Conhecer-se a si próprio e conhecer o adversário (a propósito das eleições legislativas de 10 de Março de 2024 em Portugal)

(José Catarino Soares, in Tertúlia Orwelliana, 23/03/2024)

Palácio de São Bento em Lisboa. Sede da Assembleia da República
  1. Introdução

Escrevi este artigo, tal como muitos outros no passado, para me esclarecer, à míngua de encontrar esse esclarecimento em seara alheia. Quando não me resta outra solução, para me esclarecer sobre um certo assunto de interesse geral, do que escrever eu próprio um artigo (ou um ensaio ou um livro) sobre ele, faço-o, porque essa tarefa implica pesquisa, estudo e reflexão q.b. Quando os resultados desse esforço me parecem minimamente satisfatórios, publico-o no pressuposto de que possa ser útil para o auto-esclarecimento de outras pessoas.

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Mariana Mortágua versus Moniz da Maia

(Por Jovem Conservador de Direita, in Facebook, 03/05/2021)

Corre por aí um vídeo da deputada Mariana Mortágua a humilhar numa comissão um dos melhores empresários deste país. Esse empresário é o Dr. Bernardo Moniz da Maia, uma mente brilhante na qual o BES investiu 500 milhões. Para quê? Para fazer negócios complicados. (Ver vídeo abaixo).

Não me cabe a mim avaliar a qualidade dos negócios do Dr. Moniz da Maia, mas se lhe emprestaram tanto dinheiro foi porque mereceu. Acham mesmo que um banco colocaria tanto dinheiro nas mãos de alguém que não fosse de uma extrema competência? Se lhe deram tanto crédito foi porque mereceu. Era complicado estar aqui a explicar a leigos o que é que leva um banco a colocar tanto dinheiro nas mãos de uma pessoa, mas acreditem que o fez por boas razões.

Provavelmente arrebatou as pessoas do BES com uma excelente apresentação de powerpoint com muitos gráficos.

É muito fácil humilhar um homem destes quando as coisas correm mal no conforto do parlamento. É fácil perguntar-lhe o nome de fundações e de offshores como se o Dr. Moniz da Maia fosse uma pendrive que tivesse de saber de cor as formas que usou para, legitimamente, proteger a fortuna que conquistou através do seu mérito do socialiamo e do totalitarismo da máquina fiscal.

Faltou a Mariana Mortágua a coragem de lhe fazer perguntas verdadeiramente difíceis como “o que é que o apaixona?”, “o que é que pensa sobre a ingratidão das pessoas em relação ao seu excelente trabalho?”, “o que dizem os seus olhos?”, “tem aqui um daqueles microfones pequeninos das TED Talks, pode coloca-lo e inspirar-nos um bocadinho?” ou “gosta de atum?” Isto sim, seria usar bem os recursos de uma comissão parlamentar. Ia permitir-nos conhecer o ser humano e o empreendedor por detrás daquele buraco de 500 milhões.

Porque os empreendedores têm de ser apoiados mesmo quando falham. Nós investimos nas pessoas e no seu potencial. Se os primeiros 500 milhões desaparecem, temos de continuar e emprestar até que o potencial se cumpra. Temos de permitir que o Dr. Moniz da Maia cresça de uma forma segura. Condená-lo por ter queimado os seus primeiros 500 milhões é como bater num bebé por não saber usar talheres. Temos de aceitar que um bebé vai deixar cair muita papa até conseguir comportar-se devidamente num jantar de gala. Se perdermos a esperança num bebé logo da primeira vez que o vemos tentar comer com uma colher de plástico ele nunca vai desenvolver-se. Com os empreendedores é a mesma coisa.

Se chamamos os empreendedores ao parlamento para serem humilhados por deputados estamos a matar a inovação neste país. Temos de apoiar os empreendedores quanto têm sucesso, mas sobretudo quando falham, que é quando mais precisam. Quantos e quantos jovens empreendedores desistiram dos seus sonhos depois de verem a Mariana Mortágua, a assassina da inovação, a humilhar o Dr. Zeinal Bava? Sempre que um jovem empreendedor rasga o seu poster do Dr. Zeinal ou do Dr. Moniz da Maia o nosso PIB per capita morre um bocadinho.

🙂🙂🙂🙂


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Rui Rio, o homem sério

(Isabel Moreira, in Expresso Diário, 31/07/2020)

Foi sempre a imagem de marca de Rui Rio. “É um homem sério “, dizia- se (e diz-se) do atual líder do PSD em tom grave, como que a sublinhar uma característica distinta que uniria todos os olhares. Quem não vota PSD sempre diz “mas é um homem sério, um homem honesto”.

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Confesso que, não duvidando da seriedade e da honestidade de Rui Rio, nunca percebi a eleição destas duas características como especiais do atual líder do PSD, assim como qualquer coisa de muito bom, que o distingue e que nos deve deixar felizes.

Afinal, ser sério e honesto parece-me ser coisa de cumprir os mínimos e nunca percebi por que raio se diz tanto da seriedade de Rui Rio, como se os outros líderes partidários não merecessem a adjectivação. De António Costa a Francisco Rodrigues dos Santos, há razões para duvidar da seriedade ou da honestidade de algum ou de alguma líder partidária?

Dito isto, para além da “enorme seriedade“ de Rui Rio, o que resta da sua prestação recente para a República? Quem tanto apregoa a verticalidade do líder, basta-se com isso? Não se aflige com o seu populismo programático, devidamente delegado nos novíssimos soldados parlamentares prontos para explicarem à República que o Regime está podre e que o Parlamento precisa dessa coisa, a sociedade civil, para se purificar?

É que Rui Rio, o homem sério, detesta o Parlamento e, em pouco tempo, propôs dar cabo da comissão da transparência, instalando cidadãos “de reconhecido mérito” no Parlamento, sem ética controlada, claro, em número superior ao dos nefastos deputados, para tratarem do seu estatuto. Assim, numa penada, Rui Rio explicou que precisamos de retirar aos deputados a conquista da democracia liberal e dar a uns ilustres cidadãos o poder de definirem o estatuto de gente eleita.

Um homem sério.

Esta abertura do Parlamento à sociedade civil também aconteceria nas comissões parlamentares de inquérito, com carácter permanente, aberração que foi defendida com a eloquência do Chega: “mas afinal quem é que tem medo do povo?”.

Um homem sério.

Rui Rio detesta ser Deputado, não o esconde, e convenceu Costa da bondade de acabar com os debates quinzenais, que passarão a ser de dois em dois meses. Aqui, com o aval de Costa e com os votos dos deputados do PSD e do PS que acharam por bem fazer isto à democracia representativa (e à própria Política), conseguiu a sua vitória nesta onda anti-parlamentar.

Entretanto o homem sério veio admitir uma aproximação ao Chega, se este evoluir e tal. Não sei que evolução será necessária.

O homem sério saberá.

Afinal é o que dizem de si.