Marcelo beijoqueiro de profissão, mau político e autêntico farsante…

(Alfredo Barroso, in Facebook, 11/06/2025)


Este péssimo Presidente da República, que provocou o caos político e abriu portas à extrema-direita fascista, deve estar muito satisfeito com as feridas que causou no “25 de abril”! – comenta o autor, perplexo com as cenas de que Marcelo é o único protagonista e que ele próprio encena para se divertir.


Irra! E nunca mais chega ao fim o último mandato deste figurão, que tanto mal fez à democracia! E agora até inventou que o major António Ramalho Eanes – futuro general e futuro PR graças ao “Grupo dos 10”, e que, por acaso, nem participou no 25 de Abril de 1974 – é um dos fundadores da democracia! Logo Ramalho Eanes, que obstinadamente quis dar cabo de um dos verdadeiros, se não do mais importante, dos fundadores da democracia, Mário Soares, e do seu partido, o PS!

Convém lembrar que o general António Ramalho Eanes é um homem de direita, que chegou a aceitar o apoio do PCP de Álvaro Cunhal, e de “dissidentes” do PS, para ser reeleito Presidente da República. O que conseguiu, prosseguindo assim a sua série de dar posse a 10 governos em 10 anos de mandato, três dos quais designados como governos de iniciativa presidencial. Além disso, enquanto ainda era o Presidente da República, incitou e estimulou a criação de um partido político, o PRD, constituído por “merceeiros” da política, arrivistas e oportunistas, que até foram apanhados a falsificar assinaturas para candidatar gente a eleições autárquicas.

O Partido Renovador Democrático, que, como é sabido, não renovou coisíssima nenhuma, ainda logrou fazer grande mossa no PS, convém lembrar! Como agora Marcelo PR também conseguiu causar mossa no PS, implacavelmente, ao desfazer ilegitimamente uma maioria absoluta (quando o PM António Costa “deu de frosques” e “deu de costas”) e ao dissolver por três-vezes-três a Assembleia de República, até se chegar a uma maioria absoluta de deputados da direita e da extrema-direita (PPD-PSD, CDS-PP, CHEGA, IL) e uma “ventosa” populista (o LIVRE, de Rui Tavares) que ajudou a sugar votos ao PS, ao PCP e ao BE.

Uma nota de aflição, de agonia que senti, para terminar: foi ver e ouvir o actual presidente do PS, sr. Carlos César, a fazer rasgados elogios aos mandatos deste PR Marcelo Nuno Duarte Rebelo de Sousa, o político que nunca deixou de ser adepto do Estado Novo de Salazar & Caetano, além de ser tablóide e beato, beijoqueiro e farsante,  reaccionário e “ilusionista”, que tentou dar cabo do PS em três tempos, ou seja, três dissoluções da Assembleia da República.

A desonra também mora no PS!

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Marcelo PR, o primeiro “telepopulista” a sério em Portugal

(Alfredo Barroso, in Facebook, 30/05/2025)

O “beijoqueiro” em acção… 🙂

Marcelo PR, o primeiro “telepopulista” a sério em Portugal e criador do caos onde irrompeu outro bem mais perigoso…


O ‘telepopulismo” irrompeu a toda a força em Portugal com a eleição de Marcelo Rebelo de Sousa como Presidente da República. Ao pôr em prática aquilo a que chamou «política de afetos» – à falta de melhor criatividade, e de um módico de consistência e de substância políticas –, Marcelo PR tinha absoluta necessidade das televisões para explicar o que era, e para praticar, essa «política de afetos».

Consistia esta, essencialmente, em beijar, abraçar e em tirar ele próprio retratos (as famosas “selfies”) a todo o «bicho careta» que se acercasse dele, a quem passava a mão p’lo pelo e transmitia palavras, expressões teatrais, gestos de carinho, simpatia e solidariedade – e sobretudo de caridade beata – por aí se ficando, assim cumprida plenamente, aliás, superficialmente, a função de mera propaganda política e de satisfação da sua vaidade pessoal.

Marcelo PR fez durar a coisa o tempo suficiente para ser reeleito, ainda que com resultados bem aquém do que ele esperava obter. Mas o que mais o incomodou na primeira vez que decidiu dissolver a Assembleia da República, foi a maioria absoluta obtida pelo PS de António Costa, que lhe retirava o protagonismo. Por isso ameaçou logo – caso inédito e totalmente abusivo – que tal maioria só duraria enquanto Costa fosse Primeiro-ministro, ameaça que “caiu como sopa no mel” quando uma matrona PGR, para esquecer, aceitou referir que Costa também vinha ao caso, ainda que “à vol d’oiseau”, numa “investigação” em curso do Ministério Público.

Depois de balbuciar alguns protestos, dizendo que se demitia, mas que o PR devia convidar outro socialista pra o substituir, Costa “raspou-se” com grande ligeireza, para ir constituir em Bruxelas um triunvirato com duas fanáticas belicistas que muitíssimo mal têm feito à União Europeia, mergulhada numa guerra indireta contra a Federação Russa, na qual está empenhado um “clown”, o ucraniano Volodymyr Zelensky, político narcisista e oportunista altamente suspeito de corrupção (ver “Pandora Papers”) e grande protetor dos grupos armados neonazis entretanto incorporados no seu exército.

Cá pela pátria ficou Marcelo PR a “protagonizar”, como ele tanto gosta e já tardava. Mas bem depressa se pôs a dissolver, por mais duas vezes, a Assembleia da República, pondo o seu partido, o PPD-PSD, no poder, todavia disfarçado de AD e com um governo minoritário, e ao mesmo tempo dando um enorme impulso a um partido de extrema-direita, o CHEGA, que logrou obter 50 deputados em 2024, e 60 deputados em 2025, sob a liderança de um “telepopulista”, André Ventura, sem dúvida muito mais eficaz politicamente, e bastante mais perigoso, do que Marcelo PR…


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Se fosse ele

(Por Alberto Carvalho, in Facebook, 28/05/2025, Revisão da Estátua)


(Não posso deixar de sublinhar a qualidade literária deste texto. Parabéns ao autor. Quanto às posturas políticas, estas ficam ao cuidado dos comentadores de serviço aqui da Estátua… 🙂

Estátua de Sal, 28/05/2025)


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Não sei se já repararam – creio que sim, mas estas coisas escorregam-nos do bolso da atenção como moedas pequenas – que há uma nova variante nacional da gripe do comentário. Chama-se se fosse eu. Altamente contagiosa. Instala-se com um certo brilho nos olhos e um jeito de quem acabou de resolver um enigma complexo com três peças de lego.

O caso mais recente foi o de Ricardo Costa, que, com a gravidade estudada de quem lê as notícias antes de escrever o futuro, afirmou que se fosse ele, o PS tinha de ser inteligente. Não no sentido banal – não cair nas armadilhas da AD ou manter uma narrativa coerente -, mas inteligente à maneira de um ilusionista em fim de carreira. Se fosse ele, dizia, o PS dava já à AD dois orçamentos aprovados, de mão beijada. Sem os conhecer. Um gesto de inteligência, parece.

Ora, eu não sei se a inteligência que se propõe é um ato de generosidade política ou um exercício de rendição estética. Talvez de ambas. O PS, esse partido demasiado habituado a saber-se adulto numa sala cheia de adolescentes, passaria a ser o mais velho dos mordomos: sábio, resignado, colaborante. E José Luís Carneiro – que Ricardo Costa gostaria de ver como Presidente – surgiria como um Diógenes moderno, oferecendo à direita a lanterna da estabilidade sem perguntar primeiro que sombras trazem os orçamentos no bolso.

Talvez seja essa a proposta: que a esquerda sirva a democracia como quem serve um chá morno. E que o PS, tendo perdido, mas não desaparecido, entre para o panteão dos partidos civilizados – esses que não fazem barulho, não mordem e oferecem orçamentos por antecipação. Mas a democracia não é uma ópera de câmara. É uma arena. E o PS, goste-se ou não, ainda representa um terço do país. Um terço é muito quando a maioria é uma ficção parlamentar, amarrada a votos emprestados e alianças de papel de alumínio.

A proposta de Ricardo Costa – ou melhor, a sua pose – parece-me uma forma de pedagogia invertida: ensinar os partidos a serem irrelevantes em nome da responsabilidade. Substituir a política pela urbanidade. E a oposição pela conivência técnica. Pergunto-me o que teria dito se fosse o PSD a perder por pouco e o PS a precisar de aprovar orçamentos frágeis. Teria sugerido à direita um gesto de inteligência semelhante? Ou é apenas a esquerda que deve envelhecer com dignidade, como um actor clássico fora de moda?

O comentário político em Portugal tem esta característica curiosa: quer ser árbitro e coreógrafo, juiz e anjo da guarda. Fala de inteligência como quem fala de elegância – como se a política fosse sobretudo uma questão de boas maneiras. Mas há uma diferença essencial entre respeitar o regime e abdicar de disputar o poder. A primeira é uma exigência democrática; a segunda é uma forma de deserção com gravata.

Ricardo Costa fala como quem lamenta o país – um hábito nacional – mas também como quem o observa do lado de fora, com o tédio benevolente de quem viu tudo. Não viu. Ninguém viu. Estamos numa encruzilhada: a direita está inflamada e fragmentada, a esquerda atordoada e sem bússola. O centro é um lago vazio. E os eleitores não estão particularmente interessados em lições de compostura institucional. Querem saber, por exemplo, se o PS vai continuar a defender os salários, os serviços públicos, os jovens que vivem de recibos verdes aos 38 anos. Querem saber se vai opor-se à privatização dos restos do Estado – ou se vai preferir “ser inteligente”.

A política portuguesa tem demasiadas vezes confundido sagacidade com resignação, cálculo com virtude. Mas a inteligência – a verdadeira – não consiste em ceder antes da luta. É saber por que razão se luta. E com que armas. Eu preferia que Ricardo Costa dissesse outra coisa: que o PS tem de reaprender a ser oposição com alma. Com risco. Com memória. E, sobretudo, com um projeto que não seja o de esperar que o adversário se desfaça por si. Porque se fosse ele, e não apenas mais um entre estúdios e câmaras, talvez percebesse que os partidos não existem para confirmar o comentário – mas para o desmentir, de vez em quando, com actos de coragem.

Talvez seja isso que falta: menos orçamentos pré-aprovados e mais gestos que não se esperavam. Um sobressalto, como dizia o outro. Ou só um momento de claridade – mesmo breve – em que a política volte a ser a disputa pelo bem comum, e não apenas um prolongamento do comentário em modo parlamentar.

Voltando ao início: o que se diz num estúdio, repete-se como se fosse filosofia. Mas às vezes não é mais do que uma boa educação mal aplicada. Isso, em política, costuma sair caro.