O Naufrágio do Costa Discordia

Fonte: O Naufrágio do Costa Discordia

(In Blog O Jumento, 20/02/2016)

Passos Coelho escolheu o tema governador do Banco de Portugal para mais um dos seus brilhantes momentos de primeiro-ministro no exílio. Depois do golpe de  Estado que obrigou Passos Coelho a exilar-se em Massamá, instalando aí a sua residência oficial de onde prepara guerrilheiros como a Maria Luís ou o Montenegro para reconquistar o poder, que Bruxelas é um importante palco para o nosso artista.
Agora, sempre que se realiza uma cimeira europeia lá vai o nosso exilado mais o Zeca Mendonça dar ares de primeiro-ministro sem pasta, o espectáculo é tão divertido que o homem até devia convidar o D. Duarte e o rei do Carnaval da Mealhada para o acompanhar, assim teríamos uma importante delegação constituída por um primeiro-ministro sem governo, um rei sem trono e outro sem Carnaval.
Foi graças ao seu grito dado em Bruxelas que fiquei a saber que algo se passava de muito grave em Portugal, e enquanto o primeiro-ministro no exílio não regressou andei preocupado, sem saber do que se tratava, só sabia que algo de muito grave teria sucedido. Percebi depois que o que de tão grave tinha sucedido tinha sido o suposto ataque de Costa a Costa, dando lugar ao naufrágio do Costa Discórdia.
Da mesma forma que Passos desempenha na perfeição o papel de primeiro-ministro no exílio imagino-o a fazer de Francesco Schettino tendo ao seu lado Maria Luís, fazendo o papel da namorada croata com que o comandante italiano andava enfarinhado enquanto o navio batia nas rochas. Mas aqui o Costa Concórdia não bateu nas pedras, foi o Costa que desatou à pedrada ao outro Costa.
Acontece que os Costas são independentes um do outro mas enquanto o Carlos pode criticar a política orçamental do António, este não pode criticar a vista grossa do Carlos e muito menos o facto de enterrar os investidores no BES para passar a mentira de Passos e Maria Luís de que a falência forçada do BES não teve custos para o contribuintes e ainda deu para empregar o filho do Durão Barroso e o ex-secretário de Estado dos Transportes.

O orçamento que não podia passar

Quem tem saudades deles que levante o braço


(In Blog O Jumento)

A bem de Portugal e dos superiores interesses da Nação a direita tudo fez para que a aprovação de um OE para este ano fosse um processo dramático em consequência do choque entre as exigências da troika e a condições colocadas pelo PCP e pelo BE para o aporvar. Enquanto o processo negocial decorria em Bruxelas a direita sonhou com o regresso às semanas que antecederam o pedido de ajuda em 2011.
O jornalistas desdobravam-se em pedidos de opinião às agências de notação e todos os dias esperavam que a DBRS considerasse como lixo a dívida portugueses ao mesmo tempo que consultavam, os indicadores das bolsas na esperança de verem os juros da dívida portuguesa subirem exponencialmente. Cada sinal de que Bruxelas poderia chumbar o OE provocava um orgasmo colectivo e ainda na sexta de manhã o jornalista da TVI em Bruxelas dava conta de que a Comissão ainda podia chumbar o OE, ainda havia esperança.
A direita ensaiou uma tentativa de levar a Comissão Europeia a tratar Portugal da mesma forma que tinha tratado a Grécia, muito por influência de um Passos Coelho para quem ganhar as eleições justificava todas as manobras, golpes, mentiras e fraudes. A tese da solução única, a mentira de que os cortes dos vencimentos seriam recuperados gradualmente, o modelo de crescimento assente numa austeridade que funcionaria como uma poda drástica tinha de vencer.
O grande mal deste vencimento não está nas medidas que comporta ou na inutilidade de um debate onde a direita não pode assumir o que deseja, Passos não disse ainda qual era a metade do programa que não lhe deixaram implementar. O grande mal deste orçamento está no facto de provar que o país viveu durante quatro anos embalado por uma combinação de mentiras e chantagens.
O país viu que um primeiro-ministro não tem de fazer vénias a um qualquer funcionário do FMI, que há uma grande diferença entre uma visita da Troika e a embaixada de D. João II a Roma, que é possível negociar com Bruxelas, que o país nunca perdeu a sua soberania. O país percebeu que foi enganado por um Passos Coelho que viu na situação de excepção a oportunidade de governar sem respeitar a Constituição e sem se preocupar com as consequências dos seus excessos.
 

Semanada

(In Blog O Jumento)

Com recursos escassos não há orçamentos bons, todos os orçamentos são maus e uns são ainda piores do que os outros. O OE deste governo não é bom, mas é bem melhor do que os orçamentos do governo de Passos Coelho e é bem melhor do que seria um orçamento do PàF, assente em mentiras eleitorais e prosseguindo na estratégia da desvalorização fiscal, uma política assente em aumentos de impostos sobre o rendimento do trabalho para financiar a redução dos impostos sobre o capital.

Umas das medidas mais sacanas de Passos Coelho foi o aumento do horário de trabalho, o objectivo é prosseguir no projecto de escravatura parcial dos funcionários públicos, compensando as perdas de recursos humanos no SN e criando condições para despedimentos colectivos em massa de funcionários públicos. Era esta a grande medida de ajustamento de que Passos fala, o seu objectivo era diluir os cortes de vencimentos numa nova tabela de vencimentos e promover o despedimento em massa no Estado. Lamentavelmente a esquerda ainda não conseguiu corrigir esta medida manhosa.
A direita teve várias alegrias por causa do esboço do OE, começou por sonhar com a possibilidade de a sua derrota ser vingada pela direita europeia e acabou extasiada porque a senhora Merkel elogiou o governo de Passos Coelho. Agora espera-se que à semelhança do que fez com José Sócrates a chanceler alemã também convide Passos Coelho, o tal que é social-democrata desde e para sempre.
Maria José Morgado e o juiz Alexandre caminham para o estrelato internacional diria mesmo que um dia ainda vão ser capa da Time. Entretanto, os interesses franceses em África deverão estar-lhes profundamente gratos. Por este andar ainda a Guiné Equatorial vai chegar à conclusão de que o melhor será abandonar a CPLP.
Fonte: Semanada