Quanto nos custará, afinal, esta “bandeira”?

(Joaquim Vassalo Abreu, 27/05/2020)

Eu sei que muitos virão dizer: mas quem já pagou, está a pagar e irá continuar durante muitos anos a pagar negras “bandeiras”, como o BPN, o BES e outros sacrossantos defuntos Bancos, continua a pagar as PPP’s e eu sei lá que mais negros negócios, porque não salvar esta “ Bandeira”, esta sim uma verdadeira Bandeira, como aquelas que a seguir referirei. 

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Pois é, eu “dusoso” me confesso e, não tendo adequada e definitiva resposta, apenas me questiono. Eu sei o quanto o desaparecimento da TAP desagradável será para o Miguel ( de Sousa Tavares) pois lá tem em lugar destacado, e muitíssimo bem, a sua Mãe, como eu tenho o meu querido Ary dos Santos e todos temos nomes inesquecíveis da nossa História! Mas…

Antigamente os Mouzinhos da Silveira nas suas explorações selvas adentro, os Vascos da Gama mar adiante descobrindo novos mundos ou os Antónios Vieira pelos sertões Brasileiros pregando novas doutrinas, todos eles levavam à sua frente o porta estandarte com a nossa verde e rubra Bandeira. 

Também nas guerras de conquistas ou reconquistas também lá ela seguia bem altiva anunciando este nobre Povo e País, pequeno de origem mas grande de nome.

Agora e já de algumas décadas a esta parte dizem que não é nada a Selecção, nem é o Cristiano Ronaldo, o Mourinho ou muito menos o Fernando Santos. Nem tão pouco o Saramago, o Whils, a Paula Rego, a Maria João Pires, o Joaquim de Almeida, o Pepê Rapazote ou a Maria de Medeiros. Que nada: é a TAP!

Que nos leva a todo o mundo, o que até nem é verdade! Que é a nossa ligação à diáspora e aos países de expressão portuguesa. Tudo bem mas…quanto já nos custou e custa e custará?

Nos casos atrás referidos custou Vidas, muitas vidas cerceadas à juventude e ao seu futuro. Agora, nestas décadas, tem-nos custado os olhos da cara em impostos.

Nos últimos dias consultei vários escritos em jornais tentando perceber o porquê de em anos que representaram o auge dos passageiros transportados, em que o Turismo atingiu níveis nunca vistos e os negócios internacionais também, a TAP tenha apresentado só nos últimos dois anos mais de duzentos milhões de euros de prejuízos.

Fala-se de indemnizações que terá sido obrigada a pagar por incumprimentos para com passageiros, da eterna catastrófica operação de manutenção no Brasil, do serviço da dívida e do ónus por aviões comprados. Mas aqui surge a nebulosa. Serão também os nunca referidos contratos SWAP obrigada a celebrar e ainda em vigôr? Hummmmm…

Mas surgem-me duas essenciais perguntas, cuja primeira é: Mas se no auge atingido do transporte de passageiros o acréscimo de receitas não conseguiu ultrapassar os 35 milhões de Euros avançando, como anunciado, para a aquisição de 70 (setenta) aviões, num custo total estimado em cerca de 10 (dez) mil milhões de Euros ( mais de cento e quarenta milhões de Euros por cada avião), considerando todos os pressupostos que neste cenário a levaram a sucessivos prejuízos, em quantas décadas, ou mesmo séculos, eles se pagarão a si mesmos?

A segunda é: Mas quem financia ou está disposta a financiar, se não pela continuação dessses aviões como seu colateral ou propriedade sua, a venda desses aviões a uma empresa já tecnicamente falida ( com capitais próprios negativos) e apenas suportada por injeções de um oxigénio chamado dinheiro que a vai deixando ligada às máquinas…Como entender?

No entanto também li que, afinal, só três desses aviões terão sido adquirido põe Leasing, isto é, o Aluguer de um imóvel necessário e afecto à exploração e pelo qual se paga uma renda, mas só com propriedade final através do pagamento do  valor residual contratado ao locatário e que o Cash Flow de exploração gerado ( o lucro bruto) terá atingido os 450 milhões de Euros. 

Ora isto significa que, mesmo com um resultado de exploração positivo, ela não suportará mais o inexorável Serviço da Dívida (seja ele financeiro ou de alocação), as obrigatórias Amortizações, nem os legais pagamentos de Impostos e constituição de provisões! O Cash Flow, ou o EBIDTA gerados ( lucros antes de Impostos, Juros, Depreciações e Amortizações) não chegarão nunca nem para “ Meia Missa, Amen…”.

Deste modo ou o Estado, em nome da “Bandeira”, toma definitivamente posse da empresa e consegue renegociar a dívida para muito longos prazos, diminuindo drasticamente o seu peso no orçamento, e com os novos aviões e novas rotas consegue multiplicar os seus proveitos, que óbviamente só conseguirá a preços competitivos, tudo coisas que os Privados nunca conseguiram nem conseguirão, ou…

…Ou muito simplesmente a deixa ir à Insolvência e posterior Falência. Pois, como ouvi há muitos anos na altura da anterior crise um meu Amigo dizer : “Se os outros falem, porque não falo eu também …?”

E lá ficaremos sem esta “Bandeira”…mas muito mais aliviados!

Do lado das soluções e não dos problemas!

(Joaquim Vassalo Abreu, 30/04/2020)

Eu não me lembro de enxovalho assim desde aquele célebre dia em que João Galamba cilindrou Vitor Gaspar em pleno Parlamento, aquando daquela sua peregrina ideia de baixar a TSU às empresas ao mesmo tempo que a subia na mesma proporção aos trabalhadores.

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Lembro-me do seu ar atónito e acabrunhado, assim como quem pensa para si mesmo “meti mesmo o pé na poça”. Desta vez, há dias e numa audição no Parlamento, assistimos a uma postura diferente do atingido: uma postura também ela de incredulidade mas jactante, tão jactante quanto a sua figura e ignorância.

Era acerca do futuro da TAP e o deputado do CDS, fazendo a figura de verdadeiro cão de fila, quando o Ministro Pedro Nuno Santos o informava que o Estado estava a avaliar todas as soluções, decretou: Mas nacionalização não aceitamos!

A sua solução (a dos Privados que com 45% do capital “governam” a TAP) era a da obtenção por estes de um empréstimo de 350 milhões de Euros mas…com o Aval do Estado! Era “Governance” dizia ele…

“Governance” deve ter sido a única coisa que deverá ter aprendido pois todos nós sabemos, sejamos formados em Economia ou não, que quando uma empresa precisa de capital e os acionistas querem manter a sua posição societária têm que acorrer ao aumento de capital na devida proporção.

Mas o “inteligente”, defendendo os seus donos, queria que fosse o acionista Estado, que possui 50% do capital, mas sem “governance”, a garantir o empréstimo dos acionistas privados, que têm 45%, e tudo ficasse na mesma. Mas, na verdade, a isso foram sempre habituados…

Quando confrontado com a verdade quase “Lapaliciana” de que um Aval do Estado a gestores que já antes da crise do Covid 19 e em anos de alta apresentavam progressivos prejuízos, era um Aval do Povo Português, que fatalmente o teria que pagar…abanou os ombros e, naquele seu ar de boneco “Felliniano”, só disse, “ Governance”…

Depois PEDRO NUNO SANTOS deu-lhe uma autêntica aula de GOVERNO, mas ele não deve ter entendido nada: o sacar dinheiro ao Povo é a sua “Governance”, aquilo que lhes ensinaram e a única coisa que aprenderam…

Fantástico é ouvir depois comentadores e comentadores recriminarem Pedro Nuno Santos, o Ministro da pasta, e defenderem a gestão dos privados, como se a crise da TAP e da sua gestão tivessem começado agora com a crise da Pandemia. E mais, respaldando-se das palavras de Costa na entrevista à RTP que, não estando numa audição no Parlamento respondendo a perguntas concretas, estando em causa diversas variáveis e soluções, foi mais comedido e evasivo.

Logo concluíram essas aves de rapina todas, sedentas de alguma pequena fuga, incoerência ou desacerto, ter Costa dado uma sutêntica “sapatada” no seu Ministro porque, dizem eles, será um putativo seu sucessor, e Costa isso não perdoaria!

À falta de melhor, porque Costa e o seu (nosso) Governo não lhes têm dado motivos, agarram-se a uma palhinha querendo logo fazer dela um palheiro! Mas sempre naquele confuso estado de alma que os apoquenta: Não podendo dizer que Costa tem estado mal e antes pelo contrário até são obrigados a dizer que esteve bem, têm que acrescentar um “mas”, sempre um “mas”…

Mas se eu hipoteticamente fosse por um desses perguntado ( e isto é apenas retórica), questionado ou pressionado, coisa que eu bem percebo da actividade jornalística, sobre algo que todos sabemos ser incerto e desconhecido, insinuando entre palavras dúvidas sobre as atitudes tomadas com destemor e coragem percebendo bem o pulsar da sociedade pelo Governo, também eu seria um pouquinho agreste e desmedido e responderia: E você, o que faria?

É claro que sendo isto apenas retórica, reflete apenas uma certa impaciência perante perguntas e mais perguntas completamente desajustadas como: “Acha que vamos poder ir para a praia no Verão”? Acha que vamos ter Festivais no Verão?”.É claro que a única resposta possível seria na mesma linha: E o Senhor, que acha?

Pelo que, sabendo qualquer pessoa a situação em que estamos e muito mais os Jornalistas, sabendo todos que ainda nada sabemos e nem sequer os cientistas, porque é que essa gente não se consegue imaginar na posição de quem tem de tomar decisões, sem qualquer informação ou intuição que não recurso ao bom senso, continua a pavonear a sua imbecilidade fazendo essas perguntas, sem qualquer achega que seja a um sentimento positivo?

Vi e ouvi há dias um Empresário Português, um daqueles que rápidamente conseguiu fintar a crise e falta de encomendas e mudar o objecto de produção da sua Empresa, dizer a frase basilar e que é aquela que nos distingue e levou a própria OCDE a afirmar estarmos em primeiro lugar no ranking dos Países que mais projectos inovadores lançaram nesta crise:

Nós estamos do lado das soluções e não dos problemas!


A hipocrisia na TAP

(José Gameiro, in Expresso Diário, 21/02/2020)

Os prejuízos na TAP continuam de ano para ano. Aquando da privatização, tínhamos sido prometido que iriam acabar, a TAP tornar-se-ia ser um companhia rentável. Para já, é mais uma história da carochinha…

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O PS, cumprindo uma promessa eleitoral, voltou a nacionalizar, parcialmente, a TAP, mas fê-lo de “calças na mão”, ou seja, aceitando condições inadmissíveis, uma das mais gravosas, não ter nenhum representante na sua Comissão Executiva, além de que os seus direitos económicos são bem inferiores ao seu capital.

No ano passado, quando, quem de facto lá manda, deu prémios, alguns chorudos, a vários dirigentes, o Governo protestou, dizendo ser inaceitável que tal acontecesse. Agora, com David Nielmann, a anunciar que irá fazer o mesmo, o Ministro Pedro Nuno Santos, chora “lágrimas de crocodilo” e, mais cedo ou mais tarde, vai ter de arrepiar caminho.

De facto, toda esta história está mal explicada, desde o inicio.

Começa por um grande mistério. A TAP encomenda 15 Airbus 350 e, quando os acionistas privados chegam à companhia, cedem a sua posição na compra – numa altura em que a procura era muito grande e não havia aviões para entrega – e encomendam Airbus 330-900, justificando que não precisavam de tanta autonomia de voo. Pequeno pormenor os “preços de tabela” dos dois aviões são semelhantes, assim como o consumo de combustível.

Depois surgem os atrasos sistemáticos, o flop da Ponte Aérea Lisboa- Porto, já resolvido, as sucessivas queixas sobre o Aeroporto de Lisboa, como se não conhecessem as suas limitações.

Agora a justificação é a compra de novos aviões. À boa maneira portuguesa, anunciando, como o fez recentemente em Macau, o Chairman da TAP, que a companhia tinha uma das frotas mais recentes do mundo… A idade média da frota da TAP é de dez anos, o que é perfeitamente aceitável, mas não está no top. Mas hoje, no anuncio dos resultados, não “achou conveniente” pronunciar-se sobre a distribuição de prémios.

Desculpem a experiência pessoal, mas recentemente, vivi a pouca seriedade financeira da TAP. Cancelei um bilhete, de valor alto, com direito a reembolso, esperei dois meses, depois de vários telefonemas, até que o dinheiro me chegou à conta. Mas não vinha todo. Enganaram-se, mais duas semanas para pagarem o que deviam. O standart, é as companhias reembolsarem em sete a dez dias uteis.

Uma história que começa mal, só acaba bem, nos contos para crianças. O Governo bem pode tentar mudar o acionista privado, mas o maior acionista já veio dizer que não está interessado em vender e atira as culpas de tudo o que acontece para a empresa que gere o Aeroporto de Lisboa.

Mas tudo tem um preço e ele e o Estado sabem bem que o preço não é baixo.

Bem vindos à TAP, 50,1 % nossa, mas algum dia tiver lucro, para o Estado serão uns trocos…