O RUI e o PEDRO: o RuiPedro!

(Joaquim Vassalo Abreu, 24/10/2017)

PSD_COMBATE

Este texto que agora começo a escrever é a minha primeira incursão nessa nobre arte do comentário político. Pois por ser uma arte tão nobre e superior não está ao alcance de qualquer mortal, apenas de alguns eleitos.

Eleitos, disse eu, e com toda a propriedade, porque eleitos por generoso contrato, que não por qualquer democrática votação. Eleitos assim por nomeação. Assim é que está bem.

De modo que eu, um novato nestas andanças, não querendo de modo algum equiparar-me a esses inatingíveis pensadores seres, ases no conhecimento da estratégia e na adivinhação do futuro, vou fazê-lo de um modo completamente sóbrio, independente e equidistante.

Mas como irei eu manifestar essa minha equidistância? Simples: recorrendo àquela velha frase oriunda da sabedoria popular, e que é o celebérrimo ” tanto se me dá como se me deu”!

De que estou a falar, sinto alguém perguntar? Ora, da batalha do Pedro contra o Rui, ou do Rui contra o Pedro, tanto se me dá, para tomarem para si a designação da organização que pretendem chefiar. Mas, para além dessa tal denominação, para um PPD/PSD e para o outro simplesmente PSD, o que está em causa é muito mais profundo e valioso: é o assalto ao paiol’

Como o paiol? Ora pensem comigo: que é que ambos precisam para esta “batalha” ( aquilo que lá na organização costumam chamar à luta de ideias…)? Espingardas! Espingardas sim e, por isso, a primeira coisa que começaram a fazer foi contá-las, que é aquilo que também usam chamar à cooptação de militantes para o seu lado da barricada! Para os preparar, claro que em maioria, para a tal ” batalha”…

Mas um deles, o Pedro, não confiante na fiabilidade dessa contagem e temeroso quanto à capacidade de antecipação do Rui, reclamou ao seu contentor a realização de vinte e um duelos (21!), que é aquilo que lá chamam aos debates…

Mas o outro, o Rio, não aceitou, com medo de algum jogo sujo do seu contentor, isto é, de em vez de levar espingardas levar basucas pois que, para já, quem tem a chave do paiol é precisamente o Pedro, mas o outro, o desistente.

E neste vou não vou, ambos partiram para o aliciamento dos generais, que são aquilo a que os tais comentadores chamam aos “barões”, essas figuras lendárias e míticas, que fizeram daquelas “batalhas” dos Coliseus e campos de batalha assim, narrativas que, de tão inolvidáveis, passaram a fazer parte do nosso cancioneiro da fabulosa arte circense.

É que por essas ” batalhas” passaram soldados cuja estirpe ficou para sempre na nossa memória, tendo um deles sobressaído pela destreza da sua representação, ao nível de um Popov, no mínimo: o companheiro Marcelo!

Mas houve outros, como aquele que saiu a chorar do campo de batalha, insultando os seus adversários de sulistas e coisas assim, tal como se estivesse na guerra da Secessão e, ainda, um outro que imitando o ” Little Big Man” da batalha de Little Bighorn, mas mais conhecido pelo seu dom de prestigiador, ficou célebre também como o ” regenerador”, por barrar a luta a alguns infiéis e pecadores que, agora, regenerados, voltaram à liça.

Mas há um que, tal “compère”, sempre por elas, ” as batalhas”, passou e até ficou conhecido por ” menino guerreiro”! Mas na verdade ele nunca foi um soldado a sério e se espingardas usava elas eram de plástico! Ele foi, isso sim, um permanente animador das tropas, um eterno “enterteiner” com qualidades várias.

Por isso lá sempre foi e luta alguma ganhou. Foi para lugares sem nunca ter competido. De uns foi destituído e de outros desistiu. Mas vai sempre…e agora?

Qual deles conseguirá arrebatar mais ” espingardas” do tal paiol que, todos sabem, levou um tremendo rombo no consulado do outro Pedro, outro desistente, e até dizem que assaltando mesmo.

O seu contentor, o Rui, em modo desafiante, assim como naquelas apresentações pre-match dos combates de Boxe em que cada um se ergue sobre o outro querendo demonstrar mais pujnça e força, pergunta-lhe: Mas quem és tu? Eu sou e sempre fui o Pedro e não me arrependo de o ser e sempre ter sido…mais ou menos isto!

E tu, quem és tu, pergunta ao Rui o Pedro, com a leve esperança que ele desatento dissesse ” ninguém”? Eu sou o Rui, mas tu nunca serás Pedro porque esse negou Jesus três vezes! Eu nunca reneguei ninguém e fui o único com coisos para fazer a refiliacão, isto é, a remontagem, o inventário, em suma, para extirpar o paiol das espingardas enferrujadas e inoperantes…

Eles são o Pedro mais o Rui, o RuiPedro e vão apresentar ideias. Um as ideias do Pedro, do outro, o desistente, do qual reclama herança, em estilo tipo “stand up”, que ele adora! O outro, o Rui, mesmo não tendo renegado Jesus três vezes, renegou o Pedro, o outro, o tal que abandonou a “batalha”, assegurando ser um sério contabilista, coisa que ele, o Pedro, nunca foi.

Haver duelos parece fora de questão, pelo que ouvi, mas vai ser um verdadeiro “Waterloo” essa batalha do RuiPedro, a do PPD contra o PSD.

E eu vou assistir sentado porque de pé cansa muito…!


Fonte aqui

QUO VADIS, PEDRO?

(José Gabriel, in Facebook, 15/10/2017)

misericordia
Pedro, Pedro, que descuido é este em que vives? Deu-te a Providência – pela mão do outro Pedro e, depois, do António – uma ocupação – um emprego, vá – na qual, além das pingues recompensas, poderias ficar quietinho, de teus anos colhendo doce fruito, fazendo o teu número de “senador” – como diz a malta dos tablóides -, botando inocentes e banais sentenças e vais tu, sem resistir ao apelo do sarilho, mergulhas num jogo em que, permite que to lembre, perdeste sempre. Eu sei, eu sei, viste o Rio e não resistes ao mergulho. Fazes mal. Nota que foste abençoado com um nome que contém em si a tua actual profissão. Santa…são as primeiras sílabas do teu nome. Santa, é a Casa da Misericórdia que governavas – não muito bem, mas enfim…-, como se para tal fosses predestinado.

Pensas agora que te candidatas ao teu partido porque és o desejado. Não percebeste; és desejado, mas no lugar onde estás, onde não te metes em política, coisa para que não tens jeito nenhum mas parece a única que queres fazer.

Foste o único 1º ministro, que me lembre, que, liderando uma maioria parlamentar, conseguiu ser demitido pelo PR – e os efeitos colaterais deste facto ainda hoje se fazem sentir entre o teu povo.

Por um lado, compreendo-te: olhas para o Rio e sentes que, perante aquele deprimente deserto de ideias, aquela pequenez intelectual, a vitória é fácil. Mas é uma vitória de Pirro, por isso sai-te cara – a ti e aos outros. E repara: no trono da Santa Casa e nos diálogos gelatinosos com o Vitorino ainda vais disfarçando e há até quem te leve a sério.

O teu confronto com Rio vai tornar evidente a todos o que já é claro para muitos: não tens grande coisa na cabeça. Será deserto contra deserto. E não é só a ligeireza que te faz declarar a beleza de concertos Chopin que nunca existiram: é a incapacidade de assumir a tua ignorância disfarçando-a, sempre, com a segurança de quem pensa que todos os outros são uns imbecis. 

Pedro, Pedro, quo vadis?

O Regresso dos “Blade Runners”

(Joaquim Vassalo Abreu, 11/10/2017)

rio_santana

Ou o regresso de uns ” caçadores de androides” apostados em libertar uma corporação política de uns quantos  “replicantes” que, já sem pilhas e sem força, a conduziram a um estado de torpor e inoperância nunca vista!

Quem são eles? Serão eles capazes? De onde aparecem? Que vão eles fazer? Aqui reside o real enredo da novela que, qual romance, vou tentar desenrolar. O novelo, claro!

Consta que são dois policiais, mais ou menos aposentados que, perante a deserção total, resolvem, por razões apenas de imagem e consciência, totalmente coniventes com o ” que se lixe”, resolvem avançar…mas para recuperar também os seus “ismos”,  já claramente há muitos esquecidos: o “Santanismo” e o “Rioismo”!

Mas, perante a realidade actual, causa-me alguma perplexidade o avanço destas criaturas! Pois vejamos: um deles, o Santana, tão bem estabelecido e sentado numa poltrona de sonho, numa Casa que dizem Santa, onde permanece com o beneplácito de todos os anjos deste mundo e do outro, mais ainda do Costa, corre em nome de quê?

E o outro? Sim, esse de Rio, velejador consagrado, dono de um “great river”, iluminado pela doutrina alemã e ainda renomado contabilista, como resolve ir de barco ” Rabelo” para o seu desígnio lisboeta, se sabia que a sua falta de velas, o casco mortificado de tão parado estar, a ausência de motores e a incerteza de manobradores o deixariam sempre naquele vou não vou, avanço não avanço, é desta não é desta? Para quê, se agora há o Alfa, a Raynair, a TAP e sei lá que mais? Em nome de quê?

Tudo isto é dúbio e difícil de perceber, mas eu vou alvitrar: ambos em nome do seu PSD, ou melhor PPD/PSD, e isto porque o “Popular” nunca se deve perder de vista.

Um, o Santana, recordando aquele velho partido por quem tantas lutas travou e da qual ficaram frases pérolas para a história, como aquela ” Não vou estar aqui, mas vou andar por aí…”, e mesmo aquela ” são outros os colos de que eu gosto…” e isto só para citar duas. Daqueles congressos de discursos de ir às lágrimas, tal a sedução encantatória desse ” menino guerreiro”! A “Saudade”, essa palavra intemporal é grave, soou na sua mente de modo irrecusável.

Do outro já disse: do “alemão” bom contabilista, de pensamento parco, mas…tal como o outro, de cabelo grisalho e lambido, bem estirado para trás e escalado e delineado por potente gel fixador.

Mas, hélas, ambos foram beijar a mão ao “padrinho”, e nem de outro modo poderia deixar de ser! Foram ao Costa, portanto, dizerem ambos das suas intenções, explicarem das suas razões e pedir a sua compreensão.

Ao primeiro, ao Santana, terá dito: ” Mas sabes o que vais fazer?”. ” Tenho que ir António, tenho que ir. Sabes o que é aquele impulso, assim quase que como uma mola, tal qual uma paixão, que nos obriga a erguermo-nos em nome de um superior desígnio…percebes? Mas conto com a tua superior e leal amizade, para uma futura, que até pode ser curta, propriedade da poltrona da Casa Santa”. Percebo, diz o Costa, acrescentando: ” mas porta-te bem, e alega razões pessoais, inadiáveis e irreprimíveis para não ires ao congresso, tá?”

Até o Marcelo, seu companheiro em-chefe, muito preocupado o foi visitar. Foi almoçar com ele, mesmo que o fausto almoço se tivesse resumido a uma simples sandes de leitão, a dividir por dois, ambos frugais e de parco comer. E perguntou-lhe: Pedro, já falaste com o António? Quem, com o Vitorino? Não pá, com o Costa! O Santana, refastelado na sua poltrona, lá lhe respondeu com aquela voz pastosa e ensonada: Já companheiro em-chefe, está tudo acordado! Então avança, diz-lhe o Marcelo, mas não te esqueças: defenestra esse projecto de rio e depois mando-o às malvas. Engraçado: isso mesmo me disse o António! Quem, o Vitorino? Não, o Costa!

Mas, entretanto, o Rio, o tal ” alemão” da Foz, também não ousou avançar sem antecipadamente falar com o Costa. Disse-lhe ele que em nome de uma velha amizade, de antigos projectos conjuntos, daquele programas para dez anos com que sonhavam salvar Portugal, dos fogos do S. João do lado de cá do rio, das sardinhas  lá em Alfama…perguntando-lhe: que dizes António, avanço?

Mas o mundo mudou, recorda-lhe o Costa, a vida mudou e até a política já não é a mesma, Rui. Mas acho bem, acho muito bem e conta comigo! Conto contigo, perguntou o Rui perplexo? Isso, respondeu o Costa assim enfaticamente…

Mas o Rui, não o outro mas este, o Rio, é só digo Rui para não dizerem que do Rio me rio, saiu de lá pensativo e acabrunhado. Que quereria ele dizer com o ” conta comigo”? Se ao menos pudesse perguntar ao Marcelo…

De modo que este apadrinhado regresso do romântico sonhador, que até se esqueceu de que já é senador, dono de uma cabeleira grisalha  e lambida e do seu arqui-amigo Rui, o “alemão”, aquele com fama de contabilista mas sem qualquer cadeira de sonho, seu émulo e concorrente na cabeça grisalha, cabelo espetado para trás, alinhado à base de gel, mas bem escalado e delineado, fazendo-me lembrar, como disse o regresso dos ” Blade Runners”, me faz também suscitar a seguinte pergunta:

Qual deles aguentará mais tempo esse cabelo grisalho, esticado e lambido, ambos sujeitos às manobras dos ventos? Qual usará o melhor gel fixante? Vou esperar de poltrona…


Fonte aqui