O LENTO RESPIRAR DA HISTÓRIA

(Amadeu Homem, in Facebook, 05/07/2015)

Amadeu Homem

Amadeu Homem

Escrevo deliberadamente este texto antes de saber se, na Grécia, irá triunfar o “Sim” ou o “Não”. Creio firmemente que, independentemente do resultado, não serão os resultados dos votos helénicos que irão ditar, no curto ou no médio prazo, a sorte futura da Europa.

O grande confronto entre a actual versão, tentacular, anónima e impiedosa do Capitalismo financista internacional e a afirmação dos direitos das Pessoas virá depois, talvez até muito depois. O ajuste de contas irá fazer-se, um dia, sendo absolutamente impossível a um pobre cultor dos Saberes Sociais enunciar uma previsão onde caibam os anos, os meses e os dias.

Pressinto, isso sim, que o Waterloo desta Europa soará no dia em que os “pigs” do sul – Portugal, Itália, Espanha, Grécia – , eventualmente acompanhado por mais algumas vítimas, tiverem de concertar esforços para aniquilarem a Besta.
É disso que se trata : aniquilar, de uma vez por todas, a Besta exploradora, tentacular, anónima e implacável deste Capitalismo internacional.
Imaginar que um País admirável mas indigente – como a Grécia -possa travar o sentimento neo-nazi de um Schäuble ou a “vontade imperialista de Poder” de uma Alemanha, será o mesmo que acreditar no Menino Jesus das palhinhas ( com vénia para quem acredita …).
De modo que, insisto, esta girândola de sentimentos em torno da crise grega vale o que vale. Ou seja, pouco ! Servirá apenas para que meia dúzia de “portugas” se julguem compensados e felizes, se ganhar o “sim”, do mesmo modo que poderiam ficar compensados e felizes porque o Benfas ganhou uma Taça ou um campeonato. Ou então, servirá para que outra meia dúzia de “portugas” imaginem que os direitos da Pessoa estão a chegar, só porque o Sporting passou a ser treinado por Jorge Jesus.

A sorte desta Europa poderá resultar da confederação dos “porcos” e das exigências que os “limpos” lhes endereçarem. Querem apostar que, caso vença o “sim”, a gorda da Merkel, e mais a perliquitetes da Lagarde, e mais o Novo Doutore EstranhoAmor do Schäuble concederão imediatamente , a um novo governo anti- Syriza , MUITO MAIS do que agora foi negado ao Tsipras e ao Varoufakis ?

Mas há outra questão em aberto : a sorte, o destino do Capitalismo Internacional. Ou eu me engano muito, ou essa matéria só poderá ser decidida depois de Obama abandonar o Poder. Quanto tempo depois ? Talvez nessa altura eu já não me encontre no número dos vivos. Digo-o aqui pela terceira ou quarta vez : é lento o respirar da História. Lento, sim. Mas inevitável.

KARL, MANDA O CHANEL NOIR

(Clara Ferreira Alves, in Expresso, 04/07/2015)

Clara Ferreira Alves

               Clara Ferreira Alves

(Nota: Apesar das ações dos agentes, individualmente considerados, não serem explicação suficiente para o curso da História, também não há explicação desta que possam ignorar a importância de algumas personagens. E, neste sentido, este texto é notável por prefigurar arquétipos comportamentais diversos que determinarão, seguramente, o resultado do referendo grego de amanhã e do que se irá passar em consequência. Estátua de Sal.)

O problema dos gregos foi e será um bom tema para os profissionais do conselho, que têm várias soluções para a crise e orientações de voto

Toda a gente tem, tinha, teria, teve, terá, um conselho a dar aos gregos sobre como votar num referendo, incluindo os profissionais do conselho. Proponho uma grelha fixa de opção múltipla.

1) Sou um douto Prémio Nobel de Economia a atirar para o keynesiano e vivo em Manhattan que fica longe de Atenas. Sou pago a peso de ouro para desafiar em prosa o capitalismo internacional. Tenho sempre razão e tive sempre razão. Aconteça o que acontecer, a minha vida segue igual. Votem NÃO.

2) Sou um financeiro desses que ganham dinheiro à custa dos desgraçados e estados falhados, vivo de apostas, sei os truques todos e tenho servidores super-rápidos e traders com vazios occipitais de aço. Estou a apostar contra a dívida portuguesa e espanhola e vou ganhar um milhão. Votem NÃO, make me rich.

3) Sou um jornalista com garras e pertenci em tempos à extrema-esquerda, queria salvar o mundo e ganhava uma miséria. Com a idade, descobri que o capitalismo existe e encontrei-o. Passei a ser de extrema-direita e tenho rendimentos, um bom carro alemão e ataques epiléticos de cada vez que vejo um dos antigos correligionários. Passei de Mao a mau e adoro os republicanos americanos embora ache o Tea Party um bocado comunista. Pelo-me por viagens a Washington. Gregos, arrasem o Syriza, votem SIM e corram com esses palhaços.

4) Sou um potentado do “Financial Times”, desses que ajudam os que têm menos cabedal para estas crises a pensar. Sou pago a preço de ouro para fazer previsões mas não acertei uma. Já disse tudo e o seu contrário, nuns dias aconselhei os gregos a não pagarem ao FMI e no dia seguinte aconselhei os gregos a pagarem ao FMI. Ninguém reparou porque ninguém estava à espera de que eles não pagassem ao FMI. Percebo o Syriza e acho que os tipos tem “balls” mas se o dissesse publicamente perdia o emprego e a Lagarde não me largava. Votem SIM.

5) Sou um manda-chuva europeu e só apareço em público com ar de compunção para disfarçar a minha falta de princípios, a minha cobardia e o meu amor à burocracia de que sou um membro bem pago. O dinheiro emprestado à Grécia serviu para pagar aos credores e nunca serviu os gregos. Ahahah! Só agora perceberam? Não querem mais dinheiro emprestado? Vão para o inferno. Odeio os gregos e em particular estes tipos do Syriza que são jovens. Odeio países como a Grécia que me fazem lembrar como o Luxemburgo é um país mais estúpido do que a Suíça e menos rico do que o Liechtenstein. Vou tomar um copo e mandar um whatsapp ao bacano do Orbán. Mon cher Viktor. Votem SIM, mantenham-me empregado.

6) Sou um analista dos que passam a vida na CNN e na BBC a comentar a crise com aproximações analíticas. Tenho uma tese de doutoramento de merda mas sou um perito. A Grécia e o terrorismo são um maná. Já disse tanta coisa que agora só me ocorre dizer isto, aconteça o que acontecer, está bom para comprar propriedades na Grécia. Casas, ilhas, praias, vivendas. Preço da chuva, se me entendem. Votem NÃO.

7) Falando de vivendas, sou um pobre Presidente de um país pobre que se distingue por nada ter de distinto. Não falo, mando bocas, e aqui vai mais uma: se a Grécia sair ficam 18 países. La Palice ao meu lado é um tolo. Se eu soubesse quem é o La Palice, que não sei, só me disseram que éramos parecidos. É com c ou dois ss? Votem BEM.

8) Sou um poderoso chefão alemão e sofri um atentado que me derrubou. Abomino a esquerda. E abomino aquele tipo careca da moto, aquele bonitão arrogante que me olha de alto sabendo que estou cá em baixo. Vou matá-lo, e ao contrário do imbecil que me atentou, não falharei. Sou rijo como um corno de veado da Floresta Negra. Sou bad como o lumbricus badensis, a minhoca gigante da dita. Votem SIM e deixem o careca para mim. Heil!

9) Sou um esquerdista imaculado que acha que os amanhãs cantam e o socialismo vencerá e todos seremos felizes se eliminarmos o capitalismo e o substituirmos por… depois logo se vê. Votem NÃO, camaradas.

10) Sou a mulher mais poderosa do mundo. Tenho responsabilidades e o nazismo em cima. A rainha de Inglaterra que é alemã lá foi a Bergen-Belsen, eu a aguentar isto e os gregos e o meu ministro que é um touro enraivecido. E o chantagista do Cameron. Estou com uma enxaqueca. Gregos, não sei o que dizer-vos, estou como o choninhas do francês, não faço a mínima. Eu cá fico a apanhar os cacos e apanhar cacos é o que a Alemanha sabe fazer. Nós por cá todos bem: Über alles e assim. Para nós, a Grécia vem de carrinho, ou de Uber, ahahah. Fiz uma piada? Fiz.

11) Não sou a mulher mais poderosa do mundo. Isto aborrece-me. Mas sou autoritária. Tenho de bronzear-me na máquina para estar bem na conferência. Adoro o sol e não faço liftings como o Putin. Por causa dos malditos gregos tenho de adiar o voo para as Caraíbas. Votem SIM. Vou prevenir-me e pedir ao Karl um Chanel noir para o funeral da Europa.

Tsipras no dia seguinte

(Daniel Oliveira, in Expresso Diário, 03/07/2015, diretamente de Atenas)

         Daniel Oliveira

                         Daniel Oliveira

Atenas está incrivelmente calma para o caos habitual das ruas. “É a calma antes da tempestade”, diz uma amiga. Houve alguns pequenos confrontos, ontem. O Partido Comunista Grego fez a sua manifestação pelo voto nulo, muito menos participada do que é habitual para o mais militante dos partidos gregos. Os suicídios políticos não costumam ser muito populares. Mas hoje será a grande noite. O “sim” vai juntar os seus apoiantes no Estádio Panatenaico. O “não” tem um comício com concerto, onde Alexis Tsipras falará, na Praça Syntagma. São os últimos cartuxos. O futuro ficará decidido no domingo à noite. Ficará? Muito provavelmente não. Nem a demissão de Tsipras, caso ganhe o “sim”, nem a saído do euro, caso ganhe o “não”, são totalmente certas.

Os media internacionais interpretaram as declarações de Tsipras, que disse que respeitaria a decisão dos gregos e não cumpriria um mandato diferente daquele que o elegeu, como a promessa de uma demissão em caso de vitória do “sim”. Ele não o disse, na realidade, com tanta clareza. E quando, em política, uma coisa simples não é dita com clareza temos de nos perguntar porquê. Foi isso que andei a fazer em Atenas e, sobretudo, no Syriza. A razão pela qual não o disse é porque há vitórias que podem ser derrotas e há derrotas que podem ser meias-vitórias. É isso que joga dentro do próprio Syriza, uma confluência da sempre complexa esquerda radical, que vai de marxistas-leninistas puros e duros, trotsquistas de várias colorações, ecologias e social-democratas históricos.

Vejamos os três cenários possíveis: o “sim” ganha com grande margem, o “sim” ganha com uma margem pequena, o “não” ganha (a margem é indiferente).

O futuro ficará decidido no domingo à noite. Ficá? Muito provavelmente não. Nem a demissão de Tsipras, caso ganhe o “sim”, nem a saído do euro, caso ganhe o “não”

Se o “sim” ganhar com uma enorme diferença de votos, Alexis Tsipras não tem outro remédio se não demitir-se. Só que a sua demissão não muda o fundamental. A direita não tem ninguém para competir com Tsipras. Tem Antonis Samaras, que, como me explicou um antigo dirigente da Nova Democracia, “é esforçado, tem uma cara apresentável e só se mantém no lugar porque ninguém teve, depois da sua derrota, coragem para pedir que se demitisse”. E pode, quem sabe, voltar a ter Kostas Karamanlis, primeiro-ministro eleito pela Nova Democracia, entre 2004 e 2009, sobrinho de Konstantinos Karamanlis, figura histórica da direita grega. Esta semana quebrou seis anos de total silêncio para apelar ao voto no “sim”, permitindo que se falasse sobre o seu regresso. Ele que é uma figura moderada de uma Nova Democracia em deriva desesperada para a direita, tentando, sem sucesso, segurar os eleitores que lhe fugiram para a Aurora Dourada e o Anel.

Por agora, a Nova Democracia continua a afundar-se nas sondagens, o PASOK é uma ruína irrelevante, os restantes partidos são demasiado pequenos e a Aurora Dourada, que pode subir ainda mais numas próximas eleições, não conta para qualquer solução de governo. Toda a gente aposta, mesmo com uma pesada derrota no referendo, que o carismático Tsipras, visto até por muitos adversários como um patriota, garante, se quiser, uma nova vitória ao Syriza. Mesmo que desça (e as sondagens chegaram a dar-lhe, em abril, quase 45 por cento), ficará, graças ao estado em que está a Nova Democracia, em primeiro. Isso vale os 50 deputados extra garantidos pela lei eleitoral, que tornam o Syriza incontornável. A não ser que haja um enorme cataclismo (sempre possível na Grécia), mesmo que o Syriza fique ainda mais longe de uma maioria, não há como os partidos que defenderam o “sim” terem deputados suficientes para governar.

Segundo as sondagens, parece não parece haver uma ligação perfeita entre o voto nos partidos e no referendo. Na sondagem do empate técnico, 65% dos eleitores do Syriza vão votar pelo “não”. Os restantes estão indecisos. Entre os eleitores do centrista Potami, o mais europeísta dos partidos gregos, 25% dizem votar “não”. O mesmo acontece com 30% da Nova Democracia. E muitos destes eleitores desalinhados não pretendem mudar o seu sentido de voto partidário.

Se o “não” vence, Tsipras vê a sua posição negocial reforçada e começa tudo de novo. Se conseguir arrancar um acordo satisfatório à Europa, o governo grego abrirá uma caixa de Pandora com efeitos políticos noutros países.

Se o Syriza for a votos de novo, apresentará, muito provavelmente, um novo mandato. Deixando claro, como não deixou nas últimas eleições, que levará até às últimas consequências a promessa de Varoufakis: prefere cortar um braço a assinar um acordo onde não esteja uma renegociação da dívida. As últimas consequências não passam por decepar o braço do ministro, mas por não assinar qualquer acordo, o que resultará no fim do financiamento e na inevitável saída do euro. Recorde-se que a Grécia tem até 20 de julho para resolver os problemas com o BCE. Se a Europa quiser criar um caos sem remédio, basta ter essa data como limite. E aí estará a decidir que a Grécia sai do euro.

Um cenário muito mais complexo é se o “sim” ganhar por pouco. Aí, nem todos estão de acordo com a demissão e isso explica a forma pouco clara como Tsipras se comprometeu a lidar com este resultado. Há quem pense que a demissão não é indispensável, até porque, como já expliquei, é bem possível que ela não mude grande coisa. Que mais valeria tentar, apesar de tudo, assinar o acordo que foi proposto antes – isto partido do princípio que a Europa ainda o quer – e tentar continuar a aprovar algumas medidas de esquerda, em especial na lei laboral e no aumento do salário mínimo. Segundo me explicam, não parece que esta posição tenha grande futuro dentro do partido. Mas é possível que seja a de algumas das pessoas mais próximas de Tsipras.

Por fim, o “não” vence, Tsipras vê a sua posição negocial reforçada e começa tudo de novo. O que estará em causa será, para Varoufakis , mais do que as medidas concretas, uma substancial renegociação da dívida que não torne a austeridade eterna. Para a maioria do Syriza será um pouco mais do que isso. Se conseguir arrancar um acordo satisfatório à Europa, o governo grego abrirá uma caixa de Pandora com efeitos políticos noutros países. Coisa que Merkel e, mais do que ela, Rajoy sabem.

Se tudo regressar ao mesmo impasse, o problema posto na possibilidade da vitória do “sim” repete-se. A diferença é que Tsipras não precisa de eleições e de um novo mandato para optar por ir até às últimas consequências. A vitória do “não” dar-lhe-á liberdade de escolha. Mais uma vez, pode decidir entre um acordo um pouco melhor do que tinha e ou a ruptura com Bruxelas e Berlim.

Se o “sim” ganhar com uma enorme diferença de votos, Alexis Tsipras não tem outro remédio se não demitir-se

Ganhe o “sim” ou o “não” é preciso olhar para o mosaico interno que é o Syriza. É ele que pode vir a determinar o caminho desta crise.

O partido está dividido em duas grande fações. A Plataforma de Esquerda, oposição interna, mais radical, é liderada por Panagiotis Lafazanis, ministro do ambiente e da energia. É o maior defensor do “grexit”, junta os sectores mais esquerdistas do partido e tem 30 por cento dos membros do Comité Central do Syriza. Com ele não contarão para qualquer acordo.

Na maioria “presidencial”, metade do partido está com o seu secretário-geral, Tasos Koronakis. Este grupo de apoio condicionado a Tsipras, conhecido como “iniciativa dos 53” e que acabará por decidir o futuro do Syriza, tem uma posição intermédia. Não partilha do antieuropeísmo bastante agressivo de Lafazanis, mas, perante um novo acordo que não corresponda a uma mudança de rumo, preferirá a saída do euro. Desta ala política que, por enquanto, tem apoiado Tsipras, faz parte o economista Eucleides Tsakalotos. Estudou em Sussex e Oxford, fez investigação em Kent e é ministro adjunto dos Negócios Estrangeiros para as relações Económicas. Este marxista mais discreto do que o social-democrata Yanis Varoufakis tem encabeçado as negociações na Europa. Os jornais, sempre pouco informados destas coisas, até o deram como substituto para moderar os excessos do impetuoso ministro das Finanças. Dizem-me no Syriza que se ele disser que assina um acordo, o grupo de Koronakis segue-o e haverá maioria no Syriza, deixando os mais radicais sozinhos.

Restam os dois grupos que se mantêm fiéis ao moderado Alexis Tsipras: um, mais pequeno, da governadora de Attica Rena Dourou e do eurodeputado Dimitrios Papadimoulis; outro, do próprio Alexis Tsipras, que não terá mais do que 20 por cento do partido. Nas recentes eleições internas, na secção de Atenas, esta divisão política ficou clara: 30 por cento para os mais radicais, 40 por cento para o grupo que realmente domina o partido e 30 por cento para os dois grupos que apoiam Tsipras.

Desculpem esta exposição sobre as idiossincrasias do Syriza. Mas sem as compreender andará tudo a chutar ao lado da baliza. É verdade que sem o carisma e a popularidade de Alexis Tsipras o Syriza não teria grandes hipóteses com um eleitorado vindo do PASOK e muito mais moderado do que esta complicada coligação. E os vários grupos mais ou menos radicais regressariam à sua influência política anterior. Mas é impossível prever o comportamento do governo grego depois referendo sem perceber duas coisas. A primeira: por agora, o Syriza não tem grandes razões para temer eleições, já que a direita ainda não conseguiu construir uma alternativa que não faça os gregos recordar o passado. Mesmo na campanha do “sim” sucedem-se, na televisão, ex-ministros, quase tão eficazes a dar votos ao “não” como as filas nos bancos ajudam aos votos no “sim”. A segunda: juntando os mais claros opositores internos a Tsipras com os seus aliados internos mais radicais, que preferem romper com a Europa a assinar um acordo que não seja muito diferente do que foi proposto, o líder do Syriza fica com pouco espaço de manobra negocial. É a situação da direita grega e a correlação de forças internas do Syriza que determinarão muito do que acontecerá depois de domingo.