A visita de Lula a Portugal

(Carlos Esperança, in Facebook, 21/04/2026, Revisão da Estátua)


Lula da Silva é hoje uma referência mundial na luta pela paz e justiça social, uma dessas personalidades cuja coragem e determinação fizeram do operário metalúrgico o Presidente de um grande país e a esperança dos milhões de desesperados que herdou.

Este seu terceiro mandato, à semelhança dos dois primeiros, fica marcado pelos milhões de brasileiros que tirou da miséria, por políticas cujo humanismo revela que o autor não esqueceu de onde veio e os que sofrem como ele sofreu.

Lula da Silva está de visita a Portugal, uma honra para o País que moldou o seu, que lhe deixou a língua que nos une e o património histórico comum.

Esperava-se dos portugueses o sentimento de regozijo por termos entre nós o presidente da maior democracia do continente americano, um homem que alia à dimensão afetiva e humanista verdadeira paixão por Portugal e uma genuína amizade pelo povo português.

E assim é no coração de muitos portugueses, na decência com que o PR e o Governo de Portugal o recebem, na simpatia que lhe prodigalizam os cidadãos anónimos de Lisboa.

Mas, há sempre um mas. Das sarjetas da política partidária, das alfurjas do salazarismo serôdio, saem marginais consumidos pelo ódio, movidos pelo ressentimento, tocados por um marginal, dispostos a insultar o homem que paira bem acima dos homúnculos que o 4.º Pastorinho arregimenta para aparecer nas televisões a grunhir impropérios.

Os fascistas que saíram à rua, para insultar Lula da Silva, pretendem digerir a derrota de Orban na Hungria, a repugnância de Trump em todo o mundo, a náusea de Bolsonaro, o asco de Netanyahu e a memória dos regimes nazifascistas que os inspira.

Há naqueles marginais uma sede de protagonismo que só a boçalidade e a coreografia lhes asseguram. Podia pensar-se que a manifestação contra a corrupção era contra o próprio Chega que pretende ocultar o nome dos financiadores, mas era contra o presidente Lula, com gritos de apoio a Bolsonaro gritado em uníssono com brasileiros que o Chega quer reenviar para o Brasil.

As algemas que o 4.º Pastorinho exibia, talvez um talismã guardado de sevícias antigas sofridas, para esconjurar reincidências, são referenciadas como estando ainda à venda, por 7, 95 € nas sex shops.

Enfim, a miséria fascista a conspurcar o país que há 52 anos foi libertado da mais longa ditadura da Europa ocidental!

Gosta da Estátua de Sal? Click aqui.

Pérolas a porcos

(Tiago Franco, in Facebook, 15/04/2026, Revisão da Estátua)


Acho que vocês estão a ser algo injustos com o camarada Pacheco.

Ele prestou um serviço à causa e mostrou, a quem tem alguma atividade cerebral, que é perfeitamente possível mostrar as debilidades do Andrezito.

Todos percebemos que o Ventura se refugiou nos gritos, nas interrupções, na mistura de temas, nas respostas fora de contexto e na tentativa, absolutamente idiota, de comparar 5 décadas com 2 anos.

Ao fazê-lo está obviamente a validar a ditadura e a criar aquela balança do “foi igualmente mau”. É um pouco como este discurso ensaiado pelos Migueis Morgados da vida que há 5 anos introduziram a “extrema-esquerda” nas discussões políticas, tentando criar um espelho para o outro lado do Chega.

Mas enfim, para quem percebe o que foi discutido, o Ventura chegou a dar pena e até alguns ares de quando discutia futebol com o Aníbal não sei quantos na CMTV. Para a cheganada, a mensagem não era o detalhe histórico que Pacheco Pereira tinha para lhes dar. A mensagem era apenas “terrorismo de esquerda e de direita é igualmente mau…tire as palas”. E pronto, mais do que isto o chegano comum não conseguia compreender naquele debate.

E é por isso que Pacheco Pereira foi corajoso. Porque sabia perfeitamente ao que ia, debater com alguém que não tinha capacidade, conhecimento ou cultura geral para argumentar com um historiador, mas tinha todo o jogo de cintura para, em frente às câmaras, parecer estar a dominar a coisa.

A primeira frase de Pacheco Pereira foi: “você mete-se em cada sarilho…”, aludindo ao primeiro disparate dito pelo Ventura. E depois foi desfazendo, um por um, cada populismo que o pastor tentava ensaiar. Claro que no fim o Ventura já tinha a sondagem preparada para as redes sociais, o Pacheco Pereira até lhe deu a borla do “Ventura arrasa”, repetiu a história das palas sempre que não sabia o que dizer e foi interrompendo sempre, mas sempre, o raciocínio de um homem já com alguma idade, sem que o moderador lhe dissesse, por uma vez, “cala-te facho”.

Mais para o fim, claramente, o Pacheco Pereira foi perdendo a paciência e meteu-se por campos desnecessários (como por exemplo dar importância às candidaturas de Loures) mas louvo a coragem do homem.

Meteu-se a jeito para ser o meme da cheganada por uma semana: tem não sei quantos broncos, que não faziam ideia de quem ele era, a escorrer insultos e ainda teve que tentar ser educado em frente a um porco demagógico.

Contudo, mostrou a quem quis aprender, que o conhecimento é sempre a forma mais direta de se abalroar um populista. Dir-me-ão que deu palco a Ventura mas, convenhamos, para alguém que dá entrevistas “exclusivas” todas as semanas, que não são mais do que momentos de propaganda, acaba por ser serviço público vê-lo a ser entalado pelos factos e a ter necessidade de puxar de todos os truques dos tempos da CMTV.

Para o milhão que Ventura falou, nada muda. Muitos foram ontem ver o que era aquilo do PREC. Li uma apoiante de Ventura a dizer que, depois de ver o trauma do avô em resultado da guerra colonial, não tinha que estar a ouvir comunistas. Portanto, entre esta espécie particular de burros, há quem imagine que os comunistas é que mandaram os avós para África.

Para os outros 9 milhões, que estavam entre os alvos de Pacheco Pereira, certamente alguns ficaram mais esclarecidos sobre a diferença entre um facto e uma mentira. Ou até sobre formas básicas de misturar conceitos, criar narrativas e comparar o incomparável. Esteve lá tudo. Era só ouvir e depois, pensar.

Obrigadinho, Zé.

Gosta da Estátua de Sal? Click aqui.

O virtuoso André Ventura e as desventuras do Chega

(Carlos Esperança, in Facebook, 25/03/2026, Revisão da Estátua)

O padre Poças e o André.

Gosta da Estátua de Sal? Click aqui

Cresce a surpresa e incredulidade dos portugueses, à medida que aumenta o número de militantes suspeitos de pedofilia, sendo o Chega o partido que mais defende a família, a moral e os bons costumes. Já lhe bastava a delinquência de tantos em tão diversificados crimes!

Crimes tão escabrosos não podem deixar de chocar quem, de boa fé, esperava do Chega a defesa das virtudes cristãs, sabendo que o líder anda sempre com o rosário no bolso, um artefacto precioso para prevenir tentações e, quiçá, maus-olhados.

Talvez seja desígnio da Providência sujeitar a tão rude provação o bem-aventurado líder do Chega – o Senhor castiga os que mais ama -, e nem assim ele renegará o chamamento da fé e a mensagem que recebeu do Divino para salvar Portugal.

Não é a primeira vez que o 4.º Pastorinho é posto à prova. Quando vários padres foram acusados de pedofilia, Mário Rui Pedras, virtuoso pároco da igreja de São Nicolau, na Baixa de Lisboa, confessor e diretor espiritual de André Ventura, foi suspenso do múnus por suspeitas de pedofilia; mera suspeita, mas calcula-se o que terá sofrido o confessado com a suspeita sobre o confessor que o iniciou no serviço do Divino!

A presunção de inocência manteve-se para o padre Mário Pedras e não faltou aconchego pio ao confessado. Há de ter surgido outro padre para o confessar, absolver e ministrar-lhe a eucaristia, mas nunca mais revelou o nome do novo diretor espiritual.

Encharcado em sacramentos, com batismo, confirmação, eucaristia e penitência, André rumou ao Seminário de Penafirme aos 14 anos. Que manhãs submersas o terão aflito ali para que em 6 de dezembro de 2019, apresentasse na AR o projeto de lei para a agravação de penas em crimes de abuso sexual de menores, incluindo a implementação da castração química? Mário Rui Pedras foi o padre que o aliciou aos 14 anos, e, ao que se sabe, só para os sacramentos e para o seminário.

A devoção do pio da madraça de Passos Coelho não ficou sem direção espiritual e, na sua idade, já não corre perigo de ser importunado por abusadores de crianças.

Há, na foto acima, o êxtase de quem pensa na Senhora de Fátima e não na fruição da mão que lhe aconchega o braço.