O CDS e os arruaceiros de serviço

(Carlos Esperança, 26/08/2018)

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Enquanto a comunicação social neoliberal, com laivos fascizantes, hesita entre o CDS e o promissor Aliança, à espera de nova chefia no PSD, cabe à Dr.ª Cristas e ao inefável Nuno Melo, ainda pesaroso do passamento do cónego Melo, que tão tarde se finou, a liderança dos ataques ao PS e ao BE.

Não se julgue que poupam o PCP, apenas usam a arma mais eficaz, esquecem-no como o fazem os seus órgãos de comunicação. É a melhor forma de o combaterem.

Recentemente, a Dr.ª Cristas reclamou indemnizações para os ‘espoliados do Ultramar, infelizmente perdido’, aceitando que o atual governo, quando demasiado substanciais, as dividisse por vários orçamentos. Pensou certamente em quem vivia do trabalho e não nas empresas que o pai herdou. É surpreendente o seu esquecimento nos governos que integrou, a omissão dos que lutaram pela libertação das colónias e dos que morreram ao serviço da ditadura, na guerra que nunca condenou, a protegerem as empresas do avô.

Voltemos à conduta da excelsa Senhora e do truculento Nuno Melo, ambos ousados no ódio que destilam, alheados da urbanidade, com insulto fácil e antena aberta para todos os despautérios.

Denunciam o desgaste da ferrovia, que Ferreira do Amaral matou com o betão e Durão Barroso com a miopia que privou Portugal da alta velocidade, quando havia apoios da UE, e do aeroporto, agora urgente e dependente da ANA, levianamente privatizada. Quanto aos comboios, podiam informar-se junto de Manuel Queiró, seu correligionário, ex-presidente da CP que, com a sua experiência, os pouparia às asneiras que debitam.

Limpam lixo nas praias, para as câmaras televisivas, e não o evitam no CDS. São hábeis no ruído mediático e inanes nas ideias e projetos para o País. Nuno Melo fala da alegada dívida dos estaleiros de Viana do Castelo para com Paulo Portas, que os privatizou, e cala-se com os submarinos.

A deriva reacionária do CDS levou o seu fundador, Freitas do Amaral, a abandoná-lo e o PPE a expulsá-lo. Só voltou ao convívio da internacional conservadora e demo-cristã graças a Durão Barroso, para formar o Governo que comprometeu o País na invasão do Iraque e empolgou, com a participação no crime, a direita que o apoiava.

Hoje é o PPE que se aproxima do CDS de Nuno Melo e da Dr.ª Cristas.

Triste sinal dos tempos!

Carta aberta ao Sr. Presidente da Câmara, a Sra. Vice-Presidente da Câmara de Pedrógão Grande

(Vasco Esquina, 22/08/2018)

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(Parece que em Pedrógão o presidente da câmara está a sair “chamuscado” e não é por causa das labaredas. Este munícipe insurge-se, pede explicações a todos os que o queiram ouvir e diz que tem vergonha. Pudera. Parece que, para os políticos da direita, não se passou nada. O “selfie made man”, não pede explicações e bota faladura? A Dona Cristas não pede explicações, senão ao Governo, pelo menos à sua amiga “brasileira”?

O único que está desculpado por não falar no asssunto é o Rui Rio que está de férias até ao fim do mês e que, por tal, não fala sobre coisa nenhuma. Homem coerente, portanto. 🙂

Comentário da Estátua, 26/08/2018)


 Sr. Presidente Valdemar Alves (Senhor por quem eu tinha uma grande admiração), você que aqui há uns meses atrás foi um dos principais ajudantes a descobrir a corrupção de que a nossa Câmara estava a ser alvo, hoje vou para jantar e nisto olho para a minha televisão, e reparo que estava o Senhor Presidente, e outros seus colegas a dar uma entrevista. A darem não, a serem ”encostados” a uma parede durante uma entrevista.

Pouco sei e sinceramente nem quero saber de política, mas o Senhor como a pessoa que está lá no ponto mais alto, diga-me ou tente-me explicar o porquê disto tudo.. Como é que o Senhor deixou/permitiu que coisas destas fossem possível? Espero que um dia tente explicar a toda a gente, mas sem mentir como fez na entrevista, tanto você como os seus colegas a única verdade que devem ter dito para a equipa da TVI foi qual era o vosso nome.

Somos uma vila pequena, mas bonita, com poucos poderes financeiros, mas sempre prontos ajudar o próximo (de maneira LEGAL). Os milhões eram muitos, a fortuna era grande, o tacho era lindo e recheado, até que dentro dessa Câmara todos pegaram nos seus talheres e começaram a comer.

Vocês todos que fizeram isso, só olharam para o vosso umbigo, os velhotes, as outras pessoas que também perderam tudo, eles que se lixem, né? Eles que durmam, que vivam ao frio, sem luz, sem água, sem um frigorífico se for preciso.. O importante é vocês encher a vossa barriga, estou certo Senhor Presidente? Ou mais uma vez vai e vão todos mentir?

Era dinheiro suficiente, até mais do que suficiente para ajudar todas as pessoas que ficaram mal neste incêndio, e até dinheiro suficiente para dar ao próximo (aqueles que também sofreram como nós em Outubro), mas não Senhor Presidente, você e os seus preferiram encher os bolsos e usar o dinheiro em coisas benéficas para vocês, e mais uma vez, quem precisa verdadeiramente que se lixe.

 A sua sorte e dos seus, é que os que menos têm calam-se e continuam a viver a vida deles com o pouco têm.. Mas há outros que mesmo tendo pouco ainda conseguem reagir, foi o caso.. E graças à TVI todo o nosso povo ficou a saber verdadeiramente do que se passa aqui na nossa terra, mas pior do que isso Senhor Presidente sabe o que é? Se calhar você não sabe mas eu vou-lhe dizer, mas sendo verdadeiro, claro, se o Senhor Presidente souber o que isso é.

A TVI, a reportagem, não passou só nas televisões do nosso povo de Pedrógão Grande.. Passou em TODO o País, passou nas televisões dos emigrantes, alguns deles cá da terra, e outros que mesmo não sendo da terra vão ver na mesma.. E o Senhor Presidente consegue perceber o que isto quer dizer? Eu vou-lhe então tentar explicar o meu ponto de vista.

O incêndio que nos afetou, fez-nos perder pessoas (familiares e amigos), muitos dos nossos bens, foi um inferno resumindo.. Infelizmente mesmo que eu não queira e não goste, ficamos com o ” rótulo ” de coitadinhos. Todos quiseram ajudar, uns doaram dinheiro, outros doaram bens para nos irmos aguentando.. O pior é que uns receberam alguma coisa disso, outros não.. Mas enfim, já aí começou a ” palhaçada ” a que começamos assistir.. Mas já de alguns meses para cá, já antes desta entrevista, muitas pessoas que ajudaram questionam-se ” O que foi feito do dinheiro que doei para ajudar? ”, outras ” Será que os bens essenciais que doei, foram bem entregues a quem precisa? ”, muitas outras já diziam ”Jamais doarei dinheiro enquanto não souber o que foi feito ao que doei para Pedrógão Grande ”, pois bem Senhor Presidente, apostando eu quase tudo o que tenho que todas as pessoas que doaram o quer que seja para o nosso povo viram esta reportagem. Responda-me com sinceridade, do ”rótulo” de coitadinhos vamos passar ao ”rótulo” de ladrões/aproveitadores/corruptos, não sei Senhor Presidente responda-me você, mas com sinceridade, claro.. Se quiser ajuda para responder peça aos que comeram do tacho consigo, mas claro, peça-lhes sinceridade a cima de tudo se forem capaz de responder com ela.

Agora, agora eu quero ver Senhor Presidente, o que você vai dizer para todas essas pessoas, espero que seja verdadeiro, espero que corrija os enormes erros que fez. Por fim, digo-lhe com orgulho e com raiva misturados, apesar de tudo isto, não tenho vergonha da nossa vila, na vila onde moro, tenho sim, vergonha de quem a governa. Fico à espera que venha a público explicar tudo ao nosso povo e a todos os portugueses… Um agradecimento especial à TVI por abrir os olhos e mostrar a realidade tanto a mim, como ao resto do povo que ainda não se tinha apercebido.

P.s. Vejam se ainda vão a tempo de ajudar quem realmente precisa e deixam de comer do tacho.Mesmo depois de todas as visitas do Senhor Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa, ainda foram capaz de fazer esta vergonha!

Quem vinha cá para nos visitar e ajudar, agora nem querem ouvir falar de nós!

O Papa Francisco e a Igreja católica

(Carlos Esperança, 24/08/2018)

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Sem maniqueísmo, facilmente se admira o atual Papa e desculpa o passado nebuloso do cardeal Bergoglio, benevolente com o ditador Videla e hostil à presidente Kirchner, em sintonia com os Papas de turno, e a presente sujeição ao Opus Dei na convocação de defuntos para alimentar a indústria dos milagres e a criação de beatos e santos.

A vida de figuras públicas tem zonas claras e escuras, e as circunstâncias moldam mais os homens do que estes as circunstâncias. O Papa Francisco é, no conjunto da sua vida, um homem respeitável e, quiçá, o mais estimável dos líderes religiosos mundiais. Não merecia a catadupa de problemas que desabam sobre ele. O futuro dirá se foi o homem certo na hora errada ou o homem errado que chegou na hora certa ao Vaticano.

Ao receber a tiara, o solidéu branco, a romeira, os sapatos vermelhos, a infalibilidade e a diocese de Roma, que vagara porque o antecessor trocou a santidade pela vida, estaria longe de imaginar as desgraças que desabariam sobre ele.

São do domínio público as ligações do Vaticano à Máfia, que Francisco teve a coragem de cortar, a lavagem de dinheiro no IOR, pseudónimo do banco do Vaticano, a que pôs cobro, e a tentativa de acertar o passo com a modernidade e a ética, numa manifestação de coragem que o nobilita.

Não vale a pena escarafunchar os escândalos que envolvem o clero católico, verdadeiros e infamantes, habilmente aproveitados pela concorrência, mais perigosa e assustadora.

Só quem tem a noção dos séculos de impunidade da Cúria Romana pode apreciar a luta deste jesuíta determinado e corajoso, perante um antro de reacionários e dissolutos.

A ousadia de quebrar a moral da Idade do Bronze, quando o Deus de Abraão foi criado por patriarcas tribais, valeu-lhe a aversão da tralha beata, que se confunde com os mulás e sonha com as Cruzadas e à Inquisição. As suas manifestações de humanismo cativam crentes e livres-pensadores, os que defendem a modernidade e se reveem na civilização herdada do Iluminismo e da Revolução Francesa.

Quando alterou o parágrafo do catecismo da Igreja católica sobre a Pena de morte, que considerou “inadmissível” e fez a rutura com a doutrina tradicional, era de admitir que o avanço civilizacional, que incentivava a abolição em países de influência católica, fosse acolhido pelo clero como um momento alto da história milenar do cristianismo e tivesse o consenso de todo o clero, ressarcido das nódoas que o atingem por um ato que honra a Igreja e, por extensão, a clerezia apostólica romana.

Foi uma ingenuidade, não certamente do Papa, que conhece a Santa Máfia que o rodeia, mas dos incréus que ainda aguardavam o contributo do Vaticano para um mundo mais humanista e alinhado com a modernidade.

Enquanto livres-pensadores saudaram a posição do Papa, agitaram-se as sotainas e, do antro do Vaticano e de sucursais reacionárias, surgiram urros de trogloditas que acusam o Papa de adulterar a palavra do Deus deles, que continua aquele velhaco e cavernícola, à imagem e semelhança dos trogloditas para quem a pena de morte é exigência divina.