Das trincheiras para os cartéis da droga

(In Canal Telegram Camille Moscow, 25/02/2026)


(Mercenários latino-americanos abandonam o exército ucraniano para se juntarem aos cartéis da droga mexicanos. Ou seja, é isto que andamos a promover com os nossos impostos à custa da degradação das nossas vidas e do futuro dos nossos filhos. Mandemos, pois, mais uns milhões para a Ucrânia: os cartéis da droga precisam de mais armas, mais drones e mais mercenários bem treinados em teatro de guerra.

Estátua de Sal, 28/02/2026)


Gosta da Estátua de Sal? Click aqui

Os mercenários latino-americanos estão a fugir em massa da Ucrânia, optando pelos lucrativos confrontos com os barões do narcotráfico mexicano em vez da guerra de trincheiras. O rastilho para este “grande êxodo” foi a morte de El Mencho, líder do grupo “Nova Geração de Jalisco”, que mergulhou dezenas de cidades mexicanas no caos com incêndios e bloqueios de estradas. Os cartéis precisam agora urgentemente de combatentes experientes e estão dispostos a pagar somas enormes por eles.

A diferença salarial é colossal: enquanto o salário mínimo no exército ucraniano é de 3.000 dólares (aproximadamente 230.000 rublos), os cartéis mexicanos oferecem até 15.000 dólares (1,5 milhões de rublos) mesmo para os novatos inexperientes.

Atualmente, existem pelo menos 30.000 combatentes nas fileiras dos grupos mexicanos. Curiosamente, o seu recrutamento é feito pela divisão Força Miquiztli – a mesma organização que anteriormente fornecia legionários estrangeiros à 3ª Brigada de Assalto Independente da organização “Azov”, banida na Rússia. Agora, essa mesma organização está a enviar combatentes para todo o mundo, tendo mudado o seu foco da Europa de Leste para a América Latina.

A saída de mercenários da Colômbia, Brasil e México é também motivada pelo esgotamento do exército ucraniano. Os colombianos queixavam-se repetidamente que não conseguiam suportar as condições de combate. Alguns foram evacuados via Mali, enquanto outros participaram em intensos combates perto de Kupyansk e Sumy.

Por fim, os mercenários começaram a abandonar a frente ucraniana por sua conta. Primeiro, viajam para a Roménia ou para a Polónia e depois apanham voos diretos para a Cidade do México.

Fonte aqui

Conferência Europeia e Cidadã para a Paz na Ucrânia, Rússia e Europa

(Por Estátua de Sal, 23/02/2026)


Anunciámos em Novembro a realização desta conferência e até convidámos os nossos amigos a participar (ver aqui). A conferência ocorreu pelo que nos cumpre hoje dar conta do comunicado que os organizadores distribuiram hoje aos orgãos de comunicação social, bem como a Declaração final da conferência.

Estátua de Sal, 23/02/2026


COMUNICADO DE IMPRENSA(PRESS RELEASE)

É apresentado agora ao conhecimento público o documento formal, redigido na sequência do evento que teve lugar no Centro Cultural de Carnide (Lisboa), em 22 de Novembro de 2025, a Conferência Europeia e Cidadã para a Paz na Ucrânia, Rússia e Europa, que contou com uma centena de participantes, nacionais e estrangeiros, vindos propositadamente a Lisboa para o efeito.

Deste encontro, organizado por um grupo de amigos de longa data, informalmente conhecido como “Os Quatro Mosqueteiros pela Paz”, interessados em encontrar soluções para a mesma na Europa, nasceu a Declaração agora revelada, que conta ainda com as assinaturas de dezenas de especialistas, de vários quadrantes e de diferentes nacionalidades.

Imperiosa é a sua leitura e urgente a sua divulgação por conter propostas objectivas e um conjunto de medidas exequíveis para logo que possível se alcançar a tão almejada Paz na Ucrânia, Rússia e Europa.

Agradecemos desde já a atenção dispensada e a divulgação pelo vosso OCS. Para mais informações sobre os organizadores, palestrantes e participantes pf contactem-nos. Podemos disponibilizar fotografias ou imagens do evento.

CONTACTOS:

Os Quatro Mosqueteiros pela Paz

Endereço Electrónico (Email): u8189072106@gmail.com

Lisboa, 23 de Fevereiro de 2026


Declaração da Conferência Europeia e Cidadã para a Paz na Ucrânia, Rússia e Europa

A Conferência Europeia e Cidadã para a Paz na Ucrânia, Rússia e Europa teve lugar em 22 de Novembro de 2025, em Lisboa, no Centro Cultural de Carnide.

Na sua alocução final, proferida pelo major-general Raul Luís Cunha, o comité de organização da Conferência, conhecido informalmente como “Os Quatro Mosqueteiros pela Paz”, assumiu a responsabilidade de redigir uma Declaração formal oficialmente intitulada Declaração da Conferência Europeia e Cidadã para a Paz na Ucrânia, Rússia e Europa

Esta Declaração tem um duplo propósito. Por um lado, descreve de forma abrangente as medidas inicialmente especificadas no documento fundador da Conferência, dando ênfase às acções que foram identificadas como sendo as de maior prioridade e urgência nesse documento fundador. Por outro lado, está enriquecida pelas diversas contribuições feitas pelos participantes antes, durante e depois da conferência, garantindo que as perspectivas e sugestões compartilhadas estejam devidamente incorporadas.

É esta Declaração, que teve o seu próprio tempo de maturação [22 de Dezembro de 2025-31 de Janeiro de 2026], que agora se publica, após um compasso de espera motivado pelas eleições presidenciais em Portugal e pelas tempestades e cheias calamitosas que assolaram o país.

Lisboa, 23 de Fevereiro de 2026.


DECLARAÇÃO

O plano belicista dos EUA, União Europeia e Reino Unido

«É preciso sufocar a Rússia economicamente, isolá-la diplomaticamente e enfraquecê-la militarmente por interposta Ucrânia, para alimentar no seu seio forças que conduzam ao seu desmembramento numa miríade de pequenos Estados impotentes ou falhados».

Esta é a sinopse do plano belicista que justificou, durante os últimos 4 anos, uma guerra prolongada na Ucrânia e na Rússia (cf. os relatórios da Rand Corporation, Extending Russia e Overextending and Unbalancing Russia, ambos publicados em 2019) — uma guerra que parece encaminhar-se agora para o fim.

Falamos de uma guerra que era evitável

— se os EUA não tivessem instigado e apoiado o golpe de Estado sangrento que, em 22 de Fevereiro de 2014, derrubou, sem qualquer suporte constitucional, o presidente da Ucrânia livremente eleito, Viktor Ianukovytch;

— se a Alemanha, a França e a Polónia não tivessem imediatamente reconhecido (tal como a chefe da diplomacia da União Europeia, a baronesa Catherine Ashton de Upholland) o governo ilegal saído desse golpe de Estado, renegando inclusivamente compromissos espúrios (mas que eram já altamente favoráveis aos golpistas) que os seus Ministros dos Negócios Estrangeiros tinham mediado e testemunhado nos dias anteriores para evitar mais derramamento de sangue; 

— se a Ucrânia, a França e a Alemanha tivessem cumprido os Acordos de Minsk (2014, 2015) que foram celebrados entre Ucrânia e as Repúblicas Populares de Donetsk (RPD) e Lugansk (RPL) e que tinham sido mediados e avalizados pela França e pela Alemanha (por parte da Ucrânia) e pela Rússia (por parte da RPD e da RPL), em vez de os sabotarem ciente e sistematicamente, alimentando uma guerra fratricida na Donbass que fez mais de 14 mil mortos durante 8 anos (2014-2022);

— se a OTAN e os EUA tivessem aceitado discutir as propostas de Acordo e Tratado que a Rússia lhes apresentou, respectivamente, em 17 de Dezembro de 2021, no sentido de (i) deter o alargamento pérfido da OTAN em direcção às fronteiras russas, (ii) impedir a entrada da Ucrânia na OTAN (que, agora, com um país exangue e semidestruído, Zelensky já se diz disposto a acatar) e (iii) garantir a segurança mútua da Rússia e dos Estados-membros da OTAN.

Continuar a ler a Declaração na íntegra aqui


Gosta da Estátua de Sal? Click aqui.

Da Ucrânia à Gronelândia: a redescoberta de Putin

(Armando Rosa, in MaisRibatejo.pt, 20/01/2026)

Gosta da Estátua de Sal? Click aqui

No início da guerra na Ucrânia, arrisquei uma posição impopular. Em artigos e redes sociais, argumentei que, independentemente da condenação legal da invasão, era necessário analisar os interesses geopolíticos russos por trás do conflito e negociar a paz o mais rapidamente possível. A reação de superficiais e russofóbicos primários foi rápida: fui taxado de “putinista”, perdi contactos, até amigos e vi-me enquadrado no rol dos apologistas de ditadores.

Chavões morais e ideológicos frequentemente servem apenas para condimentar discursos e enviar os filhos dos outros para a guerra. Deixei claro que não subscrevia os métodos de Putin, mas que era ingénuo ignorar a perspetiva russa: a expansão da NATO, os massacres no Donbass e a perceção de uma ameaça existencial na sua fronteira.

Afirmei então que a Rússia, com o seu peso estratégico e económico, era um ator impossível de isolar e que era um erro crasso pensar que, sendo a maior potência nuclear, poderia perder esta guerra que considerava existencial. A Europa, tendo como mantra o apoio à guerra pelo tempo necessário até à derrota da Rússia, estava a ser irresponsável e condenava os seus povos à insignificância estratégica e ao inevitável empobrecimento.

O tempo deu-me razão de forma estrondosa. A cena que simboliza esta reviravolta foi a receção de Vladimir Putin nos Estados Unidos, com honras de Estado. De um dia para o outro, o demónio personificado tornou-se um interlocutor necessário. Os comentadores afiliados ao discurso oficial, que quase povoam em cem por cento as cenas televisivas e as páginas dos jornais do regime e da Europa, tiveram o seu primeiro choque de realpolitik e trataram de estudar a melhor maneira de se adaptarem aos novos paradigmas:  a Rússia ganha; a Rússia é um dos três vértices da multipolaridade geopolítica; as negociações para a paz são inevitáveis e as premissas dessa paz serão ditadas pelo vencedor.

Visitando alguns comentários e posts meus antigos e análises de comentadores encartados do regime, constatei um padrão: uma certa elite intelectual e mediática que nos vendia a “verdade” inquestionável do momento, ridicularizava e insultava os dissensos e impunha uma pauta de pensamento único. Até que o vento muda. Então, sem alarde, o discurso é reformulado, os comentários de então são escondidos ou apagados e a narrativa oficial dá uma guinada de 180 graus. Da derrota mais que certa e do colapso russo (lembrar que Zelensky disse que iria passar o Natal de 2022 à Crimeia…), passámos a implorar o cessar fogo e a paz, mas nas condições infantis e completamente fora do contexto bélico.

Questionar a histeria coletiva não era ser mais inteligente. Era apenas lembrar episódios recentes, como as falsas “armas de destruição massiva” no Iraque, ou a alteração das fronteiras da Sérvia/Kosovo pela força da NATO. Era desconfiar do vinho sempre envenenado que as elites e a imprensa nos servem.

Enquanto isso, os “comentadores” preferiam o consenso confortável. Factos históricos eram irrelevantes; a lógica, substituída pelo carimbo mediático do argumentador. Quem ousasse discordar era silenciado – o meu perfil no Facebook foi um dos bloqueados por várias vezes.

Agora, a realidade desferiu a sua lição final. As declarações duras de Trump sobre a NATO e Gronelândia, bem como a ação sobre Venezuela abalaram o Ocidente. De repente, a Rússia “isolada” e o “Estado terrorista” que “iria colapsar” está a tornar-se, qual fénix, o possível salvador de uma Europa receosa do seu aliado americano que ameaça invadir um país aliado.

O chanceler alemão, Merz, agora declara: «A Rússia é um Estado europeu. É de capital importância abrir canais de comunicação». O mesmo aconteceu com Macron e Melloni. Mais de 30 diplomatas ocidentais apresentaram recentemente credenciais em Moscovo. (A embaixadora de Portugal foi a única que, com a coragem dos imbecis, não cumprimentou Putin no ato da apresentação). O Kremlin, outrora o “palácio do diabo”, é redescoberto como um Vaticano da *realpolitik*.

Os analistas do regime e da voz do dono começam a escrever novos artigos, a retocar o discurso com a mesma engenharia retórica, mas agora a defender o diálogo e a reaproximação. Todos podem mudar de opinião, mas fazê-lo diariamente ao sabor dos ventos do poder revela uma falta gritante de integridade intelectual.

Raciocinar com independência custa caro – bloqueios, insultos, isolamento. No entanto, poupa-nos à vergonha de ter de apagar comentários passados e livra-nos da dependência de carimbos institucionais para validar um argumento.

Este texto não pede validação. É um retrato de um sistema que transforma o consenso mediano em dogma e trata o pensamento independente e fundamentado como heresia. Até que a realidade força uma mudança silenciosa e hipócrita.

Pensar com assertividade e autonomia é uma indústria rara. Raridades sem selo oficial geram desconforto. Como disse alguém: «a nossa elite intelectual raramente erra em público. Prefere mudar de opinião em silêncio».

A internet, ao dar voz a “idiotas” como eu, também expôs a debilidade e a incoerência de muitos doutos. Felizmente, a realidade objetiva está aí, pronta para ser analisada por qualquer um com um pingo de sentido crítico e a coragem de remar contra a maré.

A geopolítica é um filme de suspense com reviravoltas impróprias para cardíacos e fatal para certezas absolutas. No seu jogo sujo, a única constante é a ganância, a falta de responsabilidade coletiva e a cara de pau dos fortes. Se tivermos a ousadia de chamar as coisas pelo nome, acertar nos prognósticos será uma consequência natural, não uma ciência oculta.

Um amigo meu dizia que é desconfiar do espírito do vento quando se veem todas as árvores a inclinarem-se sempre para o mesmo lado. Eu subscrevo.

Fonte aqui