eventualmente ultrapassado até pelo outsider populista Neil Farage; o primeiro-ministro do Japão, Fumio Kishida, tem a popularidade pelas ruas da amargura e caindo em cada consulta de opinião. À moda dos mosqueteiros, onde três eram quatro, no G7 onde são sete contam-se oito com a inclusão da União Europeia, aliás representada duplamente em Itália: pela presidente da Comissão, Ursula Van der Leyen, e o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, então ainda no posto que hoje é do contorcionista António Costa. Em matéria de democracia pode dizer-se que estes federalistas autoritários são ainda mais “avançados” que todos os outros parceiros de conspiração, porque nenhum deles foi eleito nem concorreu a coisa alguma.

Cimeira para a guerra

O G7 desdobrou-se a seguir na chamada “cimeira para a paz”, convocada pelo ditador ucraniano Volodimyr Zelensky, presidente fora do prazo de validade, e acolhida pela Suíça, país tão neutral como o mais ferrenho adepto de um clube de futebol.

Cimeira por convites, que pretendeu afirmar-se de maneira exuberante  como berço mágico de uma solução para a guerra na Ucrânia mas sem a presença de uma das partes em conflito – a Federação Russa.

Ora “fazer a paz” numa suposta cimeira de negociações para a qual não foi convidada a parte que está a ganhar a guerra não pode passar de um ritual, uma oportunidade para cada orador se ouvir a si próprio nas instalações bem requintadas do Burgenstock Resort, com o bom gosto e o luxo espampanante pensados à medida do martírio que estão a passar os soldados ucranianos nas trincheiras, morrendo diariamente às centenas.

Depois de dormidos em quartos de 2000 dólares por noite e por pessoa e alimentados com refeições de 400 dólares, os  convidados de Zelensky entretiveram-se a “debater” um documento com recomendações tão sonantes como falsas porque os praticantes da “ordem internacional baseada em regras” ignoram o respeito pelo direito internacional, que aconselham. E muitos deles são conhecidos por não respeitarem os direitos legítimos dos Estados e muito menos a sua integridade territorial, que também apregoam no panfleto saído do conclave.

É desconhecido na História qualquer processo de negociações de paz sem a representação de uma das partes. Qualquer outra versão não significa negociar, mas sim impôr. E impôr à Russia como tem de fazer a “paz”, que deve de facto render-se quando está em vantagem na guerra, aguardando apenas que a insistência de Washington e Bruxelas no confronto liquide de vez o exército ucraniano, é um acto gratuito que, no contexto actual, equivale a brincar à paz ao mesmo tempo que se cumpre um ritual de guerra.

Na véspera da “cimeira” na Suíça o presidente da Rússia, Vladimir Putin, revelou os contornos da posição russa para resolução do conflito, como quem a  transmite antecipadamente aos participantes e informando-os de que quaisquer das suas decisões estariam condenadas ao lixo se não tivessem em conta, como não tiveram, a situação actual no terreno. Putin propôs, como elementos determinantes para uma negociação com algum futuro, a saída das tropas ucranianas, com total garantia de segurança, das províncias russófonas de Donetsk, Lugansk, Kharkov e Zaporizhia; a declaração do regime de Kiev de que não pedirá a adesão à NATO; o fim das sanções internacionais contra a Rússia e o descongelamento dos activos russos na Europa.

A cimeira ignorou olimpicamente estes pontos, apesar de o presidente russo afirmar que as condições não duram eternamente e as próximas serão certamente mais gravosas e ditadas numa situação militar mais comprometedora para Kiev.

Numa primeira reacção, que poderá não ser uma resposta directa a Moscovo mas funciona como tal, a União Europeia decidiu assumir o roubo de 1400 milhões de dólares de lucros dos activos russos para os despejar no buraco negro em que o golpe norte-americano de 2014 e os dez anos de regime nazi-banderista transformaram a Ucrânia, assegurando assim a continuação da guerra. A “paz” europeia e liberal ao seu melhor nível.

O ditador e usurpador do poder na Ucrânia convidou 160 países dos 192 Estados da ONU para a “cimeira” Suíça, afirmando garbosamente que se tratava de “todo o mundo”. Desses, compareceram apenas 91, a maioria deles com delegações de baixo nível, sobretudo os da maioria global. A esmagadora maioria dos países africanos não estiveram presentes e, por outro lado, entre os participantes avultaram entidades de inegável representatividade político-militar como a Associação Internacional de Boxe, o ministro do Sistema Nacional de Seguros de Invalidez da Austrália e o ministro dos Serviços Correccionais da Nova Zelândia.

Dirigentes de grandes potências como Macron e Scholz assistiram aos trabalhos apenas durante algumas horas e Joseph Biden preferiu substituir a “cimeira” por uma viagem a Los Angeles onde os seus serviços montaram um peditório de campanha junto das figuras sonantes de Hollywood. Foi substituído pela vice-presidente Kamala Harris que, ciente de que se tratava de uma campanha de angariação de fundos para alimentar o conflito da Ucrânia como uma guerra sem fim, prometeu à cabeça uma dádiva de 500 mil milhões de dólares, dez vezes mais do que o “empréstimo” acordado poucas horas antes na cimeira do G7, o que revela o profundo conhecimento dos dossiers que lhe depositaram nas mãos e um perfeito alinhamento com as performances disfuncionais de Biden.

Alguns enviados especiais de meios de comunicação social citaram dirigentes participantes assegurando que “o mais importante da cimeira foi o banquete”. E talvez sejam realidades como esta as que ficarão para o futuro em relação a tão mundano e caritativo encontro, para lá da sua consequência imediata: a continuação e previsível agravamento da componente terrorista da guerra na Ucrânia.

Afinal é preciso “acompanhamento”

Dos 91 países representados, 12 não assinaram o comunicado final – Arménia, Bahrein, Brasil, Santa Sé, Índia, Indonésia, Líbia, México, Arábia Saudita, África do Sul e Emirados Árabes Unidos – a esmagadora deles membros ou candidatos aos BRICS. Jordânia e Iraque assinaram e arrependeram-se, invalidando pouco depois as subscrições. A chamada “fórmula Zelensky para a paz” foi rubricada por 40% dos países da ONU, entre os quais não figura qualquer dos mais populosos; os ausentes e os que não assinaram representam a imensa maioria global que não se revê no colonialismo ocidental e no imperialismo norte-americano. Mesmo alguns dos subscritores foram muito críticos quanto ao formato e conteúdo da reunião. O Quénia, regime subserviente aos Estados Unidos, abordou a “ilegalidade da apropriação dos activos russos” e Timor-Leste repudiou a “ordem internacional baseada em regras”.

A citação do nome de um único participante e subscritor do documento final bastaria para definir o carácter provocatório e meramente propagandístico da cimeira Zelensky como um ritual de guerra e morte: a do Estado de Israel. A entidade terrorista e sionista, como vem demonstrando ao longo dos últimos 75 anos, tem toda a legitimidade para subscrever um texto final onde se fala de respeito pela integridade dos Estados, pelos direitos dos povos e também pelo direito internacional. O sionismo cumpre, como poucos, todos estes atributos, pelo que os cossignatários do panfleto, entre eles o presidente e o primeiro-ministro de Portugal, devem sentir-se orgulhosos de tão prestigiante companhia.

Ainda a “cimeira” não tinha acabado e já a presidente do país anfitrião – onde o maior partido se opôs ao happening -, Viola Amherd, sentiu a necessidade de falar numa próxima “conferência de acompanhamento com a participação da Rússia”. Numerosos jornalistas que cobriram o acontecimento tiveram a ousadia de fustigar Zelensky com perguntas sobre a ausência de representantes de Moscovo, às quais este respondeu que “a Rússia não está aqui porque se estivesse interessada na paz não haveria guerra”. Esta frase, dita por quem fez os convites para a reunião, provocou alguns sorrisos na sala, certamente nas faces de incorrigíveis avençados de Putin.

Contradizendo-se pouco depois, o ditador ucraniano repetiu aquele que parece ter sido o guião acertado para o final da “cimeira”, admitindo “a presença da Rússia numa reunião de acompanhamento a realizar até ao final do ano”. O diplomata suíço Gabriel Luechinger disse que “a próxima cimeira de paz não será na Europa e não terá lugar no Ocidente, devendo a Rússia ser integrada de alguma forma no processo de paz”.

Em torno destas declarações surgiram especulações sobre a possibilidade de uma abordagem verdadeiramente negocial da paz na Ucrânia à margem da reunião do G20 a realizar em Novembro no Rio de Janeiro e na qual o ponto de partida seria o projecto sino-brasileiro apresentado há mais de um ano e logo rejeitado pelo regime de Kiev, alegando que era “vago”. Muito mais “vago” é o documento adoptado na Suíça, além de ter removido todos os pontos do plano chinês de encontrar “um caminho para uma paz sustentável”. A posição de Pequim sugere a realização de “uma verdadeira conferência de paz em termos aceitáveis pela Ucrânia e pela Rússia”.

Na verdade, nenhuma abordagem unilateral de uma possível solução para o conflito na Ucrânia, como a montada no resort de Burgenstock, tem qualquer viabilidade.

O ministro dos Negócios Estrangeiros da Arábia Saudita, Faisal bin Farhan Al Saud, por exemplo, foi um dos que não assinou o documento saído da reunião suíça. Representando um país afecto aos BRICS e, simultaneamente, um dos principais aliados dos Estados Unidos no Médio Oriente, defendeu que “qualquer processo numa direcção pacífica exige a presença da Rússia”.

Apesar de os comportamentos habituais e a arrogante mentalidade ocidental serem bem conhecidos e indutores das maiores aberrações no panorama internacional, há situações que não deixam de surpreender pela desfaçatez. Ditar as ocasiões e as condições em que a Rússia tem permissão para participar numa iniciativa de paz relacionada com a Ucrânia é próprio de quem acha que o mundo não mudou, a “ordem internacional baseada em regras” é inamovível; e o regime nazi-banderista de Kiev crê que tem a capacidade, outorgada pelo Ocidente colectivo como dono e senhor do mundo, de pôr e dispor dos comportamentos da Federação Russa como se vivesse ainda nos anos de 2014 a 2022, durante os quais se entreteve a massacrar metodicamente as populações de russos étnicos da região do Donbass com a conivência e o apoio da NATO, designadamente treinando grupos nazis através dos seus “conselheiros” no terreno.

No meio do luxo do resort de Burgenstock brincou-se à paz enquanto se organizavam mais peditórios para os nazis com o intuito de prolongar a guerra. Entre os principais organizadores e frequentadores da encenação destacaram-se, precisamente, os países que estão por detrás do lançamento e eternização do conflito: os Estados Unidos, que financiaram com cinco mil milhões de dólares – Victoria Nuland dixit – o golpe de 2014 e a entronização da junta nazi-banderista em Kiev; a Alemanha e a França que, dando cobertura ao regime ucraniano, assinaram de má fé os acordos de Minsk, em 2015, reconhecendo posteriormente que nunca tencionaram cumpri-los e serviram apenas para ganhar tempo e montar a máquina de guerra ucraniana; e esteve igualmente o Reino Unido, que em Abril de 2022 despachou o seu primeiro-ministro, na época o descompensado Boris Johnson, para obrigar Zelensky e os seus banderistas a dar o dito por não dito em relação ao acordo de Istambul, praticamente concluído. Minsk e Istambul teriam poupado a vida a pelo menos meio milhão de seres humanos, teriam salvaguardado condições mínimas para que a Ucrânia não fosse, como é agora, um país falido, com as regiões e estruturas ainda relativamente saudáveis vendidas em saldo aos grandes extorsionários e cleptómanos elegantemente chamados “fundos de investimentos”, com imensas regiões e incontáveis agregados populacionais devastados.

Esta é a obra dos “campeões da paz” congregados na Suíça, os mesmos que aplaudiram com silêncio cúmplice os atentados terroristas contra civis e edifícios religiosos no Daguestão russo e nas praias de Sebastopol. Como reagiriam esses “pacifistas” se uma potência estrangeira atacasse com mísseis as praias de New Jersey repletas de veraneantes num dia feriado? Ou assaltasse uma sinagoga de Brooklyn em pleno sabat? O criativo e afascistado socialista Borrell, agora de malas aviadas do “ Ministério dos Negócios Estrangeiros” da União Europeia – a sucessora Kallas garante-nos que para pior já bastava ele – explicou aos alunos da Universidade de Cambridge que “a diplomacia é a arte de gerir uma política de dois pesos e duas medidas”. O que nos diz muito, quase tudo, sobre o espírito com que o Ocidente colectivo, manifestando sintomas graves de decadência, confunde ostensivamente a paz e a guerra, a vida e a morte, para tentar atingir ainda os seus objectivos de domínio global do planeta.


8 pensamentos sobre “Brincar à paz num ritual de morte

  1. Saúdo mais um excelente texto do J.Goulão onde desmonta exemplarmente a estafada narrativa do civilizado ocidente. Deixem-me focar alguns pontos mais salientes. Apesar de bem conhecer tudo isso, ainda me espanta um pouco a desfaçatez dos donos disto tudo ao chamar cimeira de paz a uma cimeira de guerra. A máscara já caiu faz tempo. Da paz não vi nem vestígios, sequer um rudimentar roadmap para lá chegar. Para quê? O que é preciso é escalar a guerra. Visto estar a dar excelentes resultados (como as sanções), então arranje-se mais do mesmo. Sempre que o ocidente atacou a Rússia foi completamente derrotado e o país saiu fortalecido. Desta vez não será diferente. As elites ocidentais insistem em ser tão burras que não percebem que iniciativas destas só contribuem para a sua completa descredibilização aos olhos do mundo? Parecem viver dentro da bolha mediática onde os jornaleiros de serviço ao poder se acotovelam para ver quem é mais louvaminheiro, sem nunca colocar em causa a total falácia desse discurso asqueroso. Até os tugas ao mais alto nível foram lá prestar vassalagem que é o que adoram e sabem melhor fazer. Quando Orban foi a Kiev alertar para a necessidade de um cessar-fogo imediato e iniciar conversações de paz, o comentadeiro encartado fez então uma expressão de total desdém, desprezo, sobranceria até. Como quem diz: qual paz, qual treta. Este palermóide vem aqui falar de cessar-fogo? Obviamente, o palhaço Zelly recusou responder, ele que já luta com falta de carne para canhão, tantos são os seus infelizes compatriotas que fogem do conflito. A guerra está perdida, só ele finge não se aperceber.

  2. E a Lagarde dos juros também já veio dizer que está para ficar, não se vai embora. Mais uma moedinha, mais uma voltinha.
    Mas estas “damas de ferro” (devem ser mais “testas de ferro”) não têm mais nada para fazer que engrupir e atazanar os povos? Mais uma para a pandilha LKM (não é KLM pois essa equipa já existe), mais uma concorrente ao prémio de “a grande prostituta”…
    Mas que grandes Lagaldérias, o que fizemos nós para merecer isto? Deslarguem-nos, suas chupistas socialistas soviéticas! Ainda se fossem às direitas, capitalistas… Mas não, só querem saber de receitas para wok… e esbulhar o contribuinte… digam lá se isto não é mesmo de funcionárias públicas inúteis? Ainda se fossem empreendedoras de sucesso e empresárias por conta própria…

  3. E parece que o senil vai mesmo ser substituído,em princípio pela Kamala.
    A senhora russofobica,tão inculta como Trump e que defendeu a cara podre que era preciso reduzir a população mundial.
    A eminência parda por detrás da decisão homicida de obrigar os funcionários públicos a ir vacinar se contra a COVID 19 sob pena de ir para o olho da rua.
    Mais de 100 mil pessoas foram despedidas sem apelo nem agravo,sem ninguém querer saber se tinham famílias a sustentar.
    Foram levados de loucos, fascistas e o mais que lhes quiseram por.
    A quatro meses das eleições só podem estar a brincar,seja como for.
    Biden nunca devia ter sido nomeado para a corrida.
    toda a gente via desde há muito que o homem nao estava capaz.
    Nunca devia ter sido eleito para um primeiro mandato.
    Kamala e outra warmonger sionista e com ela na presidência isto tem tudo para correr pior ainda.
    Isto se houver o milagre da chapelada que consiga que alguém nomeado a quatro meses das eleições,com o seu partido a reconhecer tarde e ma hora que o seu candidato não estava capaz seja mesmo eleito.
    Entretanto em Inglaterra preparasse para subir ao trono Keir Starmer e os prestitutos vão dizer que Inglaterra virou a esquerda.
    Não meus idiotas.Virou mais a direita ainda.
    Starmer e um sionista do tipo podre que purgou todos os críticos do estado genocida de
    Israel sob a acusação de antissemitismo. Foi sob essa acusação falsa que defenestrou o antecessor,.Jeremy Corbyn.
    E um ardente defensor da NATO e quer aumentar os gastos com a “defesa”.
    Promete um cometimento ainda maior na guerra por procuração na Ucrânia.
    O povo britânico, que tem todo o direito de ser burro como todos os outros, vai votar nesse traste porque acredita que e possível torrar mais dinheiro em armamento sem que as suas condições de vida se continuem a degradar.
    Deviam lembrar se que nem Cristo alguma vez multiplicou dinheiro.
    Enfim,isto estasse a compor para irmos ao fundo com roupa e tudo.

  4. Os americanos arranjam os sarilhos e gente que se amanhe.
    Foi assim na destruição da Libia em que a vaga de refugiados e migrantes resultantes nos caiu em cima.
    Claro que o merecemos porque fomos cúmplices no crime.
    Foi assim na Siria em que coube a Europa gerir a enorme massa de refugiados.
    Os americanos arranjam sarilhos na Eurásia,partem os ovos e a Europa ajuda e depois limpa a merda.
    Sempre foi assim mas a Europa continua a apoiar todas estas campanhas de pilhagem na esperança de que nalguma vez não saia a perder.
    Na Ucrânia não vai ser diferente.somos nos que nos vamos ver com um vizinho que não confia em nos e tem todas as razões para odiar nos.
    Do outro lado do mar ficarão a colher o que resta da nossa destruição e a assistir de camarote.
    Como sempre.
    Mas se as elites são corruptas e o povo não acorda não há nada a fazer.

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