A Venuzuela e o Guaidó 2.0

(Bruno Amaral de Carvalho, in Facebook, 06-01-2025)

Tão amigo que ele é do fascista Milei da Argentina

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Costumo dizer que Caracas é a mais bonita das cidades feias. Enterrada num vale, sempre que aqui venho fico fascinado com a dimensão das montanhas que separam a capital da Venezuela do mar. O oceano de favelas substitui por vezes o manto verde. Foi este oceano que levou Hugo Chávez ao poder em 1999. Caracas é testemunha de um trânsito histórico que começou em 1992, quando Chávez encabeçou uma revolta militar fracassada. No carnaval desse ano, centenas de crianças apareceram mascaradas com os uniformes dos soldados revoltosos.

Vista de Caracas

Passaram décadas e Caracas continua a ser o lar dos bandos de papagaios coloridos que rasgam os céus, dos idosos que jogam xadrez nas ruas e da eterna rebeldia. Podia ser a calma antes da tormenta mas, janeiro, não é mês de tempestades. Quando o ano começa, os caraquenhos abandonam a capital da Venezuela rumo ao mar. A banhos sobretudo nas praias a norte de Caracas, a cidade que viu nascer Simón Bolívar tem um relativo descanso do habitual caos que caracteriza a capital venezuelana.

Esta podia ser a descrição mais fiel do que acontece em janeiro não fosse o facto de estarmos a quatro dias da tomada de posse do Presidente da República Bolivariana da Venezuela. É já na sexta-feira que Nicolás Maduro será empossado, novamente, como chefe de Estado. No mesmo dia, Edmundo González, que diz ter sido ele o eleito, pretende também aparecer em Caracas para tomar posse. Como? Não se sabe.

Num périplo de curta duração por vários países da América Latina, o candidato da oposição foi recebendo o apoio de vários presidentes e apelou aos militares venezuelanos para derrubarem Nicolás Maduro. Encontrou-se também com Mike Waltz, futuro assessor de Segurança Nacional de Donald Trump. Por outro lado, Maria Corina Machado, veterana opositora, que está em lugar desconhecido, apelou a que o povo saia às ruas na próxima quinta-feira: “Maduro no se va a ir solo, hay que hacerlo salir con la fuerza de un pueblo que no se rinde jamás“.

A haver distúrbios nas ruas, será a enésima tentativa da oposição de provocar uma guerra civil no país. Profundamente dividida, a oposição perde líderes atrás de líderes, desacreditados e sem apoio da população. Foi assim com Guaidó. Insuflado pelos governos ocidentais e pela imprensa, acabou apedrejado pelos seus próprios apoiantes e ostracizado em Miami.

A oposição faz desfilar candidatos atrás de candidatos. Nas outras eleições, para autarquias e estados, aceita os resultados porque consegue eleger. Nas eleições em que não consegue eleger, reclama fraude.

É verdade que há uma parte da população que está descontente com a atual situação económica. A Venezuela é um país assediado por sanções, tentativas de golpes de Estado e terrorismo. A asfixia é absoluta. É uma receita para afundar povos e derrubar governos. Há bem pouco tempo, várias bombas danificaram seriamente uma das principais refinarias de petróleo do país. Apesar de a dolarização da economia ter promovido a entrada de divisas estrangeiras e isso ter potenciado a importação num país absolutamente dependente da indústria petrolífera, também é verdade que isso gerou mais desigualdades, que o governo tem tentado travar com sucessivos aumentos salariais e suplementos.

Mas independentemente do que possamos achar da Venezuela, de Nicolás Maduro ou das suas opções políticas e económicas, o único motivo que leva a que o país seja alvo do assédio ocidental é o facto de ter as maiores reservas de petróleo e o facto de se opor aos Estados Unidos. As ruas falarão nos próximos dias e cabe-nos ouvir o que nos têm para dizer.


Cada um tem o guizo que merece

(Por oxisdaquestão in Blog oxisdaquestao, 30/11/2024, revisão da Estátua)


Costa, de guizo na mão, é o verdadeiro Presidente, o que faltava para encabrestar a Europa!


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Costa já mexe no guizo do Conselho Europeu! Agora podemos acreditar que a Europa vai ser outra, com o guizo em boas mãos.

Não foi por acaso que Costa foi enxotado de Primeiro-ministro e nem piou: ele, para singrar, aceitou as ordens da NATO que se destinavam a que o Portugal dos pequenitos tivesse um novo chefe do governo mais elástico e permeável, pronto a oferecer os 2% para a guerra dos nazis na Ucrânia – depois da remessa da roupa velha, das fardas e dos tanques de guerra que não foram surripiados de Tancos -, e a não deixar que o lítio e Sines caiam sob influência de capitais chineses.

Mas, a Montenegro, ninguém apresentou um guizo, nem dois guizos, mas um Ventura e um Rocha a arrastá-lo para a direita. E agora, para além do Marques Mendes, a cópia de Tomaz, o Américo de Deus do salazarismo.

Então, a Costa, oferecido o lugar a troco do pontapé no cú, prometeram-lhe um guizo só para ele, depois de ter andado nas mãos do cara-de-nabo.

De guizo em guizo vai a Europa arrastando-se na sua decadência que Costa vai animar, dando ao badalo, chocalhando para se saber onde anda o Presidente que vê a nazi a mandar e se senta à cabeceira dos banquetes.

Costa tinha já passado no teste à nazifIlia que mede a nazimania e outras inclinações otanianas numa escala especial que, por acaso, tem a ver com a sabujice e a falta de verticalidade. Só podia.


Parece que o Castelo Branco também tem um guizo…

Isto já não é de uma época em que o Portugal dos pequenitos vivia alegre com a Lili Caneças por perto, e Santana Lopes como sex simbol da política partidária. Agora, sabemos que o tipo lhe cascava, e que Marques Mendes não chega aos calcanhares do Gouveia de Deus-Tomaz, o lindinho da direita que Melo, o Nuno, anda a ver se enreda e atrela ao CDS antes que o possível direitista se amanhe sozinho ou com o gangue do Chega.

O país, então, é o que nos contam, nos mostram e sai da boca dos comentamerdosos, omnipresentes nos canais do lixo informativo, onde a propaganda se disfarça e vai ladrando.


E o Santos Silva também quer um guizo…

Nesta altura do campeonato eis a lista dos que não se põem de fora: o Augustinho SS, ele mesmo; Marques Mendes; Paulo Portas; Durão Barroso; António Seguro; António Vitorino; Gouveia de Deus-Tomaz; Santana Lopes; Passos Coelho; Francisco Assis; Sérgio Sousa Pinto; Pedro Pinto; Ferreira Carcelas; Guilhermino Feijocas; Amândio Baixinho; Broncas da Silva…

Não vai faltar quem escolher! Olho neles.

Fonte aqui

Gouveia e Melo: a epopeia de um narciso

(Por Brás Cubas, in Página Um, 28/11/2024)

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Dir-se-ia que, não fosse a Marinha Portuguesa, liderada pelo intrépido Gouveia e Melo, e Portugal estaria na iminência de ser invadido pela Frota do Norte, ali em Severomorsk. Só não desembarcaram no Mindelo, os russos, porque houve “uma resposta”, afiançou Gouveia e Melo aos jornalistas: “segui-los, controlá-los, mantê-los sob pressão constante, com a nossa presença também constante”. Estou a imaginar se ousassem, os russos: teriam o triste fim de Alcibíades na expedição siciliana no século quinto antes de Cristo. Eis-vos assim com “a soberania nacional defendida”. Que frase”! Bem digna de se inscrever no mármore do Torre de Belém, ao lado do “Aqui nasceu Portugal”.

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