Pobre Costa. É de um naufrágio que se trata aqui.

(Joseph Praetorius, in Facebook, 05/10/2015)

Joseph Praetorius

   Joseph Praetorius

Pobre Costa. É de um naufrágio que se trata aqui.
Vejo nele um casmurro. Pouco inteligente, como os casmurros costumam ser. Com estrutura autoritária, todavia sem estofo demonstrado para ser mais do que um lugar-tenente. Mas há sovas e sovas. Esta é exautorante, devastadora, letal. Faz-me lembrar Bayazid. Felizmente falta o Tamerlão nesta história. Ainda assim, o destino de morrer preso numa gaiola não me parece afastado.

Seguro era um funcionário. Modesto. Aplicado. Baço. Mas fiel à colegialidade da decisão. Não devia ter sido tratado assim. Sobretudo por outro funcionário. Imodesto. Histriónico, mesmo. Cuja vacuidade não tem socorro, porque a prudência da decisão é afastada e o colégio decisor nada pode suprir.

Subestimou várias coisas. O racismo inconfesso do português médio foi uma delas. Isso precisa de ser tanto mais neutralizado quanto menos se nota. Era preciso ter sido razão de esperança, testemunha da bondade, arauto da justiça, fiel à liberdade. Era preciso – é preciso – falar do país, da Europa e do Mundo. Do futuro e do presente. E ele falou do partido. Do governo. Do caderninho. Ainda na noite do naufrágio, falou de si próprio, da sua inscrição aos 14 anos. Da sua forma de estar… Toda a gente percebeu a forma de estar. Naquela forma de estar não há novidade possível.

Agora ainda, parece ignorar as lições da Grécia. Está preso ao “arco da governabilidade”, sem o querer dizer. Mas os outros chamam-no a capítulo. Como hierarcas da mesma ordem. Integram-no na maioria deles. E ele não lhes respondeu ainda. Este silêncio pode selar uma unidade de destino com o PS da Hélade, mesmo que os detractores estejam a pedir-lhe a pele… Que coisa tão tranquilizante, de resto; o país perplexo, o inimigo em ofensiva, os aliados naturais abandonados, o partido confuso e aqueles ali a exigirem que se esfole sacrificialmente o Costa. Bela noção das prioridades. De resto, já está a chover. Não é preciso um sacrifício humano para aplacar os céus.

Pobre Costa.

Felizmente o Bloco de Esquerda pode suceder como nova forma e nova fórmula de uma social democracia de esquerda. A social-democracia propriamente dita. E a explosão do sistema partidário – arrastando as parasitárias organizações de sombra que tudo desvirtuaram e assim se tornarão ineficazes e indefesas – far-se-á então e sobretudo a expensas do PS.

Costa não atingirá a glória. Mas talvez se torne inesquecivel, ainda assim.

Não gosto de o ver nesta posição. Não lhe devíamos ter consentido que em tal posição se colocasse. É completamente constrangedor, isto.

Mas é a política, estúpido.

Não há dúvida nenhuma que o dirigente socialista desta geração é José Sócrates. O que me faz regressar a este crudelíssimo processo que o alveja de dossiers vazios – em obstinado silêncio do Costa – com assinatura governamental, esclarecida por mais aquela ficção da universidade de Palma de Baixo a oscilar entre o aspecto de um leitão e o de um rato. Sem este governo isto não teria sido possível, gritava a criatura na “universidade de verão”. Bom, mas a verdade é que isto não podia ter sido possível. Eles o verão, mais tarde ou mais cedo. (Para não falar de mais nada) onze meses preso sem acusação!?… Sem este governo isto não teria sido possível. É a resposta que temos. A exigir uma réplica à altura.

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3 pensamentos sobre “Pobre Costa. É de um naufrágio que se trata aqui.

  1. Há muito tempo que não lia um texto tão malévolo e rancoroso como este. Acaba por tornar-se, como sempre acontece nestes casos, num impiedoso auto-retrato do seu autor.

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  2. Caro Manuel M,, Vindo de quem defende o recurso a soluções militares para resolver questões políticas, que outra coisa se deveria esperar? E note-se a obsessão dos socráticos com a teoria de que a estratégia de Campanha ganhadora passava por transformar essa Campanha num desagravo a José Sócrates. Infelizmente, os Portugueses sofrem periodicamente de Sebastianismo…

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  3. Há muito anos que não lia um texto com tantas certezas (faz lembrar os escribas salazarentos) .A direita esta muito preocupada com o Costa ,porque?

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