Tudo isto foi triste

(In Blog O Jumento, 03/12/2016)
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Este processo da CGD devia envergonhar-nos enquanto país, enquanto esquerda ou direita, enquanto ateus ou devotos, enquanto maçons ou gente sem obediências, enquanto direita ou esquerda, o país assistiu a um espectáculo degradante, cujas consequências conheceremos um dia destes.
Discutiu-se um vencimento que agora já não é exagerado, explicou-se que era a remuneração justa para quem sabia gerir bancos, tinha qualificações e habilitações. Agora que foram ao “carro-vassoura” da gestão buscar alguém sem habilitações, qualificações ou experiência já ninguém questiona o vencimento, nem o BE e muito menos os extremistas do PSD
No governo de Passos questionava-se a legitimidade das ligações às organizações secretas por parte de quem dirigia instituições pública, Paula Teixeira da Cruz, ministra da Justiça do regime de então, até defendia a adopção de uma lei para regular essa mistura entre negócios públicos e negócios sagrados. Mas tudo isso foi rapidamente esquecido e agora que a Opus Dei lançou uma opa a custo zero sobre o maior banco nacional todos se esqueceram das longas horas de debate.
Dizia a então ministra que “as sociedades democráticas não são compatíveis com sociedades secretas, sobretudo quando existem ritos de obediência”. Mas agora faz-se-silêncio e até ficamos com a sensação de que na próxima missa de acção de graças pela preciosa ajuda divida ao devoto Macedo veremos o Louçã entrar na Sé de Lisboa de braço dado com as Cristas, atrás de um casal de devotos formado por Costa e Maria Luís, com sorte talvez possamos ver Passos entrar com a Manuela Ferreira Leite.
A escolha  era segundo critérios de competência, escolheram o “Mourinho da banca”, agora elogiam as qualidade de gestão de Paulo Macedo a converter as receitas fiscais em notícias laudatórias da sua pessoa e perdoa-se a inexperiência na gestão de um banco, nem sequer se dão ao trabalho de nos dizer como foi o seu trabalho como administrador do BCP ou porque esteve tão pouco tempo na administração desse banco.
Valeu de tudo para que se chegasse ao nome de Macedo, e a confusão noticiosa só merece gargalhadas. Que foi a primeira escolha de António Costa mas o PS não deixou, que o Macedo resistiu ao convite durante três semanas. O rapazola de quem alguém disse sofrer de disfuncionalidade cognitiva temporária teve mais um dos seus brilhantes momentos intelectuais e deu cambalhotas para festejar a escolha do devoto Macedo sem ninguém reparar.
O BE, que se juntou à direita para forçar o presidente da CGD à demissão, agora já aceita o Macedo sem pestanejar, com medo de um colapso da Banca até vão à missa no Campo Grande se for necessário. Os corajosos combatentes republicanos que ficaram com o cu na cadeira durante a última batalha da guerra civil de Espanha, engolem agora e sem pestanejar um sapo devoto de Josemaria Escrivá de Balaguer!
Foi preciso a CGD andar a penar um ano, colocar o país à beira de uma grave crise financeira, destruir moralmente duas administrações da CGD, para lá meterem o Macedo e promoverem Rui Vilar a Chairman, para que o senhor termine em grande a sua longa carreira em altos cargos. Se era para tudo isto não tinha sido necessário tanto tempo e tanto espectáculo triste.
Daqui a uns anos quando a CGD estiver novamente à beira do abismo e um qualquer Passos Coelho dessa ocasião se aproveite da situação para vender o banco ao preço da uva mijona a um qualquer chinês amigo ninguém se lembrará dos muitos intervenientes neste processo sujo, ridículo e pouco dignificante. Ninguém vai recordar o papel triste que desempenhou neste processo.

O “CERCO” a PASSOS!

(Por Joaquim Vassalo Abreu, 02/12/2016)

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Eu não “me” acredito, terá ele dito, esbracejando e espumando saliva pelos cantos da boca, batendo violentamente com os punhos na mesa…Tu “quoque” Macedo, sentindo-se, tal como César, traído por um “filho “ seu…adoptivo, mas filho!

E agora, perguntou ele, logo secundado por todo o seu séquito? E agora, também pergunto eu? Não, não “me” acredito, reforçou ele…

Mas é isso mesmo Passos. E agora? O Costa, o “monhé” dum raio, esse preto repelente que nem “pin” na lapela usa, um antipatriota, portanto, deu-te mais um nó cego, não foi? Danado, tinhoso, usurpador…e agora?

Então esse enviado de “Satã” teve a ousadia de ir buscar para a Caixa um dos teus? Onde já se viu tamanho topete? Isto aqui só pode ter dedo da Manuela, outra vendida, que diz que é mas não é e o quer é ver-te pelas costas…É traição a mais, mas ela que espere, ameaçaste tu…

Mas ele aceitou mesmo, perguntou um dos seus fiéis conselheiros, o Zeca Mendonça? Ele que foi um dos teus mais proeminentes Ministros, Pedro? Tu já devias ter desconfiado quando ele, há uns dias atrás, compareceu com o Costa e o Medina na inauguração de um Centro de Saúde aqui mesmo em Lisboa, uma obra que ele pensou, mas fomos nós que lançamos. Tu devias ter desconfiado, Pedro.

É que o tal de “Domingues” e os restantes “Feriades”, como dizia um amigo meu, ninguém os conhecia, só o Lobo Xavier, mas este…Este não devia valer, disseste tu ainda inconformado. Mas o Macedo aceitou mesmo, repete o Zeca? Mas ele não parava de dizer “eu não me acredito”, como toda a gente diz por aqui e que, apesar de eu, tentando ter graça, tentar emendar e dizer-lhes que quem não “se” acredita não pode ser nomeado, eles continuam a dizer. Como dizem “nós faz…”! Percebeste Passos? Será que ele “se” acreditou mesmo?

Depois daquele teu “golpe”, aquele bem urdido “golpe” que tu levaste adiante, elaborado ao pormenor, que deves ter aprendido com o Maquiavel, quando leste o “Príncipe” ou a “Arte da Guerra”, mais aqueles teus movimentos de filigrana pura, de tão delicados, de punhos de renda florentinos até, com que chegaste ao teu desiderato e cavalgando não sei que ginete, conseguiste afastar o Domingues…o que mais faltava era aparecer agora este “traidor”…

Mas tu afastaste-o, é um facto, mas para este, ainda resta uma coisa muito séria: o salário! Que podes tu fazer Passos, se não te dás com a Manuela? É que assim nem lhe podes perguntar como é que ela fez para conseguir que a Sociedade aceitasse que ele, naquela altura, como chefe do Fisco, ganhasse para aí seis vezes mais que ela que era Ministra? Na altura falava-se em 24.000 aéreos por mês! Onde estavas tu e os teus que tranquilamente o aceitaram? Um busílis, não é?

E perante isso, e sabendo disso, tu convidaste-o para teu Ministro da Saúde. Ele estava na Administração do BCP, também te lembras, claro! Que artes terás tu usado para o contratar? Quanto foi ganhar para o teu governo? O mesmo que tu, Passos? Nunca ninguém soube…a não ser que o tenhas convencido da sua importância na “salvação” de Portugal que tu levaste a cabo e ele tivesse aceite o imponente sacrifício de, em nome da Pátria, ter perdido, durante quatro anos, bateladas de dinheiro. Quanto é que ele ganhava, Passos? Confessa, Passos…

Resultado: o “monhé” deu-te mais um nó cego. Mais uma vez, é abuso! Ele, afinal, esse “tinhoso” e “usurpador” insiste ser o “diabo” que tu tanto procuraste sem nunca encontrares.

E agora, Passos? Que dia o de hoje! Um dia “horribilis” , não foi? É que te aconteceu de tudo, três em um, ou “three in one “, como se diz em estrangeiro:

– O Feriado do 1º de Dezembro, que tu em nome da produtividade tinhas eliminado, foi reposto.

– O Presidente da República, outro “Brutus”, mandou-te uma lança daquelas…o que te valeu foi que não apareceste! A outra, a tal que comprou a quota ao teu antigo sócio, apareceu e sorriu…

– O Santana, mais um, mandou-te um recado: esquece Pedro, eu era o único que derrotava o Medina, mas não vou…. Assim como quem pergunta: Contigo?

– E agora o Macedo! Um tipo que não podes acusar de nada, acima de qualquer suspeita, um dos teus, poderá lá ser?

Afinal foram “four in one”…Estará o cerco fechado?


Texto original aqui

10 motivos porque não gosto de Paulo Macedo

(In Blog, O Jumento, 29/11/2016)
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Espero que Paulo Macedo não chegue a presidente da CGD, não me parece que seja a pessoa indicada para o cargo, além de não ter nem o currículo, nem as habilitações ou mesmo a independência para o exercício do cargo. Pessoalmente tenho dez bons motivos para não simpatizar com essa personagem, aliás, além de não simpatizar tenho muito desprezo pela mesma:
1. As habilitações
O percurso académico de Paulo Macedo não está à altura da gestão de uma Caixa Geral de Depósitos, não é uma passagem pela área fiscal e pouco mais que o habilita a administrar um grande banco.
2. Os falsos sucessos
Apesar de, enquanto gestor da DGCI, ter sido um dos beneficiários dos grandes investimentos feitos na informatização da máquina fiscal, beneficiando da gestão dos seus antecessores e dos investimentos que estes mobilizaram, é mentira que Paulo Macedo tenha sido o melhor director-geral dos impostos, dos últimos anos.
Avaliando os resultados dos últimos quatro diretores-gerais, Paulo Macedo ficaria na terceira posição, com piores resultados do que um dos antecessores, o Dr. Nunes dos Reis, e do seu sucessor Prof. Azevedo Pereira. Paulo Macedo só apresentou melhores resultados do que o seu antecessor, um senhor que foi notícia por estar a fazer o doutoramento ao mesmo tempo que desempenhava as funções de diretor-geral.
3. O gestor que nada muda
Tirando uma sessão em que Paulo Macedo pôs todas as chefias da DGCI tocar uma corneta de plástico, nada de significativo deixou, não mudou chefias, não mudou modelos de organização e não mudou modelos de gestão. Aproveitou os resultados e publicitou-os, aproveitando a boa imprensa de alguém que pertencia a uma instituição com um grande orçamento publicitário.
4. O especialista em propaganda
Paulo Macedo transformava diariamente tudo o que a DGCI cobrava em sucessos pessoais, como se no passado nada fosse feito. Para além de contar com uma rede preciosa de amigos, tirava partido da boa imprensa do BCP para fazer passar sucessos atrás de sucessos. Muitas vezes os mesmos resultados eram publicitados na comunicação social apresentados de formas diferentes, para multiplicar o impacto. Os seus anos de DGCI foram uma intoxicação permanente da comunicação social, aliás, vimos o mesmo na saúde nos seus tempos.
5. As ligações à Opus Dei
A confirmar-se a possibilidade de ter ligações à Opus Dei pode questionar-se a isenção na liderança de um banco público. Recorde-se a importância dada por aquela organização à gestão do poder e, em particular, ao poder financeiro, importância que ficou evidente no seu envolvimento com o BCP. A Opus Dei tem grandes interesses económicos e na liderança de muitas instituições empresariais estão homens promovidos por aquela organização religiosa semi-secreta.
6. As ligações à direita
Sem militância conhecida são óbvias as suas relações com o PSD, a cujo governo pertenceu, onde foi um ministro da Saúde que procurou o sucesso com aumentos gratuitos do horário de trabalho e encerramentos de serviços.
7. A proximidade ao homem de Oliveira e Costa
Na DGCI tinha como um dos homens mais próximos um braço direito de Dias Loureiro a quem se juntou para promover a perseguição deste blogue, incomodado por críticas e convencido, ainda que sem qualquer prova ou fundamento, de que aqueles que ele pensava serem autores deste blogue teriam sido responsáveis por violações do sigilo fiscal em relação a factos contributivos da sua responsabilidade.
8 O lado manhoso
Uma pequena história ilustra o lado humano de Paulo Macedo. A determinada altura convidou Jorge Sampaio, então Presidente da República, para estar presente num seminário por ele organizado, certamente para engrandecer a sua imagem junto da comunicação social. Alguém foi perguntar a um ex-diretor-geral se já algum presidente tinha visitado a DGCI. Foi informado que o mesmo Jorge Sampaio havia inaugurado as novas instalações do serviço de finanças de Serpa. O resultado foi um comunicado informando que pela primeira vez um Presidente da República tinha estado presente num seminário da DGCI.
9. O trabalho alheio
Apesar de tantos elogios pelo seu trabalho da sua boca nunca se ouviu a atribuição dos resultados aos esforços de alguns, muitos poucos. Em vez disso, optou por agradecer a Deus e promoveu uma missa de acção de graças, nas Sé de Lisboa, para que os funcionários pudessem agradecer a Deus pelos resultados. Digamos que os funcionários da DGCI e principalmente os que contribuíram para os seus inúmeros comunicados de imprensa, ficaram com a bênção do padre, Paulo Macedo ficou com a fama e o proveito.
10. As perseguições

A crer nas noticias que foram publicadas na comunicação social as perseguições atrás referidas chegaram ao ponto da IGF ter vasculhado os e-mails de todos os funcionários em busca de e-mails trocados entre funcionários e jornalistas. Nunca se soube o que fez Paulo Macedo aos resultados dessas investigações.

O país está a assistir a um forte campanha para colocar Paulo Macedo na CGD, como se este fosse a última Coca-Cola do deserto. Quem estará por detrás desta campanha, o próprio Paulo Macedo ou outros interesses apostados em tomar conta da CGD?