África em números

(Maria da Luz Henriques, in Facebook, 14/08/2023)

(Este texto foi publicado na página do Facebook da Estátua de Sal, como comentário ao artigo “Do Niger à Ucrânia passando pelo alívio do lusitano e outros factos” que publicámos (ver aqui). Perante o conjunto de informações sobre África que muitos de nós ignoramos, sendo algumas delas algo surpreendentes, decidi dar-lhe o desqtaque que, julgo, é merecido).

Estátua de Sal, 15/08/2023


Informação que nunca os poderosos laboratórios mediáticos mostrarão ao mundo:

° Área de África = 30,37 milhões de km2

° Área da China = 9,6 milhões de km2

° Área dos EUA  = 9,8 milhões de km2

° Área da Europa = 10,18 milhões de km2

  • África é maior do que toda a Europa, China e Estados Unidos da América juntos.
  • Mas na maioria dos mapas do mundo, a África está representada num tamanho pequeno.

Isto é feito deliberadamente para criar o efeito visual de uma pequena África para manipular, lavar o cérebro e enganar os africanos onde quer que eles estejam.

– A África tem 60% da terra arável;

– África tem 90% da reserva de matérias-primas;

– África tem 40% da reserva mundial de ouro;

– África, 33% da reserva de diamantes;

-África tem 80% da reserva global de coltan (mineral para a produção de telefones e eletrónicos), principalmente na República Democrática do Congo.

-África tem 60% da reserva mundial de cobalto (mineral para a fabricação de baterias de automóveis)

– A África é rica em petróleo e gases naturais.

-África (Namíbia) tem a costa mais rica em peixes do mundo.

– A África é rica em manganês, ferro e madeira.

– África é três vezes a área da China, três vezes a área da Europa, três vezes a área dos Estados Unidos da América.

– África tem 30 e meio milhões de km2 (30 415 875 km2);

– África tem 1,3 mil milhões de habitantes (a China tem 1,4 mil milhões de habitantes em 9,6 milhões de km2).

O que significa que a África NÃO ESTÁ INSUFICIENTE.

A terra arável da República Democrática do Congo é capaz de alimentar toda a África.

E toda a terra arável da África é um cabo para alimentar o mundo inteiro.

– A República Democrática do Congo tem importantes rios que podem iluminar a África.

O problema é que a CIA, as empresas ocidentais e alguns fantoches africanos estão desestabilizando a República Democrática do Congo há décadas.

– A África é um continente culturalmente diversificado em termos de dança, música, arquitetura, escultura, etc.

– A África abriga 30.000 receitas medicinais e ervas que o Ocidente modifica em seus laboratórios.

– A África tem uma população mundial jovem que deve atingir os 2500 milhões até 2050.

ÁFRICA REPRESENTA O FUTURO DA HUMANIDADE, pois a África deve alimentar 9 biliões de pessoas.

Com mentes africanas descolonizadas e uma forte busca pela unidade africana, a África será o futuro governante de outras civilizações porque o mundo não é nada sem a África.


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Este País não é para Doutores

(Marco Capitão Ferreira, in Expresso Diário, 10/04/2019)

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Somos um País com idiossincrasias engraçadas, e esta é uma delas. Todos querem ser licenciados em alguma coisa, para acederem ao vocativo social do doutor, engenheiro ou afim, que depois usam e convidam os outros a usar como se fizesse parte do seu nome próprio ou coisa que o valha. Ser licenciado é tão importante, que a classe política, especialmente ela, não hesita em tomar atalhos para aceder ao almejado título. Equivalências, cursos sem rigor de avaliação, expedientes vários. Vale tudo, porque vale muito ser licenciado.

Mas também somos o País que despreza os doutores em sentido próprio – isto é, quem tem um doutoramento. Isto não tem uma boa explicação, é da natureza das idiossincrasias, é como é.

Dados publicados por estes dias não enganam. Produzimos Doutores, mas esses Doutores ficam fechados nas Universidades e Politécnicos ou no sistema de investigação da precariedade e do baixo salário. Temos Doutores a produzir licenciados, mestres e mais Doutores e pouco mais.

Estou bastante à vontade para ser crítico disto porque, sendo doutorado, sou professor universitário. Mas, fruto de uma vida de opções errantes, também sou quadro da administração pública e já fui gestor de empresas. E tenho três ou quatro coisas para dizer.

Primeiro, o problema não está só nas empresas que se recusam a ver o valor de um doutorado – já lá vamos – o problema começa no Estado. Não são só as empresas. O Estado, para lá do sistema universitário e politécnico de investigação e ensino também emprega uma quantidade muito pequena de doutorados. Ainda menos que as empresas. Faz o que eu digo, não faças o que eu faço?

Se o Estado, que é a maior organização de recursos do País não internaliza o valor que a contratação de doutorados lhe pode trazer na sua política de contratações, podemos esperar que as PME’s o façam? Noutros Países da Europa a Administração Pública emprega, fora do sistema do Ensino Superior e Investigação, como quadros, 10 ou 20% dos Doutorados. Em Portugal, menos de 4%. É poucochinho e alguém devia olhar para isto. A caridade começa em casa e um bom exemplo vale mil proclamações políticas.

Segundo, nas empresas, onde normalmente se coloca o foco, a situação é igualmente confrangedora. Apenas um pouco mais de 4% dos doutorados é absorvido pelas unidades produtivas privadas. Uma economia de baixos salários, empresários apostados na renda confortável da pouca concorrência e no uso de capitais alheios associados à falta de escala nas empresas – temos poucas grandes empresas, e mesmo essas, muitas vezes em sectores de mão de obra intensiva, que convidam a procurar quantidade e não qualidade – são fatores importantes, mas não serão o único.

Terceiro, num País onde um doutorado é visto como uma espécie de cientista maluco, capaz apenas de pensamento abstrato e hermético, com zero sentido prático da vida e pouco dado a visão de negócio o preconceito impera. Talvez isso explique porque é que em muitas empresas, doutorados, nem com 50% de desconto.

Sim, porque há programas de apoio a estas contratações, abertos neste momento, em que são elegíveis os custos salariais com a contratação de doutorados até ao montante de 3.209,67 euros/ mês, e além do salário base, são elegíveis os respetivos encargos sociais obrigatórios, nomeadamente as despesas com a segurança social e o seguro de acidentes de trabalho. O Estado, durante 3 anos, paga. Não é coisa pouca. De pouco serviu. O preconceito tem falado mais alto.

Quarto, os doutorados, por sua vez, se calhar também não estão muito motivados para ir para as empresas. Ir para as empresas, diga-se, é muito menos cómodo que ficar na Academia, onde até podemos não ser muito valorizados, mas ao menos estamos com a nossa tribo, que nos compreende.

Como se quebra esta quadratura que rouba ao País parte do retorno económico que este investimento em qualificação deveria trazer?

Há bons exemplos – desde logo os Laboratórios Colaborativos juntam debaixo do mesmo teto empresas e unidades de investigação – mas não será uma medida única que irá resolver isto. É preciso abrir várias frentes e explorar diferentes abordagens. Em suma, é preciso mudar mentalidades, e isso demora.

Dá-se, de forma inoportuna, o caso de que tempo é o que não temos. A transformação do trabalho está aí e ou estamos na vanguarda, ou estamos condenados. A capacidade de integrar doutorados nas empresas e nas organizações vai fazer a diferença entre a vida e a morte de muitos modelos de funcionamento. Somos demasiado pequenos para desperdiçarmos recursos. Estou tão preocupado com isto que estou no Colabor, onde se juntaram empresas, centros de investigação e organizações da área social, com apoio do Estado, para em conjunto e sem preconceitos pensarmos como nos adaptamos a tudo isto. E já começámos.