A história do rato e do psicólogo

(António Guerreiro, in Público, 10/08/2018)

Guerreiro

António Guerreiro

Na semana passada, assistimos em Portugal a dois fenómenos extremos: um, foi o excesso de calor, parecia que a Terra tinha saído dos eixos e tudo chegara a um ponto de extenuação; o outro foi a saturação do espaço público pela proliferação de artigos, crónicas, reportagens, opiniões, comentários, que escorreram como o caudal de um rio, sobre os negócios do vereador do Bloco de Esquerda em Lisboa.

Chegou-se ao limite em que o caso do vereador era uma protuberância tão dilatada que pensámos que ela iria parir. Mas não, era apenas uma manifestação espectacular da obesidade do sistema. Não há nenhuma prova de que estes dois fenómenos extremos tenham uma causa comum ou qualquer relação um com o outro, a não ser que os incluamos na vaga ideia de extenuação por excesso e num conceito muito alargado de poluição.

Não menosprezo a justiça imanente que assistiu aos dois fenómenos extremos e a punição que em ambos se cumpriu (um consenso científico diz-nos que o homem é tão culpado das alterações climáticas como da compra de bens imobiliários). Mas gostaria de mostrar aqui o paradoxo que consiste em as coisas, ao chegarem a um nível excessivo, se anularem ou começarem até a produzir o seu contrário. No segundo fenómeno extremo a que me refiro, esse paradoxo é potenciado pelas manhas incontroláveis da reversibilidade.

A reversibilidade é uma figura que explica o modo de funcionamento de alguns sistemas actuais. Foi isso que nos ensinou o sociólogo Jean Baudrillard, com uma forte pulsão especulativa, e que até chegou a ter um andar em Alfama. As histórias de reversibilidade, escreveu ele, são sempre as mais divertidas, como a do rato e do psicólogo.

Nesta história, o rato conta como condicionou o psicólogo a dar-lhe um pedaço de pão cada vez que accionava um dispositivo da gaiola. Talvez seja precipitado transpor para a história do vereador, tal como ela se desenrolou na semana passada, um semelhante fenómeno de reversibilidade, mas uma saturação fatal, até à náusea, desviou o sentido das palavras e das frases que sobre o assunto se foram acumulando.

Quase todas elas denunciavam justamente a falsa moralidade e as incoerências políticas do vereador. Mas, por saturação, elas obstruíram o próprio sistema de onde emergiam e já só apontavam, dotadas de reversibilidade, para quem as pronunciava. Todo o discurso sobre o assunto já só parecia uma excrescência, um efeito que ganha vida autónoma, separando-se das suas causas.

Os factos implodem na hipertrofia dos comentários. E o demónio da reversibilidade perturba a possibilidade de percepções e juízos pertinentes porque se anulou até o sentido da realidade. Todo o discurso adquire então uma forma imoral e histérica, e é já só esse imoralismo que nos interpela e suscita reacção, já que o imoralismo e a contradição política insanável do vereador que começaram por ser o motivo da crítica, da denúncia e da indignação perderam substância e resistência.

O motivo da “festa” desaparece porque esta vai para além dos seus próprios fins e torna-se hipertélica. Começa por ser uma orgia, mas prolonga-se de maneira patética: há sempre alguém ainda a correr para alimentar a orgia e não deixar que ela acabe.

Não há êxtase que sempre dure, e uma orgia alimentada como uma novela deixa de ser uma orgia, é um  serviço obrigatório, mais militar do que civil.

Uma pergunta conhecida, cheia de implicações, devia ser colocada à porta onde se aglomeram tantos funcionários da palavra erecta: “What are you doing after the orgy [com o vereador imoral]”? Nada, absolutamente nada, a não ser tornar bem visível a obscenidade e a inércia de um mundo saturado.

O Prometido é Devido

(Dieter Dellinger, 02/08/2018)

 

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Foto: Um dos seis pequenos incêndios no Algarve.As bestas querem novamente atacar de sul ao norte da PÁTRIA.

Rui Rio prometeu que se tivermos incêndios suficientes o governo deve ser derrubado e, naturalmente, ele ou outros puseram as suas brigadas incendiárias e FASCISTAS em ação. As mesmas bestas do ano passado voltaram a Pedrógão Grande porque os tribunais não os detiveram nem condenaram.

Todos os criminosos incendiários têm o apoio da magistratura ou parece que têm dada a sua ineficiência em combater aqueles que querem ver a nossa TRISTE PÁTRIA a arder. Viva PORTUGAL, fora com aqueles para quem a PÁTRIA é apenas o seu ordenado e as regalias pessoais e querem condenar os bombeiros que sejam voluntários e militantes do PARTIDO SOCIALISTA.

O incêndio que lavra há quatro dias consecutivos em Pampilhosa da Serra, no distrito de Coimbra, continua ativo c/ 317 bombeiros, 97 veículos e nove meios aéreos envolvidos no combate às chamas.

O incêndio de Relva, Vila Real, mobilizava 68 bombeiros, 18 veículos e um meio aéreo. Este incêndio levou à evacuação de cinco aldeias do Parque Natural do Alvão – Benagouro, Iscariz; Paredes, Coedo e Adofe – e também levou ao encerramento da Estrada Nacional 2.

A frente de incêndio em Quintela, também no concelho de Vila Real, levou à evacuação de algumas pessoas das localidades de Vila Marim e Sapiões. De acordo com o SNBPC, está accionado o Plano Distrital de Emergência em Vila Real.

O incêndio em Vale da Aveleira, concelho de Alvaiázere, Leiria, foi dado como controlado.

No mesmo concelho, em Pedrógão Grande, 45 bombeiros combatem as chamas apoiados por 11 carros. O fogo em Fraga, Concelho de Celorico de Basto (Braga) mobiliza até ao momento 22 homens e seis veículos.

Em Fráguas, concelho de Vila Nova de Paiva, Viseu, 16 bombeiros apoiados por cinco veículos e três meios aéreos combateram um incêndio dado como controlado. Às 19h30, o SNBPC indicava haver dois outros incêndios neste distrito, em Santa Luzia (concelho Tabuaço) e junto ao Aeródromo de Viseu.

A meio da tarde dois outros incêndios estavam a preocupar os bombeiros. Na Sertã, distrito de Castelo Branco, as chamas estavam a ser combatidas por 29 homens apoiados por cinco meios aéreos.

Chora PÁTRIA AMADA e que ninguém desarme e se deixe amedrontar pelos TRAIDORES dos Tribunais que deixaram os Incendiários à solta para voltarem a queimar a PÁTRIA para satisfação de Rui Rio e dos fascistas.