“O ANARQUISTA ESPANHOL”!

(Joaquim Vassalo Abreu, 29/01/2017)

anarquista

Houve alguns (poucos) leitores que, em comentários a um texto meu, um publicado pelo “Estátua de Sal” e intitulado “ Tu Capitulaste, Pedro”, me criticaram por eu mostrar uma quase obsessão com Passos Coelho, insistindo em caricaturá-lo, quando ele já nem primeiro ministro é.

Aceito a crítica, como aceito todas as críticas, mas esta eu divido-a em duas. Quanto à primeira é óbvio que não tenho nenhuma fixação com ele, mas o problema é que ele teima em me inspirar constantemente. Que hei-de eu fazer? Quanto à segunda, é certo que não é o actual primeiro ministro, embora pense que ainda é, mas é o líder da oposição, que teima em mostrar que não é.

Mas, como disse, dado que ele insiste em me inspirar, o meu subconsciente é constantemente assaltado quando algo dele ouço e ainda no último debate no Parlamento ele fez questão de reiterar a Costa que estaria sempre contra tudo o que ele propusesse, e que nunca espere dele qualquer apoio quando lhe falharem os seus parceiros de apoio.

Mas ele tanto e tanto insiste em repeti-lo, que Costa lhe lembrou que pode ter que engolir o que vem dizendo, desafiando-o, por exemplo, a dizer como votaria se esses partidos que vêm apoiando esta solução governativa, que são pela renegociação da dívida, pela saída do Euro ou mesmo da Nato, isso mesmo no Parlamento fizessem votar!

De modo que, assistindo a esta postura niilista do chefe da oposição, lembrei-me daquele velho “chiste” Espanhol, acerca de um  velho Anarquista que dizia: “Hay Gobierno? Hay? Soy contra! No Hay Gobierno? Soy contra tambiem?”. Lembram-se?

E isto não lhes faz lembrar nenhuma analogia entre o velho Anarquista Espanhol e o nosso inefável chefe da oposição? A mim faz-me! O PS é a favor? Somos contra. O PCP e o BE são contra o PS? Nós somos contra também. São a favor? Nós somos contra. O CDS abstêm-se? Somos contra. O CDS é a favor? Nós somos contra também…

O Anarquismo tem história, que não vou aqui desenvolver, mas não é nessa história que ele se revê. E noutra mais recente: na Trumpiana!

Alguém ouviu uma palavra que seja deste “Anarquista” de preocupação com Trump? E sobre a May, alguém ouviu também? E sobre a Le Pen? E sobre o Pepe Grillo? E sobre o…Nada!

Acusa este governo de ter feito “batota” com o défice, pois se não tivessem sido receitas extraordinárias (que nem ele, nem nunca qualquer seu antecessor alguma vez e elas recorreu!!!), ou as chamadas cativações, que para ele eram provisórias, e sobraram para este governo, que até fez delas definitivas, e se não tivesse, por fim, limitado o investimento, nunca o teria conseguido!

Mais uma vez “Hellas”! Mas este “Anarquista” não tem remédio.

O saldo primário aumentou? É contra. E se não tivesse aumentado? Era contra também! O défice realmente desceu? É contra. E se não tivesse descido e não saíssemos do défice excessivo? Era contra também, claro. Medidas extraordinárias? Contra. Mas já foi a favor, alguém lhe lembra. Mas agora é contra. O tal resgate não vem? É contra. E se vier? É contra também. Renegociar a dívida? É contra. Mas se houver condições e aceitação? É contra também!

Hoje mesmo realizou-se uma reunião ( um “Summit”) em Lisboa com sete presidentes de países do sul, para discutirem assuntos comuns, entre os quais o seu amigo espanhol, o Rajoy, e ele manifestou-se contra. E se não se tivesse realizado? Seria contra também…

E da tal “Padaria Portuguesa”? Inequivocamente a favor! E da daquela da esquina? …

O Anarquismo de volta? Assim de repente até parece…

O Trump é o presidente eleito dos EUA? É contra! E se fosse a Hillary? Seria contra também!

E não é que aqui até estamos de acordo?

Será que também me estou a tornar em Anarquista?

 

Extraordinário

(In Blog O Jumento, 28/01/2016)
diabo_explicado
Finalmente temos a explicação de qual era o “diabo” de que Passos falava. Eram as armadilhas e as bombas ao retardador que ele e a Marilú tinham deixado nas contas públicas. O que eles não sabiam era que o Costa e o Centeno tinham o curso de desativação de explosivos perigosos e de minas e armadilhas. E Passos ainda não percebeu como é que conseguiram que as bombas não explodissem… 🙂
Estátua de Sal, 28/01/2017

Passos Coelho insiste em não perceber que já nem o diabo aposta nele, já estamos quase em final de Janeiro, seis meses depois da vinda do mafarrico ter sido anunciada e o líder do que resta do PSD ainda tenta demonstrar que algo correu mal em 2017, mas só ele e sua especialista em aritmética é que o conseguem perceber. Desde que o OE de 2016 foi aprovado que o Passos mais a Dona Aritmética sofrem de um fetiche relacionado com o plano B, só se excitam enquanto oposição quando lhes vem o dito plano à cabeça.
Convém recordar de onde vem esta fixação com o plano B. Quando a geringonça aprovou o OE para 2016 a direita teve a esperança de que os seus aliados europeus chumbassem o OE. Mas isso não sucedeu e como sempre fez a Comissão e o Eurogrupo pediram ao governo que preparasse medidas orçamentais adicionais caso estas fossem necessárias. A direita portuguesa não se conformou e lá se foi calando.
Mas Passos Coelho nunca perdeu a esperança num segundo resgate, o que o levaria de novo ao poder para governar sem restrições constitucionais, pois estava convencido de que as coisas correriam mal. Passos Coelho e a sua Dona Aritmética sabiam muito bem que tinham armadilhado as contas orçamentais de 2017 com a ajuda de Paulo Núncio. Sabiam que 2017 poderia ser dramático, um deslize orçamental tiraria o país dos mercados e forçaria a esquerda conservadora a deixar de apoiar o governo.
As vigarices feitas com os reembolsos do IVA e com as retenções na fonte de IRS representavam um buraco orçamental digno de ser um “desvio colossal”, daí que Passos tivesse anunciado a vinda do diabo, quando o impacto do buraco fiscal se fizesse sentir na contas, o que sucederia depois de processados todos os reembolsos. A situação seria tornada pública com a divulgação do relatório da execução orçamental de Setembro.
Mas a Dona Aritmética estava enganada, a armadilha que manhosamente deixou montada não funcionou e o diabo não apareceu. Desde então Passos Coelho anda desesperado para provar que houve mesmo um plano B, daí que agora tenha um fetiche com medidas extrordinárias. Ele que só governou com medidas extraordinárias, com sucessivas renegociações secretas do memorando para acomodar a sua pinochetada económica, vê agora medidas extraordinárias em tudo.

A vitória de Pirro

(Joaquim Vassalo Abreu, 27/01/2017)

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Eu já abordei este tema, nomeadamente aquando daquelas duas vitórias do Tozé Seguro nas Europeias e Autárquicas no reinado de Passos e Portas, quando as defini como “Vitórias de Pirro” e acrescentei também aquela fatal frase, que nestas ocasiões também se usa: “De vitória em vitória até à derrota final”. E todos tínhamos a noção disso, até ao desfecho que se sabe.

Como sabemos pela História que estudamos, o general Pirro até que ganhou uma batalha. Mas os danos sofridos pelas suas tropas e a debilidade em que ficou a sua estrutura, levaram a que, a obter uma vitória parecida, ela seria a sua ruína para sempre.

Esta imagem, que como disse já uma vez utilizei aquando do processo acima referido, assaltou-me novamente, a propósito desta questão recente da TSU e da autêntica guerra que dela fez o PSD.

E “vitória de Pirro” porquê? Porque de uma aparente vitória à partida, a de ter posto a nu a suposta debilidade da maioria parlamentar que apoia o governo nesta matéria específica e esperando, de imediato, que essa dissonância fosse logo replicada em questões subsequentes, passou a ser objecto de tantas, diversas e tão directas críticas, mesmo internas, cujas consequências o deixaram mais frágil e não mais forte como pensaria.

Tanto assim que, imediatamente, o governo encontrou uma alternativa, desta vez apoiada por todos, patrões, sindicatos, restantes parceiros sociais e mesmo os partidos que suportam a maioria parlamentar, que será muito difícil descortinar que razão inventará, desta vez, o PSD, para não a apoiar. Guerra perdida, portanto. Resta saber com que sequelas…

Marcelo, o Presidente, já o tinha referido àqueles emissários enviados não sei por quem, mas que não conseguiram entregar a “carta”, quando disse: Não se excitem, aguardem e esperem para ver, pois o processo ainda não está fechado.

Mas que resulta daqui, afinal? A tal “Vitória de Pirro”! Isto é: criou tantos anticorpos, tantos e tão diversificados, que não sei como é que o PSD conseguirá reparar os estragos causados para se abalançar a nova batalha.

Os Patrões ficaram mais que desiludidos e correram logo a reunir com Costa; as IPSS já não sabem o que fazer e falam agora para o vento, depois de abandonadas pelo grande patrocinador dos seus anseios: O Marcantónio Costa! Que não é Pirro, mas é pírrico. Os parceiros da Concertação Social interrogam-se, apalermados, como é possível?

E os analistas, os suprassumos, exceptuando alguns dedicados fiéis, devotos até, para não dizer mesmo fanáticos e “kamikases” apoiantes, como o inefável Tavares, o Camilo, o Fernandes e outros afins, não perdoam aos críticos destas posições, como o Pacheco, o Peneda e outros que, de forma inequívoca, abandonaram o seu exército.

Quer dizer: Perdeu aliados (Patrões), companheiros (UGT), amigos até (Peneda e outros), alguns mesmo íntimos…que lhe resta afinal do seu tão grandioso e imbatível exército? Os livros dizem que se tratou de uma vitória prejudicial ao “vencedor”, tanto mais que serviu para alertar e unir o adversário. Pôs o jogo a nu e isso não é de um general…é de um amanuense…

Que lhe resta, perguntei eu? O Monte Negro! Monte que ninguém conhece. Apenas conhecemos o Monte Branco, esse sim, que nunca deixa de ser branco.

Monte Negro, ou monte preto, esse só conhecemos um e cheira mal: cheira a esterco!


Fonte aqui