O Falso “Sozialstaat” Alemão

(Dieter Dellinger, 13/06/2018)

ingrid

As Contas da Viúva Alemã Frau Ingrid Millgram de 84 anos de idade condenada por juízes mais do tipo Nazi SS que Humano:

Receitas:
Euros
423,52 – pensão de viuvez
302,18 – pensão de velhice
51,00 – subsídio de renda de casa
———-
776,70 – Total

Despesas:
506,00 – renda da casa + aquecimento social
24,00 – eletricidade social
40,00 – telefone
4,50 – Associação de inquilinos
13,12 – televisão e rádio
5,12 – revista Hör Zu
8,31 – serviço nacional de saúde alemão pago por reformados
15,00 – medicamentos, parte paga pelo paciente
8,10 – taxa do banco para ter conta e cartão
80,00 – prestação de custas judiciais e condenação por roubar comida
———–
704,15

Ficam-lhe 72,55 para comer todo o mês, pois comprar roupa ou produtos de higiene não chega.

Os 80 euros que os nazis dos tribunais lhe roubam mensalmente davam para ter uma quantia de 152,55 com a qual podia comer a comida barata alemã, pão, salsichas e chucrute.

O juiz ” NAZI SS” condenou a uma pesada multa e custas judiciais por ter roubado comida no valor de 84,65 Euros que foi fundamentalmente 500 g de carne e esteve presa por isso durante 55 dias e 15 horas durante os quais perdeu 10 kg de peso devido à abundante comida prisional alemã. A gigantesca cadeia de supermercados alemã não perdoou a pequena dívida do roubo nem a queixa em tribunal no qual não pôde utilizar advogado por não ter dinheiro.

Esta senhora que viveu melhores dias e é culta e educada faz parte dos 2,9 milhões de reformados/as idosos da riquíssima Alemanha que vivem na mais profunda pobreza.

Estes dados foram tirados da página 53 da revista “Der Spiegel” do dia 9.6.2018. Claro, menos o termo nazismo que é da minha autoria, mas merecido a quem não tem piedade de uma pobre idosa de 84 anos de idade e muitas mais.

Na Justiça alemã ficou a cultura de um certo “Nazismo Impiedoso” e uma Ingrid de 84 anos recebe muito menos que qualquer refugiado.

O falecido marido tinha um negócio de produtos agroalimentares e quando se reformou colocou uma avultada quantia em fundos de bancos americanos que faliram completamente sem que o Estado americano tivesse indemnizado, deixando o casal na pobreza e apenas com alguns móveis bons e vestidos que a pobre vai usando até se gastarem completamente.

Sucedeu à Ingrid aquilo que muitos portugueses desejam aos seus compatriotas que perderam as suas poupanças roubadas pelo cavaquistas do BPN e pelo Salgado Espírito Santo e que não foram condenados. Em Portugal também uma Ingrid de 84 anos apanhada a roubar comida num supermercado era capaz de levar mais de 55 dias de prisão.

Isto mostra que o social na Alemanha e até na Escandinávia e outros países da Europa tende a desaparecer. Fica apenas a extrema MISÉRIA.

Na foto acima: Ingrid Millgram à porta da prisão. A Alemanha é um dos poucos países do Mundo que prende por quase nada uma pessoa de 84 anos de idade que já sofreu um ataque de coração e padece de algumas doenças. Em Portugal poderia ser condenada a pena suspensa, algo que a justiça sádica alemã não gosta de utilizar. Apesar da sua idade, Ingrid é ainda uma senhora interessante, dizem as televisões alemãs, nas quais ela tornou-se uma heroína para grande vergonha da magistratura alemã. À saída da prisão tinha muita gente a oferecer-lhe dinheiro e nenhum juiz a pedir desculpa por esse atentado à condição humana, algo que historicamente foi sempre desconhecido dos alemães.

O Falso "Sozialstaat" Alemão

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(Dieter Dellinger, 13/06/2018)
ingrid

As Contas da Viúva Alemã Frau Ingrid Millgram de 84 anos de idade condenada por juízes mais do tipo Nazi SS que Humano:

Receitas:
Euros
423,52 – pensão de viuvez
302,18 – pensão de velhice
51,00 – subsídio de renda de casa
———-
776,70 – Total

Despesas:
506,00 – renda da casa + aquecimento social
24,00 – eletricidade social
40,00 – telefone
4,50 – Associação de inquilinos
13,12 – televisão e rádio
5,12 – revista Hör Zu
8,31 – serviço nacional de saúde alemão pago por reformados
15,00 – medicamentos, parte paga pelo paciente
8,10 – taxa do banco para ter conta e cartão
80,00 – prestação de custas judiciais e condenação por roubar comida
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704,15

Ficam-lhe 72,55 para comer todo o mês, pois comprar roupa ou produtos de higiene não chega.

Os 80 euros que os nazis dos tribunais lhe roubam mensalmente davam para ter uma quantia de 152,55 com a qual podia comer a comida barata alemã, pão, salsichas e chucrute.

O juiz ” NAZI SS” condenou a uma pesada multa e custas judiciais por ter roubado comida no valor de 84,65 Euros que foi fundamentalmente 500 g de carne e esteve presa por isso durante 55 dias e 15 horas durante os quais perdeu 10 kg de peso devido à abundante comida prisional alemã. A gigantesca cadeia de supermercados alemã não perdoou a pequena dívida do roubo nem a queixa em tribunal no qual não pôde utilizar advogado por não ter dinheiro.

Esta senhora que viveu melhores dias e é culta e educada faz parte dos 2,9 milhões de reformados/as idosos da riquíssima Alemanha que vivem na mais profunda pobreza.

Estes dados foram tirados da página 53 da revista “Der Spiegel” do dia 9.6.2018. Claro, menos o termo nazismo que é da minha autoria, mas merecido a quem não tem piedade de uma pobre idosa de 84 anos de idade e muitas mais.

Na Justiça alemã ficou a cultura de um certo “Nazismo Impiedoso” e uma Ingrid de 84 anos recebe muito menos que qualquer refugiado.

O falecido marido tinha um negócio de produtos agroalimentares e quando se reformou colocou uma avultada quantia em fundos de bancos americanos que faliram completamente sem que o Estado americano tivesse indemnizado, deixando o casal na pobreza e apenas com alguns móveis bons e vestidos que a pobre vai usando até se gastarem completamente.

Sucedeu à Ingrid aquilo que muitos portugueses desejam aos seus compatriotas que perderam as suas poupanças roubadas pelo cavaquistas do BPN e pelo Salgado Espírito Santo e que não foram condenados. Em Portugal também uma Ingrid de 84 anos apanhada a roubar comida num supermercado era capaz de levar mais de 55 dias de prisão.

Isto mostra que o social na Alemanha e até na Escandinávia e outros países da Europa tende a desaparecer. Fica apenas a extrema MISÉRIA.

Na foto acima: Ingrid Millgram à porta da prisão. A Alemanha é um dos poucos países do Mundo que prende por quase nada uma pessoa de 84 anos de idade que já sofreu um ataque de coração e padece de algumas doenças. Em Portugal poderia ser condenada a pena suspensa, algo que a justiça sádica alemã não gosta de utilizar. Apesar da sua idade, Ingrid é ainda uma senhora interessante, dizem as televisões alemãs, nas quais ela tornou-se uma heroína para grande vergonha da magistratura alemã. À saída da prisão tinha muita gente a oferecer-lhe dinheiro e nenhum juiz a pedir desculpa por esse atentado à condição humana, algo que historicamente foi sempre desconhecido dos alemães.

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Logros

(João Ramos de Almeida, in Blog Ladrões de Bicicletas, 28/04/2018)    

logros

Vem esta citação do livro de Yanis Varoufakis Comportem-se como adultos, a propósito de tantos portugueses que contribuíram para o maior logro da História económica dos últimos tempos.

Entre eles, gostava de salientar três sociais-democratas – Cavaco Silva, Jorge Braga de Macedo e Vítor Gaspar – e dois socialistas cujos sorrisos nos deviam fazer pensar: de Vítor Constâncio, numa altura em que sai de cena do BCE, e de Mário Centeno, quando entra em cena no eurogrupo.

“A maioria dos europeus gosta de pensar que a falidocracia americana é pior do que a sua homóloga europeia, graças ao poder de Wall Street e à infame porta giratória entre os bancos dos Estados Unidos e o governo daqule país. Estão redondamente enganados. Os bancos da Europa foram geridos de forma tão atroz nos anos que antecederam 2008 que os bancos inanes de Wall Street quase ficam bem na fotografia em comparação. Quando a crise rebentou, os bancos de França, Alemanha, Holanda e Reino Unido tinham uma exposição de mais de 30 biliões de dólares, mais do dobro do produto nacional dos Estados Unidos, oito vezes o produto nacional da Alemanha e quase três vezes os produtos nacionais do Reino Unido, Alemanha, França e Holanda somados. Uma falência grega em 2010 teria exigido, de imediato, um resgate dos bancos pelos governos alemão, francês, holandês e britânico no valor aproximado de dez mil dólares por criança, mulher e homem que vivesse naqueles quatro países. Em comparação, um revés de mercado semelhante contra Wall Street teria exigido um resgate relativamente diminuto: não mais de 258 dólares por cidadão americano. Se Wall Street mereceu a ira do povo americano, os bancos da Europa mereciam 38,8 vezes essa ira.”

“Mas não é tudo. Washington podia empurrar os activos tóxicos de Wall Street para os livros da Reserva Federal e deixá-los ali até recomeçarem a ter bom desempenho ou serem eventualmente esquecidos, para que os descobrissem os arqueólogos do futuro. De uma forma simples, os americanos não precisavam sequer de pagar os relativamente magros 258 dólares por cabeça com os seus impostos. Já na Europa, onde os países como a França e a Grécia abdicaram dos seus bancos centrais em 2000 e o BCE estava proibido de absorver dívidas más, o dinheiro necessário para resgatar bancos tinha de ser buscado aos cidadãos. Se alguma vez se interrogar porque é que o regime europeu se empenha mais na austeridade do que o americano ou o japonês, eis a razão. O BCE não tem autorização para enterrar os pecados dos bancos nos seus próprios livros, o que significa que os governos europeus não têm outra opção senão financiar resgates bancários através de cortes de benefícios e aumentos de impostos.”

     
Por outras palavras: a austeridade é o mecanismo que a doutrina liberal e o edifício da moeda única europeia encontraram para poder evitar que os accionistas dos bancos paguem as suas dívidas ou simplesmente paguem pelos erros dos seus actos de gestão, transferindo-as para aqueles que eles tanto gostam de designar por consumidores contribuintes, mas que são, na verdade, pessoascom as suas vidas e as suas famílias. Tudo sob um lema tristemente ingénuo ou cúmplice que já ouvimos tanto entre nós: Devemos honrar as nossas dívidas. 

“Quando os bancos franceses enfrentaram a morte certa, que escolha lhe restava” – a Christine Lagarde – “enquanto ministra das Finanças francesa, com os seus colegas europeus e do FMI, senão fazer o que fosse preciso para os salvar – mesmo que isso implicasse mentir a 19 parlamentos europeus ao mesmo tempo sobre o objectivo dos empréstimos gregos?”

O nosso resgate – aquele que aumentou consideravelmente a nossa dívida pública, a ponto de Centeno ficar agora tão feliz por descer um pouco o montante de juros a pagar e de condicionar o investimento público a essa descida – foi verdadeiramente um resgate aos bancos europeus pagos pelos cidadãos mais pobres da Europa.

Dir-se-á: Mas não há altenativa agora e convém ser prudente. Talvez. E mesmo isso conviria ser melhor discutido. Mas havia uma coisa que era importante fazer: nunca estar sentado a presidir ao grupo de personalidades que são o guardião daquele histórico logro.


Fonte aqui