O fim da civilização ocidental (1)

(Michael Hudson, in Resistir, 19/07/2022)

O maior desafio que confronta as sociedades sempre foi efetuar comércio e crédito sem deixar que mercadores e credores ganhassem dinheiro explorando seus clientes e devedores. Toda a antiguidade reconhecia que o impulso para ganhar dinheiro é viciante e na verdade tende a ser explorador e portanto socialmente nefasto.


Continuar a ler em: O fim da civilização ocidental (1)


Gosta da Estátua de Sal? Click aqui.

Como deve ser designado o G7?

(João Ramos de Almeida, in Blog Ladrões de Bicicletas, 29/06/2022)

Os jornalistas não pensam muito quando têm que designar o Grupo dos Sete Países (G7), cujos governos se reúnem periodicamente para decidir o destino do resto do mundo. A sua preocupação é encontrar uma designação tecnicamente neutra que diga o essencial em poucas letras. Ora, o G7 não tem nada mesmo de neutro.

No início e talvez desde a sua criação informal em 1973 – no auge da crise gerada pelos países exportadores de petróleo – começou por designar-se o G7 como os sete países “mais desenvolvidos” do mundo. Eram os países mais ricos do FMI e o G7 assemelhava-se à típica reacção dos poderosos, apertados de repente pela rebelião dos países menos ricos (ex-colonizados), visando repor algum equilíbrio na distribuição da riqueza mundial.

Aquela designação escolhida implicava, contudo, alguma discussão. O que era isso de “desenvolvimento”? Como era possível designá-los “países desenvolvidos” havendo neles tanta desigualdade social? Não havia conflitos entre conceitos “desenvolvimento”/(neo)colonialismo ou “desenvolvimento”/”crescimento”? Por isso, foi se preferindo – nas redacções – uma fórmula mais pacífica: pronto, eram os sete países “mais industralizados” do mundo. Até porque a indústria parecia ainda ser sinónimo marcante do poder económico e aqueles países eram muito industralizados. E assim foi ficando.

Só que a formulação foi ficando, mesmo quando o mundo ia mudando, mudando, mudando.

Os países mais industralizados começaram a “desindustrializar”. Transferiram parte da sua produção para zonas do planeta com custos mais baixos. Reinventando o conceito e as virtudes da globalização, forçaram o desarme das barreiras alfandegárias a nível mundial, nomeadamente dos países mais “desenvolvidos”. Assim, poderiam vender os seus “novos” produtos nos melhores e piores mercados, sem pagar as taxas de entrada protectoras de cada mercado nacional e, assim, conseguindo margens de lucro bastante substantivas, transferindo pelo caminho parte substancial delas para os paraísos fiscais. Só que isso acarretou uma transformação na distribuição da produção a nível mundial. E – claro! – nas estatísticas.

Presentemente, apesar da designação continuar a ser a mesma, os sete países “mais industralizados” do mundo… deixaram de o ser. Veja-se o gráfico abaixo que mostra, para 2019, o peso percentual na produção mundial dos 10 países mais industrializados:

A China deixou de ser apenas um país receptáculo do investimento deslocalizado do Ocidente. A Índia foi crescendo. O mesmo aconteceu a outros países. Se a designação fosse os sete países “cujas sedes das empresas têm maiores lucros industriais” talvez se aproximasse mais da realidade. E mesmo assim resta saber.

Apesar disso e até por causa disso, o G7 manteve-se fechado a esses novos poderes. A Rússia foi recebida em 1998, mas num outro formato (G8) e, em 2014, acabou mesmo por ser expulsa. A China nunca foi aceite como membro, supostamente porque a sua elevada produção, quando dividida pelo número de habitantes, não a tornava num país “desenvolvido”… E a criação do G20 mal resolve o problema de fundo, antes tornando mais clara a distinção matricial do problema destes fóruns internacionais. O episódio da pandemia tornou evidente essa divisão.

Agora, se procurarmos, encontrar-se-á definições de G7 como o grupo de países mais ricos, mas que partilham os valores da democracia liberal, da democracia representativa e do pluralismo. Parece uma formulação que, ao criar uma falsa dicotomia (entre os bons e os maus), quer galvanizar as respectivas populações, igualmente exploradas e segregadas, para juntos defenderem a minguante parcela da riqueza mundial dos seus ricos senhores. Ao menos, “somos democratas”.

Mas a descrição aproxima-se mais dos “estatutos” de um velho clube de senhores que nunca assumiram a origem polémica da sua primitiva acumulação do seu capital e que, com um misto de desdém e receio, olham pela janela o mundo em mudança. De queixo sobranceiro, o clube sente-se como a derradeira barricada de um poder alicerçado no armário das caçadeiras. De ora em quando, carregam-nas e preparam-se para “receber” os novos membros – esses “feitos à pressa” – que forçam as portas da velha instituição. As portas abanam e parecem já não suster um letreiro onde está escrito “Reservado o direito de admissão”, e que mal esconde um outro, pendurado há apenas décadas, que mencionava algures “gente de cor”.

Talvez seja, pois, altura de os jornalistas mudarem a forma como designam o G7. Talvez os Sete Países que querem continuar a mandar no mundo?

Fonte aqui


Gosta da Estátua de Sal? Click aqui.

A guerra na Ucrânia marca o fim do século americano

(Mike Whitney, in UNZ, 07/06/2022, Trad. Estátua de Sal)

“A ferocidade do confronto na Ucrânia mostra que estamos a falar de muito mais do que do destino do regime de Kiev. A arquitetura de toda a ordem mundial está em jogo. (Sergei Naryshkin, Diretor de Inteligência Estrangeira).

Eis o pensamento do dia sobre a “moeda de reserva”: cada dólar americano é um cheque passado sobre uma conta com um saldo negativo de 30 triliões de dólares.

É isso mesmo. A “plena fé e crédito” no Tesouro dos EUA é, em grande parte, um mito mantido por um quadro institucional que repousa sobre fundações de areia. Na verdade, o dólar não vale o papel em que é impresso; é um IOU (isto é uma promessa de pagamento, “I Owe You”) a lutar num mar de tinta vermelha. A única coisa que impede o dólar de desaparecer no éter é a confiança das pessoas ingénuas que continuam a aceitá-lo como moeda legal.

Mas porque é que as pessoas mantêm a fé no dólar quando as suas falhas são do conhecimento geral? Afinal, os 30 triliões de dólares da dívida nacional americana não é segredo, nem os 9 triliões de dólares adicionais acumulados no balanço do FED. É uma dívida furtiva que o povo americano desconhece completamente, mas pela qual é, no entanto, responsável.

Para responder a esta pergunta, precisamos de ver como o sistema capitalista funciona realmente e como o dólar é apoiado pelas muitas instituições que foram criadas após a Segunda Guerra Mundial. Estas instituições gerem o ambiente necessário para a fraude mais longa e mais flagrante da história – a troca de bens manufaturados valiosos, matérias-primas e trabalho árduo por pedaços de papel verde impressos com presidentes mortos. Só podemos maravilhar-nos com a genialidade das elites que inventaram este esquema e depois o impuseram às massas sem um grito de protesto. Naturalmente, o sistema é acompanhado por vários mecanismos de aplicação que eliminam rapidamente qualquer pessoa que tente libertar-se do dólar ou criar outro sistema. (Lembro-me logo de Saddam Hussein e de Muammar Gaddafi). Mas o facto é que – para além do quadro institucional e do extermínio implacável dos opositores ao dólar – não há razão para a humanidade permanecer apegada a uma moeda que está enterrada sob uma montanha de dívida e cujo valor real é praticamente desconhecido.

Mas nem sempre foi assim. Houve uma época em que o dólar era a moeda mais forte do mundo e merecia o seu lugar no topo. Após a Primeira Guerra Mundial, os Estados Unidos eram “o dono da maior parte do ouro do mundo”. É por isso que uma delegação internacional “decidiu que as moedas do mundo já não estariam ligadas ao ouro, mas poderiam estar ligadas ao dólar americano”, porque o dólar americano estava, ele próprio, ligado ao ouro. Sobre o tema, eis um artigo da Investopedia:

“O acordo ficou conhecido como o Acordo de Bretton Woods. Estabeleceu a autoridade dos bancos centrais para manter taxas de câmbio fixas entre as suas moedas e o dólar. Em troca, os Estados Unidos comprariam de volta os dólares americanos, pagando em ouro.

O dólar americano foi oficialmente adotado como a moeda de reserva mundial e foi apoiado pelas maiores reservas mundiais de ouro devido ao Acordo de Bretton Woods. Em vez de reservas de ouro, os outros países passaram a acumular reservas em dólares americanos. Precisando de um local para guardar os seus dólares, os países começaram a comprar títulos do Tesouro americano, que viam como uma reserva de dinheiro segura.

A procura de títulos do Tesouro, juntamente com os gastos deficitários necessários para financiar a Guerra do Vietname e os programas internos da Grande Sociedade, levaram os EUA a inundar o mercado com papel-moeda…

Tal foi a procura de ouro que o Presidente Richard Nixon foi forçado a intervir e desvincular o dólar do ouro, criando-se o sistema de às taxas de câmbio flutuantes que existe hoje. E embora tenha havido períodos de estagflação, definidos como inflação elevada e desemprego elevado, o dólar americano tem permanecido a moeda de reserva mundial.” (Ver aqui o artigo original da Investopedia).

Mas hoje, o ouro desapareceu e o que resta é uma pilha fumegante de dívidas. Então, como é que o dólar conseguiu manter o seu estatuto de moeda proeminente do mundo?

Os apoiantes do sistema do dólar dirão que tal tem algo a ver com “o tamanho e a força da economia dos EUA e o domínio dos mercados financeiros”. Mas isto é um disparate.

A verdade é que o estatuto de moeda de reserva não tem nada a ver com o “tamanho e força” da economia americana pós-industrial, orientada para os serviços, impulsionada por bolhas, com traços merdosos de economia do terceiro mundo. Também não tem nada a ver com a suposta segurança dos títulos do Tesouro dos EUA que – ao lado do dólar – são o maior esquema de Ponzi de todos os tempos.

A verdadeira razão pela qual o dólar continuou a ser a principal moeda mundial é a cartelização dos bancos centrais. Os bancos centrais ocidentais são um monopólio, de facto, dirigido por uma pequena cabala de corredores de fundo que coordenam e conluiam a política monetária a fim de preservar o seu domínio maníaco sobre os mercados financeiros e a economia mundial. É uma Máfia Monetária e, como George Carlin disse: “Tu e eu não fazemos parte dela. Tu e eu não estamos no clube grande. Em resumo: É a manipulação implacável das taxas de juro, previsões e flexibilização quantitativa (QE) que tem mantido o dólar no seu alto mas imerecido pedestal.

Mas tudo isso está prestes a mudar, inteiramente devido à política externa imprudente de Biden, que está a forçar os principais atores da economia global a criarem o seu próprio sistema rival. Esta é uma verdadeira tragédia para o Ocidente, que beneficiou de um século de extração ininterrupta de riqueza do mundo em desenvolvimento. Agora, devido às sanções económicas impostas à Rússia, está a surgir uma ordem inteiramente nova em que o dólar será substituído por moedas nacionais (tratadas por um sistema de liquidação financeira independente) em acordos comerciais bilaterais, até ao final deste ano, quando a Rússia lançar uma moeda apoiada por mercadorias para utilização pelos seus parceiros comerciais na Ásia e África. O roubo em Abril das reservas da Rússia no estrangeiro deu início ao atual processo, que foi ainda mais acelerado pelo banimento da Rússia nos mercados internacionais. Em suma, as sanções e boicotes económicos dos EUA expandiram a zona não-dólar em várias ordens de magnitude e forçaram a criação de uma nova ordem monetária.

Quão estúpido não é tudo isto? Durante décadas, os Estados Unidos têm gerido um esquema em que trocam a sua moeda de embrulhar peixe por coisas de valor real (petróleo, bens manufaturados e mão-de-obra). Mas agora a trupe de Biden abandonou completamente este sistema e dividiu o mundo em diferentes campos.

Mas porquê? Para castigar a Rússia, certo? Sim, é isso mesmo.

Mas se for esse o caso, não deveríamos tentar descobrir se as sanções realmente funcionam, antes de mudarmos imprudentemente o sistema?

É demasiado tarde para isso. A guerra contra a Rússia já começou e os primeiros resultados já estão a ser sentidos. Basta olhar para a forma como destruímos a moeda russa, o rublo. É chocante! De acordo com um artigo da CBS:

O rublo russo é a moeda com melhor desempenho do mundo este ano“…

Dois meses após o valor do rublo ter caído para menos de um cêntimo de dólar, devido às sanções económicas mais rápidas e mais severas da história moderna, a moeda russa registou uma recuperação espantosa. O rublo saltou 40% em relação ao dólar desde Janeiro.

Normalmente, um país que enfrenta sanções internacionais e um grande conflito militar vê os investidores a fugir e o capital sair constantemente, provocando a queda da sua moeda…

A resiliência do rublo significa que a Rússia está parcialmente protegida das sanções económicas punitivas impostas pelas nações ocidentais após a sua invasão da Ucrânia… ” (Ver o artigo da CBS NEWS aqui).

O quê? Quer dizer que o ataque ao rublo afinal não resultou de todo?

Parece que não. Mas isso não significa que as sanções sejam um fracasso. Oh, não. Basta olhar para o efeito que tiveram sobre os produtos russos. As receitas de exportação estão a cair, certo? Aqui está mais informação da CBS:

Os preços das mercadorias estão muito elevados neste momento, e embora os volumes de exportação russos tenham caído devido a embargos e sanções, o aumento dos preços das mercadorias está mais do que a compensar estes declínios”, disse Tatiana Orlova, economista sénior de mercados emergentes da Oxford Economics.

A Rússia ganha quase 20 mil milhões de dólares por mês com as suas exportações de energia. Desde o final de Março, muitos compradores estrangeiros têm cumprido a exigência de pagar a energia em rublos, aumentando o valor dessa moeda” (Ver o artigo da CBS NEWS aqui).

Está a brincar comigo? Quer dizer que o rublo está a subir e Putin está a ganhar mais dinheiro do que nunca em matérias-primas?

Sim, e o mesmo se aplica ao excedente comercial da Rússia. Veja este extrato de um artigo no The Economist:

“As exportações da Rússia… aguentaram-se surpreendentemente bem, incluindo as exportações para o Ocidente. As sanções não estão a impedir que as vendas de petróleo e gás para a maior parte do mundo continuem ininterruptamente. E a subida dos preços da energia aumentou ainda mais as receitas.

Como resultado, os analistas esperam que o excedente comercial da Rússia atinja níveis recorde nos próximos meses. O Instituto de Finanças Internacionais estima que até 2022 o excedente da balança corrente, que inclui comércio e alguns fluxos financeiros, poderá atingir 250 mil milhões de dólares (15% do PIB do ano passado), mais do dobro dos 120 mil milhões de dólares registados em 2021. Vistesen diz ser dececionante que as sanções tenham aumentado o excedente comercial da Rússia, e assim ajudado a financiar a guerra. A Ribakova acredita que a eficácia das sanções financeiras pode ter atingido os seus limites. A decisão de reforçar ainda mais as sanções comerciais deve surgir em breve.

Mas estas medidas podem levar tempo a entrar em vigor. Mesmo que a UE implemente a sua proposta de proibição do petróleo russo, o embargo será implementado tão lentamente que as importações de petróleo da UE da Rússia cairão apenas 19% este ano, de acordo com Liam Peach da consultoria Capital Economics. O impacto total das sanções só será sentido no início de 2023, altura em que o Sr. Putin terá acumulado milhares de milhões de dólares em receitas para financiar a sua guerra.” (Ver artigo do The Economist aqui).

Deixe-me ver se percebi bem: as sanções prejudicam realmente os EUA e ajudam a Rússia, por isso os peritos pensam que devemos impor mais sanções? É isso?

Exatamente. Agora que alvejámos um dos pés, os peritos pensam que seria sensato alvejar também o outro.

Serei eu o único a ser atingido pela loucura desta política? Veja este excerto de um artigo de RT:

A Rússia pode ganhar um rendimento recorde de 100 mil milhões de dólares em vendas de gás a países europeus em 2022 devido ao aumento dos preços da energia, informou esta semana o jornal francês Les Echos, citando analistas do Citibank.

De acordo com o jornal, as receitas projetadas das vendas de gás serão quase duas vezes mais elevadas do que no ano passado. A análise não tem em conta os lucros da venda de outras mercadorias, tais como petróleo, carvão e outros minerais.

Les Echos relata que, apesar das sanções e advertências de um embargo abrangente à energia russa, os 27 países da UE continuam a enviar cerca de US$ 200 milhões por dia para a Gazprom”. (Artigo da RT aqui. Mas não deve ver devido à censura à RT).

Assim, as receitas das vendas de gás e petróleo estão literalmente inundando os cofres de Moscovo como nunca antes houvera sucedido. Enquanto isso, os preços da energia na UE e nos Estados Unidos dispararam para os máximos de 40 anos.

Você pode ver como esta política é contraproducente?

A UE está a afundar-se numa recessão, as linhas de abastecimento foram gravemente perturbadas, a escassez de alimentos está a aparecer regularmente, e os preços do gás e do petróleo dispararam. Qualquer que seja o prisma de análise as sanções não só falharam, como também tiveram um efeito contrário espetacular. Será que a gente de Biden não vê os danos que está a causar? Estarão completamente fora do contacto com a realidade?

Imagine os ucranianos usando a nova bateria de artilharia de Biden (HIMARS) para bombardear cidades na Rússia? E depois o quê?

Depois Putin tira as luvas e corta imediatamente o fluxo de hidrocarbonetos para a Europa. Isto é o que acontecerá se Washington continuar a escalar. Podemos ter a certeza disso. Se a “operação militar especial” da Rússia se transformar subitamente numa guerra, as luzes por toda a Europa apagar-se-ão, as casas começarão a congelar, as fábricas ficarão em silêncio, e o continente deslizará de cabeça para uma depressão prolongada e dolorosa.

Alguém em Washington está a pensar nestas coisas, ou estão todos tão bêbados com os seus próprios recortes de notícias que perderam completamente o contacto com a realidade?

Aqui está mais de um artigo de RT:

“Enquanto o Ocidente coletivo continua a insistir – contra toda a realidade observável – que o conflito na Ucrânia está a correr bem para Kiev, os principais meios de comunicação social sentem-se cada vez mais desconfortáveis com a situação na frente económica. Cada vez mais observadores estão a admitir que os embargos impostos pelos EUA e seus aliados não estão a esmagar a economia russa, como inicialmente previsto, mas sim a sua própria economia.

A Rússia está a ganhar a guerra económica”, disse Larry Elliott, editor de economia do Guardian, na quinta-feira. “Já passaram três meses desde que o Ocidente lançou a sua guerra económica contra a Rússia, e não está a decorrer como planeado. Pelo contrário, as coisas estão mesmo a correr muito mal”, escreveu ele…

Num ensaio publicado a 30 de Maio, o colunista do Guardian Simon Jenkins também disse que o embargo tinha falhado…

Como Jenkins salienta, as sanções aumentaram efetivamente o preço das exportações russas como o petróleo e os cereais – tornando Moscovo mais rico e não mais pobre, deixando os europeus com falta de gás e os africanos com falta de alimentos.(Artigo da RT aqui que não se deve ver devido à censura)

Compreendeu a parte em que se diz que “a Rússia está a ganhar a guerra económica”? O que pensa que isto significa em termos práticos?

Significa que a tentativa mal sucedida de Washington de manter a sua hegemonia global, “enfraquecendo” a Rússia, está de facto a exercer uma enorme pressão sobre a Aliança Transatlântica e a NATO, o que desencadeará uma recalibração das relações que levará a uma rejeição desafiante do “sistema baseado em regras”.

É isto que significa? Irá a Europa separar-se de Washington e deixar a América afundar-se sob o seu oceano de 30 triliões de dólares de tinta vermelha?

Sim, é exatamente o que isso significa.

Os proponentes da guerra por procuração de Washington não têm ideia da magnitude do seu erro ou dos danos que estão a infligir ao seu próprio país. O desastre ucraniano é o culminar de 30 anos de intervenções sangrentas que nos trouxeram a um ponto de viragem em que o destino da nação está prestes a piorar. À medida que a zona do dólar encolher, o nível de vida diminuirá, o desemprego aumentará e a economia cairá em espiral.

Washington subestimou grosseiramente a sua vulnerabilidade a um retrocesso geopolítico catastrófico que está prestes a levar o novo século americano para um fim rápido e agonizante.

Um líder sábio faria tudo o que estivesse ao seu alcance para nos livrar desta confusão.


Gosta da Estátua de Sal? Click aqui.