Como treinar um Bolsominion

(Francisco Louçã, in Expresso Diário, 19/03/2019)

Francisco Louçã

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A estratégia Trump e a de Bolsonaro foram muito parecidas e não só na tecnologia da reprodução intensiva de mensagens robotizadas: o alvo é o mesmo (fanatizar alguns grupos dominantes, assustar o adversário, mobilizar os deserdados), a abordagem é semelhante (gerar bolsas de ódio) e até os temas são copiados (queremos andar armados, a família está sob ataque por uma “ideologia de género” e os imigrantes ficam com o nosso dinheiro). Desde há muito que eram evidentes estas conexões, que configuram a política suja, e que se nota que a direita portuguesa está fascinada pelo sucesso destas técnicas. Estão agora à vista os primeiros ensaios lusos desta estranha forma de política. Mais, não será André Ventura o mais destacado protagonista da aventura, mesmo que a queira representar, visto que os mais perigosos dos seus praticantes serão gente dos partidos tradicionais da direita.

O primeiro exemplo, mas dele não cuidarei hoje em detalhe, é Nuno Melo a verberar uma transposição de diretiva europeia que limita a posse de armas por particulares. Que alguém não possa ter mais do que 25 armas é uma “grave restrição à liberdade individual e ao direito de propriedade”, diz ele, acrescentando um vicioso e algo estranho ataque às polícias que, segundo o candidato do CDS, “sabem bem onde estão as armas ilegais” (e presumivelmente nada fazem para as capturar). Não é preciso um desenho para se perceber que quer namorar os caçadores para obter votos, mas a escolha de um timing tão funesto para esta defesa da multiplicação das armas – e já há um milhão e meio de armas nas mãos de particulares – só pode parecer de alto risco. O que querem é um tema Bolsonaro e ao candidato falta-lhe pimenta.

O meu segundo exemplo fala por si mas merece mais algum detalhe. É o de Bruno Vitorino, deputado do PSD, que seguiu a cartilha do tema “ideologia de género” como um perfeito Bolsominion, o carinhoso nome dado no Brasil a estas figuras. Primeiro passo: a provocação. Uma sessão de técnicos da Rede ExAequo a convite de uma escola do Barreiro, contra o bullying nas escolas, é uma “PORCARIA”, escreveu.

A coisa teria ficado pelas letras garrafais, mas teve a sorte de duas deputadas do Bloco terem caído na esparrela e, em vez de o criticarem usando o sarcasmo, terem anunciado uma queixa à Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género contra a ofensa.

Antes disso, tudo desfazia a tese da “porcaria”. Este programa de informação já vem do tempo do governo PSD-CDS, a associação em causa é apoiada pelo Conselho da Europa, a escola e os pais gostam das sessões e do cuidado da informação.

No PSD, há uma espécie de corrida à “porcaria”, treinando os Bolsominions disponíveis para se porem na grelha de partida destes temas fascinantes. É que há um “ataque à família”, sentenciou aqui no Expresso o indignado Bruno Vitorino

Mas haver alvos políticos permitiu ao Bolsominion passar à segunda etapa do plano e subir para o patamar superior, com a tese segundo a qual uma certa “ideologia de género”, uma misteriosa conspiração mundial que estabelece o predomínio das mulheres ou que quer transformar toda a gente em homossexual, segundo as versões (no Brasil, Bolsonaro chamava-lhe o “kit gay”), está a perseguir o coitado do Vitorino. A partir daí, foi descabelado: ele, que até tem amigos gays (não têm sempre?) estava a ser atacado por um “protofascismo”, tendo saído em sua defesa um surpreendentemente esbracejante Fernando Negrão, que chegou ao ponto de pedir uma conferência de líderes parlamentares para proteger a nação desta evidente “morte da democracia”.

Mesmo Pedro Duarte, normalmente elegante, foi a um programa de televisão ensaiar uma conversa sobre a “ideologia de género”, essa porcaria que, pelos vistos, contaminaria as nossas crianças com o vírus gay. Até um ex-diretor de jornal sério se misturou com a campanha acerca desta sinistra conspiração planetária da “ideologia de género”. No PSD, há uma espécie de corrida à “porcaria”, treinando os Bolsominions disponíveis para se porem na grelha de partida destes temas fascinantes. É que há um “ataque à família”, sentenciou aqui no Expresso o indignado Vitorino.

A agenda tem, no entanto, dois problemas. O primeiro é que é preciso que o povo e o eleitorado estejam dispostos a estes laivos de excitação. Se estivessem, esta agenda mudaria a política, e a direita precisa mesmo de deslocar a agenda, pois sabe que a discussão sobre pensões, salários, ajudas à banca, saúde e habitação não a leva a lado nenhum. Mas, se as pessoas não estiverem para estas trovoadas de medo, a conversa é só ridícula — e ser ridículo não convém nada a um candidato.

Depois, há ainda um segundo problema, o pior, que é o mal da precipitação e, aí, não perceberam a arte do mestre Bolsonaro. É que é preciso que o medo amadureça, é preciso meses, anos de medo, é preciso muito ódio para que o ódio se torne uma voz. E isto foi tudo feito à pressa, não foi?

Esgrimir a “defesa da família” para tentar um voto religioso, sugerindo o missal e o confessionário para proteger a família em tempos em que Papa Francisco reúne os cardeais no Vaticano para combater a epidemia de casos de pedofilia na Igreja Católica, é simplesmente tosco. E inventar o perigo de uma “ideologia de género” para criminalizar o feminismo ou o combate à homofobia, logo depois de três semanas de show eletrizante de Neto de Moura, com a moca de pregos, a lapidação ancestral das mulheres indignas, os cem mil euros exigidos a cada humorista que o criticou e tudo o mais a impor-se no noticiário nacional e a revoltar Portugal, não é só tosco, é mesmo pateta.

O Bolsominion Vitorino estava treinado no tema, sabia a música e decorou o refrão, estudou como se faz, os comparsas até tentaram salvar o roteiro, mas quanto mais fizeram mais demonstraram o descompasso entre a gritaria e a total indiferença do país perante esta “porcaria”. No entanto, a quem se ri com este fracasso, deixo o alerta: isto vai voltar, com Bolsominions mais habilidosos, mais persistentes, com patranhas mais saborosas, com medos mais medrosos. Bruno Vitorino só mostrou a excitação que vai naquela gente e pôs-se demasiado em bicos de pés. Virão outros e serão mais perigosos.


Greve pelo clima: foram só flores?

(Daniel Oliveira, in Expresso Diário, 18/03/2019)

Daniel Oliveira

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Na última sexta-feira houve greve e manifestações de estudantes por todo o país. Mais do que isso, foi uma greve global. A greve de estudantes pelo clima começou num ato individual de uma adolescente de 15 anos, Greta Thunberg. Descobriu na infância, porque lhe explicaram o que andávamos nós, os adultos, a fazer ao planeta onde ela terá de viver toda a sua vida. O ano passado, nas vésperas das eleições suecas, decidiu sentar-se todos os dias nas escadas do Parlamento durante o horário escolar para pressionar o Governo a adotar uma atitude mais radical no combate às alterações climáticas. Depois das eleições continuou o protesto apenas às sextas-feiras. Acabou a falar na Cimeira do Clima e a inspirar milhões de jovens. Fez um curto discurso totalmente político e bem agressivo. Devem OUVIR.

Ver milhares de secundaristas portugueses manifestarem-se é uma dose de vitaminas, para mim. Tenho quase cinquenta anos e a última vez que houve um movimento estudantil digno de nota eu estava na Faculdade. Saber que o fazem por causas que transcendem o seu ganho imediato ainda me deixa mais esperançoso. Claro que o combate a uma prova que selecionava a entrada dos alunos no ensino superior pela cultura geral que tinham ganho em casa ou a propinas que se anunciaram simbólicas e já se sabia que não o seriam ultrapassava os interesses individuais. Falava-se de democratização de acesso ao ensino superior e de igualdade de oportunidades. Mas não deixavam de ser ganhos ou perdas próximas para os envolvidos. Aquilo pelo qual se manifestaram estes jovens ultrapassa o que pode acontecer esta semana, este mês, este ano, nas suas vidas. E isso exige uma consciência política mais sofisticada.

Nunca comprei a tese de que esta geração tinha menos sentido cívico do que as anteriores. Nunca comprei, aliás, esse tese sobre qualquer geração. Em todas as gerações mudam as causas e mudam condições para agir. No caso desta, as redes sociais permitem movimentos mais inorgânicos e repentinos. Mas também criam uma maior atomização das pessoas. Libertam dos constrangimentos de quem precisava de organizações políticas, mas também impedem a construção de um conjunto de propostas coerentes. Seja como for, não imagino causa mais poderosa do que esta. Ela é, na realidade, condição para todas as outras. Como vários manifestantes escreveram nos seus cartazes, “não há planeta B”.

A questão que se levanta a estes jovens (e a nós todos) é se se conseguem organizar para lá das explosões que as redes ajudam a organizar ou se isto foram só flores. Se foram, o lastro que deixam é bom na mesma. Mas o problema do inorgânico é que tende a ser inconsequente. A não ser, claro, que deixe de ser inorgânico. O que perde em poesia ganha em eficácia

“Se há coisa que me irrita são velhos que quiseram mudar o mundo quando eram putos a dizerem mal de putos que querem mudar o mundo antes de chegarem a velhos” O twit é do humorista “Jel” e resume muitíssimo bem a irritação que me causou algum paternalismo que fui vendo em relação a este movimento. Houve três tipos de paternalismos. O primeiro foi o que se apressou a zurzir nos meninos que em vez de estarem nas aulas se baldam para ir à manif. Se dependermos de gente que pensa assim bem podemos desistir da democracia. Para eles a cidadania é coisa que se faz nas horas vagas, jovens responsáveis são os que se pensam na sua carreira e se estão nas tintas para a comunidade, a humanidade e o planeta.

O segundo paternalismo foi parecido. Foi o que explicou a estes jovens o que devem fazer na sua vida privada para serem coerentes com o que exigem aos políticos: andar de transportes públicos, comer menos carne, aprender a cozinhar, não usar plástico, reutilizar e reciclar. Não é que estas afirmações estejam erradas: há neste combate civilizacional um lado privado quotidiano importantíssimo. Mas mesmo que estes jovens fizessem tudo isto o problema ficaria quase inalterado. Porque as grandes mudanças dependem de decisões políticas que imponham regras à indústria, façam investimentos públicos, mudem políticas fiscais, mudem leis, planifiquem cidades e economias. Percebo a exigência de coerência, mas a tentativa de privatizar este debate é a melhor forma de o despolitizar. Na realidade, se quem exige isto aos jovens aplicasse para si o mesmo tipo de exigência pouco ou nada poderia dizer sobre as grandes escolhas políticas que temos de fazer em vários domínios. Em resumo: salvar o ambiente implica escolhas na vida privada, mas quando centenas de milhares se manifestam não se limitam a uma ação de sensibilização junto do cidadão, para que reciclem o seu lixo. Exigem a coragem de medidas políticas dos decisores.

O último paternalismo foi o mais simpático: tentou transformar estas manifestações num momento consensual. Quem não quer salvar o planeta? Este paternalismo tem uma base real em que trabalhar: é natural que um movimento inorgânico, sem base política, não apresente um programa de medidas bem fundamentado. E é normal que um movimento que nasce de jovens sem experiência política nem acesso aos instrumentos técnicos que permitem apresentar soluções, não vá por aí. Isso torna o seu discurso facilmente unânime. Só quando se fazem escolhas para resolver um problema que quase todos assumem como importante é que passa a haver oposição. E só quando há oposição é que sabemos que estamos mesmo a tentar mudar alguma coisa. Por agora, estes jovens só têm contra si aqueles que não gostam que os jovens se manifestem e os que negam a ciência. Universos que por estes tempos tendem a coincidir.

Tentarei também eu evitar o paternalismo. Mas não ser paternalista passa por assumir que esta luta não é apenas destes jovens. Eles são os motores dela, mas todos temos o dever de nos envolver. E há três coisas que eles devem evitar: serem fofinhos, serem uma soma de seitas e causas e alimentarem o ódio geracional.

De um já falei: evitarem ser consensuais e por isso inúteis. O passo seguinte é politizarem (não ter medo da palavra, que é nobre) o que é político. Foi o que Greta Thunberg fez no seu curto e extraordinário discurso. Não permitirem que o poder se apodere do que é uma boa marca. E isso implica falarem com quem tem propostas, soluções, alternativas. E exigirem que sejam implementadas. E nesse processo aprenderem a lidar com a contradição entre vários valores que devem ser protegidos. Sabendo que se desprezarem alguns valores sociais fundamentais o povo estará contra essas propostas e elegerá quem as recuse. Que há várias formas de fazer a mesma coisa, umas mais justas e outras mais injustas. E que o poder tende a escolher as mais injustas. E todas estas escolhas implicam ter inimigos, terem uma imprensa menos simpática, terem pessoas que estariam nas coisas e assim não estarão. Não terem medo de ser impopulares, como disse Greta Thunberg.

O risco seguinte é o oposto. Nos jornais e nas televisões vi muitos cartazes nas manifestações. Uns contra o capitalismo, outros pelo veganismo. É natural e saudável que cada um aproveite estes momentos para as suas causas. Mas a diversidade só enriquece se houver uma síntese. E isso implica um objetivo comum, que não será seguramente a revolução socialista ou a generalização da dieta vegan, mesmo que passe por transformações radicais no modelo económico e na nossa alimentação. Suspeito que não tenhamos assim tanto tempo. Se o inimigo – e há inimigos – é quem, por ignorância, ganância ou conforto, recusa a ciência, a aliada tem de ser a evidência científica. E as propostas são aquelas que os poderes que existem devem ser forçados, em muito pouco tempo, a implementar e que as sociedades conseguem aguentar.

Claro que estes dois riscos – de ser demasiado consensual ou demasiado tribal – resulta de um problema que é deste tempo e, por ser deste tempo, afeta mais esta geração: a maravilha de fazer um movimento sem organizações corresponde ao pesadelo de não ter uma direção e uma organização. O que torna muito mais difícil definirem objetivos, fazerem exigências concretas e concretizáveis a que os políticos tenha mesmo de responder e manterem a pressão sobre eles. A questão que se levanta a estes jovens (e a nós todos) é se se conseguem organizar para lá das explosões que as redes ajudam ou se isto foram só flores. Se foram, o lastro que deixam é bom na mesma e não deixará de marcar os políticos e cidadãos de agora e de depois. Mas não me parece que assustem muito os poderes que contam, que serão até capazes de esverdear um pouco o seu discurso. O problema do inorgânico é que tende a ser inconsequente. A não ser, claro, que deixe de ser inorgânico. O que perde em poesia ganha em eficácia.

O terceiro risco é isto transformar-se num combate dos jovens contra os velhos. É tentador. Primeiro, porque é justo. Estes jovens receberam o planeta desfeito e foi a minha geração, que desde os anos 80 sabe muitíssimo bem que caminha para um ponto de não retorno, que nada fez. Nem sequer por eles. A maioria preferiu não mexer um milímetro no seu conforto e deixar o inferno para os seus próprios filhos e netos. Fomos, estamos a ser, indecentes. E não devem perdoar-nos por isso. Devem continuar até assumirmos todos, não a nossa culpa, que serve de pouco, mas a nossa responsabilidade. Mas isto não deve ser uma forma de aprofundar a incomunicabilidade, mesmo que ela seja da natureza da relação de todas as gerações entre si. Porque no meio há um planeta para salvar que não pode esperar que a geração de Greta Thunberg chegue ao poder. E porque têm aliados nos adultos e terão adversários na sua própria geração, quando chegar a altura. As soluções urgentes ainda estão nas mãos dos políticos, técnicos e cientistas das gerações mais velhas. Precisam deles e dos que os elegem. Mas isso eles sabem. Estão, e muitíssimo bem, apenas a tentar envergonhar-nos.


Dialética da loucura normal

(Por José António C. Ferreira, 18/03/2019)

José Saramago

A vida é cheia de fraquezas, dificuldades e outras coisas disfarçadas que jamais conseguiremos descobrir, tão-pouco dominar. Assim, sendo nós os seus protagonistas temos que vivenciá-la com respeitabilidade e responsabilidade, aprender a lidar com as nossas variações, que são as variações dela – a vida – e ao mesmo tempo sermos aquilo que nós somos realmente.

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O facto de estarmos permanentemente preocupados em acatar os padrões impostos por uma sociedade hipócrita, construída sob o pilar da liberdade, mas que constantemente se desrespeita, não nos tornará meros espectadores, em vez de activos actores, deste enorme palco que criamos para viver?

Será o sair do “normal” a maior beleza que um ser humano possui, já que tal saída nos possibilita a criatividade, a reinvenção, o renascimento? É esse sair do “normal” que determina a nossa originalidade, o nosso estilo e, por conseguinte, a nossa natureza, aquilo que somente nós possuímos e que não encontramos em mais ninguém. É aquilo que nos torna seres individuais e que é guardado na memória daqueles com quem interagimos.

Vou arriscar: serão os traços de “loucura” que tornam a nossa personagem sedutora e apaixonante? Será a exposição “maluca” da nossa loucura que deixa ao mesmo tempo quem nos rodeia e a nós próprios tão fortes e independentes? Que nos faz atrever a sermos inadequados, sem medo de nos apelidarem de o outro, sem medo dos olhares que teimam em retirar-nos o brilho da nossa individualidade sincera?

Só assim seremos pássaros a voar livremente, fora das gaiolas que a vida “adulta” e a pressão da sociedade nos colocam à disposição para voluntariamente nela entramos, transformando-nos em indivíduos rotineiros e chatos, sem qualquer tipo de sedução, mergulhados no reino da “mesmice”?

Como alguém me disse uma vez: “perdedores são pessoas que têm tanto medo de não ganhar, que nem sequer tentam”. Dizia ele, ainda, “para tentar, antes é preciso ser honesto consigo mesmo, dando o melhor de si, mesmo que as pessoas esperem outras coisas”.

Desta frase, que ainda hoje guardo, digo: ser vencedor é ter coragem para perder com dignidade sendo quem sou, o homem sem disfarces nem acomodação, com loucura e beleza. O homem que é livre para dizer merda para os padrões da sociedade.

E, porque não somos todos iguais, entendo que viver não é uma competição, muito menos a entendo como objetivo de distribuição de medalhas a quem perde ou ganha, a quem chega em primeiro ou se fica no último lugar, a quem vai embora ou permanece.

Só concebo ser possível ganhar medalhas, nesta vida tão criteriosa, quando ao olhar para trás contemplo cada pegada do “normal” caminhar, e encontro nelas um lastro de fidelidade e autenticidade, o de ter feito o que se gosta, independentemente daquilo que os outros queiram ou achem ser nosso dever fazer.