A social-democracia de Gorbatchov e o neoliberalismo de Ieltsin e seus comparsas acabaram com a União Soviética, que desprezavam ou mesmo odiavam. Apaixonados pelo capitalismo não entendiam que mesmo sendo apenas Rússia ainda era demais para o império americano. Tinha que ser quebrada em pedaços, frágeis e antagónicos.
(Willow Tohi, in Naturalnews.com 08/03/2025, Trad. Estátua)
O ex-conselheiro de Segurança Nacional, tenente-general Michael Flynn
O ex-conselheiro de Segurança Nacional, tenente-general Michael Flynn, acusou a ex-subsecretária de Estado Victoria Nuland de ser uma figura central num suposto complot de assassinato contra o presidente Donald Trump, sugerindo uma conspiração mais ampla envolvendo vários indivíduos dentro e fora do governo.
Flynn afirmou que a Ucrânia é um centro de uma enorme operação de lavagem de dinheiro envolvendo dinheiro dos contribuintes americanos, com fundos sendo canalizados por meio de agências como a USAID e o Departamento do Tesouro e, em última análise, beneficiando políticos e burocratas corruptos em Washington.
Flynn acusou o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky de cumplicidade no esquema de lavagem de dinheiro, sugerindo que detalhes chocantes sobre o seu envolvimento serão revelados em breve, implicando ainda mais todo o establishment de Washington.
As alegações de Flynn destacam a necessidade de uma investigação completa sobre a suposta corrupção e conspiração de assassinato, enfatizando a importância da transparência e da responsabilização no uso de recursos americanos no exterior e pedindo ações para evitar futuros abusos de poder.
Essa revelação bombástica não apenas levanta questões alarmantes sobre corrupção nos mais altos escalões do governo, mas também demonstra a necessidade urgente de transparência e responsabilização sobre como os recursos americanos estão sendo usados no exterior.
Flynn aponta o dedo para Nuland: “Ela vai sentir a dor”
Flynn não poupou nas palavras quando acusou Victoria Nuland, uma funcionária de longa data do Departamento de Estado, de estar “no centro” das supostas tentativas de assassinato contra Trump. “O único nome é Victoria Nuland. Victoria Nuland tem muito em jogo aqui”, declarou Flynn. Ele acrescentou que Nuland está entre uma “constelação de outros” que são cúmplices desses esquemas, muitos dos quais operam “fora do governo”.
As alegações de Flynn são particularmente marcantes, dado o papel proeminente de Nuland na política externa dos EUA , especialmente na Ucrânia. Nuland, que atuou como Secretária de Estado Assistente para Assuntos Europeus e Eurasiáticos na presidência de Obama e, mais tarde, como Subsecretária de Estado para Assuntos Políticos na presidência de Biden, tem sido uma figura controversa há muito tempo. Os críticos acusaram-na de promover políticas que desestabilizaram a Ucrânia e enriqueceram políticos corruptos, tanto na região quanto em Washington.
“Pessoas como Victoria Nuland são uma dessas pessoas que vão… ela vai sentir a dor aqui, eu acredito, porque essas pessoas estão no centro disso”, disse Flynn.
Ucrânia: “Uma grande operação de lavagem de dinheiro”
“Elon [Musk] demonstrou a saída de dólares do país por meio de diferentes partes do nosso governo”, disse Flynn, referindo-se ao Departamento de Eficiência Governamental (DOGE) de Musk. “O que ele ainda não mostrou é o ciclo completo de financiamento que está acontecendo, desde quando sai, para onde vai, como flui pela Europa e como retorna aos bolsos das pessoas aqui nos Estados Unidos da América.”
Flynn sugeriu que Musk e Trump estão prestes a descobrir a extensão total dessa corrupção . “Isso ainda não foi demonstrado. Estou ciente de parte disso, e acho que é isso que Elon e o presidente Trump vão descobrir”, disse ele.
O papel de Zelensky no escândalo “feio”
Flynn também se pronunciou sobre o discurso do presidente ucraniano Volodymyr Zelensky, acusando-o de cumplicidade na suposta fraude. “Zelensky é um ator. Quer dizer, ele realmente tem um ótimo relacionamento com [o presidente russo Vladimir] Putin!” Flynn alegou.
Ele alertou que o público americano há de vir a saber detalhes chocantes sobre o envolvimento de Zelensky no esquema de lavagem de dinheiro . “Vamos descobrir coisas nas próximas semanas sobre Zelensky — pode levar alguns meses, espero que não, porque somos capazes de ser muito mais rápidos — mas vamos descobrir coisas que deixarão o povo americano tão chateado quando se tratar do fluxo de dinheiro de volta para os Estados Unidos da América, de volta para os cofres das pessoas, francamente, bem ali em Washington, DC”
Os comentários de Flynn sugerem que a corrupção é bipartidária, implicando não apenas os democratas, mas todo o establishment de Washington. “Vai ser feio. E não são apenas os democratas. Vai ser todo o establishment, o Security State”, disse ele.
Um padrão de corrupção
As alegações de Flynn não são totalmente inéditas. Durante anos, os críticos levantaram preocupações sobre o uso indevido da ajuda externa dos EUA, particularmente na Ucrânia. A Revolução Maidan de 2014, que derrubou o presidente pró-russo Viktor Yanukovych, foi fortemente apoiada pelo governo dos EUA, com Nuland desempenhando um papel fundamental. No entanto, muitos questionaram se o envolvimento dos EUA na Ucrânia foi motivado por ideais democráticos genuínos ou pelos interesses financeiros de uma elite corrupta .
Os laços da família Biden com a Ucrânia também foram alvo de escrutínio, particularmente em relação à posição lucrativa de Hunter Biden no conselho da empresa de energia ucraniana Burisma. Embora essas alegações tenham sido descartadas por muitos na grande mídia como teorias da conspiração, as alegações de Flynn sugerem que a verdade pode ser muito mais contundente do que se pensava anteriormente.
Um apelo à responsabilização
As revelações de Flynn provam a necessidade urgente de uma investigação completa sobre a suposta corrupção e conspiração de assassinato . Mesmo que apenas uma parte das suas alegações seja verdadeira, tal representaria um dos abusos de poder mais flagrantes da história americana moderna.
Como o próprio Flynn disse: “Essas são as coisas que, quando você fala em gastar meio trilião de dólares, mais de US$ 400-500 biliões de dólares num país apenas nos últimos anos, esse dinheiro está indo para algum lugar, e não para as tropas nas linhas de frente das várias províncias que estão lutando contra os russos lá.”
O povo americano merece respostas. É hora de confrontar os responsáveis e garantir que tal corrupção nunca mais aconteça.
Como afirmou o detective Lester na série The Wire, se seguirmos a droga encontraremos agarrados e traficantes, mas se começarmos a seguir o dinheiro não sabemos onde vamos acabar. Em muitos países, se procurarmos de onde vem o financiamento de certas organizações da oposição, de partidos, meios de comunicação social e ONGs é provável que acabemos em Washington.
A seguir ao ataque da resistência palestiniana, a 7 de Outubro de 2023, as autoridades israelitas trataram de atribuir ao Hamas uma série de crimes inexistentes com o propósito de ganhar a opinião pública mundial para o seu lado. O mais mediático foi a morte de 40 bebés decapitados às mãos dos combatentes palestinianos. Mais tarde veio a descobrir-se que era mentira. Nessa operação de propaganda, Israel convidou, através das suas embaixadas no mundo inteiro, jornalistas, analistas, comentadores, académicos para servirem de veículos à sua narrativa. Portugal não foi excepção.
É comum que embaixadas, ou institutos culturais relacionados com outros países, promovam actividades de diferentes âmbitos que aproximem a intelectualidade portuguesa. A Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento (FLAD) e o Goethe Institut são apenas alguns dos exemplos. Algumas destas entidades atribuem prémios e bolsas e apoios a diferentes projectos. De certa forma, funcionam como agentes de influência e cumprem uma estratégia que, parecendo inócua, tem objectivos políticos.
Apesar do genocídio em curso contra os palestinianos em Gaza, a despedida do então embaixador israelita em Lisboa, Dor Shapiro, não foi menos alegre ou menos participada. Para além de Carlos Moedas, presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Rodrigo Saraiva (IL), Pedro Frazão (Ch), Pedro Delgado Alves e Sérgio Sousa Pinto (PS), Alexandre Poço (PSD) e Telmo Correia (CDS), estiveram presentes os comentadores Helena Ferro Gouveia, Nuno Rogeiro e Liliana Reis, professora universitária precisamente na área da política internacional e deputada do PSD. Podemos especular que a não haver genocídio teria havido muitos outros e que muitos dos que participaram nos briefings de propaganda da embaixada preferiram o recato.
Festa de despedida do embaixador israelita em Portugal. A Ferro Gouveia na linha da frente, como sempre, a apoiar genocidas.
Nesse sentido, não é novidade que os Estados Unidos têm diferentes ferramentas para interferir noutros países. A notícia da suspensão da USAid por Trump destampou precisamente de que forma chegava o financiamento norte-americano a associações, partidos, meios de comunicação social, ONGs, entre outros. Por exemplo, dedicou 26 milhões a três organizações relacionadas com o processo eleitoral na Geórgia em plena convulsão social. No caso da Colômbia, os guardas fronteiriços também eram pagos pela USAid, denunciou o próprio presidente Gustavo Petro, e, na Ucrânia, a maioria dos jornalistas depende de Washington para receber os seus salários. A muito questionável Repórteres Sem Fronteiras de forma hipócrita veio dizer que a suspensão da USAid vai atirar o jornalismo “independente” no mundo para o caos quando sabe perfeitamente que não há jornalismo totalmente livre, e muito menos independente, na Ucrânia. De acordo com a Columbia Journalism Review, a USAid apoiou 6.200 jornalistas, 707 meios e 279 organizações da sociedade civil do setor dos media em 30 países diferentes.
A verdade é que, de forma subtil, os Estados Unidos usam todas as ferramentas para interferir e destabilizar outros países. Em 2014, o The Guardian, jornal britânico insuspeito de simpatias com Cuba, noticiava que os Estados Unidos, através da USAid, tinham criado secretamente uma rede social para promover a revolta entre a população cubana contra o governo. A rede social chamava-se Zunzuneo, parecida com o Twitter, e começou a funcionar em 2010. A administração norte-americana propôs que se começasse com uma base de subscritores com conteúdos inócuos como poderiam ser notícias sobre desporto, música e alertas de furacões. De acordo com a Associated Press, criaram falsas empresas que usaram contas bancárias em paraísos fiscais e a rede social chegou a ter 40 mil utilizadores.
Este é apenas um dos muitos exemplos de como os Estados Unidos utilizaram o dinheiro da USAid para financiar oposições, meios de comunicação social, golpes de Estado, etc. Tudo aquilo que acusam a Rússia e a China de fazer é, na verdade, concretizado pelos Estados Unidos a uma escala e com um alcance nunca antes vistos.
Quando vários países, incluindo a Rússia, decidiram proibir ou condicionar a actividade de ONGs financiadas pelo exterior sabiam bem o que estavam a fazer. Desde logo porque os Estados Unidos têm uma lei parecida. Para evitar que lhes façam a eles o que fazem aos outros.