Georgescu proibido de participar na reeleição presidencial romena

(Kenneth Schmidt, in ArktosJournal, 10/03/2025, Trad. Estátua)

Călin Georgescu 

Kenneth Schmidt argumenta que a democracia da Romênia morreu em 9 de março, quando a Comissão Eleitoral impediu o nacionalista Călin Georgescu de concorrer novamente à presidência, arriscando uma guerra civil e pondo a nu o autoritarismo da Europa.


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Pode dizer-se que o governo representativo na Roménia morreu em 9 de março, quando a Comissão Eleitoral daquele país proibiu o nacionalista Călin Georgescu de participar da repetição da eleição presidencial. O Sr. Georgescu venceu a primeira realização da disputa presidencial realizada em 24 de novembro de 2024, com bastante facilidade. Em 6 de dezembro, o Tribunal Constitucional Romeno, citando informações vagas de agências de inteligência, anulou a eleição e marcou uma repetição para 4 de maio de 2025. Georgescu foi posteriormente detido pela polícia, informado de que acusações criminais estavam sendo apresentadas contra ele e, em seguida, libertado.

Escrevendo no X, Georgescu disse que a ação da comissão eleitoral “foi um golpe direto no coração da democracia mundial! A Europa agora é uma ditadura, a Romênia está sob tirania!“. Acho difícil discordar dele. Sempre pensei que a Alemanha se tornaria a primeira ditadura aberta neoliberal, por causa do zelo que o establishment naquele país tem em suprimir a liberdade de expressão e a intenção, aparentemente firme, das autoridades de tornar ilegal a Alternativa para a Alemanha (AfD), o segundo maior partido do país. No entanto, a Romênia antecipou-se.

O establishment político romeno está correndo um risco terrível e a sua atitude ameaça a estabilidade do país. Se Georgescu fosse uma figura obscura, representando um pequeno partido político com números de pesquisas de um dígito, a história seria relegada para o fundo dos grandes jornais da Europa e todo o caso poderia ser minimizado e encoberto. Mas ele venceu as eleições, por uma grande margem, antes delas serem anuladas. Uma sondagem recente colocou-o 18 pontos acima do seu concorrente mais próximo. O governo, ao negar a uma figura tão popular o seu direito de concorrer, está a provocar o caos e a desordem, talvez até mesmo uma guerra civil. Manifestantes houve que se reuniram do lado de fora da sede da Comissão Eleitoral. As pessoas atiraram pedras do pavimento à polícia de choque e atearam alguns pequenos incêndios.

Se uma desordem generalizada realmente estourar, é importante notar que a pequena Romênia tem nada menos que cinco agências de espionagem e tem a reputação de ter mais agentes de inteligência do que até mesmo muitos dos maiores países europeus. Estou curioso em saber como o governo dos EUA vai reagir a esses eventos. Tanto o vice-presidente Vance, quanto Elon Musk, falaram negativamente sobre a anulação do primeiro turno como um exemplo de práticas europeias antidemocráticas. O presidente Trump ganharia o amor eterno de um enorme setor da população romena se condenasse a ação ou, melhor ainda, ameaçasse com sanções.

Acho que a maior questão agora não é se haverá violência, mas a natureza e a extensão da desordem. Não tenho dúvidas de que Bruxelas, a NATO e algumas agências de inteligência da Europa Ocidental estiveram por detrás das ações do governo. Será interessante ver como os governos em Paris, Londres e Berlim reagirão a esses eventos. Eles ficarão do lado aberto do governo romeno ou simplesmente minimizarão a situação?

Fonte aqui.


Salazar nasceu há 132 anos e Mussolini morreu há 76. Há dias assim…

(Carlos Esperança, 28/04/2021)

O céu está agora cinzento, o tempo incerto, alternado o sol e a chuva, numa primavera sob o medo da pandemia, ainda com receio doa recidiva do vírus que nos afastou dos amigos e da família.

A comunicação social, tão dada a evocar mortes, parece ter esquecido o nascimento do abutre de Santa Comba Dão, daquele pérfido seminarista que, segundo a Irmã Lúcia foi enviado pela Providência Divina, o organismo da Segurança Social Celeste que escolhe políticos sem recurso ao incómodo sufrágio popular.

Faz hoje 132 anos que nasceu o sinistro ditador que acreditava na bondade de Cerejeira e na eficácia de uns pontapés dados a tempo como profilaxia dessas ideias nefastas, que a Inglaterra exportava, de um exótico regime conhecido por democracia.

Não há notícia de missas de sufrágio, novenas de ação de graças ou orações por alma do ditador. Vergonha ou amnésia, os próprios herdeiros espirituais renunciaram à herança e envergonham-se de dar testemunho público da saudade pelo torcionário que tinha sobre a mesa de trabalho a fotografia de Mussolini.

E vejam lá, leitores, a ironia do calendário! Benito Mussolini, que assinou os acordos de Latrão, que também foi enviado pela Providência divina, segundo o Papa de turno com quem se obrigou a tornar obrigatório o ensino da religião católica nas escolas públicas italianas e a quem entregou um avantajado óbolo do tesouro italiano, Benito Mussolini – dizia –, foi executado no dia de hoje, há 76 anos, no Lago Como, quando tentava a fuga para a Suíça. Os guerrilheiros italianos travaram-lhe o passo.

A tarde continua cinzenta e incerto o tempo neste dia de pesadas efemérides, um nascimento e um óbito, de dois crápulas que jamais deviam ter nascido.


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Quem salva as democracias?

(Carlos Esperança, 05/06/2020)

Como se as catástrofes naturais, a explosão demográfica e as agressões ambientais não bastassem para enegrecer o futuro e infernizar o presente, chegaram à chefia dos países mais poderosos do mundo uma série de dirigentes perigosos, nacionalistas, autoritários e belicistas.A China e Rússia, onde a democracia liberal é desconhecida, têm líderes autoritários.

Os EUA, Brasil, Índia e Filipinas, em eleições formalmente livres, não lograram melhores líderes. As teocracias do Médio Oriente são o que se sabe. Benjamin Netanyahu, Israel, é um perigo global e Mohammad bin Salman, Arábia Saudita, assassino de longo curso.

Quando julgávamos que a impreparação, a truculência e a inanidade seriam punidas nas urnas, eis que surgem, legitimados pelo voto, o mitómano agressivo e belicista Trump, o delinquente imbecil e demente Bolsonaro, o grotesco assassino Duterte e o nacionalista belicoso Narendra Modi.Da Hungria à Turquia, da Polónia à Sérvia, da Chéquia à Albânia, na Europa Central e do Leste, sob o pretexto da luta contra o coronavírus, aumentam os países autoritários e são cada vez mais repressivos.

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Os regimes despóticos aumentam em número e ampliam a repressão dentro de cada país. Os ataques à liberdade de imprensa, a neutralização das oposições, a desvalorização dos parlamentos e a captura do poder judicial são instrumentos dos novos líderes, que usam o nacionalismo, a xenofobia e o medo para se perpetuarem no poder.

A corrupção é uma arma usada contra a democracia, o único sistema em que é possível denunciá-la, sem qualquer prova de que essa lepra, que corrói o poder, seja mais intensa e frequente nos regimes democráticos do que nas ditaduras.A insegurança e o medo são inimigos da democracia e a retórica dos líderes autoritários vive da sua exploração.

Ao ambiente que, no século passado, criou as condições para os regimes ditatoriais, junta-se agora uma pandemia para facilitar a vitória dos demagogos, que prometem ordem e segurança em troca do silêncio e da submissão.As novas tecnologias, que permitiram democratizar a informação, cedo foram usadas por quem detinha a capacidade de as capturar ao serviço dos poderes autoritários que proliferam.

Não há uma opinião pública esclarecida, participativa e empenhada, na defesa da nossa civilização, onde a liberdade e a defesa dos direitos humanos gozem generalizado apoio. À medida que as consciências adormecem, o medo nos tolhe e o desânimo se instala, esmorece a vigilância cívica e ficamos mais expostos a ser vigiados e oprimidos por biltres que vão assaltando o poder.