Deixem o Luís e o André trabalharem

(Por José Teófilo Duarte, in Blog blogoperatorio, 04/07/2025)


Ninguém há mais ‘vivinho da costa’ do que o patrão da ‘Spinumviva’! O Luís (PPD-PSD) e o André (Chega) estão «chegando» cada vez mais a acordo, e o José Luís (PS), feito «pau de cabeleira», a «benzê-los», com o Assis e o Sérgio radiantes à ilharga.

É o que escreve Alfredo Barroso no seu mural do Facebook, a propósito desta publicação.


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Isto tinha que acontecer. Montenegro das avenças e Ventura dos chiliques ornamentados a baba e ranho entendem-se bem e depressa. São feitos da mesma massa. Saíram os dois do partido fundado por sociais-democratas — apesar de uma social-democracia estranha, sempre a pender para a direita —, que depois Cavaco e Passos estragaram tornando o partido qualquer coisa parecida com um “albergue espanhol”. 

O partido foi sendo purgado. Os fascistas saíram como ratos para o novo partido fascista. Gente altamente avaliada em trafulhices inunda a bancada lamacenta instalada no lado mais à direita do parlamento. Agora dizem as notícias que o Luís e o André andam a concordar com muita coisa pouco apreciável. Os idiotas que neles votaram apreciam e vão continuar a votar neles. Neles, os seguidores de Ventura. Ou o Luís acha que os grunhos eleitores acham que é ele que está a trabalhar?

Com isto tudo fica esclarecida uma coisa: Ventura não é líder da oposição, como se chegou a reclamar. Ventura e mais os sessenta cretinos e cretinas que povoam a bancada dos javardolas estão empenhados em fazer sobreviver o sistema, como sempre o fizeram. Um sistema anti-democrático e protector das grandes fortunas de que tanto se orgulham. Têm também com eles a outra extrema-direita dos liberais sem iniciativa. 

Concluindo e andando: os líderes da oposição são os líderes das oposições a esta gente manhosa e sem brilho. Uns toscos inenarráveis. A direita está cada vez mais extrema. Já dizem as maiores enormidades sem freio nem vergonha. Todo o cuidado é pouco. Deixar o Luís e o André trabalharem? Nunca. O que faz falta é resistir. Sempre.

Fonte aqui

Marcelo PR, o primeiro “telepopulista” a sério em Portugal

(Alfredo Barroso, in Facebook, 30/05/2025)

O “beijoqueiro” em acção… 🙂

Marcelo PR, o primeiro “telepopulista” a sério em Portugal e criador do caos onde irrompeu outro bem mais perigoso…


O ‘telepopulismo” irrompeu a toda a força em Portugal com a eleição de Marcelo Rebelo de Sousa como Presidente da República. Ao pôr em prática aquilo a que chamou «política de afetos» – à falta de melhor criatividade, e de um módico de consistência e de substância políticas –, Marcelo PR tinha absoluta necessidade das televisões para explicar o que era, e para praticar, essa «política de afetos».

Consistia esta, essencialmente, em beijar, abraçar e em tirar ele próprio retratos (as famosas “selfies”) a todo o «bicho careta» que se acercasse dele, a quem passava a mão p’lo pelo e transmitia palavras, expressões teatrais, gestos de carinho, simpatia e solidariedade – e sobretudo de caridade beata – por aí se ficando, assim cumprida plenamente, aliás, superficialmente, a função de mera propaganda política e de satisfação da sua vaidade pessoal.

Marcelo PR fez durar a coisa o tempo suficiente para ser reeleito, ainda que com resultados bem aquém do que ele esperava obter. Mas o que mais o incomodou na primeira vez que decidiu dissolver a Assembleia da República, foi a maioria absoluta obtida pelo PS de António Costa, que lhe retirava o protagonismo. Por isso ameaçou logo – caso inédito e totalmente abusivo – que tal maioria só duraria enquanto Costa fosse Primeiro-ministro, ameaça que “caiu como sopa no mel” quando uma matrona PGR, para esquecer, aceitou referir que Costa também vinha ao caso, ainda que “à vol d’oiseau”, numa “investigação” em curso do Ministério Público.

Depois de balbuciar alguns protestos, dizendo que se demitia, mas que o PR devia convidar outro socialista pra o substituir, Costa “raspou-se” com grande ligeireza, para ir constituir em Bruxelas um triunvirato com duas fanáticas belicistas que muitíssimo mal têm feito à União Europeia, mergulhada numa guerra indireta contra a Federação Russa, na qual está empenhado um “clown”, o ucraniano Volodymyr Zelensky, político narcisista e oportunista altamente suspeito de corrupção (ver “Pandora Papers”) e grande protetor dos grupos armados neonazis entretanto incorporados no seu exército.

Cá pela pátria ficou Marcelo PR a “protagonizar”, como ele tanto gosta e já tardava. Mas bem depressa se pôs a dissolver, por mais duas vezes, a Assembleia da República, pondo o seu partido, o PPD-PSD, no poder, todavia disfarçado de AD e com um governo minoritário, e ao mesmo tempo dando um enorme impulso a um partido de extrema-direita, o CHEGA, que logrou obter 50 deputados em 2024, e 60 deputados em 2025, sob a liderança de um “telepopulista”, André Ventura, sem dúvida muito mais eficaz politicamente, e bastante mais perigoso, do que Marcelo PR…


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Alentejo: o Chega, a CDU e os contadores de histórias

(Por Josué Caldeira, in Facebook, 24/05/2025, Revisão da Estátua)

Imagem gerada por IA

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Na abertura do seu livro sobre a questão do valor na teoria económica, Mariana Mazzucato, professora de Economia da Inovação e Valor Público, na University College London, lembra-nos que as lengalengas sobre as questões económicas e sociais são elementos fundamentais do exercício do poder (pelos poderosos).

Recuperando uma observação de Platão, Mazzucato sublinha que os contadores de histórias são quem governa o mundo. E o livro de Mazzucato, “O valor de tudo” (Temas e Debates, 2018), tem como objetivo, segundo a própria autora, discutir e combater as lengalengas sobre a criação de riqueza no capitalismo moderno. Vale a pena ler.

Esta nota é também sobre uma lengalenga que os poderosos aqui do retângulo têm vindo a contar, à exaustão, e que, como todas as lengalengas usadas pelos poderosos, tem motivações políticas, pretende ter efeitos políticos e, naturalmente, condicionar a ação e as opões eleitorais de cada um de nós. Falo da lengalenga que o comentariado nacional difunde sobre a alteração do mapa eleitoral do Alentejo, assente no argumento de que a quebra do eleitorado da CDU é o fator explicativo da subida galopante do Chega.

A lengalenga foi profusamente utilizada em 2024, ano do grande sobressalto causado pelo crescimento do partido de André Ventura, e continua a ser utilizada depois do passado dia 18 de maio.

Ventura, num comentário grosseiramente asqueroso, marcou o ponto na noite eleitoral: “O Chega matou o partido de Álvaro Cunhal”.  Ascenso Simões alimenta a mesma leitura no seu “O Chega sempre esteve dentro do CDS, do PSD e do PCP”, publicado no Expresso online, e, em certa medida, também Pacheco Pereira vai no mesmo balanço quando escreve no Público (24.05.2025) “O mapa eleitoral do Chega é muito parecido em várias partes do país com o do PCP”.

O argumento não circula apenas no comentário político. Já na edição de 25 de abril, do jornal Público, os jornalistas Ana Bacela Begonha e David Santiago alimentaram, de forma descuidada, tal lengalenga, lançando a questão a Paulo Raimundo: “em muitos dos sítios onde a CDU precisa de recuperar representação é onde o Chega elegeu [particularmente] no Alentejo (…). O que é que a CDU pode fazer para recuperar votos que perdeu para o Chega?”.

Defenderei que esta lengalenga é um exemplo do que Mariana Mazzucato nos explica no seu livro: uma narrativa que os poderosos inventam e difundem (pela voz do comentariado de serviço) para melhor atingirem os seus objetivos políticos, isto é, de poder. Contudo, também esta lengalenga merece o selo de “aldrabice”. Certamente, uma aldrabice assumida porque tem um fim claro: criar uma ideia (sem qualquer suporte de evidência) de definhamento e apagamento da CDU até nos “tradicionais bastiões comunistas”.

Mas, sim, é uma aldrabice e esta até facilmente desmontável. A ideia do crescimento do Chega por via da quebra eleitoral da CDU não tem suporte nem nos resultados de 2024, nem nos resultados de 2025. Para não ser maçador, apresento os dados com os efeitos conjugados das eleições de 2024 e de 2025, isto é, as variações do número de votantes em cada partido entre 2022 e 2025 (cobrindo, assim, os resultados eleitorais das duas últimas eleições):

No distrito de Beja, a CDU perdeu 2.442 votos, o Chega cresceu 13.515 votos. No distrito de Évora, a CDU perdeu 2.857 votos, o Chega cresceu 13.858 votos. No distrito de Portalegre, a CDU perdeu 1.081, o Chega ganhou 11.084. E no distrito de Setúbal, a CDU perdeu, no mesmo período, 8.573 votos ao passo que o Chega ganhou 90.434 votos.

Com base nestes resultados, conseguirá o comentariado nacional sustentar, com verdade, a mentira de que o Chega sobe, de forma galopante, à custa do eleitorado CDU? Bom, se forem “gente de bem”, não (há limites para a mentira…). Se formarem um bando de aldrabões e manipuladores da opinião pública, vozes do dono, sim, conseguem, em direto e sem qualquer problema.

Contudo, vale a pena avançar na exploração das evidências disponíveis. Vou deixar de lado o comportamento da IL no Alentejo porque é irrelevante. A economia regional não tem perfil para os fanfarrões meritocráticos. Também vou deixar de lado o sidecar do PS, o Livre, por também não ser muito expressivo na região. Mas vale a pena fazer a pergunta: de onde vem, então, o crescimento do Chega e (em menor escala) da AD?

É verdade que o resultado agregado das transferências de votos é difícil de identificar no sobe e desce dos votos nos vários partidos. A coisa é mais complexa e exige trabalho de filigrana a desenvolver noutros contextos (os competentes analistas políticos tratarão, certamente, do assunto).

Mesmo assim, é curioso verificar que a configuração das variações agregadas dos eleitorados dos vários partidos no Alentejo, por distrito, produz um padrão que é perfeito e do qual resulta com particular evidência os seguintes movimentos (convido a ver os gráficos):


O somatório da subida de votos do Chega e da subida da AD é sempre acompanhado por uma brutal descida dos votos do PS e também por uma significativa subida de novos votantes (gente que estava na abstenção e novos eleitores).

Estes dois somatórios (isto é, subida do CH e da AD, por um lado, e queda do PS e subida de votantes, por outro) quase se igualam em números absolutos nos três distritos. Naturalmente isto não esgota a leitura que é necessária desenvolver.

Mas os dados disponíveis sustentam serem estes movimentos (subida do CH e da AD, descida abrupta do PS e subida de votantes) os movimentos que estruturalmente marcam a alteração da geografia eleitoral do Alentejo, criando uma configuração eleitoral (para as legislativas) em terreno totalmente desconhecido.

Não excluo a hipótese de deslocação eleitoral da CDU para o CH. A perda de votos da CDU continua a constituir um problema no Alentejo. Contudo, a dimensão desta perda de votos não consegue explicar (nem torcendo as estatísticas eleitorais) a subida de votos do CH.

O Alentejo vestiu a camisola do Chega mas não é da CDU a camisola que ficou no chão.

Mas esta é a lengalenga que os poderosos, pela boca do comentariado nacional, continuarão a contar. Porque “os contadores de histórias são quem governa o mundo”. O que fazer neste quadro? Bom… o comunicado do Comité Central do PCP, estabelece um guião de luta a prosseguir.