Falta clareza ao discurso do PSD

(In Blog O Jumento, 23/11/2016)

semideias

 

Quando o PSD andou nas ruas da amargura, nos tempos de Manuela Ferreira Leite,   falava-se na refundação da direita e de um novo programa para aquele partido. Mas a crise financeira entregou o poder a Passos Coelho e Paulo Portas sem que estes tivessem de dizer ao que vinham ou, pior ainda, ganhando as eleições mentindo de forma premeditada.
Significa isto que hoje ninguém sabe o que é o PSD, sabe-se que existe, que tem muitos militantes, que conta com algumas personalidades de quem se pensa serem possuidores de quotas privilegiadas, mas não tem nem programa, nem projecto. Para se saber o que “pensa” o PSD tem de se perguntar a Passos Coelho, mais ninguém pode falar ou pensar por um partido sem programa. Não serve de nada perguntar a Marco António, Montenegro ou Maria Luís Albuquerque, não só têm apenas umas leves ideias sobre os mais variados temas de interesse, como são gente que só gosta de repetir o que o chefe fala.
Se lermos Rui Ramos e outros do Observador ficamos com uma ideia mais próxima do que Passos pensa ou, para se ser mais preciso, para sabermos o que Passos vai pensar depois de também os ler. A autonomia intelectual de Passos é diminuta e desde que Miguel Relvas o abandonou que o líder do PSD pouco mais é do que aqueles trejeitos faciais que faz quando julga estar a dizer algo de engraçado.
A geringonça ajudou a clarificar a vida política do país, agora há uma esquerda e dentro dessa esquerda há várias sensibilidades e abordagens diferentes dos problemas. O fim dessa falsidade ideológica a que chamam centro teve a virtude de criar uma clivagem clara entre a esquerda e a direita, das formas de pensar e de governar. O problema é que a lógica de Passos Coelho e de Assunção Cristas continua a ser a de recear tornar público o que pensam, são de direita mas gostam de se afirmar como um bloco central.
Na direita não há diferenças de projectos, na hora de dizerem ao que vêm são todos muito politicamente correctos, Passos Coelho é “social-democrata sempre” e a Assunção cristas partilha os bons valores dessa coisa estranha que é a “doutrina social da igreja”. Ninguém é mais conservador ou liberal, são todos bonzinhos. Querem ganhar os votos da esquerda e da extrema -direita, não assumindo o que pensam nem propondo aquilo que gostariam de ver implementado por um governo.
A direita de Passos é um deserto de ideias e no seu caso pessoal de inteligência, não há propostas, não planos nem programas.

SALVAR PORTUGAL… Ou o Joãozinho e o Riozinho!

(Por Joaquim Vassalo Abreu, 30/10/2016)

joaoalmeida

O primeiro, o Joãozinho, deputado do CDS e de nome João Rodrigo Pinho de Almeida, nascido lá para 1976, uns quarenta anos, portanto, e o meu filho pouco menos tem, afirmou querer SALVAR PORTUGAL! Mas, lembrando o seu percurso profissional, além da política, e não é impunemente que ele tem como condecoração a de ser Membro Honorário da Juventude Popular, que mais fez? Qual o seu percurso profissional ou académico? Alguém sabe? Como assim querer SALVAR PORTUGAL?

Mas quer SALVAR PORTUGAL! Mas ele quer salvar Portugal de quem e do quê? De quem? Do TIAGO! Sim, do Tiago Brandão Rodrigues, que, como já aqui afirmei várias vezes conheço desde a infância e foi colega de Escola do meu Filho! Mas porquê? Porque ele alegadamente ousou “esconder” que sabia que um chefe de gabinete de um subsecretário de estado,” sub “disse eu, afinal não era tão licenciado como dizia ser…

Que fez, afinal, fazer voltar para Portugal um “gajo” com uma carreira Universitária como ele tem, doutorado não sei quantas vezes aos 37 anos, investigador em Birmingham, com um futuro garantido? Como, se ele tinha uma vida pacata…que veio ele fazer, para além de aceitar que um chefe de gabinete de um subsecretário de estado não fosse licenciado, ao contrário do que dizia ser? Investigar seriamente todos os “curriculum” de todos os membros do seu Ministério, quiçá mesmo de todo o Governo, como era seu dever antes que outras coisas fizesse? Não, atazanar-nos a vida, as nossas vidinhas e meter-se com os nossos negóciozinhos, grandes ou pequeninhos, do sacrossanto direito às subvenções aos Colégios Privados, foi o que ele fez…

E SALVAR PORTUGAL passa, desde logo, de salvar Portugal de “gajos” como este…e deste em primeiro lugar!

Ele veio para quê? Para questionar a nossa , deles, “livre” escolha….Vai-te catar ó Joãozinho e, como diria o outro, cresce e aparece, ora…

Licenciatura olha, eu não tenho! Mas não me sinto inferior a ti, para que saibas! E sabes porquê? Porque, se na minha frente estivesses a discutir comigo ou a tratar de algum sério assunto, tratava-me por SR. Dr.! Que é o que todos, como tu, sempre fizeram ao longo da minha carreira profissional! Eu bem dizia que não era, mas eles insistiam….Mas eu julgo agora adivinhar que, hoje, antes de falares comigo pedias-me a certificação da minha Licenciatura…Mas é claro que eu te mandava, para não dizer pior, passear ali junto ao mar da Póvoa, apanhar um pouco de vento nas ventas e ganhar juízo…

Tu, SALVAR PORTUGAL? Portugal é quem de se salvar de tipos como tu! Outra vez “ora” como se diz por aqui…

Mas, já agora, ó “bardameco” feito gente, a ti vou-te dizer mais uma coisa: Tu eras sub secretário de estado do interior ou coisa que o valha e, uma vez, um Irmão meu, que é há onze anos Presidente de uma Câmara do Alto Minho, por motivos de falta de meios para o combate a um incêndio no Parque Nacional da Peneda Gerês, ligou-te e tu imediatamente tentaste resolver o problema. E fizeste bem. Mas tiveste uma falha grave: não perguntaste ao meu Irmão se ele tinha alguma Licenciatura que o habilitasse a ser Presidente de Câmara! Falha greve, sem dúvida…

Mas, se hipoteticamente, lho tivesses perguntado, ele ter-te-ia dito: Não tenho uma, tenho duas! Uma, apesar de só ter o curso Geral do Comércio, a de ao longo da vida ter estudado, feito concursos e ter chegado a um grau muito alto na Autoridade Tributária! A segunda, coisa que não está ao alcance de todos, ter posto todos os conhecimentos adquiridos, em Direito Fiscal, Consuetudinário, Real, Aduaneiro e tudo o que possas imaginar, e acrescento também políticos, ao serviço da Comunidade, dos outros, com altruísmo e fervor. Tal como o TIAGO, ouviste ó “bardameco”… Vai salvar quem tu quiseres porque a mim, NÃO! Assim como uma carrinha de um infantário de Vila de Conde que eu vi passar e me fez rir e onde está escrito: “ Creche e Aparece”!

Mas, agora, li também algures estar em formação um movimento tendente também, não sei se a MUDAR Portugal, ou se a SALVAR Portugal ou se a fazê-lo ir em frente, assim uma coisa dessas, mas dirigido ao Riozinho, o Rui Rio, que tem estado mudo e caladinho, mas que os amigos querem que avance. Para quê? Para SALVAR Portugal! De quem? Do Passos Coelho!

Mas, esperando mais desenvolvimentos deste autêntico golpe, para não dizer rebelião, eu acho que devo reproduzir aqui o que uma vez respondi a uma missiva que o Seguro me mandou e onde apelava a que eu me juntasse a ele para ambos MUDARMOS Portugal! Ele, lembram-se?, já tinha apresentado oitenta propostas mas, mesmo assim, queria o meu contributo para mais…

Eu respondi-lhe: Ó TOZÉ, tu sabes bem que não vou contigo mas, pelo teu esforço, pelo teu denodo e pela vontade firme que tens em MUDAR Portugal, eu vou-te dar uma ideia, e não aceito receber nada por ela: Para MUDAR Portugal só há duas vias, uma mudar de sítio, de localização, isto é, em vez de estarmos no extremo da Europa passarmos para o meio, trocarmos assim com a Holanda, por exemplo, para que também não lhe falte mar, tenha sol e se esqueça daquela coisa dos diques…

A outra, e em alternativa, mas na mesma à séria, era MUDAR Portugal mesmo. Como? Mudando Trás os Montes para o Algarve, o Alentejo para Trás os Montes, o Minho para a Galiza, as Beiras para a Estremadura, o Douro para o Alentejo, Lisboa para o Porto e Porto para Lisboa! E a Beira Litoral fica onde está porque mudar tudo é complicado…é número primo!

Isto, sim, isto é que era mudar PORTUGAL e o resto é só folclore! “Ouvistes” pá?


A primeira publicação deste texto aqui

Quem falseia a realidade?

(In Blog O Jumento, 15/10/2016)
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Depois de ter ressuscitado,. após um longo período em que andou a fazer de morto, o por enquanto líder do PSD armou-se em NostraPassos e previu uma desgraça lá para Setembro, ao nono mês o ano da graça de Deus de 2016, mês que iria parir uma desgraça nacional, mas a desgraça não aconteceu e o vidente falhado entrou em estado de negação. Para ele a desgraça aconteceu, os seus deputados da primeira fila até acusam o governo de ter falseado os dados da execução orçamental de Setembro.
Não deixa de ter a sua ironia a nova bandeira de Passos Coelho quando acusa o primeiro-ministro de esconder ou de negar a realidade; é uma acusação de alguém que durante meses recusou o estatuto de líder de um dos partidos da oposição, para promover a pantomina do ex-primeiro-ministro no exílio, pantomina que ainda gosta de representar nas horas livres em visitas oficiais que os seus amigos organizam para ele acreditar que ainda é primeiro-ministro. Durante meses Passos recusou-se a ler a constituição e a perceber a realidade política saída das eleições legislativas, nunca imaginou que a esquerda seria capaz de se entender e ainda hoje não percebeu que o que aconteceu.
A liderança do PSD por Passos Coelho, é de um líder sem o fulgor que aparentava quando tinha Relvas ao seu lado e o Estado lha pagava os assessores. Agora é um líder sem ideias, que vive de encenações montadas pelo aparelho local do partido, que lhe proporciona aparições públicas num papel de primeiro-ministro em que todos alinham fazendo-lhe crer que ainda o é. Passos não tem projecto e em vez de fazer oposição ao governo constrói os seus próprio moinhos de vento, convencido de que serão eles a derrubar António Costa.
Passos é uma combinação desajeitada de Nostradamus, de D. Quixote e do Pokémon, sem ideias vive de conjunturas construídas pela sua própria imaginação. Aquele que agora acusa António Costa de negar a realidade, vive de realidades virtuais. Começou por imaginar que a geringonça não iria chegar a acordo, apelou à sua direita europeia para o ajudar a manter-se no governo, apelou à Europa para impor um plano B, ganhou vida quando pensou que Portugal iria ser alvo de sanções por parte da UE, perdeu o sono ante de cada reavaliação da dívida portuguesa por parte das agências de notação, acreditou que a execução orçamental de Setembro levaria o país a um segundo resgate.
Passos não apresenta qualquer programa para o país, não tem propostas para o orçamento, não tem ideias, Passos é o que sempre foi, um político débil e desde que perdeu Relvas e Portas, é um político em estado de negação, para quem a realidade é o seu mundo virtual cheio de moinhos e de Pokémons para apanhar. Quando acusa o primeiro-ministro de não ver a realidade o líder do PSD está a ser sincero, a realidade que Costa não vê é a que ele próprio inventou.