(Carlos Esperança, in Facebook, 25/11/2025)

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Senhor Regente do Reino de Portugal, digo, Presidente da República Portuguesa:
No 565.º aniversário da minha defunção, apesar de os ateus negarem este mundo, digo-lhe que há este onde chegam defuntos todos os dias e me informam sobre V. Ex.ª, o País e o Mundo até ao último Expresso, espécie de Diário de Bordo, como o dos capitães das naus, agora com muito mais mundo e novos mares.
V. Ex.ª, sabe pela fé, que um morto não tem atividades, projetos ou ambições, só não sabe que gosto de estar informado o que consigo com os novos defuntos. Sei que está a par de tudo, aliás, é artífice de muito, como Intriguista-mor. E sei da fatídica data de 5 de outubro de 1910, a data a que o sábio professor Cavaco e Passos Coelho quiseram, e bem, tirar o feriado.
Apreciei Durão Barroso a invadir o Iraque como Afonso Henriques invadiu as terras dos sarracenos. E foi recompensado, mandou na Europa, o que me deixou muito orgulhoso. Sei que foi pajem de Bush, depois de Merkel, e quis ser PR de Portugal, mas como era detestado, até V. Ex.ª transferiu para Marques Mendes o apoio e o desejo.
Sei que dou o nome à venera Ordem do Infante D. Henrique, dada a Durão Barroso e Silva Pais por Cavaco Silva, que ainda não está aqui, e que V. Ex.ª a distribui a granel.
Os portugueses que estão em defunção sabem quase tudo o que fiz e o que não fiz. Não houve Escola Náutica de Sagres, uma invenção cristã para denegrir os judeus que me auxiliaram nas descobertas. Por isso não diga, quando vai de férias e passa por Sagres, que esteve no local da Escola de Sagres, passou apenas pelo respetivo promontório.
Soube que V. Ex.ª é também comentador-mor. Como o meu pai iniciou a dinastia de Avis, pode iniciar a dos Comentadores apesar de outros o terem precedido, mas sem capacidade para falarem de tudo com tanto brilho.
Os últimos defuntos dizem-me que V. Ex.ª mudou o Reino, digo a República, mais do que a dinastia de Avis o dilatou. Sei que não tem culpa da Revolução de Abril, que é tão anticomunista como eu antimuçulmano, e, após 48 anos de democracia, decidiu o plano genial para devolver a ordem, respeito e autoridade do tempo do seu pai, que está agora aqui comigo. E conseguiu a reescrita da História! Genial!
O golpe de 7 de novembro, há dois anos e seis dias, foi de mestre! O parágrafo escrito no Paço de Belém pela Inquisidora-mor do Reino, teve mais efeito do que uma crónica inteira de Fernão Lopes, cronista do Reino desde o rei Fernando até ao meu sobrinho Afonso V, e escreveu as crónicas de D. Fernando, do meu pai, do meu irmão Pedro e outras. Só me surpreendeu ser mulher a Inquisidora, a nobre função que D. João III, confiaria aos santos dominicanos. Mas valeu a pena!
Desejo conhecê-lo em breve. Entretanto, distribua a venera com o meu nome enquanto tiver o alvará, e venha logo ter comigo, antes de se arrastar abandonado de todos.
Saudações do outro mundo.
Condomínio das Almas, 13 de novembro de 2025 E.v.
- Henrique, o navegador.
Apostila – Esta carta com endereço, Paço de Belém, em Lisboa, apareceu hoje na minha caixa do correio, Olivais, em Coimbra, onde um tarefeiro substituiu o carteiro dos CTT depois da privatização de Passos Coelho. Aberta inadvertidamente, apresso-me a torná-la pública por intermédio dos meus leitores.
Nota da Estátua: A sigla E.v. corresponde a Era Vulgaris.



