Os pedidos de Assunção Cristas à Senhora de Fátima

o(Por Estátua de Sal, 03/05/2017)

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Aqui sinto-me bem. Há uma paz no ar que me faz levitar, minha Nossa Senhora de Fátima. Mas, como sabes sou sincera e boa menina e tenho que fazer uma declaração de interesses, um pequeno pecadilho que me vais perdoar certamente. A minha primeira devoção, desde o berço, é para a Nossa Senhora da Assunção, pois foi a ela a quem a minha mãezinha rezou quando me trouxe ao mundo, e por isso me deu este nome tão lindo e abençoado. Mas eu sei que não me levas a mal e vais ouvir as minhas preces, até porque não temos cá nenhum Santuário da Senhora da Assunção onde a ela me possa dirigir directamente. Ouve, então, o que me vai na alma, e transforma em milagres estes meus singelos pedidos, para bem de Portugal e da cristandade.

Só o teu grande coração de mãe pode compreender a apreensão que me invade sempre que acordo assustada pela madrugada, temendo pelo futuro dos meus queridos filhos, neste Portugal dominado pelo governo das esquerdas. Corro logo para o quarto deles para me certificar que estão mesmo bem. Pobres crianças, o que irá ser delas, se não nos ajudares a afastar esse demoníaco Costa, esse tonto Jerónimo e essa mal vestida Catarina? Eu sei que os caminhos do Senhor são insondáveis e não quero cometer sacrilégio, mas ainda não consegui perceber o que levou Deus Nosso Senhor a permitir que o nosso querido Portugal viesse a ser dirigido por três declarados ateus. Talvez tenha sido castigo divino para expiação dos nossos pecados, talvez.

Sim, são três hereges que não te honram, minha Nossa Senhora. Escarnecem de mim e dos outros devotos que te visitam e veneram. Zombam da fé e dos teus poderes. É por isso que te peço, que os afastes, que faças o povo abrir os olhos e votar no nosso partido que é o único que tem o azul na bandeira, esse azul tão bonito da cor do teu véu, ó minha Nossa Senhora.

Há outros que também não devem ter a tua benção, porque em vez de invocarem a tua santíssima misericórdia, invocam o diabo, abrenúncio. Não os entendo, e não percebo porque teimam em chamar o diabo. Ainda não viram que o diabo já está entre nós, disfarçado de Geringonça, e que é preciso expulsá-lo de vez. Conto contigo para me ajudares a salvar Portugal dessa praga das esquerdas radicais que querem tirar tudo aos crentes e devotos para sustentar os pobres. Pobres que só o são porque vivem no vício, na preguiça, no destempero e na lubricidade. Eu sei que devemos cuidar dos pobres e não quero que me acuses de falta de piedade. Mas uma coisa é cuidar dos pobres e ser caridosa, como sabes bem que sou, ainda que não exagere como algumas vezes faz o Papa Francisco, de tão bondoso que é; outra é acabar com a pobreza à custa do sacrifício do conforto merecido dos crentes e devotos, como pretendem as esquerdas radicais.

Sei que me entendeste, minha Nossa Senhora. E não é por mim que te faço este pedido. É pelo futuro dos meus meninos, é por Portugal. E se me ajudares, acredita que todos os anos virei em peregrinação a pé, ajoelhar-me e rezar mil ave-marias na tua capelinha. E virei sempre com os jornalistas e com as televisões atrás de mim, para promover os teus dotes milagreiros aos quatro ventos, aumentando assim o número dos teus seguidores.

Outra coisa. Estou meia envergonhada por este meu pensamento. Nem sei se te diga. Se calhar é melhor dizer. Queria-te pedir uma coisa para mim. Não queria que me achasses mesquinha e pouco altruísta. Pronto. Lá vai. Também é bom para o país, para Portugal. Era a câmara. A Câmara de Lisboa. Será que podes dar um jeito? Eu sei que é um milagre dos mais trabalhosos. Mas sabes, o Medina é ateu, e a Leal tem falta de classe e não é como eu. É mais devota do Benfica do que devota dos teus santos ofícios e virtudes, minha Nossa Senhora.

Vá lá. Eu sei que vou poder contar contigo. Até podes interceder junto do Santo António, que conhece bem Lisboa, para ele colaborar também. E se eu conseguir, nesse dia vou chorar de emoção e ficar-te-ei grata até ao fim da vida.

E como prova da minha gratidão, desde já te juro e prometo que todos os anos irei em peregrinação a Fátima trepar no terço da Joana Vasconcelos, vestida com o fato de alpinista, e rezar dez terços inteirinhos.

Tua devota e sincera seguidora,

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O “DA JOANA”!

(Por Joaquim Vassalo Abreu, 03/05/2017)

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“O da Joana”, “A da Joana”, “A Casa da Mãe Joana” e coisas do género são palavras e frases com sentidos vários, neste caso os primeiros querendo significar um lugar onde todos mandam e fazem o que querem, onde cada um faz o que lhe apetece ou onde todos se podem servir à vontade e o terceiro um pouco mais complicado e por cujo significado não desejo ir. Só posso dizer que, neste caso, é a Joana quem manda!

Tive que fazer esta introdução, não por que não ache os meus leitores suficientemente inteligentes para isso perceberem, mas para colocar, desde já, de lado todos os significados ínvios que me possam querer atribuir.

“O da Joana” é mesmo o terço gigante, como tudo o que ela faz que, qual escultura do José Rodrigues, que aquilo certamente não faria, encherá os olhos dos devotos peregrinos que a Fátima irão nos próximos dias doze e treze e que certamente os assombrará não só pela sua magnitude como pelo seu significado.

Tudo bem, tudo em grande, todos satisfeitos, todos admirados, mas…não passa, apesar da sua grandeza, de um terço! E, como se chama de “Suspensão”, como rezá-lo, se ele está suspenso? Pois aqui é que bate o ponto. Se fosse um “rosário”, aí até estava de acordo pois era uma obra completa. Mas, assim, ficando-se por “um terço”, cheira, apesar da sua grandeza, a coisa inacabada.

Outra desilusão: é feito de “contas brancas”! Contas brancas, Joana? Eu a pensar que ia surgir da sua cabeça de imaginação sem fim não um feito de tachos, que estes fazem um sapato, nem de corações de Viana, que fazem um coração gigante, e aqui faz todo o sentido, nem daquelas coisas que as mulheres enfiam na coisa quando lhes aparece a mensalidade, como fez para um balaústre ou alabustre, já nem sei, como dizia Camilo Pessanha, que eu ouvi outro dia o Manuel João Vieira a  declamar em Coura, um candelabro, pronto, assim uma coisa nova…agora, “contas brancas”? Nem ao menos às cores, Joana?

 Eu, se me pedisse opinião, e não seria difícil fazê-lo, eu tê-la-ia aconselhado, para evitar as críticas que aí inevitavelmente virão, logo à partida de racismo por serem apenas brancas, embora para regozijo dos daltónicos que assim não confundem a cor, depois por estarem ali imóveis e, mesmo iluminadas, não passarem de brancas, estivessem elas ao menos lapidadas para logo refulgirem em cores, eu tê-la-ia aconselhado, como vinha dizendo, a fazê-lo com sininhos!

Sininhos, sim! Repare só, ó Joana: Eu sei que ele é da Joana mas, não pretendendo assomar-me a seu consultor artístico, que disso nada percebo mas tenho a mania de ter umas ideias, mesmo que soem assim a estapafúrdias,venho alerta-la para um efeito que a Joana não previu e que é o vento! Admirada?

Eu sei que já está a pensar e certamente arrependida de não me ter ouvido. Um terço de sininhos, ali pendurados, ao vento, ao sabor da música do vento, oferecendo melodias sem fim…eu nem quero sequer pensar…E se, ainda por cima, fossem calibrados, pertencendo a cada um uma nota, um sustenido ou um bemol, programados assim para, consoante o vento, tocarem não só o Avé Maria, mas também o Hino da Alegria e, porque não também, o Hino Nacional também?

Um logro Joana, um logro! Onde a sua imaginação? Um terço apenas? Nem um “rosário” consegue fazer? Era “mais grande”? Mas não é, para si, quanto “mais grande” melhor?

Soube que aquele “Terço” se chama de “suspensão”! Que está suspenso é um facto facilmente constatável. mas mais importante que essa constatação, é a explicação. E então, enquanto lia a sua filosófica explicação, eu fui-me lembrando da Zita e pensei: mais uma convertida?

Pudera Joana, pudera! É que Fátima, não sendo propriamente a “Casa da Joana”, é uma fábrica a céu aberto, embora com a contabilidade bem fechada. E você, mesmo sendo Joana, conseguiu lá chegar!

Bravo Joana! Um “terço” já está feito. E o “rosário” quase…


Fonte aqui

O 25 de Abril, 43 anos depois: D. Marcelo, o palavroso, e alguns tiranetes mais!

(Padre Mário de Oliveira, in A Viagem dos Argonautas, 30/04/2017)

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Marcelo, o palavroso, está a tornar-se insuportável. E o país, anestesiado com Fátima, com o Futebol dos milhões e seus demenciais comentadores nos canais ditos de notícias ao minuto, mais os repetitivos discursos do chefe do governo e respectivos ministros, dos chefes dos partidos políticos de direita e de esquerda, dos chefes dos grupos parlamentares, dos chefes das centrais sindicais e da Frente dos Sindicatos da Função Pública, todos bem falantes e vestidos a rigor, já nem dá por nada. E porque ele é um presidente que não dorme, ou dorme apenas três horas por noite, já nem sequer deixa dormir as cidadãs, os cidadãos do País. A verdade é que continuamos a ser, 43 anos depois de Abril, um povo desgraçadamente sem voz e sem vez e, para cúmulo, ainda baleado-massacrado por overdoses de discursos dos agentes de turno dos poderes e de notícias, sempre as mesmas.

A tão apregoada liberdade dada de bandeja pelo 25 de Abril 1974 é, afinal e exclusivamente, a liberdade do grande Capital que, desde então, está ao comando de tudo o que é notícia no país e na UE. É ele que tudo permite, promove e financia, como é também ele o único que sai a ganhar com este tipo de mundo e de eventos-comemorações. Os seus súbditos portugueses, em vez de fazerem acontecer o Abril sonhado e cantado mas nunca realizado, insistem, cada ano, em sair às ruas, a mostrar quão gratos estão pelo feriado que ele lhes dá, e ao qual se junta, este ano, o dos cem anos das “aparições” de Fátima, a tolerância de ponto no próximo dia 12 de Maio, para que, desse modo, os funcionários públicos possam ver o papa Francisco, sem dúvida, o maior prestidigitador católico romano criado por ele.

Neste nosso Portugal que constitucionalmente se diz uma República, o grande Capital tem no rei D. Marcelo, o palavroso, o seu porta-voz e o seu rosto. Como ele, é omnipresente, omnipotente, omnisciente. Nada se faz sem ele e tudo o que se faz é graças a ele que se faz. Nunca o grande Capital esteve tão bem servido neste país dominado, desde a fundação, por clérigos e reis católicos, como está agora com o católico presidente da República. Ele e o Capital são um só. E todos os mais, seus reféns. É o que o 25 de Abril 2017 gritantemente revela, ainda que teimemos a não querer ver. À realidade, preferimos a erncenação, o faz-de-conta. Insensatamente. E o que mais tememos é levantar-nos politicamente desarmados do chão e sairmos do túmulo em que nos obrigam a permanecer, como mortos-vvos, do nascer ao morrer.

Não é por acaso que este ano o 25 de Abril foi todo do rei D. Marcelo, o palavroso. Outros, seus inferiores na pirâmide institucional do Poder ao serviço do grande Capital, também usaram da palavra, mas o que fica na mente das populações súbditas, atentas e reverentes, são as palavras dele na AR, as selfies com ele nas ruas e nos jardins do palácio de Belém – não me enganei, é mesmo palácio de Belém, não uma casa comum com gente dentro – e na demorada e palavrosa cerimónia da entrega das condecorações e dos elogios fúnebres a quem, a título póstumo, ou presencialmente, ainda se presta a este macabro e sinistro tipo de iniciativas. Escutaram o sublinhado dele, na AR, a uma “mais justa repartição da riqueza”? Pensam que ele quer ver o país, a UE e o mundo a darmos corpo ao princípio fundador da Humanidade, De cada um segundo as suas capacidades, a cada um segundo as suas necessidades? Nada disso. É na Caridadezinha, estúpidos, é na Caridadezinha que ele está a pensar, que essa é a regra primeira do grande Capital!

Acontece que no 25 de Abril de 1974, os bispos portugueses estavam reunidos em Fátima, seu berço e mausoléu de eleição. Não! Não estavam lá de terço na mão – coisa para a arraia miúda, não para eles, suas excelências reverendíssimas – como fazem crer aos seus ainda muitos súbditos, os remediados, a maioria, e os eruditos, uma minoria. Estavam a congeminar como haviam de continuar a lidar com a chamada “primavera marcelista”, com os muitos presos políticos em Caxias e em Peniche, com a Guerra Colonial em África e – coisa ínfima, mas não despicienda – com a minha absolvição, pela segunda vez consecutiva, no Tribunal Plenário do Porto, quando o próprio Bispo do Porto, D. António Ferreira Gomes, também presente, agraciado a título póstumo, este ano por D. Marcelo, o palavroso, com a Grã Cruz da Ordem de Santiago e Espada, já me havia retirado o título e a função de pároco de Macieira da Lixa, só porque eu, como o colectivo de Juízes do Tribunal Plenário do Porto é o primeiro a dar como provado, pela segunda vez consecutiva, que eu sou um pároco exemplar e que havia sido preso político, sem direito a qualquer caução, apenas por pregar o Evangelho de Jesus na paróquia. E o bispo não só já me havia retirado o titulo e a função, como ainda fazia constar entre os párocos da diocese que não sabia mais o que fazer comigo. Vejam só!

E não é que este ano, 43 anos depois, os bispos portugueses voltam a estar reunidos em Fátima, covil de ladrões e privilegiado local de conspiração religiosa católica contra a existência de povos livres, iguais, também em género, e irmãos, um local que eles sabem protegido por terra, mar e ar, dado que é a maior galinha de ovos de ouro da igreja católica e do Turismo religioso em Portugal, a que até o papa Francisco não resiste a vir dar uma mãozinha e levar daqui grande parte do proveito financeiro, com as duas desgraçadas canonizações já anunciadas urbi et orbi.

De modo que é aí, em Fátima, que o Governo português de turno lhes faz chegar a sua bênção laica e republicana, feita notícia em primeiríssima mão, de que a vinda do papa justifica bem tolerância de ponto, sexta feira12 de Maio, o pai e a mãe de todas as canonizações, criancinhas criminosamente manipuladas por clérigos, incluídas. Porque, para o grande Capital e seus agentes religiosos e laicos, vale tudo, até tirar olhos.

Entretanto e porque o mundo não é só Portugal e a senhora de Fátima, Trump e a Coreia do Norte não desarmam. A Rússia, a China e a Índia, tão pouco. Assim como a Alemanha e a França. Atrevam-se a desencadear entre eles um inferno nuclear que logo se tornará global. E é o fim da vida, tal como a conhecemos neste planeta Terra a dançar dia e noite e ano após ano, à volta de si própria e do Sol. E tudo, só porque, depois que ela, em nós, conseguiu chegar à condição de racional, resiste a dar um salto qualitativo em frente, que é passar à condição de relacional cordial, por isso, plena e integralmente humana. De modo que o Terceiro Milénio que já é pós-cristão, tem de ser já, plena e integralmente humano, relacional cordial. Nem que seja apenas aquele pequeno resto que, num inesperado terceiro dia, depois do inferno nuclear global, se levanta, inteiro e limpo. num novo big-bang sem mais lugar para o grande Capital, nem para reis e papas palavrosos. Apenas seres humanos, todos diferentes, todos iguais, maieuticamente religados uns aos outros, politicamente ocupados a cuidar uns dos outros e do Cosmos que lhes serve de casa e de mesa sem muros nem ameias.


Fonte aqui