As patifarias que acontecem na Assembleia desta república

(Miguel Castelo Branco, in Facebook, 19/11/2024)

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Portugal tem relações diplomáticas com a Rússia que datam desde o século XVIII, ou não diz o portal da nossa embaixada em Moscovo que “não obstante a distância geográfica, Portugal e a Rússia partilham uma História multisecular, uma relação de amizade e de respeito mútuo construída a partir de inúmeros e multifacetados contactos, tanto oficiais como pessoais, no campo cultural, económico, comercial e político-diplomático”?

Espanta-me, e espantará a qualquer pessoa com um mínimo do sentido de oportunidade, decência e até preparação que na nossa Assembleia da República tenha hoje sido inaugurada uma exposição sobre a corrente guerra no Leste europeu (ver aqui) em que, para animar fotos, se exibem objetos pertencentes a militares russos mortos em combate. Se esta miserável porcaria configura o deplorável crime de profanação de cadáveres, bom seria que a segunda figura do Estado, se tivesse um mínimo de reserva, não tivesse marcado presença no evento, assim como interditasse que naquele lugar tenham cabimento provocações sórdidas deste jaez e que se houver naquela casa meia dúzia de deputados com recato e embaraço, façam chegar a quem de direito o seu protesto.

A cobardia e a impudência de mãos dadas a alimentar uma falange de desequilibrados que expõem gratuitamente Portugal a retaliações que, tenhamos a certeza, vão cobrar a este país frívolo e inconsciente um duro tributo.

Honestamente, colocando-me na posição dos russos, mandava chamar o embaixador acreditado em Lisboa, confiando a representação a um encarregado de negócios, pediria satisfações ao governo português e pedia à nossa embaixadora em Moscovo que abandonasse o país.

Aos Costumes disse: Nada

(João-MC Gomes, In VK, 05-07-2024)


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O “jovem” Nuno, filho do PR Marcelo, que deixou em Abril a presidência da Câmara Portuguesa de Comércio de São Paulo, cargo que ocupou durante cinco anos, foi chamado a responder em Comissão de Inquérito Parlamentar sobre o caso das gémeas brasileiras, feitas portuguesas para poderem aceder aos serviços do SNS português e serem medicadas para o seu problema grave, com custos de milhões.

Nuno tem um ar de quem nasceu com à-vontade e bem apoiado e cuja vida correu sempre sem grandes problemas. Efeitos de ter um pai politico e alguns amigos nos lugares certos. Saiu da Câmara do Comércio e foi logo para a EDP onde é diretor de marketing, de marca e de comunicação. Quem o convidou para a Câmara do Comércio e para a EDP fê-lo certamente pelo seu elevado valor intelectual e de conhecimentos técnicos. Não teve nada a ver com cunhas, até porque estudou desde o 1º ano até ao 12º ano na Escola Salesiana de Santo António do Estoril, formou-se em Economia na Faculdade de Ciências Económicas e Empresariais da Universidade Católica Portuguesa, em 1996 e, em 2001, completou seu MBA no INSEAD em França. Não se sabe se teve explicadores.

A Comissão de Inquérito ao caso das gémeas convocou Nuno para depor sobre esse caso, que entretanto já tem tratamento na Justiça e o constituiu arguido. Começou por recusar-se responder mas, depois, foi aconselhado a não continuar essa recusa e apareceu no inquérito online. Mas sempre com respostas off. Os deputados fizeram perguntas sérias sobre o tema das gémeas, a responsabilidade e a ética. Nuno, por sua vez, respondeu sempre com a mesma frase: Não respondo!

Deveria estar a pensar : “Responsabilidade? Ah, isso é coisa do passado. O meu pai que se desenrasque!”. E os deputados ficaram sem nenhuma resposta. Nuno ficou off e saiu da Comissão de Inquérito com um sorriso e agradecimento. Vamos ver o que decidirá a Justiça. Provavelmente daqui a muitos anos e já com o pai fora da Presidência.

Mesmo avisado de poder passar por lobista, o filho do PR português não assumiu, não esclareceu, não informou – mesmo as coisas mais simples e que não contam no inquérito criminal. Nem foi filho do seu pai, nem foi homem. Foi alguém que fugiu às suas responsabilidades.

Há moral nesta história? Bem, talvez seja a de que nem todos nascem para ser políticos, mas todos os que são filhos de certos politicos julgam estar protegidos das suas responsabilidades. Pelo que podem tornar-se ainda mais famosos depois de irem ás Comissões de Inquérito. E tornar os seus pais ainda mais famosos.

Foi à quarta que o passarinho cantou, às 4 da maadruuugaadaaa…

(Por oxisdaquestão in blog oxisdaquestao, 28/03/2024)

Foi à quarta e foi mesmo: o dia 27.03 foi uma quarta-feira, é o que mostra o calendário para este ano. E mais: neste dia teve início a germinação de um novo híbrido que faltava nos campos da política nacional, que são vastos e insondáveis. A Robbialac também acrescenta uma cor ao seu catálogo de tintas plásticas para interior e exterior: o branco Assis. Aos poucos, surge o desenvolvimento que o 10 de Março acarreta à Nação; para já na produção de repolhos e na pintura das paredes de alvenaria, coisa de construção civil e obras públicas.

Cá está! E, para não se estragarem os frescos e quadros da sala, não houve foguetes por cima das palmas e, por decência, nenhum comentamerdosos disse que foi a ferros; antes todos invocaram o consenso dos sociais-democratas de direita com os idem de não tanto, mais centrais, e reformistas da gaveta fechada.

Verdade que o diretor de pista tinha o espetáculo controlado, até surgir o pormenor do indicador levantado pelo cacique da extrema-direita nacional, filiação e ramo da extrema-direita mundial de Trump, Bolsonaro, Milei, Marine le Pen, Matteo Salvini, Meloni, Abascal, Duterte, Boris Johnson, Natanyahu e do forcado Pedro Pinto (aquele que vai para os cornos do touro e o domina às arrecuas dependurado no focinho). É que a festa não se podia estragar por coisas do hemiciclo quando, cá fora era tudo beijos e abraços, sorrisos e votos de felicidades.

Afinal tudo híbrido como estava na pauta e tinha sido recomendado pelos autores da ópera. Sem ondas. Os arautos do 10 de Março, os publicitários do novo ciclo, o da AD com um Governo à Cavaco já trabalham:

Entretanto, o mundo do fetebol mostra como deve ser. E Ventura vai de prometer venturas; Assis a prometer as; Aguiar promete branco; Costa prometeu voltar as costas; Marcelo promete morcelas; Montenegro promete elevação de terra e o negro depois. Estamos a ver… Se o Santos promete milagres porquê a nossa malta não há-de prometer o que tem, dar o máximo, dar tudo, até o litro e o que for preciso, até rasgar a camisola?

Estaremos a ver?


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