Bye Barack, porque Ob(amos) esquecer-te

(Por António Gil, in Facebook, 30/12/2016)

barack

A casa Branca será desocupada por um branco disfarçado de negro e será ocupada por um branco disfarçado de laranja. Muit@s amig@s inteligentes -sem ironia – já sentem saudades do casal demissionário. Não me separa deles nenhuma ideologia -creio que aqui é a informação e sua fria análise que joga o seu papel – mas não partilho desse sentimento. E creio que os factos objectivos me darão razão. O balanço dos anos Obama é desastroso, qualquer a perspectiva que se adopte (económica, política, geo-estratégica).

Não me preocupa saber que os EUA perdem influência no mundo -excepto pela reacção de fera ferida que possam ter – mas é principalmente do ponto de vista dos «interesses dos EUA» que as continuadas derrotas do ainda presidente parecem mais catastróficas. Excepto na questão síria, a Rússia, sem disparar um míssil, reganha influência mundial.

No Chipre, no Egipto, na Turquia e ultimamente até nas monarquias do Golfo, tradicionais aliados dos EUA, e mesmo no Afeganistão e Iraque, países onde os EUA mantêm bases militares na sequência das invasões falhadas, graças ao brilhante trabalho de formiguinha de Lavrov, ministro russo dos negócios estrangeiros, diplomata clássico, tão longe da agressividade verbal da «diplomacia» norte-americana, que sempre mostrou o «pau» e desprezou a cenoura.

Nestes últimos meses mais dois revezes: mesmo Israel «ameaça» bater com a porta e as Filipinas, até recentemente sob a órbita americana pelo menos desde a invasão -uma das primeiras- yankee, deslizam para o lado da China. Daí a diabolização dos nossos queridos jornais e tvs do seu presidente, que de facto sempre foi louco (no que está bem acompanhado por não poucos líderes mundiais), até porque a loucura sempre foi requisito para reinar sobre aquele arquipélago de grande valor geo-estratégico.

Cereja no topo do bolo, a expulsão dos 35 diplomatas russos surge como mais um sinal de fraqueza e parece destinar-se mais a visar a presidência de Trump do que propriamente a «retaliar» sobre a Rússia, promessa recente de Obama. Na falta de provas sobre a interferência russa nas eleições dos EUA (se provas houvesse os jornais e TVs «ocidentais» já nos teriam inundado, bombardeando-nos regularmente com com elas), esta expulsão visa fazer a opinião pública americana pensar que algo efectivamente grave se passou, de modo a passar esta mensagem nada subliminar: Trump é agente de Putin, logo Trump é um traidor, logo NÃO PODE ocupar o posto de presidente.

Efectivamente à Rússia essa expulsão não aquece nem arrefece: há mais diplomatas no sítio de onde vieram aqueles. Uns fazem as malas para partir, outros fazem as malas para os substituir. O fecho de dois consulados russos (em New York e Maryland) afectará em partes iguais tanto os homens de negócios russos como seus pares americanos. O mesmo para os cidadãos comuns de ambos os países.

Assim, sem honra nem glória, deixando incumpridas as suas promessas, restam a Obama algumas realidades internas nada lisonjeiras para ele: os seus 8 anos foram aqueles em que mais negros foram assassinados por forças policiais, militares ou paramilitares. 3,5 milhões de emigrantes expulsos, mais uns valentes quilómetros de muro na fronteira do México sem que o problema da emigração esteja resolvido, muito longe disso.

A crise financeira de 2007/2008 longe de cicatrizar, o dólar perdendo terreno mundial, a degradação consistente das infraestruturas, uma NASA que se tornou na chacota mundial por parecer ter perdido a capacidade de colocar aparelhos no espaço, precisando ainda de foguetões russos para colocar em órbita seus satélites mas muito «competente» na publicação de artigos na área da antropologia, sociologia, artes divinatórias, o FBI e a CIa de candeias às avessas, o extremar de uma sociedade inteira, a audácia dos suprematistas brancos que cada vez surgem mais à luz do dia, a confusão reinante entre os hispânicos, a radicalização dos negros, a total desorientação dos mídia que disparam em todas as direcções mas só acertam nos próprios pés.

Não, não vou ter saudade dos Obama. As minhas esperanças aquando da primeira eleição foram uma a uma defraudadas. O medo que tenho do que aí vem com Trump é, em grande parte, filho da obra de seus dois mandatos e se o futuro presidente fizer o que se teme que ele faça nunca devíamos esquecer quem lhe abriu de par em par as portas do poder que ele se prepara para assumir. Porque nada cai do céu, nem surge por geração espontânea.

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4 pensamentos sobre “Bye Barack, porque Ob(amos) esquecer-te

  1. Quando falta descernimento sobresai dislate. Estranho que neste blogue, de quando em vez, o editor de seviço transpareça confusão criterial. Tanto se transcrevem artigos e crónicas que revelam profissionalismo (a maioria) como disparates com este. Obama não terá exercido o seu poder como o mundo e nós necessitávamos mas foi seguramente, num quadro de falência económica e de guerra sem fim, o melhor presidente possível.

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  2. A opinião é algo injusta, porque, como disse Gordon Brown, todas as carreiras políticas terminam no fracasso. O que fica feito, em face do que se prometeu e pior do que foi desejado, fica sempre aquém. Mas há que concordar que Obama comprou uma briga com a Rússia onde não devia e não podia ganhar (na Ucrânia) e agiu de maneira irresponsável na Líbia e Síria (ajudado pelos inefáveis Cameron, Sarkozy e Hollande). Ficará a tentativa de reformar o sistema de saúde (e aqueles que votaram em Trump e irão perder a cobertura de seguro depressa se arrependerão), a tímida reforma do sistema financeiro (que Trump se apressará a destruir e que irá muito provavelmente rebentar-lhe na cara, ou de uma futura administração democrata se ele só durar 4 anos) e o salvamento do sistema bancário, da qual todos os anti-sistema de diversas cores e feitios escarnecem, esquecendo claro o que aconteceria se esse sistema colapsasse… Ou talvez não se esqueçam, porque continuam a sonhar com uma qualquer revolução, obviamente manchada de sangue inocente, porque elas são todas assim… Malditos sejam!

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