Qual é o verdadeiro PSD?

(Por Visionário, in Blog Aspirina B, 22/12/2018)

Humor.A.Seco.rui.rio

1 – Questão principal: esta farsa grotesca montada pela tropa manhosa de instalados inescrutináveis que se alapou e usurpa a “centralina” da Justiça portuguesa – e que na realidade comanda hoje, em conluio descarado com a alavanca da comunicação social tablóide e mercantil, a Reação salazarenta à Democracia e aos genuínos valores cívicos de Abril (aqueles que não cabem em nenhum Partido, nem em nenhuma Ideologia política) -, pretensamente para lutar contra a politização da Justiça, não passa de um disfarce, com um enorme rabo de fora, duma estratégia raivosa e desesperada para defender a manutenção duma INSUPORTÁVEL judicialização da Política.

2 – Questão aparentemente secundária: as Instituições democráticas, de facto, não demonstram estar à altura deste magno desafio, nem nunca demonstraram estar, ao longo dos quase 45 anos consecutivos de Democracia que já levamos em Portugal. Senhores Prof. Marcelo e Dr. Ant.º Costa: como dizia Sampaio (que também nada conseguiu neste domínio…), HÁ MAIS VIDA PARA ALÉM DO DÉFICE e, no caso presente, para além do providencial Mário Centeno e do nosso (aparente?) “milagre” económico, sem dúvida! E a vossa ação, não se iludam, será julgada pela História muito menos pelas efémeras questões conjunturais e muitíssimo mais pelas consequências verdadeiramente estruturais do vosso Poder – de que esta questão da Justiça é inequivocamente a mais decisiva para o nosso Futuro como País, aprendam isto de vez.

3 – Questão aparentemente inexistente (mas “nada existe mais do que aquilo que não existe”): o PSD, em bom rigor, nunca passou de um Partido instrumental para a Reação, desde Sá Carneiro. O populismo foi sempre a sua marca identitária e todos os que não se conformaram com essa fatalidade foram-se afastando, desiludidos – Sousa Franco, Magalhães Mota, Sérvulo Correia, Mota Pinto, Helena Roseta, António Capucho e muitos outros nomes menos sonantes.

Na última encarnação desta cíclica realidade, o PSD foi tomado de assalto pelo pior ultra-liberalismo de raiz financeira e especulativa que, a coberto da (aparente) liderança de um fantoche agarotado e inimputável, rodeado de facínoras sem escrúpulos e “aPadrinhado” por um patriarca maganão e arrogante, amesendado em Belém, levou o País à beira da bancarrota económica, financeira e social, provocando uma perigosa situação de guerra fria civil.

Que ninguém se iluda, pois, com este hiato de decência protagonizado por Rui Rio: o verdadeiro PSD, o único que existe e sempre existiu, o único que conta, para além do folclore, é o que está subjacente aos Marques Mendes e Andrés Venturas de todos os tempos e de todas as épocas e que, mais tarde ou mais cedo, há-de regressar, sim, sob a batuta de um novo jogral, tipo Paulo Rangel, ou então de novos finórios bem respaldados pela “força”, como a Marilú Albuqueca, o Montenegro, um Carlos Alexandre, ou até, na pior das hipóteses, um Bruno de Carvalho ou um Mustafá.

Para quem sempre usou o PSD como disfarce democrático, o Rui Rio não passa de um empata, um pobre anjinho, pois claro…


Fonte aqui

PSD: dois caminhos errados, um certo no meio deles

(Daniel Oliveira, in Expresso Diário, 18/12/2018)

Daniel

Daniel Oliveira

Vamos esquecer a parte canalha dos confrontos internos do PSD. Vamos esquecer a fila de candidatos ao desemprego se forem corridos das listas por Rui Rio. Sabemos que é isso que move grande parte das fugas de informação que queimam dirigentes e deputados próximos de Rio que, enquanto estiveram do lado certo da História, não sofriam as consequências dos seus pecadilhos. Vamos tentar tratar do que na indigna luta interna do PSD tenha alguma dignidade.

Há duas correntes estratégicas que se confrontam na direita nacional.

A primeira deseja o regresso ao Passos sem troika, com ou sem o antigo primeiro-ministro. Sem a intervenção externa, teriam de assumir sem proteção o seu radicalismo ideológico. Independentemente dos seus aparachiques partidários, esta corrente foi influenciada por jovens académicos e empreendedores ideológicos que até fundaram um jornal com investimento a fundo perdido. Não tendo implantação social para criar um partido próprio, encontraram no PSD e no seu anterior líder o espaço para a sua ofensiva. Falharam a boleia de Santana Lopes. Tendo perdido o embate interno, apostam na sabotagem para voltarem a ganhar o PSD ou para o destruírem, esperando que outra coisa tome o seu lugar.

Um dos ideólogos desta corrente deu recentemente uma entrevista ao jornal da militância (ver aqui), onde defendeu duas estratégias fundamentais: clarificação ideológica e unidade da direita. Miguel Morgado tem razão: cabe ao PSD falar com o conjunto de forças à direita, criando um bloco alternativo em torno de um pouco mais do que a conquista do poder, não lhe cabe fazer pontes para um bloco central anacrónico. Mas tem um problema bicudo: a sua agenda ultraliberal não tem adesão popular. É uma boa agenda para um pequeno partido, talvez até para o CDS, para um think tank, para um grupo de académicos, para o Twitter, mas não constrói, num país pobre como Portugal, um partido popular. Morgado quer formar um bloco de direita e está certo. O problema é querer unir toda a direita em torno de uma agenda de nicho.

A segunda corrente, representada pela atual liderança, quer manter a moderação no partido e está certa. Vive numa razoável indefinição programática, tentando recuperar uma matriz vagamente social-democrata, que resultou da indefinição ideológica que permitiu ao PPD, no seu nascimento, herdar a base orgânica da União Nacional e candidatar-se à Internacional Socialista. Mas sofre de excesso de humildade. Rui Rio assume, quase sem luta, que não vencerá as próximas eleições legislativas, propondo-se a pouco mais do que retirar o BE e o PCP da esfera do poder. Imaginando que é essa a grande preocupação do povo de direita, ele sabe que tem uma solução mais expedita e segura: dar maioria absoluta ao PS. Se ouvirmos representantes de grandes empresários, é para isso mesmo que apontam. Os que recusam esse caminho é porque detestam mais o PS do que os partidos que estão à sua esquerda. O discurso de Rio só os afasta. Rio está ensanduichado entre os que só querem afastar BE e PCP e os que querem afastar toda a esquerda. E o seu discurso não serve nenhum deles.

Parece-me que as duas estratégias estão condenadas ao fracasso. Que a certa está algures entre elas. O que faz sentido é o PSD liderar um bloco de direita, deixando que o PS faça o mesmo no seu espaço e apostando no confronto entre dois blocos alternativos. Rio Rio só tenta a aproximação do PS porque essa é a única forma que encontrou de dar um sinal de moderação. Em matéria programática, não conseguiu construir um discurso próprio. Porque não cortou com o legado de Passos Coelho, forma clara de assinalar a mudança de rumo sem namoros com os socialistas.

Seria absurdo o PSD querer voltar ao passado, seja ele o de Mota Pinto ou o de Passos Coelho. Seja o de contribuir para um pântano que ajudará novas forças populistas a ganhar balanço, seja através de uma nova radicalização ideológica do partido. O caminho do PSD é assumir que o PS já não está dependente da direita para governar sem maioria absoluta e tratar de organizar o seu campo para ser alternativa.

O papel do PSD não é ser uma barriga de aluguer de projetos radicais nem auxiliar a governação do PS para o livrar dos que estão à sua esquerda. É liderar uma proposta moderada de centro-direita. Tem razão Rui Rio quando recusa a radicalização de um partido com uma base popular moderada, tem razão Miguel Morgado quando recusa uma aproximação ao PS. Falta ao PSD alguém que junte estas duas razões.

ENXURRADAS DE ÉTICA…

(Joaquim Vassalo Abreu, 03/12/2018)

 

Rui Rio afirmou em tempo algures, do alto da sua auto-afirmada integridade, que o seu peso sendo medido não em quilos mas em sólida Ética, se equipararia em densidade ao mais valioso elemento químico da Tabela Periódica…Nada nem ninguém poderia ousar a ele se equiparar, nem mesmo aquele que disse que para se ser como ele seria necessário nascer duas vezes…

E assim, do mais elevado expoente da sua superioridade Ética, alvitrou que seria necessário dar aos políticos Portugueses um “banho de Ética” ou então que deveriam “tomar um banho de Ética”, mas este bem gelado, assim como fazem aqueles malucos dos russos depois da sauna, para assim enrijecerem os seus músculos de “Moral”…

De modo que, em jeito de ensinar a esses políticos que por aí pululam como se faz, todos eles mais que carenciados de Ética, resolveu com a inestimável, prestimosa, aduladora, pronta e obediente colaboração da sua companheira e súbdita de Partido Ana Rita Cavaco, presidente da Ordem dos Enfermeiros, lançar uma enxurrada de Ética sobre a luta dos Enfermeiros….

E os seus múltiplos Sindicatos, já mais que valorizados em Moral e com Ética já a extravasar, resolveram bombear ou bombar todo o seu conteúdo sobre os Blocos Operatórios dos Hospitais, de tal modo que, para fugirem àquela enxurrada de Ética, as Enfermeiras(os) resolveram fugir das operações já programadas…E mais disseram que estas jamais seriam recuperadas e porquê? Porque as enxurradas tudo levaram…

Poderão os meus queridos Amigos pensar: este “gajo” deve estar é a gozar connosco e a brincar com coisas sérias! Mas eu juro que não e juro mais ainda: eu não absorvo nada das “Fake News” e não peroro sobre o que li ou não li: apenas falo e extrapolo sobre o que (dos próprios) ouvi!

E quando ouvi da dita “Cavaco”, membro do Conselho Nacional do PSD, que esta Greve e este modo de luta tinham sido decididos por ela e aprovados em sede do seu Partido pelo seu Presidente Rui Rio eu pasmei e até fui ao dicionário relembrar o significado de Ética! E facilmente concluí serem esta Greve e esta forma de luta não Laborais mas sim Politicas! Para além de imorais…

E assim sendo, tratando-se de uma Greve eminentemente política e estando em causa vidas humanas, fico confuso e mesmo com emaranhados de perplexidade na minha tola, quando constato que do Senhor Presidente da Republica, agora transformado em homem dos “recados”, nem uma palavra tenha ainda saído acerca do que se passa nos Hospitais. E que nem um simples apelo ao bom senso lhe surja…Tal como na questão dos Estivadores!

Mas que, ao mesmo tempo, tão preocupado esteja com a situação a que chegou a nossa Imprensa, uma Imprensa transformada num vazadouro de lavadura e numa imensa pocilga…E esteja preocupadíssimo com o futuro de quem, desta forma, não tem futuro! Mas não o preocupa o conteúdo do que publica, preocupa-o sim a sua situação financeira…E sugere nos preocupemos e ponderemos a nossa, de todos, ajuda…assim como se fosse como ir a um supermercado e deixar lá um kilito de feijão…

E nessa amálgama de neurónios em que se transformou o meu cérebro, totalmente desconjuntado de tudo o que seja ordem e prioridade, dou por mim a pensar em coisas que só podem ser anacrónicas, como: E se tudo isto for uma questão de táctica politica?

E surge-me a pergunta: Estaremos nós perante uma encapotada solidariedade politica em tratando-se do seu Partido? Até me dão tremores pensando nisso. Estará ele em concordância com tal estratégia? Sim, com esta estratégia de aproveitamento de lutas que eram tradicionalmente lideradas pela CGTP, mas sempre com o reconhecido bom senso e responsabilidade para, utilizando a normal sede dos trabalhadores por mais justiça remuneratória e melhores condições gerais, levarem os Sindicatos a uma espiral grevista e reivindicativa ( se bem reparam não há quase classe nenhuma que à boleia não se plante em frente ao respectivo ministério e ameace fazer greve…) que dê a ideia que este País está sem rei nem roque e numa profunda crise…

É o que propaga a nossa Direita e mesmo não apresentando nenhuma politica alternativa, tudo o dito pela minha mente vai perpassando e isso preocupa-me!

Mas o que mais me dói é ver as nossas Esquerdas à esquerda do PS, o PC e o BE, em nome de putativos futuros ganhos eleitorais (quanto valerá o voto de um Professor ou de um Enfermeiro?…), aliar-se, mesmo que com pressupostos diferentes até concedo, a toda essa Direita, representada por um menino da Foz esculpido em Ética mas de pensamento retrógrado e por uma populista “brega” de crista levantada mas sem pudor…