O Juíz Ivo Cruz

(Dieter Dillinger, in Facebook, 09/07/2017)

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Os três secretários de Estado que se demitiram e se ofereceram para serem constituídos arguidos por causa dessa minudência que foi o convite para ver um jogo de futebol sabiam que o DCIAP e o Carlos Alexandre iam constitui-los arguidos ou quiçá o juiz de instrução IVO Cruz que RECUSOU a investigação de um gang de fornecedores de armas perigosíssimas ao mais perigoso e mortal terrorismo que o Mundo conheceu alguma vez.

Claro, para os magistrados, ser do PS é algo muito pior que umas dezenas largas de quilos de explosivos e armas antitanques, entre outras coisas.

Há um sargento-mor de Tancos em julgamento por roubo de armas, pelo que seria indispensável escutar os seus contatos para se ter evitado o roubo em Tancos. Mas, o inimigo da pátria IVO Cruz prefere dedicar-se ao “crime” de ir a um jogo de futebol ao terrorismo.

Enfim, senhor juiz IVO CRUZ ponha a mão na consciência e diga se não temos razão e se não é V. Exa a pessoa que se deve demitir das funções que ocupa porque não tem discernimento e não percebe a diferença entre futebol e terrorismo.

Os carrascos

(Por Estátua de Sal, 09/07/2017)

Carrascos

In Blog 77 Colinas

A moda agora é pedir a cabeça dos ministros. A Assunção parece a Salomé, filha de Herodias, que segundo os Evangelhos, pediu a Herodes, como retribuição para os seus dotes de dançarina, a cabeça de S. João Baptista entregue numa bandeja. Não sei se a Assunção pede meças à Salomé nos seus dotes particulares, mas em termos de pedidos não lhe fica atrás.  Parece que foi a Belém pedir a cabeça de António Costa mas Marcelo, que já cá anda há muitos anos, mandou-a ter juízo e crescer para a política. Costa, nesse cenário ganharia as eleições antecipadas com maioria mais que absoluta e Marcelo perderia muita da sua influência sobre a governação.

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Degolação de São João Batista.
1924. Por Benedito Calixto,

O Passos anda um pouco mais comedido, depois da anedota dos suicídios falsos, ainda não pediu, de viva voz, a cabeça de ninguém. Incumbiu a JSD de fazer os requerimentos. Os jotinhas juntam-se à D. Cristas mas vão mais longe: querem a cabeça da ministra da Administração Interna, do ministro da Defesa e ainda do ministro da Educação. Não consta que tenha ardido nenhuma escola nem que tenha sido roubada nenhuma pauta com as notas dos estudantes mas os jovens são impetuosos e não querem parecer menos incendiários que a Assunção.

Parece que houve tempestade grossa de granizo no Norte e os prejuízos para os agricultores, sobretudo os vinhateiros do Douro, são incalculáveis. Aguarda-se, portanto, que a direita peça a cabeça do Ministro da Agricultura e do presidente do Observatório Meteorológico.

Se os juízes avançarem para a greve que prometem fazer em Outubro, pondo em causa a homologação dos resultados das eleições autárquicas, espera-se que a direita peça a cabeça da Ministra da Justiça.

Curiosamente, nem a Assunção nem o Passos, nem a comunicação social, questionam a senhora Procuradora-Geral sobre a razão de nada ter feito quando lhe chegou a denúncia de que estaria iminente um grande assalto aos paióis de Tancos, o que teria, em princípio, evitado o assalto. Neste caso, a responsabilidade da Procuradora é cristalina, o falhanço foi óbvio, e não me digam que foi por falta de meios que a D. Joana ficou de braços cruzados, a não ser que os meios estejam todos alocados a perseguir o Sócrates.

Como todos os dias acontecem desgraças no país, se esta moda de cortar cabeças de ministros e servi-las em bandeja pega mesmo, não vai haver cemitérios que cheguem para tanto decapitado. Talvez seja esta a proposta da direita para resolver o problema dos incêndios: fazer mais cemitérios nos sítios onde hoje estão plantados eucaliptos…

 

Semanada

(In Blog O Jumento, 09/07/2017)
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Há muito tempo em silêncio a direita militar esteve há beira de vir para a rua, isto é, aqueles que no passado sanearam a esquerda militar com o argumento das manifestações esperaram pela aposentação e pela consolidação da democracia para se armarem em MRPP. Entretanto, alguns generais decidiram aproveitar-se do roubo de Tancos para extravasarem sentimentos antigos. Maus dias para a tropa, primeiro ficámos a saber que os arsenais de material militar são mais fáceis de roubar do que uma caixa de Multibanco, agora assistimos a um míni PREC da direita militar, a tal que era a defensora dos bons valores.
Marcelo parece estar à beira de mudar o Palácio de Belém para Pedrógão, se não vai à missa das oito vai ao concerto da noite, tudo o que por lá se passa conta com a presença do Presidente, está prometida a passagem do Natal e até lá é de esperar que seja o padrinho de todas as crianças que sejam batizadas. Talvez Marcelo não se aperceba, mas Pedrógão não é o único problema do país, vale pela dimensão, o somatório de todas as pequenas desgraças do país resulta num incêndio bem maior do que o que ocorreu naquela localidade.
Passos Coelho chamou cata-vento a Marcelo e este chegou a Presidente, talvez isso explique as cambalhotas que tem dado. Parece que Passos aderiu ao efeito cata-vento convencido de que da mesma forma que Marcelo ganhou as presidenciais ele poderá ganhar as legislativas. Um bom exemplo desta política do cata-vento é a relação com os sucessos na economia, num dia o governo destruiu o Estado com as suas políticas, no outro todos os sucessos se devem ao que fez o seu governo.
Outra espécie de cata-vento é a Catarina Martins, ora parece uma grande defensora da Geringonça, ora aparece como a líder da oposição. Foi divertido ver a deputada Mortágua protestar contra as cativações como se tivesse sido ela a descobrir o grande crime económico de Mário Centeno. O problema é que a Assunção cristas anda há meses a desvalorizar os sucessos do governo na política orçamental, pelo que a Dra. Mortágua escusa de colocar aquele ar de grande economista que acabou de descobrir uma grande coisa.

Os juízes não quiseram ficar atrás da direita militar e também querem fazer política, parece que querem mudar o estatuto. Certamente não querem deixar de receber os 500 euros limpos de impostos a título de subsídio de residência, um subsídio único na sociedade portuguesa, é pago até á morte, é pago aos dois membros do casal se forem ambos juízes e é pago mesmo que tenham casa própria em frente ao tribunal onde trabalhem. Mas já começa a ser um hábito que este órgão de soberania não eleito faça espetáculo quando a direita não está no poder.