Do lado das soluções e não dos problemas!

(Joaquim Vassalo Abreu, 30/04/2020)

Eu não me lembro de enxovalho assim desde aquele célebre dia em que João Galamba cilindrou Vitor Gaspar em pleno Parlamento, aquando daquela sua peregrina ideia de baixar a TSU às empresas ao mesmo tempo que a subia na mesma proporção aos trabalhadores.

Lembro-me do seu ar atónito e acabrunhado, assim como quem pensa para si mesmo “meti mesmo o pé na poça”. Desta vez, há dias e numa audição no Parlamento, assistimos a uma postura diferente do atingido: uma postura também ela de incredulidade mas jactante, tão jactante quanto a sua figura e ignorância.

Era acerca do futuro da TAP e o deputado do CDS, fazendo a figura de verdadeiro cão de fila, quando o Ministro Pedro Nuno Santos o informava que o Estado estava a avaliar todas as soluções, decretou: Mas nacionalização não aceitamos!

A sua solução (a dos Privados que com 45% do capital “governam” a TAP) era a da obtenção por estes de um empréstimo de 350 milhões de Euros mas…com o Aval do Estado! Era “Governance” dizia ele…

“Governance” deve ter sido a única coisa que deverá ter aprendido pois todos nós sabemos, sejamos formados em Economia ou não, que quando uma empresa precisa de capital e os acionistas querem manter a sua posição societária têm que acorrer ao aumento de capital na devida proporção.

Mas o “inteligente”, defendendo os seus donos, queria que fosse o acionista Estado, que possui 50% do capital, mas sem “governance”, a garantir o empréstimo dos acionistas privados, que têm 45%, e tudo ficasse na mesma. Mas, na verdade, a isso foram sempre habituados…

Quando confrontado com a verdade quase “Lapaliciana” de que um Aval do Estado a gestores que já antes da crise do Covid 19 e em anos de alta apresentavam progressivos prejuízos, era um Aval do Povo Português, que fatalmente o teria que pagar…abanou os ombros e, naquele seu ar de boneco “Felliniano”, só disse, “ Governance”…

Depois PEDRO NUNO SANTOS deu-lhe uma autêntica aula de GOVERNO, mas ele não deve ter entendido nada: o sacar dinheiro ao Povo é a sua “Governance”, aquilo que lhes ensinaram e a única coisa que aprenderam…

Fantástico é ouvir depois comentadores e comentadores recriminarem Pedro Nuno Santos, o Ministro da pasta, e defenderem a gestão dos privados, como se a crise da TAP e da sua gestão tivessem começado agora com a crise da Pandemia. E mais, respaldando-se das palavras de Costa na entrevista à RTP que, não estando numa audição no Parlamento respondendo a perguntas concretas, estando em causa diversas variáveis e soluções, foi mais comedido e evasivo.

Logo concluíram essas aves de rapina todas, sedentas de alguma pequena fuga, incoerência ou desacerto, ter Costa dado uma sutêntica “sapatada” no seu Ministro porque, dizem eles, será um putativo seu sucessor, e Costa isso não perdoaria!

À falta de melhor, porque Costa e o seu (nosso) Governo não lhes têm dado motivos, agarram-se a uma palhinha querendo logo fazer dela um palheiro! Mas sempre naquele confuso estado de alma que os apoquenta: Não podendo dizer que Costa tem estado mal e antes pelo contrário até são obrigados a dizer que esteve bem, têm que acrescentar um “mas”, sempre um “mas”…

Mas se eu hipoteticamente fosse por um desses perguntado ( e isto é apenas retórica), questionado ou pressionado, coisa que eu bem percebo da actividade jornalística, sobre algo que todos sabemos ser incerto e desconhecido, insinuando entre palavras dúvidas sobre as atitudes tomadas com destemor e coragem percebendo bem o pulsar da sociedade pelo Governo, também eu seria um pouquinho agreste e desmedido e responderia: E você, o que faria?

É claro que sendo isto apenas retórica, reflete apenas uma certa impaciência perante perguntas e mais perguntas completamente desajustadas como: “Acha que vamos poder ir para a praia no Verão”? Acha que vamos ter Festivais no Verão?”.É claro que a única resposta possível seria na mesma linha: E o Senhor, que acha?

Pelo que, sabendo qualquer pessoa a situação em que estamos e muito mais os Jornalistas, sabendo todos que ainda nada sabemos e nem sequer os cientistas, porque é que essa gente não se consegue imaginar na posição de quem tem de tomar decisões, sem qualquer informação ou intuição que não recurso ao bom senso, continua a pavonear a sua imbecilidade fazendo essas perguntas, sem qualquer achega que seja a um sentimento positivo?

Vi e ouvi há dias um Empresário Português, um daqueles que rápidamente conseguiu fintar a crise e falta de encomendas e mudar o objecto de produção da sua Empresa, dizer a frase basilar e que é aquela que nos distingue e levou a própria OCDE a afirmar estarmos em primeiro lugar no ranking dos Países que mais projectos inovadores lançaram nesta crise:

Nós estamos do lado das soluções e não dos problemas!


3 pensamentos sobre “Do lado das soluções e não dos problemas!

  1. Tenho curiosidade de saber que diria a direita dos empreendedores se tivéssemos todos uma micro-empresa a vender como serviço o nosso próprio emprego. Alguma laracha haviam de encontrar para manter os privilégios.

  2. Nota. Epá, ó camarada Joaquim, o João Galamba fez parte do “Grupo da Lagosta” que manjava à conta dos “tesouros” do José Sócrates. Nunca viram nada de estranho, o moço irrequieto e tu, enfim ele pelo menos tem o canudo de trafulha. Entretanto, para oferecer um miminho aos camaradas do Socratismo, tenho também um cromo para a troca que te enviou o João Pereira Coutinho… sobre o Costismo. De resto, depois do treme-treme dos banqueiros alemães e da carta de amor à mãe do filho, a verve do Nunismo da Ala Esquerda, a do PS, tenho ouvido que aparentemente anda no gozação outra vez…

    O ESTADO DE EMERGÊNCIA vai

    chegar ao fim no próximo sábado.

    Problemático? Não devia. A nossa

    luta contra o bicho tem sido um sucesso

    – ou, para usar a palvra da moda,

    um “milagre”. E os portugueses,

    como sempre, têm sido “exemplares”

    no sacrifício e na disciplina.

    Donde, para quê suspender direitos

    fundamentais quando estamos na

    presença do melhor povo, e do mais

    bem preparado SNS, do mundo?

    Claro que, para sermos honestos,

    existe uma outra versão das coisas.

    Uma versão onde a luta não tem sido

    um sucesso – há demasiados infectados

    e mortos por milhão de habitantes,

    sobretudo quando nos comparamos

    com países europeus da nossa

    dimensão e riqueza – e o SNS só tem

    aguentado porque milhares de

    portugueses com doenças potencialmente

    fatais têm sido enxotados para

    um canto. Mas como enfrentar esta

    verdade, que no limite até poderia

    justificar um renovado estado de

    emergência, quando a propaganda

    maciça tem sido de sinal contrário?

    A solução para este cul-de-sac passa, como

    se tem soprado por aí por decretar

    a situação de calamidade depois

    de 2 de Maio. A ideia é continuar

    com as vantagens do estado de

    emergência sem pagar as correspondentes

    desvantagens políticas. Para além

    da eventual incontitucionalidade

    da medida, ela deixa à mostra o que

    a classe reinante fez – e, sobretudo,

    o que não fez: aproveitar o mês e meio

    de excepção constitucional para

    preparar o País, e o SNS, para

    o regresso possível à normalidade.

    […]

    Fonte: Sábado, 29.4.2020, p. 114.

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