ENXURRADAS DE ÉTICA…

(Joaquim Vassalo Abreu, 03/12/2018)

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Rui Rio afirmou em tempo algures, do alto da sua auto-afirmada integridade, que o seu peso sendo medido não em quilos mas em sólida Ética, se equipararia em densidade ao mais valioso elemento químico da Tabela Periódica…Nada nem ninguém poderia ousar a ele se equiparar, nem mesmo aquele que disse que para se ser como ele seria necessário nascer duas vezes…

E assim, do mais elevado expoente da sua superioridade Ética, alvitrou que seria necessário dar aos políticos Portugueses um “banho de Ética” ou então que deveriam “tomar um banho de Ética”, mas este bem gelado, assim como fazem aqueles malucos dos russos depois da sauna, para assim enrijecerem os seus músculos de “Moral”…

De modo que, em jeito de ensinar a esses políticos que por aí pululam como se faz, todos eles mais que carenciados de Ética, resolveu com a inestimável, prestimosa, aduladora, pronta e obediente colaboração da sua companheira e súbdita de Partido Ana Rita Cavaco, presidente da Ordem dos Enfermeiros, lançar uma enxurrada de Ética sobre a luta dos Enfermeiros….

E os seus múltiplos Sindicatos, já mais que valorizados em Moral e com Ética já a extravasar, resolveram bombear ou bombar todo o seu conteúdo sobre os Blocos Operatórios dos Hospitais, de tal modo que, para fugirem àquela enxurrada de Ética, as Enfermeiras(os) resolveram fugir das operações já programadas…E mais disseram que estas jamais seriam recuperadas e porquê? Porque as enxurradas tudo levaram…

Poderão os meus queridos Amigos pensar: este “gajo” deve estar é a gozar connosco e a brincar com coisas sérias! Mas eu juro que não e juro mais ainda: eu não absorvo nada das “Fake News” e não peroro sobre o que li ou não li: apenas falo e extrapolo sobre o que (dos próprios) ouvi!

E quando ouvi da dita “Cavaco”, membro do Conselho Nacional do PSD, que esta Greve e este modo de luta tinham sido decididos por ela e aprovados em sede do seu Partido pelo seu Presidente Rui Rio eu pasmei e até fui ao dicionário relembrar o significado de Ética! E facilmente concluí serem esta Greve e esta forma de luta não Laborais mas sim Politicas! Para além de imorais…

E assim sendo, tratando-se de uma Greve eminentemente política e estando em causa vidas humanas, fico confuso e mesmo com emaranhados de perplexidade na minha tola, quando constato que do Senhor Presidente da Republica, agora transformado em homem dos “recados”, nem uma palavra tenha ainda saído acerca do que se passa nos Hospitais. E que nem um simples apelo ao bom senso lhe surja…Tal como na questão dos Estivadores!

Mas que, ao mesmo tempo, tão preocupado esteja com a situação a que chegou a nossa Imprensa, uma Imprensa transformada num vazadouro de lavadura e numa imensa pocilga…E esteja preocupadíssimo com o futuro de quem, desta forma, não tem futuro! Mas não o preocupa o conteúdo do que publica, preocupa-o sim a sua situação financeira…E sugere nos preocupemos e ponderemos a nossa, de todos, ajuda…assim como se fosse como ir a um supermercado e deixar lá um kilito de feijão…

E nessa amálgama de neurónios em que se transformou o meu cérebro, totalmente desconjuntado de tudo o que seja ordem e prioridade, dou por mim a pensar em coisas que só podem ser anacrónicas, como: E se tudo isto for uma questão de táctica politica?

E surge-me a pergunta: Estaremos nós perante uma encapotada solidariedade politica em tratando-se do seu Partido? Até me dão tremores pensando nisso. Estará ele em concordância com tal estratégia? Sim, com esta estratégia de aproveitamento de lutas que eram tradicionalmente lideradas pela CGTP, mas sempre com o reconhecido bom senso e responsabilidade para, utilizando a normal sede dos trabalhadores por mais justiça remuneratória e melhores condições gerais, levarem os Sindicatos a uma espiral grevista e reivindicativa ( se bem reparam não há quase classe nenhuma que à boleia não se plante em frente ao respectivo ministério e ameace fazer greve…) que dê a ideia que este País está sem rei nem roque e numa profunda crise…

É o que propaga a nossa Direita e mesmo não apresentando nenhuma politica alternativa, tudo o dito pela minha mente vai perpassando e isso preocupa-me!

Mas o que mais me dói é ver as nossas Esquerdas à esquerda do PS, o PC e o BE, em nome de putativos futuros ganhos eleitorais (quanto valerá o voto de um Professor ou de um Enfermeiro?…), aliar-se, mesmo que com pressupostos diferentes até concedo, a toda essa Direita, representada por um menino da Foz esculpido em Ética mas de pensamento retrógrado e por uma populista “brega” de crista levantada mas sem pudor…

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6 pensamentos sobre “ENXURRADAS DE ÉTICA…

  1. Um momento cultural, Manuel G., por aqui se falar em ética (ou na falta que ela… fez).

    Salomé by Júlio Pomar, hoje.

    Year: 1986
    Technical: Lithograph, qu’ainda é a arte possível para alguma da classe média em #Portugal.
    Image size: 73,3 x 48,5 cm
    Paper Size: 78,5 x 56,3 cm
    Edition: 150
    Price: 850 euros, má compra (consegue-se por menos).

    https://www.artprice.com/

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  2. Pomar! Muito bom. Faz-me lembrar o grande pintor. E o assunto do quadro é próprio do génio, perseguido como foi, num país cheio de infestações maçónicas e de nacional-catolicismos, antes e de depois de Abril. Tem graça, mas no conteúdo rico e forte, faz lembrar a Pereira que vai atrás do Leão para lhe servir de bandeja. Tão, mas tão bem lembrada obra. Poderosa imagem. Os nossos autores parece que nos falam sempre, intemporais e preciosos.
    Estimadíssima Estátua de Sal, seguindo a excelente lembrança do comentário anterior ao meu, trago para acrescentar mais um quadro dele. Grande blog para nos fazer pensar no nosso património, artístico, e humano.
    Excelente leitura.

    Nestes tempos de Bolsonaros e coisas que tais, muita vez me tenho lembrado desta obra do Júlio Pomar.
    Grande, grande e precioso Pomar.
    https://www.wikiart.org/en/julio-pomar/cegos-de-madrid-1959

    Um abraço, Estátua de Sal, com amizade. Boa noite.

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    • «A liberdade, Sancho, é um dos dons mais preciosos, que aos homens deram os céus: não se lhe podem igualar os tesouros que há na terra, nem os que o mar encobre; pela liberdade, da mesma forma que pela honra, se deve arriscar a vida, e, pelo contrário, o cativeiro é o maior mal que pode acudir aos homens.», ora nem mais.

      Nota. Hipólito, esse é um dos tipos engraçadistas mas bons que andam por aí na blogosfera cheios de manias, ui!, e, dizem que, figuradamente aos caídos (mas que sempre vão enriquecendo a caixa neuronal aqui d’A Estátua de Sal, sim?). Continuando a evocar a obra de Júlio Pomar, adiciono-lhe agora, artística, política e propositadamente, a prosa intemporal e preciosa também de Miguel de Cervantes Saavedra que nisto, ai os clássicos!, sempre serviram, servem e servirão de inspiração para os seus contemporâneos de ontem, de hoje e de amanhã (hum, penteadinho!). Acrescento só que a epígrafe que vai ali em cima, entende-se, poderá ter sido uma legenda para o Quixote do/s artista/s, dele, D’Ele e de nós e que, assim sendo, ficaria melhor acolá… mas em baixo.

      […]

      Depois vem a questão das obras de arte, os quadros, que Sócrates teria na casa de Lisboa. Sócrates terá começado ao ataque “Quanto às obras de arte (…) temos aí umas contas para ajustar (….) eu procuro esclarecer, quanto à sua motivação já não tenho a certeza, eu bem lhe disse o que pensava de si há bocado“. Rosário Teixeira fala em obras de “Uber, Lindau, Batarda, Almada Negreiros, António Ramalho, Júlio Pomar, Jorge Martins e Silva Porto”. Sócrates terá contraposto “quais é que o senhor Carlos Santos Silva comprou para me dar, faça favor de dizer quais“. Rosário Teixeira diz que “todos” e Sócrates responde “tenho de verificar (…) porque não me apanham noutra“. O procurador terá finalizado dizendo “Alguns quadros foram encontrados (…) na casa de uma senhora que é empregada da senhora sua mãe, sabe?“. Resposta de Sócrates segundo a Sábado: “Sei, sei“. “Tem ideia como é que esses quadros foram lá parar?“, pergunta Rosário Teixeira. “Não faço a mínima ideia“, diz Sócrates. Que depois terá deixado quase uma ameaça: “O senhor afirmou que eu dei orientações para retirar de minha casa, isso é mentira (…) E são esses detalhes mesquinhos que o senhor procurador invoca para me manter na prisão, um dia discutiremos isso de outra forma (…)“

      No Observador, online.

      Júlio Pomar, “D. Quixote”, 1959, água-tinta a duas cores, impressão mista, 39 x 25 cm, Centro de Arte Moderna Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa.

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