O preço da simpatia

(Tiago Franco, in Facebook, 22/07/2025, Revisão da Estátua)

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De vez em quando faço um “detox” de notícias porque, convenhamos, a dado ponto deste carrossel da demência é preciso saltar, respirar e ganhar estofo para mais uma volta.

Não me interessa discutir o período pré-demolição do Bairro do Talude. Vamos encher o debate com construções ilegais, ocupações e mais uma série de argumentos que nos levam ao ponto de sermos justiceiros e cumpridores da lei se, lá está, do outro lado estiverem pobres. Pobres não, miseráveis. Pobres, somos quase todos.

Depois eu teria que dizer que a lei célere e certeira com pobres está, aparentemente, mais lenta, cheia de recursos e normalmente tardia com os ricos e poderosos que não roubam um pedaço de terreno em Loures mas que provocam crateras no orçamento de Estado.

De modo que evitemos esse debate e passemos ao que importa. A humanidade? Para onde foi? Se lerem os comentários desta notícia podem ver o ódio a escorrer pelas paredes:

 “Numa barraca e com 3 filhos?”, “Deviam era ter-te dado preservativos!”, “Se fores trabalhar dão-te um cartão com 800 euros”, “Eu tenho dois filhos, trabalho há 20 anos no Continente e a mim o Estado não dá nada”, “Como faço para receber também 75 euros?”.

Há alguém que tenha inveja ou queira estar no lugar desta gente? Conseguem pensar naquele momento da vida em que tudo está a correr tão bem que acabam a construir uma barraca num terreno que não é vosso? Ou a ocupar uma casa devoluta? Era esse o sonho da vossa vida que estes desgraçados agora estão a roubar?

E pior. Muito pior que toda a falta de simpatia com o sofrimento alheio de outro adulto, não há ninguém que se lembre que, do dia para a noite, crianças ficaram desamparadas no meio da rua? Não há quem dê sequer a hipótese de serem pobres com trabalho, mas incapazes de sustentar uma casa com outras condições? Serão, aos olhos desta gente que só acumula frustrações, todos os habitantes do Talude uma cambada de criminosos, ociosos que viveram o bem-bom na barraca até que o Estado lhes desse o acesso a um bairro social? Sim, já sei, outro sonho por conquistar, uma casa num bairro social.

Por fim… Que autarquia se intitula socialista, deixando gente a dormir na rua sem antes acautelar uma alternativa? Com a normalização do Chega e o namoro assumido com o PSD, junte-se o fim do socialismo no PS para garantir um futuro sombrio e quase sem oposição. Espero que continuem satisfeitos com o rumo dos vossos votos. Valha-nos isso.

Fazer futuro – um testemunho amargo de um socialista desiludido

(José Monteiro, in Facebook, 08/07/2025, Revisão da Estátua)


O trauma do 18 de Março poderia ser suficiente para acordar o PS. Mas não foi. E, com boa probabilidade, não poderia ou pode ser. Durante longos anos o PS pretendeu a quadratura do círculo e navegou a bordo da barcaça do anticomunismo. È muito pouco para quem quer governar a sério. Significa, no essencial, amarrar-se ao passado por inabilidade ou incapacidade de olhar para a frente.

Em verdade, o PS já há muito que se foi transformando num “sítio” de linguagem vazia, ensimesmada, redonda, inapta, incapaz de gerar consequência política adequada ao pais que, ele PS, diz que somos. Um discurso sem alma, pobre, insuficiente para frutificar a seiva indispensável a um empoderamento político capaz de fazer futuro.

Assim, nesta rota suicida, perdeu a capacidade de pressentir o amanhã e de olhar o mundo antes de por ele ser esmagado. Ou, talvez pior: como escreve alguém que prezo, “perceberam que não podem perceber” e, para o haraquíri não ser completo, vão fingindo que não percebem.

Não me parece que seja possível que este PS volte a ter alguma relevância política. Há, desde logo, um ciclo mundial de fascização e o exemplo dos outros partidos socialistas europeus.

Há igualmente uma incapacidade de pensamento estratégico suscetível de clarear os próximos dez ou vinte anos e os caminhos necessários a percorrer.Mas há também, ou talvez primordialmente, um primeiro passo que faz deste PS uma verdadeira impossibilidade de ser: deixar de se esconder na metafísica neoliberal, de se embrulhar no mentiroso e putrefacto neoliberalismo político-económico, deixar de ser um PSD com pezinhos de lã e, enfim, de voltar a ser o verdadeiro grito de liberdade que esta terra, tão urgentemente, necessita…

Nota final

Um amigo meu, PS de alma, usa dizer-me que critico mais o PS do que a ”direita”. Riposto: a direita nunca me traiu. Nunca acreditei nela e, por isso, não poderia esperar dela outra coisa senão aquilo que ela faz, ou seja, destruir Abril e, nisso, destruir qualquer futuro para Portugal.  A direita até é eficiente: cumpre os seus objetivos com eficácia e tem a inestimável ajuda daqueles que nunca supusemos capazes de tal.

Quem realmente me traiu foi o PS, foi Costa – o tal amigo de criminosos, ou não seja ele quem chama a Israel, amigo –, foi a rota de apoio aos que foram mandatados para destruir o SNS, a escola pública, a segurança do cidadão e as políticas públicas mais essenciais à minimização da pobreza, à redução dos sem-abrigo, à destruição do sonho de habitação, ao empoderamento dos jovens, etc.

Estive com Costa contra Seguro, estive e estaria com Costa (promessa) contra Passos Coelho, já há muito que estou com Costa (promessa), contra o Costa que se me revelou.

E este PS, na senda do PS de Costa revelado, não permite esperar nada de salubre. Espero apenas que o PS não fique na história como o partido que ajudou a levar a democracia à sepultura.

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“Papagaios” políticos em curso nas direitas abrem os “bicos”

(Alfredo Barroso, in Facebook, 01/07/2025, revisão da Estátua)


Habitação, Saúde, Educação, etc., estes não são os grandes problemas! “Papagaios” políticos em curso nas direitas abrem os “bicos” para proclamar em uníssono: os grandes problemas deste Portugal são a imigração, a nacionalidade e a defesa!


Eu, Alfredo Barroso, 80 anos, constato assustadíssimo, porque nasci em Roma (Itália), filho de um matemático português dos Montes de Alvor (Algarve) e de uma jovem italiana de Refrontollo (Treviso,) que, por isso, não poderei ser considerado «português de gema», segundo os tão exigentes e sábios critérios do CHEGA.

Repare-se, por exemplo, no ar sisudo do almirante Gouveia e Melo ao proclamar que a «imigração tornou-se um problema que não se pode esconder», não vá o genial general Isidro Morais Pereira aparecer como candidato do CHEGA a disputar-lhe a sucessão desse Marcelo PR que nos coube em sorte…

E que dirão os sisudíssimos candidatos a Belém do centro-direita Luís Marques Mendes ‘Mãozinhas’ – desastrado comentador da SIC e ilustre facilitador de negócios – e António José Seguro – outrora o Tó Zé do PS “qual é a pressa?” (de que ele já se esqueceu) e que agora até pretende aparecer como um «Born Again Christian»?

Só estes candidatos da extrema-direita, da vulgaríssima direita e de um centro-direita obnóxio, concentram em si uma enorme capacidade de circunspeção, ponderação (de ‘moderação’!), sisudez e gravidade bem estudadas e bem capazes de convencer os ‘tugas’ mais crédulos, como quando Marcelo PR lhes impingia a «política dos afetos» …

Uma nota a fechar: para grande humilhação do PS, o único candidato de facto muito bem preparado politicamente, com saber e experiência fora de dúvidas, é António Filipe, do PCP!

Campo d’Ourique, 1 de Julho de 2025

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