(Miguel Sousa Tavares, in Expresso, 14/02/2024)

Escutar o contraditório, analisar os argumentos da outra parte, ainda que errados ou falsos, nunca fez mal a ninguém.
Nunca, nem na democracia ateniense nem no período glorioso do Império Romano do Ocidente, a sabedoria humana ousou pôr de pé um projecto político tão revolucionário como aquele a que hoje chamamos União Europeia (UE). Por ser o mais justo entre povos e nações, o mais solidário, o mais integrador de diferenças, o mais inovador, o mais pacificador, a União Europeia transformou-se no modelo de muitos, no sonho de milhões. Mas das suas forças, do seu êxito, dos seus sucessivos alargamentos, a UE fez as suas fraquezas. É difícil reconhecer hoje nela o espaço político e económico a que Portugal aderiu há mais de 30 anos. Sem pôr em causa a justiça da integração de outros que vieram depois, eles acrescentaram menos do que aquilo que trouxeram e tornaram mais evidentes as diferenças e mais difíceis os consensos e a governação. Nem tanto por razões de nacionalismos inconciliáveis, mas mais por diferentes concepções daquilo que seja a Europa e os seus valores comuns, do ponto de vista de cada um. É assim uma boa notícia que as forças políticas historicamente essenciais à construção europeia e ao seu funcionamento — do centro-direita ao centro-esquerda — tenham mantido uma maioria no Parlamento Europeu, derrotando os presságios fúnebres que já viam Bruxelas paralisada pela agenda de uma extrema-direita apostada na desagregação democrática e na anarquia populista.
Entre nós, a precipitação de Pedro Nuno Santos em nacionalizar as eleições, ávido como estava por qualquer coisa que se parecesse com uma vitória, teve como resultado paradoxal e face à leitura fria dos votos, a recaída numa situação sem saída próxima: nem a AD reviverá 1985 e a fuga em frente vitoriosa de Cavaco Silva, nem o PS, desamparado à esquerda, ficou mais próximo da desforra, nem o Chega sabe bem o que fazer daqui em diante.

2 Apoiar a Ucrânia é uma coisa; ir para a guerra da Ucrânia é coisa diferente. Não consigo deixar de ver nas retumbantes derrotas de Macron em França e de Scholz na Alemanha — ambos com 15% dos votos e ambos outrora os maiores defensores de uma solução de paz e hoje dos maiores belicistas — uma rejeição do seu aventureirismo. Se não foi isso, foi o quê? Recomendo, a propósito, a magnífica entrevista do historiador inglês Owen Matthews, especialista na Rússia e na Ucrânia, saído na última Revista do Expresso: é mesmo uma lufada de ar fresco e um exercício de informação inteligente e séria ver alguém do lado de cá conhecedor dos assuntos, que foge do discurso instalado e quase obrigatório sobre as motivações de Putin para a guerra e as suas ambições territoriais. Escutar o contraditório, analisar os argumentos da outra parte, ainda que errados ou falsos, deter-se nos ensinamentos da História, nunca fez mal a ninguém. Emprenhar pelos ouvidos é que faz mal. Sem deixar de criticar Putin e a invasão da Ucrânia, Matthews critica também o simplismo de muitas das análises feitas no Ocidente, dando como exemplo as afirmadas pretensões imperiais de Putin, supostamente tomando-se pelo novo Pedro, o Grande. Matthews acha que esse é “um erro de análise fundamental”. O que, segundo ele, fez Putin decidir-se pela invasão foi o medo da Ucrânia na NATO e más informações do seu círculo próximo, porque o seu sonho não é restaurar o Império russo ou soviético, mas sim a reunificação dos povos eslavos. E dá como exemplo disso e da desinformação promovida no Ocidente a sua célebre frase de 2005, quando disse que o colapso da URSS tinha sido a maior tragédia geopolítica do século XX. O problema, esclarece Matthews, é que se esqueceram de citar a outra metade da frase, quando ele disse que a tragédia estava nos milhões de russos que ficaram desprotegidos fora das fronteiras da Rússia. E não esqueçamos, acrescento eu, que, com o apoio quase unânime do Ocidente, Margaret Thatcher fez a Royal Navy atravessar dois oceanos para ir expulsar o Exército argentino das Malvinas, onde viviam 300 súbditos britânicos, criadores de carneiros.
3 Se revisitar a História é sempre um exercício útil, comemorá-la nem sempre é uma empreitada feliz. Em especial quando os de hoje querem celebrar ao sabor das conveniências do momento os feitos dos de ontem. Lembrei-me disso a propósito das comemorações, a 6 de Junho, dos 80 anos da Operação Overlord, na Normandia francesa. Foi um pouco ridículo ver o pequeno Macron empertigar-se à altura do grande De Gaulle, Biden no papel de Roosevelt, e Sunak, que só não ensaiou o de Churchill porque o deixou para Zelensky, apressando-se a regressar à mais importante campanha eleitoral inglesa. Compreendo, claro, que, dado o ambiente reinante, não tivessem convidado Putin para o papel de Estaline, em representação do quarto aliado, a URSS. Mas nenhum ambiente, por mais toldado que esteja, pode consentir que a História seja falsificada por grosseira omissão — a não ser que o objectivo seja mesmo o de provocar um clima de guerra declarada. Nos discursos da Normandia todos se “esqueceram” que durante três anos, até ao 6 de Junho de 1944, a URSS enfrentou sozinha, numa Europa inteira subjugada à pata nazi, as Forças do Eixo, com excepção, mais tarde, dos combates dos ingleses com o Afrika Korps de Rommel, no Norte de África. E que, nesses três anos, não obstante as múltiplas súplicas de Estaline a Churchill para a abertura de uma frente ocidental na Europa, este foi-a adiando sucessivamente até garantir o apoio maciço dos americanos. Esse esforço solitário dos russos obrigou à deslocação do grosso do Exército alemão para Leste até à sua estrondosa derrota em Estalinegrado, sendo assim decisivo para o sucesso do desembarque aliado na Normandia. Custou aos russos 6 milhões de mortos, mais do que suficiente para que a sua memória merecesse pelo menos uma menção, num dia dedicado à memória dos que morreram para libertar a Europa dos nazis. E para que os discursos agora feitos na Normandia não tenham sido interpretados como a equiparação entre a luta contra a Alemanha de Hitler com a luta contra a Rússia de Putin. Por mais omissões ou adaptações da História que lhes ocorra fazer, não cabe aos vivos de hoje separar entre bons e maus mortos os que morreram a lutar pela mesma causa.
4 E por falar em comemorações, Nuno Melo, com a absoluta vacuidade de ideias que o vem ocupando (como se não tivesse nada de mais importante com que se ocupar), lembrou-se de tocar a reunir toda a direita, incluindo a direita infrequentável, para que se passe a comemorar solenemente o 25 de Novembro de 1975. Trata-se de um programa extemporâneo, ilegítimo vindo de onde vem, divisionista, provocatório e condenado ao fiasco. Mas a resposta do actual PS, entrincheirando-se com a esquerda antidemocrática derrotada por Mário Soares, Eanes, Melo Antunes e os “Nove”, em Novembro de 1975, é de que quem não entendeu nada e não respeita o seu passado. Felizmente, ainda há quem não esqueceu e agradeça.
5 “Pode um colunista dizer que os judeus são todos criminosos?”, pergunta, no texto e no título, Francisco Mendes da Silva, na sua coluna de opinião, sexta-feira passada, no “Público”. Respondo já: não, não pode. Mas faço outra pergunta: e pode um colunista, mais do que deturpar grosseiramente, inventar o que outro não escreveu a fim de melhor argumentar? E, ainda por cima, argumentar em defesa da legitimação de uma chacina humana praticada à vista de todos diariamente?
Francisco Mendes da Silva, cuja coluna eu leio sempre com interesse e bastas vezes concordância — e continuarei a ler — dirige a sua pergunta ao texto que aqui publiquei há duas semanas intitulado “A traição de Israel”. Não perderei muito espaço a desdizer a acusação que me dirige, remetendo os leitores para a sua leitura ou releitura. Quem se der ao trabalho de o fazer ou quem recordar o que escrevi, facilmente constatará que em nenhuma passagem do meu texto eu escrevi, subentendi, ou, mesmo retirando do contexto, deixei passar qualquer frase que possa consentir a afirmação de que “todos os judeus são criminosos”. Trata-se da maior adulteração, da maior falsificação, da mais desavergonhada mentira acerca de um texto meu que tive de enfrentar em décadas de opinião. Eu escrevi, sim — o que é completamente diferente — que Israel é hoje “um Estado criminoso, que nenhum critério de decência pode absolver”, e que, ao contrário do que sempre sucedeu no passado, “todo o povo de Israel, ou quase todo, está solidário com um governo de criminosos”. Mas isso não sou só eu que o digo, di-lo também o TPI, cujo procurador, escudado na opinião unânime de oito peritos em direito internacional, emitiu mandatos de captura contra três terroristas do Hamas mandantes do 7 de Outubro, bem como contra o primeiro-ministro e o ministro da Defesa de Israel, por crimes de guerra e crimes contra a Humanidade. Simplesmente, há quem, “vendo, ouvindo e lendo”, consiga ignorar e prefira recorrer à mentira e à calúnia dos opositores para evitar ter de enfrentar os factos. Dizer, como Mendes da Silva, que eu “equiparo os judeus aos nazis” porque falo da “solução final” que Israel pretenderá para Gaza, omitindo que escrevi que essa seria a expulsão de todos os palestinianos de lá para fora (e não, como ele desejaria que eu tivesse escrito, as câmaras de gás!), ou que me “refiro sempre aos judeus como uma entidade una e indivisível” para insinuar o meu anti-semitismo, omitindo que me refiro indistintamente a judeus e israelitas ou a palestinianos, apenas como forma corrente de identificação das duas principais etnias habitantes da Palestina, são truques rascas e ofensivos. Mas há que entender: não deve ser fácil ver e fingir não ver, ler e pretender não ter percebido. Ter de sossegar a consciência de ser-se intelectual e moralmente conivente com a bebedeira de morte que está a acontecer em Gaza.
Miguel Sousa Tavares escreve de acordo com a antiga ortografia
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Por falar de adulterações, falsificações e desavergonhadas mentiras: de que “esquerda anti-democrática derrotada em Novembro de 1975” estará MST a falar? Não poderá ser o PCP, cujos militantes combateram, sozinhos, a ditadura salazarista e, portanto, eram os únicos a sentir na pele a reacção fascista.
Enquanto Soares & Cia “lutavam” lá de fora, encostados em exílios dourados, à espera da oportunidade de regressar sem dor; e outros tentavam uma “renovação na continuidade” do regime, tranquilamente sentados nas cadeiras que o regime reservava à “ala liberal”!
O 25 de Novembro não existiu para impedir uma qualquer “ditadura de sinal contrário” (frase inventada por Carlucci e gritada por Soares, idiota útil). Existiu para dissolver a aliança Povo/MFA, travar a Revolução, e, de caminho, ilegalizar o PCP (intenção frustrada pela corajosa oposição de Melo Antunes). E, finalmente, entregar a governação do país à então incipiente “Classe Política”. E hoje, quem mais ordena é a pujante aliança oligarquia/partidos “democráticos”/sistema de propaganda mediática, em nome da ditadura europeísta UE/BCE…
Mas há que entender MST: não deve ser fácil ver e fingir não ver, ler e pretender não ter percebido. Ter de sossegar a consciência de ser-se intelectual e moralmente conivente com a bebedeira neoliberal está a acabar com os portugueses.
Um artigo que me parece totalmente acertado, ou praticamente sem mácula.
E sim, há gente muito mais estúpida e seguidista que o MST, o problema dele nunca foram as tendências proibicionistas, repressivas, discriminatórias de muita direita ultra-montana e reaccionária, o problema dele é nem sempre manter a coerência e por vezes iludir-se, seja por influência externa, seja pelas suas próprias tendências, a parcialidade (no futebol e no regionalismo, então, passa das marcas e chega a ser um tacanho)…
O ponto 4 é um pouco dúbio, mais uma vez começa por falar do Nuno Melo (que é ministro do Governo, e tem muito mais responsabilidade enquanto tal) e acaba a bater no PS, mas pronto, não vou pegar por aí pois a sua perspectiva política é diferente da minha. Parece que para criticar a acção do Governo ou o comportamento de algum ministro tem de ir sempre buscar a oposição, principalmente o PS e o Pedro Nuno Santos.
Muito esclarecedor; pena que a narrativa oficial e o que nos ensinam nas escolas vá completamente ao arrepio da verdade histórica, ou pelo menos da melhor interpretaçao dos factos históricos.
Enquanto as coisas se passarem desta maneira é muito dificil furar o bloqueio. As pessoas não são burras mas comem a palha que lhes poem à frente e depois acomodam-se porque a luta é ingloria e o sucesso mais que duvidoso.
Se pensarmos bem, nao sao séculos, sao milenios de dominaçao e opressao a favor de elites que fazem dos outros, da maioria, gato sapato; neste contexto nem sequer se consegue pensar em alternativas, até porque qualquer tentativa de mudar para melhor é sempre bloqueada, mesmo nos nossos dias, seja por golpes militares ou revoluções coloridas; ajudadas pelo agora todo poderoso soft power da comunicaçao social.
Nestes milenios, o melhor que apareceu por estas bandas foi a famosa democracia grega, afinal um embuste bem oleado porque, também nunca ninguem nos disse que aquilo so funcionava para uma elite que nao tinha de trabalhar e que vivia a custa dos escravos, mulheres e alguns outros que embora cidadaos nao gozavam do necessario ocio que a politica requeria.
Recentemente apareceu a tal democracia liberal que afinal é liberal mas nao é democratica, e que em nome da liberdade (dos mercados e de quem os controla) defende, mais uma vez, os interesses de uma minoria; alguns chamam-lhe ‘plutocracia’- governo dos ricos; outros, cleptocracia – governo dos ladroes, outros mais desbocados e menos eruditos, putocracia – governo dos pulhas. E assim vai o mundo!
A frente Ocidental na II Guerra Mundial so abriu porque Churchill e outros bandalhos perceberam que a União Soviética não seria derrotada.
Pior ainda, poderia avançar para Ocidente.
Foi a ideia de tanques russos no Arco do Trunfo que fez o Dia D.
Derrotados os nazis a Rússia avançaria para Ocidente, não tinha motivo nenhum para não o fazer.
Muita gente que não sabe história diz que se não fosse o Dia D falariamos todos alemão. Não meus camelos, falávamos era russo.
Era isso que do outro lado do mar não poderiam permitir.
E asssim se fez o Dia D, que poderia ter sido feito pelo menos ano e meio mais cedo poupando milhões de vidas também na Europa Ocidental.
Mas a propaganda do “ainda não podemos” era eficaz. No seu diário, Anne Frank refere o desespero das populações ocidentais que ansiavam pela libertação. Mostrando se resignada a espera e dizendo que eles teriam o seu tempo e que tinham boas razões para o fazer quando fosse oportuno e não quando as populações dos países ocupados pretendiam.
No seu caso concreto, essa espera custou lhe a vida. A ela e a milhões de outros, de todas as raças e religiões.
O último ano antes do famigerado Dia D foi particularmente duro a Ocidente.
Os nazis, desesperados com a eminente derrota frente aos “untermensche”, em vez de abrandarem tornavam se cada vez mais cruéis.
A pilhagem, a tomada de escravos, a caça aos judeus e outros dissidentes não abrandou, tornou se ainda mais violenta.
Churchill e outros bandalhos esperaram até onde foi possível por uma reviravolta na frente oriental.
Quando viram que era impossível avançaram.
Quando as populações estavam exangues. A título de exemplo, no fim da guerra metade das mulheres holandesas em idade fértil nem o periodo lhes aparecia. A realidade devia ser a mesma noutros lados.
Nos anos da minha adolescencia conheci uma belga ja com alguma idade que não esquecia o desespero desses anos.
E não recordava o Dia D como uma libertação assim tão boa. Era na altura escrava numa fábrica de munições e ia trabalhar com as bombas a cair por todo o lado. Se faltasse ao trabalho seria fuzilada sem grandes demasias. Quando aqueles murcoes finalmente entraram tinha guia de marcha para a Alemanha para daí a uma semana. Nem lhe falassem em alemães mas simpatia pelos oufros também não tinha nenhuma. Porque nunca esquecera, quando ia para o trabalho passando pelos destroços de outras casas e os corpos desfeitos de quem lá vivia.
Porque outra coisa que não se conta é que, na ânsia de evitar o avanço russo para Ocidente, aquilo foi tudo raso e as populações civis que já tinham amargado quatro anos de ocupação viram se quentes com o fogo dos libertadores.
Na Normandia foi tudo raso e no início do Século um autarca normando teve o direito a que lhe chamassem de tudo quando disse que não tinha nada para comemorar pois que o Dia D tinha custado mais de 100 mil vidas normandas.
No meio disto tudo o Dia D até serviu para alguns trastes ingleses acusarem os franceses de “monstruosa ingratidão” por o Governo francês estar a alinhar com a Alemanha nas criticas a criminosa invasão do Iraque.
Supunhasse contudo que se a Alemanha alinhasse já não faria mal nenhum que a França alinhasse com o inimigo de outros tempos. Coerências.
Ja na guerra contra a Rússia são todos muito amigos depois de, na campanha contra a Líbia já toda a gente ter alinhado. Assim é que sao uns meninos bonitos.
E não deixa de ser curioso que as únicas vozes dissidentes venham do Leste que teria sido tão massacrado pelas hordas de Estaline.
Robert Fico já apanhou uns tiros tendo os nossos presstitutos dado a entender que o homem estava a pedi Las.
Orban deveria vigiar as costas.
Já os polacos, apesar de invocarem como desculpa o Estaline quem sabe história sabe que a coisa começou antes.
Muito antes desde que os polacos protagonizaram invasoes contra esses infiéis ortodoxos. Até que a Rússia se fartou e os conquistou.
Sempre odiaram os russos e fazerem outra coisa agora até parecia mal.
Os bálticos acham que sao vikings e fazem a vida negra a malta de ascendência russa que, ao contrário do que se diz por aí, não se comecou a fixar por lá no tempo da União Soviética mas desde que a Suécia, na miseria provocada pelas guerras em que as tinha metido, também contra a Rússia no Século XVIII tratou de vender aqueles territórios ao czar. Estando se nas tintas para quem lá vivia como era usual ao tempo.
O czar também não perguntou a quem vivia no Alasca se achavam boa ideia viver sob as patas dos cavalos dos cow Boys.
E nós aqui andamos a odiar também russos apesar de estarmos na outra ponta da Europa. Houve quem aínda não esquecesse os tempos do “Rádio Moscovo não fala verdade”.
Vao ver se o mar dá choco.
Excelente!
Os factos são literalmente óbvios. Infelizmente, para mudar um sistema que é gerido pelos dominantes, esse sistema tem de entrar em colapso. As transições não funcionam. Os discursos são apenas promessas ilusórias. Se olharmos para a história, precisamos de revoluções para reduzir as desigualdades. Atualmente, estamos numa fase de falsas soluções, como o extremismo político. As ideologias políticas e religiosas estão a regressar.Os direitos humanos não estão apenas a ser desrespeitados, estão a ser negados e desmantelados. O Estado de direito, essencial numa democracia, baseia-se em leis que favorecem os mais ricos. Para não falar de todas as manipulações propagandísticas que nos assaltam.
Sou um teórico da conspiração,que me orgulho muito disso.
A raiz de todas as desigualdades está na distribuição da riqueza. Os outsiders, a meritocracia e a retórica ideológica não passam de ilusões para nos fazer aceitar um sistema totalmente injusto e destruidor da vida.