(Willow Tohi, in Naturalnews.com 08/03/2025, Trad. Estátua)
O ex-conselheiro de Segurança Nacional, tenente-general Michael Flynn
O ex-conselheiro de Segurança Nacional, tenente-general Michael Flynn, acusou a ex-subsecretária de Estado Victoria Nuland de ser uma figura central num suposto complot de assassinato contra o presidente Donald Trump, sugerindo uma conspiração mais ampla envolvendo vários indivíduos dentro e fora do governo.
Flynn afirmou que a Ucrânia é um centro de uma enorme operação de lavagem de dinheiro envolvendo dinheiro dos contribuintes americanos, com fundos sendo canalizados por meio de agências como a USAID e o Departamento do Tesouro e, em última análise, beneficiando políticos e burocratas corruptos em Washington.
Flynn acusou o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky de cumplicidade no esquema de lavagem de dinheiro, sugerindo que detalhes chocantes sobre o seu envolvimento serão revelados em breve, implicando ainda mais todo o establishment de Washington.
As alegações de Flynn destacam a necessidade de uma investigação completa sobre a suposta corrupção e conspiração de assassinato, enfatizando a importância da transparência e da responsabilização no uso de recursos americanos no exterior e pedindo ações para evitar futuros abusos de poder.
Essa revelação bombástica não apenas levanta questões alarmantes sobre corrupção nos mais altos escalões do governo, mas também demonstra a necessidade urgente de transparência e responsabilização sobre como os recursos americanos estão sendo usados no exterior.
Flynn aponta o dedo para Nuland: “Ela vai sentir a dor”
Flynn não poupou nas palavras quando acusou Victoria Nuland, uma funcionária de longa data do Departamento de Estado, de estar “no centro” das supostas tentativas de assassinato contra Trump. “O único nome é Victoria Nuland. Victoria Nuland tem muito em jogo aqui”, declarou Flynn. Ele acrescentou que Nuland está entre uma “constelação de outros” que são cúmplices desses esquemas, muitos dos quais operam “fora do governo”.
As alegações de Flynn são particularmente marcantes, dado o papel proeminente de Nuland na política externa dos EUA , especialmente na Ucrânia. Nuland, que atuou como Secretária de Estado Assistente para Assuntos Europeus e Eurasiáticos na presidência de Obama e, mais tarde, como Subsecretária de Estado para Assuntos Políticos na presidência de Biden, tem sido uma figura controversa há muito tempo. Os críticos acusaram-na de promover políticas que desestabilizaram a Ucrânia e enriqueceram políticos corruptos, tanto na região quanto em Washington.
“Pessoas como Victoria Nuland são uma dessas pessoas que vão… ela vai sentir a dor aqui, eu acredito, porque essas pessoas estão no centro disso”, disse Flynn.
Ucrânia: “Uma grande operação de lavagem de dinheiro”
“Elon [Musk] demonstrou a saída de dólares do país por meio de diferentes partes do nosso governo”, disse Flynn, referindo-se ao Departamento de Eficiência Governamental (DOGE) de Musk. “O que ele ainda não mostrou é o ciclo completo de financiamento que está acontecendo, desde quando sai, para onde vai, como flui pela Europa e como retorna aos bolsos das pessoas aqui nos Estados Unidos da América.”
Flynn sugeriu que Musk e Trump estão prestes a descobrir a extensão total dessa corrupção . “Isso ainda não foi demonstrado. Estou ciente de parte disso, e acho que é isso que Elon e o presidente Trump vão descobrir”, disse ele.
O papel de Zelensky no escândalo “feio”
Flynn também se pronunciou sobre o discurso do presidente ucraniano Volodymyr Zelensky, acusando-o de cumplicidade na suposta fraude. “Zelensky é um ator. Quer dizer, ele realmente tem um ótimo relacionamento com [o presidente russo Vladimir] Putin!” Flynn alegou.
Ele alertou que o público americano há de vir a saber detalhes chocantes sobre o envolvimento de Zelensky no esquema de lavagem de dinheiro . “Vamos descobrir coisas nas próximas semanas sobre Zelensky — pode levar alguns meses, espero que não, porque somos capazes de ser muito mais rápidos — mas vamos descobrir coisas que deixarão o povo americano tão chateado quando se tratar do fluxo de dinheiro de volta para os Estados Unidos da América, de volta para os cofres das pessoas, francamente, bem ali em Washington, DC”
Os comentários de Flynn sugerem que a corrupção é bipartidária, implicando não apenas os democratas, mas todo o establishment de Washington. “Vai ser feio. E não são apenas os democratas. Vai ser todo o establishment, o Security State”, disse ele.
Um padrão de corrupção
As alegações de Flynn não são totalmente inéditas. Durante anos, os críticos levantaram preocupações sobre o uso indevido da ajuda externa dos EUA, particularmente na Ucrânia. A Revolução Maidan de 2014, que derrubou o presidente pró-russo Viktor Yanukovych, foi fortemente apoiada pelo governo dos EUA, com Nuland desempenhando um papel fundamental. No entanto, muitos questionaram se o envolvimento dos EUA na Ucrânia foi motivado por ideais democráticos genuínos ou pelos interesses financeiros de uma elite corrupta .
Os laços da família Biden com a Ucrânia também foram alvo de escrutínio, particularmente em relação à posição lucrativa de Hunter Biden no conselho da empresa de energia ucraniana Burisma. Embora essas alegações tenham sido descartadas por muitos na grande mídia como teorias da conspiração, as alegações de Flynn sugerem que a verdade pode ser muito mais contundente do que se pensava anteriormente.
Um apelo à responsabilização
As revelações de Flynn provam a necessidade urgente de uma investigação completa sobre a suposta corrupção e conspiração de assassinato . Mesmo que apenas uma parte das suas alegações seja verdadeira, tal representaria um dos abusos de poder mais flagrantes da história americana moderna.
Como o próprio Flynn disse: “Essas são as coisas que, quando você fala em gastar meio trilião de dólares, mais de US$ 400-500 biliões de dólares num país apenas nos últimos anos, esse dinheiro está indo para algum lugar, e não para as tropas nas linhas de frente das várias províncias que estão lutando contra os russos lá.”
O povo americano merece respostas. É hora de confrontar os responsáveis e garantir que tal corrupção nunca mais aconteça.
(Ricardo Cabral Fernandes, in Público, 21/06/2020)
(Podem perguntar porque publico um artigo de 2020. Porque, nessa altura, a comunicação social podia dizer a verdade sobre a Ucrânia, mostrá-la como o regime nazi e antro da extrema-direita que é, e hoje esconde tudo isso dos olhos dos cidadãos, para que o Governo possa continuar a mandar armas e milhões para Zelensky sem sofrer a censura dos portugueses. Portugueses que, talvez a maioria, ignoram a gente corrupta e sanguinária que andam a apoiar.
Muitos mesmo, sujeitos que tem sido a sucessivas lavagens ao cérebro, até julgam que os nazis estão na Rússia, quando um dos principais objetivos desta é “desnazificar” a Ucrânia. Que leiam o artigo e que, em consciência e honestamente, tirem as inerentes conclusões e fiquem a saber, sem sombra de dúvida, quem andam a apoiar.
Estátua de Sal, 05/03/2025)
A Ucrânia tornou-se para a extrema-direita o que a Síria foi para o Daesh. Militantes recebem treino, melhoram tácticas e técnicas e estabelecem redes internacionais, e depois regressam aos seus países. Milhares de estrangeiros combateram em milícias contra os separatistas pró-russos no Leste do país.
A Ucrânia é hoje um dos principais pólos de atracção para a extrema-direita internacional e quase quatro mil estrangeiros de mais 35 países já receberam treino e combateram nas fileiras de milícias na Guerra Civil Ucraniana. Uma delas, o Regimento Azov, transformou-se num alargado movimento, criou um Estado dentro do Estado ucraniano, estendeu tentáculos por toda a Europa e quer criar uma Legião Estrangeira ucraniana.
“Olho para a Ucrânia como o local onde a extrema-direita pode adquirir treino, capacidades militares e partilhar ideias. É, de muitas formas, para a extrema-direita o que o Daesh conseguiu na Síria”, disse ao PÚBLICO Jason Blazakis, investigador associado no Soufan Center e director do Centro sobre Terrorismo, Extremismo e Contraterrorismo, na Califórnia, Estados Unidos. “A Ucrânia é a porta das traseiras para a União Europeia no que à extrema-direita diz respeito, e a ameaça é muito grande. Os indivíduos recebem treino nos campos de batalha ucranianos e depois regressam aos seus países de origem”.
Uma situação que o relatório White Supremacy Extremism: The Transnational Rise of the Violent White Supremacist Movement, do Soufan Center e publicado em Setembro de 2019, classifica como preocupante. “Tal como os jihadistas usaram conflitos no Afeganistão, Tchetchénia, Balcãs, Iraque e Síria para melhorarem as tácticas, técnicas e procedimentos e solidificarem as suas redes internacionais, também os extremistas de direita estão a usar a Ucrânia como laboratório de campo de batalha”, lê-se no documento.
Meses depois do massacre que matou 50 muçulmanos, o manifesto foi traduzido para ucraniano por militantes neonazis de uma organização com ligações ao Azov, a Wotanjugend, noticiou o site de investigação Bellingcat. Milhares de cópias foram impressas e houve milicianos, cuja filiação se desconhece, que posaram para fotografias com exemplares nas mãos.
Jason Blazakis: “A Ucrânia é a porta das traseiras para a União Europeia no que à extrema-direita diz respeito, e a ameaça é muito grande” Pierre Crom/Getty Images
O massacre de Christchurch chamou a atenção para os riscos que a extrema-direita na Ucrânia representa para a Europa e EUA, seja por causa de possíveis atentados terroristas cometidos por pequenas célulasou “lobos solitários” ou por, ao regressarem aos seus países, criarem ou fortalecerem as suas organizações de origem – as organizações terroristas neonazis The Base e Attomwaffen Division queriam e já têm ligações estabelecidas com o Azov, respectivamente, para receber treino. No Ocidente, o terrorismo de extrema-direita é hoje mais significativo do que o jihadista.
A realidade é ainda mais preocupante se se tiver em conta o número de combatentes estrangeiros identificados no mesmo relatório que já lutaram na guerra que opõe o Estado ucraniano aos separatistas pró-russos: um total de 17.241. Destes, 3879 estrangeiros, dos quais 879 de 36 países — Suécia, Estados Unidos, Israel, Itália, Dinamarca, Alemanha, França e até Portugal — estiveram nas fileiras de milícias que combatem do lado ucraniano. A maior fatia (3000) provém da Rússia, uma vez que o movimento neonazi russo se dividiu entre apoiar ou combater o que dizem ser o imperialismo da Rússia.
Voluntário da milícia Azov durante um acção de treino em Urzuf, arredores de Mariupol, em 2015 Marko Djurica/Reuters
E, no que a Portugal diz respeito, pelo menos um português combateu num dos batalhões do Corpo de Voluntários Ucranianos, da organização de extrema-direita Sector Direito. “Há dois anos [2018], descobri um cidadão português que participou em combates, por dois a três meses, nas fileiras do Corpo de Voluntários Ucranianos”, disse ao PÚBLICO o investigador que recolheu os dados do relatório, sem conseguir, no entanto, dar mais pormenores sobre a sua identidade.
Porém, a grande maioria de combatentes europeus de extrema-direita juntou-se aos separatistas pró-russos contra os militares e milicianos ucranianos (13.372, dos quais 1372 russos).
A estimativa de combatentes que já passaram pelas milícias ucranianas foi feita através de fontes abertas, ou seja, fotografias e comentários em fóruns e redes sociais, não se descartando a possibilidade de os números serem bem maiores, como ressalva o documento. Mas como se chegou a esta situação?
Azov nasce com a guerra
A extrema-direita ucraniana já tinha saído das margens da política quando a Revolução EuroMaidan, contra o Presidente ucraniano Viktor Ianukovich, tomou as ruas de Kiev em 2013. Ianukovich, aliado do Presidente russo, Vladimir Putin, foi deposto e, pouco depois, em Março de 2014, Moscovo anexou a Crimeia e apoiou os separatistas de Donetsk e Lugansk, dando início a uma guerra que ainda hoje se arrasta e que já causou mais de 13 mil mortos, entre os quais muitos civis, e milhares de deslocados.
Com o Exército ucraniano sem capacidade para combater os separatistas, o então recém-eleito Presidente ucraniano, Petro Poroshenko, apelou a voluntários que pegassem em armas contra a ameaça russa. Assim o fizeram, e em massa: foram formados entre 30 e 40 batalhões de voluntários para combater os separatistas.
Um dos homens por trás deste esforço foi o oligarca Ilhor Kolomoiski, um dos dois homens mais ricos da Ucrânia e a sombra do Governo de Poroshenko e, agora, do de Zelensky. Em 2014, rompeu com a discrição que o caracterizava e saiu em defesa da Ucrânia, dando entrevistas e financiando vários batalhões, entre os quais o Azov, o Dnipro 2, o Shakhtarsk e o Poltava. E, em Abril do mesmo ano, prometeu uma recompensa de dez mil dólares (nove mil euros) a quem capturasse um mercenário russo.
Ilhor Kolomoiski Valentyn Ogirenko/Reuters
Com o arrastar da guerra, Kolomoiski passou a usar os paramilitares que financia quase como exército privado, para obter dividendos políticos, entrando em choque com o actual Presidente ucraniano. “Os empresários precisam destes grupos como apoio físico, por ser muito mais fácil controlarem as suas estruturas empresariais. Os grupos de extrema-direita são parte deste mercado a favor dos grandes empresários”, disse ao PÚBLICO Viacheslav Likhachev, politólogo ucraniano especialista na extrema-direita do país.
Uma das pessoas que responderam ao apelo de Poroshenko e recebeu dinheiro do oligarca Kolomoiski foi Andrii Biletski, líder do antigo partido neonazi Patriotas da Ucrânia, com a criação do então Batalhão Azov a 5 de Maio de 2014 — transformou-se depois em regimento e está em vias de se tornar divisão, apesar de ainda não ter militares suficientes (10 mil). A proeminência de Bilitski foi tanta que chegou a ser deputado entre 2014 e 2019, primeiro como independente e depois pelo braço político do Azov, o Corpo Nacional.
Andriy Biletsky, ex-deputado e líder do partido de extrema-direita Corpo Nacional durante uma manifestação em Kiev contra a corrupção, em Março 2019 Sergei Chuzavkov/SOPA Images/LightRocket via Getty Images
Os milicianos, com pouco treino, foram para as linhas da frente e as baixas tornaram-se incomportáveis, ao enfrentarem separatistas bem treinados e apoiados por Moscovo. A unidade paramilitar foi então integrada por Poroshenko na Guarda Nacional ucraniana a 12 de Novembro de 2014, no que foi visto como tentativa de a manter sob controlo e meio para lhe fornecer armamento militar topo de gama, fornecido pelos Estados Unidos (em 2018, o Congresso aprovou uma lei a proibir que material militar chegasse ao Azov, sem se saber como é aplicada na prática), União Europeia (não-letal, como coletes balísticos) e Canadá. Até Israel permitiu a produção da sua arma padrão, a Tavor-21, em fábricas ucranianas, acabando por chegar às mãos dos neonazis — o Azov tinha no seu site, na parte dos apoios, o logótipo da empresa israelita que detém a patente da espingarda de assalto.
Hoje, o Azov dispõe de artilharia, blindados e infantaria, e até de campos de treino. O principal está localizado em Mariupol, no Sul da Ucrânia, na costa do mar de Azov, e lá são treinados os combatentes estrangeiros que respondem ao apelo para pegarem em armas em seu nome — a milícia fê-lo pouco depois de ser criada. Em 2015, os estrangeiros tinham um responsável que os seleccionava: Gaston Besson, mercenário francês que combateu no Camboja, Laos, Birmânia, Suriname e Croácia. Disse, na altura, que recebia centenas de contactos todos os dias.
FotoO mercenário francês Gaston Besson
O regimento evoluiu de simples unidade paramilitar para movimento em larga escala, ganhando espaço e legitimando-se junto da sociedade, por os seus combatentes serem apresentados como heróis que enfrentam o expansionismo russo. O Azov é uma grande organização de extrema-direita que se descreve como Movimento Azov e responde a um único líder: Andrii Biletski. O movimento inclui várias organizações: o Regimento Azov, o partido Corpo Nacional, o movimento de rua Milícia Nacional, a Irmandade dos Veteranos, etc.. E tem outras na sua órbita de influências, muitas das quais neonazis, como a WotanJugend.
Os paramilitares têm uma forte presença nas redes sociais, várias revistas e uma rádio e, sempre que um camarada de armas é morto em combate, organizam cerimónias com tochas e parada militar.
Infiltração no aparelho de Estado
O Movimento Azov infiltrou-se no Estado ucraniano e é hoje indissociável dele. Recebe milhares de euros em financiamento para programas de incentivo ao patriotismo direccionado à juventude (crianças com nove anos recebem treino militar, por exemplo), apoio político e militar. E essa infiltração é mesmo reconhecida pela secretária do Departamento Internacional do Corpo Nacional, Olena Semeniaka. “Em apenas quatro anos, o Movimento Azov tornou-se um pequeno Estado dentro do Estado”, escreveu a dirigente no Facebook a 29 de Outubro de 2018.
O ministro do Interior de Poroshenko e do actual Presidente é acusado de ser um dos responsáveis pela crescente influência neonazi no aparelho de Estado ucraniano. Arsen Avakov tem beneficiado da unidade paramilitar para defender os seus interesses — apresenta-se como indispensável para a controlar e fez recentemente uma aliança com o multimilionário Ilhor Kolomoisky, que tem tido fricções com Zelensky — e sai em defesa dos milicianos sempre que são alvo de críticas pelo seu cariz neonazi. Zelensky também o faz, ainda que mais timidamente, e chegou até a condecorar os paramilitares do Azov por actos de bravura na linha da frente, ao mesmo tempo que se reúne com as suas altas patentes.
Activistas do partido Corpo Nacional durante uma manifestação a que chamaram “Marcha dos Esquadrões Nacional”, em Março de 2019 Pavlo Conchar/SOPA Images/LightRocket via Getty Images
O Azov tem neste momento tanto poder que chega a rejeitar as ordens do chefe de Estado quando não concorda com elas, no que já é visto por analistas como uma ameaça ao próprio Estado ucraniano. No final de Outubro, o comandante supremo das Forças Armadas ordenou o recuo das tropas ucranianas de Zolote e de duas outras cidades para aumentar a distância entre as linhas da frente — eram de 30 metros, distância de arremesso de uma granada de mão — e evitar as constantes escaramuças e violações de cessar-fogo. O líder do Azov não gostou e ameaçou enviar dez mil voluntários para Zolote, para “defender as posições conquistadas com sangue”.
Publicamente desafiado, Zelensky foi à linha da frente para convencer os milicianos, mas acabou por os acusar de o considerarem um “tolo” e de lhe estarem a fazer um “ultimato”. Os milicianos mantiveram-se firmes e acabaram por ser desarmados por militares ucranianos e retirados da linha da frente, com a imprensa ucraniana a referir que se temia que a explosiva situação levasse ao derramamento de sangue.
Olena Semeniaka: “Em apenas quatro anos, o Movimento Azov tornou-se um pequeno Estado dentro do Estado”
Avakov teve um papel fundamental no desarmar da crise e, dentro do Governo, conquistou pontos, mostrando mais uma vez ser indispensável para a ordem interna. O seu poder depende daquilo a que a imprensa ucraniana diz ser um jogo duplo: apoiar as forças de segurança e militares e, ao mesmo tempo, os milicianos.
A 28 de Outubro de 2019, Avakov visitou o campo de treino da unidade em Mariopol para lhe mostrar apoio público e, dias antes, deixou claro que “a força especial Azov é uma unidade legal da Guarda Nacional ucraniana e os seus militares têm sido exemplares nas tarefas de combate desempenhadas na defesa da pátria”. “A campanha de informação sobre a alegada propagação de ideologia nazi entre os militares é uma tentativa deliberada para descredibilizar a unidade, principalmente entre os parceiros internacionais da Ucrânia, e provocar uma crise na relação com os nossos aliados”, continuou o ministro. Ao nível da comunicação visual, o Regimento Azov tem demonstrado recentemente um cuidado particular para não ser conotado politicamente.
Azov estende tentáculos à Europa
A anexação da Crimeia e o apoio ao separatismo no Leste da Ucrânia dividiu a extrema-direita europeia a favor de Moscovo. A maior parte dos grupos viu nas acções militares de Putin, promovidas por um dos seus mais próximos conselheiros e ideólogo de extrema-direita, Aleksandr Dugin, uma oposição ao atlanticismo ocidental, isto é, aos Estados Unidos, à NATO e à União Europeia. A francesa União Nacional e a italiana Liga continuaram a apoiar a Rússia – por seu lado, o Chega já assumiu no Parlamento a defesa da Ucrânia com um voto de condenação da agressão russa, e foi por isso elogiado pelo Movimento Azov.
Com a frente de batalha a ser-lhe desfavorável, a extrema-direita ucraniana viu-se isolada no palco internacional e o Azov não perdeu tempo a tentar inverter a situação, conseguindo-o com relativo sucesso. Em 2013, três militantes ucranianos de extrema-direita criaram a Misanthropic Division (MD), uma rede internacional neonazi, com o objectivo de estabelecer um Estado etnonacionalista no país da Europa de Leste. No entanto, a partir de 2015, por causa da guerra com a Rússia, a rede passou a promover a causa ucraniana e a recrutar combatentes internacionais para as fileiras do Azov — a MD ainda hoje se mantém activa, principalmente na Ucrânia.
Membros da Misanthropic Division
Por outro lado, o braço político do Azov, o Corpo Nacional (antes Corpo Cívico), montou uma campanha internacional de sensibilização sobre a ameaça russa e uma rede internacional cuja responsabilidade coube a Olena Semeniaka, seguidora de Dugin até à anexação da Crimeia e que viaja recorrentemente pela Europa participando em conferências — esteve em Portugal em 2018 a convite do Escudo Identitário, organização neofascista portuguesa inspirada no italiano CasaPound.
As acções de propaganda e o estreitar de ligações protagonizados por Semeniaka começaram na Europa Central e de Leste e, depois, foram alargados a países europeus mais distantes: Itália, Portugal, Noruega, Suécia e Reino Unido.
E, ao mesmo tempo, organizou eventos políticos na capital ucraniana: as conferências PanEuropa, em 2017 e 2018 em Kiev, e o projecto político Intermarium Support Group, um grupo de apoio fundado em 2016 por Biletskii que se baseia num conceito geopolítico alternativo ao atlanticismo e cujas raízes históricas vêm do pensamento do polaco Jósef Pilsudski, do período entre guerras mundiais. O conceito, apropriado pela extrema-direita, defende uma estratégia de segurança focada no “etnofuturismo” e visa integrar países do Báltico ao mar Negro numa aliança regional — foi a resposta do Azov ao sentimento de abandono da Ucrânia pelo Ocidente.
Voluntários da Batalhão Azov numa manifestação em Kiev Vladik Musienko/NurPhoto via Getty Images
O Azov convida para estas palestras teóricos da extrema-direita, entre os quais o norte-americano Greg Johnson (deportado da Noruega em Novembro de 2019, por elogiar o terrorista Anders Breivik, falhando um voo para Portugal, onde vinha assistir a uma conferência no Iscte-IUL sobre imigração e extrema-direita) e líderes políticos, focando-se, no caso do Intermarium, nos países que fariam parte da desejada aliança.
Esses contactos internacionais têm também como objectivo a formação de uma Legião Estrangeira Ucraniana. “Os voluntários estrangeiros começaram a juntar-se ao Batalhão Azov em 2014-2015. Assim, quando o Partido Corpo Nacional foi fundado, a orientação política sobre a criação de uma Legião Estrangeira Ucraniana – o nosso sonho em comum – foi inserida no nosso programa político”, lê-se numa publicação de Facebook do Intermarium Support Group em que anunciou que a IV conferência da organização, em Zagreb, na Croácia, “promete levar a cooperação a outro nível”.
O Regimento Azov já é membro honorário da organização de veteranos Francopan, que coopera com a Legião Estrangeira Francesa. “Para esta organização [o Azov], a cooperação sinergética comforças armadas estrangeiras não tem precedente”, continua a mesma publicação de 23 de Junho de 2019.
Artes marciais para recrutar
A violência sempre foi uma característica da extrema-direita e o militarismo e as artes marciais os escapes. Com o sucesso das artes marciais mistas (MMA), os seus militantes viram um novo terreno onde se podiam implantar, prosperar e, mais importante, recrutar. E, pelo meio, tecem ligações internacionais através de torneios em que participam lutadores dos Estados Unidos e Europa.
O Azov percebeu-o e agarrou essa oportunidade aliando-se a Denis Kapustin (conhecido por Denis Nikitin), um dos mais influentes militantes da extrema-direita europeia, cidadão russo-alemão e dono da marca desportiva White Rex. Nikitin dedicou-se em tempos a treinar militantes do britânico Acção Nacional, grupo neonazi banido pelas autoridades, e é o verdadeiro responsável pelo Reconquista Club, local onde o Azov organiza torneios em Kiev.
Denis Kapustin
“Se matarmos um imigrante por dia, são 365 imigrantes por ano. Mas dezenas de milhares chegarão de qualquer forma. Percebi que estamos a combater as consequências, não as causas. Agora combatemos pelas mentes; não nas ruas, mas nas redes sociais”, disse Nikitin ao The Guardian, em Abril de 2018.
Nikitin é o responsável por trazer lutadores dos EUA e da Europa para os torneios que organiza através de uma rede de ginásios em todo o continente europeu. Em França, organiza o Pride France desde 2013 em Paris, e o Day of Glory em Lyon, em parceria com o Blood and Honor, considerado grupo terrorista pela Europol. E desde 2015 que organiza o festival alemão Kampf der Nibelungen (entretanto banido pelas autoridades alemãs) e o grego Pro Patria, em parceria com antigos e actuais elementos do neonazi Aurora Dourada. Já em 2018 fundou o Shield and Sword, um festival de extrema-direita com um torneio de MMA.
As ligações de Nikitin estendem-se a todo o continente e chegam até aos russos do Fathers Frost Mode (FFM), que também organiza torneios de MMA — o Hammer of the Will, por exemplo. Nikitin e o líder do FFM, Max Savelev, são próximos — o segundo esteve em Portugal em 2018.
Mas há quem não tenha pudor em dizer que a Ucrânia pode ser uma base para os militantes de extrema-direita. No início de Maio, Bogdan Khodakovski, líder do grupo neonazi ucraniano Tradição e Ordem, próximo do Azov, apareceu num vídeo em directo no Instagram, em que Nikitin fez de tradutor, e disse que a “União Europeia tem de ser destruída”.
Membros do movimento paramilitar Azov numa manifestação em Mariupol, em 2015 Pierre Crom/Getty Images
“Estamos a apelar às forças na Europa: estamos prontos para vos dar uma base, um espaço seguro e avançar em conjunto com uma Cruzada contra Bruxelas, os liberais e os imigrantes”, disse Khodakovski, sublinhando “serem bem recebidos na Ucrânia para todo o tipo de treinos”. E vários foram os internautas que perguntaram “como posso fazer para treinar convosco na Ucrânia?”, tendo como resposta a sugestão de enviarem mensagens privadas.
Os dois líderes de extrema-direita anunciaram ainda no mesmo directo que a Tradição e Ordem vai abrir uma filial na Alemanha, para unir “eslavos e alemães” e “partilhar conhecimento teórico e prático”. Os contactos de MMA servem, assim, para estabelecer pontes e criar organizações com ligações à extrema-direita ucraniana, que lhes oferece treino militar. Transformado num grande movimento com enorme influência na Ucrânia, o Movimento Azov e seus aliados tornaram o país num farol para uma parte da extrema-direita.
Fonte aqui (Para que não venham dizer que a Estátua publica fake news).
(Joseph Praetorius, in Facebook, 02/03/2025, Revisão da Estátua)
ATO I
Trump ordena inquérito, com propósitos de indiciação criminal, quanto à corrupção ucraniana, compreendendo a venda de armas americanas no mercado negro – que os norte-americanos encontram agora nas mãos de guerrilheiros da Síria, nas dos cartéis do tráfico de droga e noutros contextos de organizações criminosas.
Ordenou ainda a interrupção do fornecimento de armas e bem assim das subvenções à corja em Kiev. A utilização de satélites americanos já não é igualmente possível.
Os russos bombardearam e destruíram, entretanto, grandes concentrações de “ukro-drones”, tendo eliminado, não apenas muitas centenas de máquinas, mas também uns trezentos operadores, que evidentemente não podem ser substituídos com rapidez.
Com o aparecimento das primeiras lamas, pela aproximação da primavera, a corja de Zelensky vê restringida a sua capacidade de reforçar contingentes na frente, motivo pelo qual se antevê uma facilitação significativa de grande ofensiva das forças da Federação Russa, que se espera para breve.
Os palermas ingleses deram a Zelensky mais três mil milhões de USD, a título de empréstimo, mas a reembolsar com os fundos russos aos quais a execranda corja dos beefs lançou ávida pata, como de resto o fizeram outros, nos territórios europeus. Isso dará para mais umas semanas, mas não se sabe quantas, que o mais certo é tal corja meter o dinheiro ao bolso para fugir dali para fora.
Os idiotas alemães do governo cessante querem também “emprestar” dinheiro (plausivelmente russo) à escumalha de Kiev. E preparam-se todos para uma cimeira a seis de Março, onde, porventura, as vozes dissonantes da Eslováquia e da Hungria se farão ouvir, talvez com o alcance do bloqueio.
A semi ideia em cujos termos os anõezinhos da Weuropa poderiam suprir o fim do apoio norte-americano é de uma radical indigência, próxima da acefalia.
Os próprios europeus dependem do apoio americano, designadamente dos satélites, mesmo para as operações militares nas quais quiseram fazer figura de autossuficiência, como foi o caso das operações francesas em África. O desfecho destas, mesmo assim, é bem conhecido, pelos belos chutos africanos nos traseiros daquela snobalhada.
Zelensky deve preparar-se para a morte, ou para a fuga. Até aqui, travava uma guerra que não podia vencer. A partir de agora, combate de forma suicida numa guerra onde deixou de poder lutar.
ATO II
Multiplicam-se os insultos ao Presidente Trump na prostituída imprensa francesa, como entre a corja de Soros nos próprios EUA.
Inabalável, Trump enuncia que sem paz na Ucrânia, não haverá dinheiro para sustentar aquilo, mais esclarecendo que o anãozinho assassino ou cede, ou vai embora, ao que o anãozinho responde, com alguma ingenuidade, que não vai embora porque é insubstituível.
Os weuropeus, por seu turno, afundam-se na mais evidente confusão mental e dão dinheiro ao anãozinho. Querem a guerra e a paz e querem ir para lá em paz, coisa que Vladimir Vladimirovich talvez não conceda, não obstante a sua imensa generosidade. Querem também resolver tudo sem a Rússia e também isso talvez não seja possível, porque nunca o foi.
Um destaque – necessário – para o abominando Hollande, burlão obeso de Minsk e assassino confesso, tomando a palavra a dizer que é preciso fazer “mal, muito mal”, a Trump. Vamos ver se ninguém lhe mete a ele, Hollande, qualquer coisa irremediável em sítio mau, muito mau. Esta corja é insuportável.