Os objectos da memória

(José Pacheco Pereira, in Público, 23/01/2016)

Autor

                   Pacheco Pereira

Uma interessante iniciativa do Museu Victoria e Alberto de Londres é aquilo a que chama “rapid response collection”, uma colecção de objectos triviais, mas que se associam a determinados eventos. Os objectos são mesmo triviais e não é o seu design, nem sequer o seu papel na história do consumo, nem do quotidiano, que os faz ir para o museu. Não são uma cadeira da Bauhaus, mesmo que nós não a reconheçamos como tal, nem o zip que fecha um blusão, nem um Big Mac de plástico, nem um isqueiro Zippo. São outro tipo de objectos que fizeram parte de um evento histórico ou simbólico qualquer, que torna a sua trivialidade especial, porque a história os tocou. A exposição num museu de “artes decorativas” passa a ter uma ala que está em permanente mudança, porque a história está permanentemente a “tocar” diferentes objectos.

Na colecção estão vários objectos como uma pistola feita numa impressora 3D, um computador destruído, um brinquedo do Ikea, uma série intitulada Les Nudes de sapatos de Christian Louboutin, uns jeans anódinos da Primark, um conjunto de pequenos cones de aço incrustados numa placa, por aí adiante. No entanto nenhum destes objectos é “inocente”. A pistola cujo modelo se chama FP-45 Liberator, podia fazer-se em casa a partir de planos que estiveram na Internet (foram descarregados 100.000 vezes) e que  foram apreendidos  a pedido do Departamento de Estado e, como se passa com muita coisa da Rede, continuam lá. Os jeans foram feitos numa fábrica do Bangladesh que funcionava num edifício que colapsou matando mais de 1000 pessoas. A história dos Louboutin é a que menos me interessa, mas os restos do computador esses vieram do Guardian, quando a polícia obrigou o jornal a destruir à martelada os computadores onde estavam os ficheiros com os documentos que Edward Snowden tinha trazido das agências de espionagem electrónica, revelando a amplitude das escutas mundiais que os EUA e o Reino Unido faziam. O jornal informou as autoridades de que não havia razão nenhuma para destruir os computadores, dado que os ficheiros estavam copiados  em sítio seguro mas, mesmo assim, o acto teve que se realizar, como se uma martelada num disco duro e num teclado punisse um qualquer génio do mal que estivesse lá dentro. Os cones de aço são nem mais nem menos de que uma espécie de “anti-cama” para evitar que um sem-abrigo durma no espaço que eles demarcam no chão. O brinquedo do Ikea, um lobo chamado Lufsig, foi atirado num protesto a Leung Chun-ying, um político de Hong Kong. Logo a seguir os Lufsig esgotaram na cidade.

A “rapid response collection” interessa-me porque no meu trabalho de colector-recolector também tenho tentado obter alguns objectos deste tipo, quase sempre com sucesso visto que ninguém liga em Portugal a este tipo de “memória”. Mesmo nos objectos mais evidentes, em que a história “tocou” sem ou com pouca imaginação, –  a escolha dos objectos do Museu Victoria e Alberto mostra um trabalho aturado de escolha e criatividade, –  todos ficam ignorados e muitos desapareceram de vez na máquina trituradora do esquecimento, que em Portugal trabalha a pleno vapor. As actividades políticas são tão estereotipadas que não deixam nada que mereça ser lembrado, mas na vida cívica mais geral há vários objectos que podiam estar numa “rapid response collection” portuguesa. Falarei de alguns que, pelo menos eu guardei.

Já que não posso ter um contentor dos retornados, um dos objectos que marca a história da descolonização, com o nome, pintado em letras enormes, dos possuidores dos escassos bens que uma família portuguesa pode salvar de Angola, tenho uma genuína valise en carton. A humilde mala, imortalizada por Linda de Suza, simbolizou a saga dos emigrantes nos anos sessenta, na qual viajavam, muitas vezes à cabeça, os pouco pertences que se levavam para França. A que tenho na minha “rapid response collection”  foi para lá  levada por um emigrante e regressou cheia de recortes sobre a emigração, adquirida por José Carlos Ferreira de Almeida (1934-2009), um dos fundadores da moderna sociologia em Portugal e autor de vários estudos sobre a emigração, cujo espólio adquiri.

De antes do 25 de Abril, há um copiógrafo Gestetner, um conjunto de fitas de máquina e papéis químicos usados numa tipografia clandestina e que se destinavam a ser queimados. Era o tipo de objectos que não se podia deitar fora, visto que no papel químico de tirar cópias, mesmo que usado muitas vezes, ficavam partes do texto e nas fitas, a preto e vermelho, a mesma coisa. Há também um granada de gás lacrimogéneo, de origem americana, usada pela polícia numa manifestação, obviamente vazia. Foi apanhada para devolver à procedência, quando ainda fumegava, mas foram salvos, a granada e o alvo, pelas inscrições reveladoras da cumplicidade da polícia de cá com o “imperialismo americano”. Podia ser mais útil nessa denúncia, e acabou por não ser útil para nada, a não ser para a “rapid response collection”.

Outro objecto é um vulgar prego, daqueles com que antigamente se jogava na praia. Na verdade, podia ser um prego qualquer e nada atesta que também ele tenha sido “tocado” pela história, mas foi. No referendo sobre a independência em Timor em 1999, os timorenses que tinham uma elevada taxa de analfabetismo, não votavam preenchendo uma cruz, mas furando no sítio da cruz com o sim ou o não o boletim de voto. Faziam-no com um prego que estava preso nas cabines de voto, como hoje está uma esferográfica. Estive em Timor nesse dia e visitei várias mesas de voto, e, quando a votação terminou, guardei um desses pregos, instrumento de uma decisão histórica que deu ao mundo mais um país independente.

Destes tempos da “crise”, cuja memória tem sido tão descuidada, existem vários objectos que podiam fazer parte de uma “rapid response collection”, a começar por vários cartazes espontâneos, feitos em cartolina, onde um qualquer cidadão anónimo escreveu o seu protesto, muitas vezes com erros de ortografia e frases incompreensíveis, e que foram recolhidos do lixo depois das manifestações. Ou as ementas para os que “estavam fartos de coelho” de um restaurante de Lisboa, ou, por fim, um Zé Povinho, fazendo um manguito nem mais nem menos do que à agência de notação Moody’s.

A perda de materialidade da actividade política e cívica, um dos aspectos da nossa memória colectiva, faz com que no futuro não se possa “expor” mais do que páginas na Internet, o que, convenhamos, perde muito de força quando comparados com o terrível Lufsig do Ikea ou a “valise” cantada pela Linda de Suza. A deslocação da memória para dentro dos computadores, tablets e telefones, é inevitável e, em teoria, mais segura de conservar. Em teoria. Mas a perda de materialidade e do espaço físico, acaba por acelerar a destruição do rastro, apesar de tudo mais decisivo porque real e não virtual, da nossa memória. As calças Primark estão lá para recordar que o prédio que se abateu sobre a sweatshop era feito de cimento real e não virtual. Do mesmo modo, uma antiga máquina de escrever e um copiógrafo dizem que era tão difícil escrever um texto e reproduzi-lo e hoje é fácil fazer uma pistola Liberator.

A memória, para ser real, precisa de objectos porque o tempo incorpora-se nos objectos de uma forma que contém as imperfeições. E a história gosta de imperfeições.

Presidenciais: porque merecemos uma segunda volta

(Estátua de Sal, 23/01/2016)

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Finalmente terminou a campanha eleitoral para a Presidência da República. Segui os debates, as arruadas, os comícios, as declarações, os números de circo de alguns dos candidatos, as análises prospetivas dos comentadores de serviço, bem como as projeções das poucas sondagens que foram sendo divulgadas. A acreditar nestas últimas a grande incógnita que ainda parece permanecer é se Marcelo Rebelo de Sousa consegue de uma penada, e à primeira volta, mais que 50% dos sufrágios ou se o País será de novo chamado às urnas para uma segunda volta. Também parece claro que, a haver segunda volta, essa irá opor Marcelo a Sampaio da Nóvoa, ambos professores universitários. Dois professores, dois estilos que nos propomos analisar em função das campanhas eleitorais que ambos protagonizaram, tentando descortinar a forma como cada um deles vê o seu auditório, isto é o país, e nele se revê.

A campanha de Marcelo foi tudo menos uma aula magistral. Marcelo usou o estilo do professor que vai para a aula contar anedotas de modo a criar empatia com o auditório dos broncos que tem pela frente, sendo a seguir escutado com menos bocejos quando enunciar um difícil conceito que de outra forma não atingiria nunca os enferrujados neurónios da plateia.

Para Marcelo o país é ainda uma floresta povoada de seres inferiores e pouco dotados para as coisas do espírito, da política e da cidade. Eles não percebem as minudências constitucionais, mas percebem o taberneiro que serve copos de tinto. Eles não percebem o deficit das contas públicas, mas percebem a cabeleireira que fala dos amantes da vizinha do sétimo esquerdo. Eles não percebem o Tratado Orçamental, mas percebem o barbeiro que sabe todas as táticas futebolísticas. Eles não percebem os poderes do Presidente da República, mas percebem o taxista que conhece todas as moradas de bruxos, quiromantes e afins, porque se farta de lhes descarregar à porta clientes infelizes com a vida.

Assim sendo, Marcelo fez a campanha que, lá no fundo, ele acha ser a merecida pelo país que ele julga ser ainda Portugal no dealbar do século XXI: um país inculto e bronco, sem vontade de deixar de o ser, onde habita um povo incapaz de orientar racionalmente as suas escolhas eleitorais, subjugando-as à leveza das romarias e ao sabor do bolo de bacalhau.

Esta visão dos portugueses, de quem Marcelo quer vir a ser Presidente, é a chave para a compreensão da sua campanha, mais que o seu objetivo imediato e circunstancial de demarcação das políticas de austeridade de Passos Coelho e do revanchismo da Direita contra atual governo do PS. Visão perigosa, porque visão ideologicamente devedora de um certo elitismo iluminado que sempre gerou ao longo da História, nas situações limite da conflitualidade social, suseranos e vassalos, senhores e servos, ditaduras e arbítrios. Ou seja, Marcelo não quer ser compreendido, nem acha que precise de se dar a compreender desde que, tal como o soberano, seja adorado e em consequência aplaudido. Ele revê-se narcisicamente como um ser superior cujas elucubrações não são atingíveis pela turba ignara, seja a plebe da esquerda sejam os cortesãos da direita. Ele paira sobre todos, a todos ofuscando com o fulgor da sua mente superior. Que não é de esquerda, que não é de direita, é a esquerda da direita, isto é, ele quer dizer que saberá, sempre e em cada momento o que fazer para agradar quer à esquerda quer à direita, e quer que acreditemos nisso por fé e não porque o compreendamos, devido às nossas limitações de gentes inferiores.  Como se o antagonismo social não existisse, como se a luta política fosse uma ficção ou uma novela para entreter os serões.

Sampaio da Nóvoa partiu de uma notoriedade restrita aos círculos académicos para a ribalta da mediatização que uma candidatura presidencial envolve. Nunca que se visse deu notas na televisão, nem a alunos nem a políticos. A avaliação deve ser feita com seriedade e gravidade e não como um espetáculo para aos domingos ocupar os fins-de-tarde. Até porque da justeza da avaliação depende a vida futura dos alunos. Há professores que disso se esquecem com frequência.

Também visitou feiras, fábricas, hospitais, falou com as gentes que lhe foram vindo ao caminho. Ouviu-as. E foi repetindo que, o que queria mesmo fazer, era ouvir as pessoas. Porque as pessoas teriam a dizer-lhe algo que talvez ainda não soubesse, ou intuísse apenas de forma superficial. Ouvir é aprender. Nóvoa saiu da Academia para aprender, e também para dar aulas magistrais. Em todos os auditórios em que falou nunca saiu da postura de quem ensina e ouve para ensinar mais e melhor. Sem soberba, sem manifestar qualquer sentimento de superioridade ou condescendência para com os interlocutores, sem menosprezar a capacidade de os cidadãos o entenderem. Tentando transmitir conceitos e debater ideias, situações, contextos, o presente e o futuro. Em suma levando uma mensagem política.

Marcelo não é de esquerda nem de direita, diz ele. Nóvoa não hesita. Nóvoa diz que é de esquerda, seja lá o que isso signifique nos dias de hoje, mas que todos são bem-vindos porque a todos ouvirá ainda que – contrariamente à visão asséptica que Marcelo quer que acreditemos que ele tem da luta política e social -, não poderá prover a todos com igual peso. Porque estará do lado dos mais fracos contra os mais fortes. Porque estará do lado dos mais desvalidos contra os mais privilegiados em caso de irreconciliável conflito.

Nóvoa acha que os portugueses são suficientemente cultos e inteligentes para perceberem esta mensagem, que a merecem, e mostra-se aberto a discuti-la com todos os quadrantes políticos, e nomeadamente com o seu adversário mais direto, já anunciado vencedor por antecipação por muitos arautos encartados. Para Nóvoa, enquanto professor, parece que os alunos não são broncos e não é preciso contar-lhes anedotas antes de se lhes expor conceitos difíceis que devem aprender e debater de seguida.

Nóvoa acha que o país ainda é capaz de grandes feitos, que tem potencial, que tem energias que urge catapultar, que é capaz de se fazer compreender e que pode ser eleito Presidente da República porque o país o compreendeu sem simplificações e sem mistificações. A clareza acima do embuste. A verdade acima da propaganda. A razão acima da fé. Uma trindade perfeita dos princípios que enformam todo o ideário dos valores republicanos, por muitos esquecidos.

Em contraponto, mais que um Presidente-presidente, Marcelo quer ser um Presidente-rei. O facto de ainda se manter na presidência da Fundação da Casa de Bragança é revelador do seu íntimo enlevo pelas causas monárquicas, ou pelo menos pelas suas liturgias.

Ungido pelas televisões, apadrinhado pelos escribas do reino, agora quer ser entronizado pelos súbditos. Se tal suceder, provavelmente vai-nos dar catorze que é a nota que se dá a um aluno médio, mas esforçado. Se tiver que disputar uma segunda volta, ainda nos vai dar oito para irmos á oral. Mas se perder na segunda volta, acreditem que nos irá chumbar inapelavelmente, e nunca mais faremos a cadeira. Mas nesse caso, as gentes deste país, terão mostrado a Marcelo, terem muito mais inteligência e bom juízo do que ele pensava que tivessem.

Como cidadão padecente de várias deficiências, que não a mental, creio ter direito a almejar que as eleições presidenciais não terminem já na primeira volta, para que possa ter, pelo menos a esperança, de não continuar a ser tratado por Marcelo Rebelo de Sousa como pobre de espírito e merecedor do meu lugar no Céu por decorrência dos ensinamentos da primeira bem-aventurança que ele, como inveterado católico, bem deve respeitar.

Quero saber o que pensa Marcelo das pressões de Bruxelas sobre o Governo para que privilegie o deficit em vez da restituição de rendimentos às famílias. Quero saber de que lado estará em caso de tal pressão causar brechas na coligação de esquerda que sustenta o Governo. Quero saber de que lado estará se tentarem mandar no futuro mais faturas aos contribuintes para salvar bancos e banqueiros. Quero saber o que pensa Marcelo da globalização e da crescente ascensão de forças antidemocráticas na Europa com a bênção da União Europeia. Quero saber o que pensa Marcelo sobre a política económica da zona Euro que aposta tudo na desvalorização salarial e no desemprego como forma de ganhar competitividade e de resolver os problemas das dívidas soberanas emergentes dos resgates a bancos provocados pelos desvarios do sistema financeiro desregulado e protegido pelas instituições de Bruxelas e pelos governos liberais da sua família política. E a lista vai longa e poderia ser continuada com mais outras tantas interrogações pertinentes.

Como vê, meu caro Marcelo, ainda há cidadãos, portugueses mas anónimos, capazes de lhe fazerem perguntas difíceis. E já que anda diariamente a rezar o terço para não ter que debater de novo com o professor Nóvoa estas e outras matérias, se quiser pode discutir comigo. Eu garanto que ainda lhe pago um fino e dois bolos de bacalhau e não chamo as televisões se você se sentir muito atrapalhado.

Estátua de Sal, 23/01/2016

O homem que as televisões criaram

(Baptista Bastos, in Jornal de Negócios, 22/01/2016)

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Baptista Bastos

Que sabemos de Marcelo fora do que a televisão nos queira dar? As omissões chegam a ser afrontosas.

Se as eleições presidenciais derem a vitória a Marcelo Rebelo de Sousa, mais uma vez ficarão provados os malefícios da televisão, quando usada como o tem sido no nosso país. Quais os méritos do candidato, para exercer um cargo tão importante como o de Presidente? É um homem afável e sorridente, mas isso não chega. É bom professor, também não chega. Chega o quê? Depois de Cavaco, nem tudo basta. Cavaco foi, certamente, o pior Presidente depois de Abril. Aliás, ele nunca demonstrou grande simpatia pela Revolução e quase sempre tripudiou sobre a Constituição da República. Como primeiro-ministro, foi o que se viu. E a afabilidade cúmplice que mostrou por Passos Coelho e os seus é sintomática do unilateralismo ideológico que o impulsiona. Marcelo provém dessa linha: o respeitinho é muito bonito; reverência a tudo o que vem da ordem e da formatura.

Que sabemos de Marcelo fora do que a televisão nos queira dar? As omissões chegam a ser afrontosas. Têm-no filmado a mexer em livros; a mergulhar nas águas do Tejo; a dizer que lhe chegam quatro horas de sono; a cultivar uma convivência estudada; a falar dos netos, pouco mais. Sabemos que foi amigo de peito de Paulo Portas; que chamou lélé-da-cuca a Francisco Balsemão; que apresentou um romance de José Saramago; que passa o Verão numa praia algarvia, onde vai toda a gente que deseja ser tomada como importante e fotografada na Caras.

É pouco?, é muito?, é suficiente? Nenhuma das qualificações justifica a apetência do homem pela Presidência. Dizem-me, agora, que teria prometido ao pai vir a ocupar Belém. Sendo assim, promessas são para cumprir. Mas ele não pode, em nome da consciência social, tapar as cartas a Salazar, recuperadas por Freire Antunes, tidas como devaneios juvenis, enquanto outros jovens, da mesma idade, eram presos e torturados por serem “do contra”. Ninguém está ligado ao seu passado, eu sei, mas se no episódio falo, é porque desejaria que nisso falasse como pedido, não de desculpas, mas de compreensão.

Nós sabemos como as estações de televisão, uma delas mais do que as outras, é certo, têm “puxado” por Marcelo, porém, essa tendência cobrará juros, mais cedo do que se pensa. Chegámos a um ponto crucial em que os portugueses têm de escolher entre a continuidade de um propósito ideológico e a caminhada para outro futuro.

O candidato da Direita afirma que o não é, e chegou a asseverar ser “a Esquerda da Direita”, numa daquelas embrulhadas de retórica em que é consumado. Devo dizer que nada tenho de pessoal contra ele, de quem, alias, tenho recebido demonstrações de estima. Isso não chega para o querer como Presidente.

O Marcelo que aparece, agora, nas televisões, nada tem a ver com o outro, o autêntico que julgamos conhecer. O carácter dúplice de Marcelo Rebelo de Sousa é uma característica que, de quando em vez, salta da máscara. Podemos eleger um indivíduo como ele para tudo, ou nem isso, nunca para Presidente da República. Bem o espero!