Feliz Ano Novo

(Estátua de Sal, 30/12/2025)


Para todos os que me lêem e seguem aqui ficam também os meus votos de Bom Ano Novo. E, se não for pedir muito às divindades, melhor um pouco do que 2025. Pelo menos, tenhamos essa luz e essa esperança.

Deixo-vos abaixo um notável texto de Carlos Drummond de Andrade, sobre o Ano Novo, escrito há alguns anos mas que, hoje, com a guerra na Europa à nossa porta e o massacre em curso em Gaza, tem uma redobrada acuidade.

(Estátua de Sal, 30/12/2025)


Carlos Drummond de Andrade, “Receita de Ano Novo”. Editora Record. 2008


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A União Europeia atravessou o Rubicão

(José Catarino Soares, 28/12/2025) 


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O Conselho Europeu de 18 de Dezembro de 2025 decidiu imobilizar por tempo ilimitado (ou seja, na prática, confiscar) os ativos soberanos do Banco Central da Rússia.

A realidade imita a ficção literária

Por outras palavras, o Conselho Europeu decidiu dinamitar os alicerces (a confiança na neutralidade política) do sistema bancário da União Europeia — um gesto heroico que faria inveja ao “Banqueiro Anarquista” de Fernando Pessoa!

Mas o Conselho Europeu não se ficou por aí. Decidiu também conceder um empréstimo (sem juros) de 90 mil milhões de euros à Ucrânia para que esta possa prosseguir no seu esforço de guerra em 2026 e 2027.

Um empréstimo para ser pago só com sangue, calafrios e lágrimas

A ideia inicial da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, do presidente do Conselho Europeu, António Costa, e da vice-presidente da Comissão Europa e Alta Representante da União Europeia para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança, Kaja Kallas, era a de garantir o reembolso do empréstimo com os ativos confiscados ao Banco Central da Rússia.

Mas a oposição aberta da Bélgica, Hungria, Eslováquia e Chéquia, juntamente com a oposição em surdina da Itália, Malta e Bulgária a essa modalidade de “empréstimo”, obrigaram a abandonar o plano inicial. Quem pagará o empréstimo serão os Estados-membros da UE que o aprovaram — ou seja, em última análise, os contribuintes desses Estados.

Na verdade, não se trata, para a Ucrânia, de um empréstimo, mas de uma doação disfarçada de empréstimo, visto que a Ucrânia só é obrigada a reembolsá-lo se e quando a Rússia lhe entregar uma soma equivalente ou maior a título de “reparações”. Mas isso nunca ocorrerá. No fim de uma guerra, quem, por vezes, é obrigado a pagar reparações é sempre a parte derrotada, nunca a parte vencedora. 

Quem pagará o empréstimo serão, de facto, os contribuintes dos 24 Estados-membros (Portugal incluído) da União Europeia que se comprometeram a ser os seus avalistas. À Ucrânia a União Europeia pede apenas que lhe pague em sangue, calafrios e lágrimas russas, mas que, como tudo o indica, serão bem mais abundantes do lado ucraniano.

Uma mudança qualitativa na natureza da UE

Pela primeira vez na história da União Europeia (UE), 24 Estados-membros (todos os Estados-membros menos a Hungria, a Eslováquia e a Chéquia) concederam conjuntamente um empréstimo de guerra a um Estado que não pertence à União Europeia e que está em guerra com outro Estado (a Rússia), que também não pertence à União Europeia. Com esta decisão a União Europeia (UE) atravessou o Rubicão [1].

«Não se trata de um pormenor técnico, mas sim de uma mudança qualitativa [na natureza da UE, n.e.].

A lógica de um empréstimo é clara: quem empresta dinheiro quer recebê-lo de volta. Neste caso, o reembolso não está ligado ao crescimento económico ou à estabilização, mas sim à vitória militar.

Para que esse dinheiro seja recuperado, a Rússia teria de ser derrotada. Essa não é a lógica da paz, mas a lógica da guerra. Um empréstimo de guerra inevitavelmente faz com que os seus financiadores se interessem pela continuação e escalada do conflito, porque a derrota também significaria uma perda financeira. A partir deste momento, já não estamos a falar apenas de decisões políticas ou morais, mas de restrições financeiras rígidas que empurram a Europa numa direcção: a guerra.

A lógica de guerra de Bruxelas está, portanto, a intensificar-se. Não está a abrandar, não está a diminuir, mas a institucionalizar-se. O risco hoje é maior do que nunca, porque a continuação da guerra está agora associada a um interesse financeiro». [n.e. = nota editorial]

A política tem horror ao vazio

Este comentário, tão arguto e certeiro, não foi feito por um candidato ou por uma candidata à presidência de República portuguesa. Não existem, em Portugal (e não apenas em Portugal), candidatos, quer se digam de “esquerda” ou de “direita” ‒ ou de “centro” (??) ‒, capazes de dizerem verdades tão óbvias como estas, e delas tirarem as necessárias ilações. E como a “esquerda” não as diz, sobra espaço à “direita” ‒ numa “direita” que se quer nacionalista e iliberal, mas também pacifista (uma combinação que não tem expressão parlamentar em Portugal, mas que existe noutros países da Europa) ‒ para as dizer ocasionalmente, aparecendo então aos olhos do público como a encarnação da sanidade mental e da razão.

O comentário supracitado é de Viktor Orban (!), Primeiro-Ministro da Hungria, no X, em 20 de Dezembro de 2025. E termina assim:

«A Hungria está deliberadamente a não seguir este caminho perigoso. Não participamos em iniciativas que levam os participantes a prolongar a guerra. Não procuramos um caminho rápido para a guerra, mas sim uma saída para a paz. Isto não é isolacionismo, mas sim sobriedade estratégica. É do interesse da Hungria e, a longo prazo, também da Europa.»

Um legado muito esquecido, mas atual

É o universo dos partidos e movimentos políticos que nos aparece assim como se estivesse virado de pernas para o ar — salvo se tomarmos como parâmetros de referência da esquerda, no que diz respeito às verbas para a guerra, à propaganda da guerra e às minorias nacionais oprimidas, (i) o legado antimilitarista e antiguerra de Jean Jaurès (França); Karl Liebknecht e Otto Rühle (Alemanha); James Connolly, James Larkin, Sean O’Casey, William O’Brien e Cathal O’Shannon (Irlanda); Eugene Debbs, Kate Richards O’Hare e Charles Schenck (EUA) e (ii) o legado antijingoísta, antinacionalista e étnico-igualitário da unidade e autodeterminação nacional de Vladimir Medem (Rússia) e Roman Rosdolsky (Ucrânia) [2], ambos os quais,  (i) e (ii), a esquerda putativa fez desaparecer num “buraco da memória” Orwelliano.

Esse legado resume-se em poucos parágrafos.

1) Oposição total às guerras e às políticas imperialistas — como, por exemplo, as da OTAN e de Estados-membros da OTAN na Bósnia e Herzegovina (1992-1995), na República Federal da Jugoslávia (1999), no Afeganistão (2001-2021), na Líbia (2011) e na Rússia, por interposta Ucrânia (2015-2022; 2022-2025); ou as de Israel e dos EUA na Palestina, Líbano, Síria e Irão.

2) Oposição total à corrida aos armamentos, ao militarismo, à propaganda da guerra e aos preparativos para a guerra — como, por exemplo, os que têm vindo a ocorrer em crescendo na UE e nos Estados-membros da UE, desde o início de 2025, a pretexto de uma fantasiosa ameaça de ataque, invasão e conquista por parte da Rússia;

3) Numa guerra civil, defesa incondicional da parte oprimida e mais fraca que tenha pegado em armas para se defender do ataque genocida da parte opressora e mais forte. É o caso, por exemplo, da defesa da população maioritariamente russa, russófona e russófila da Donbass na guerra fratricida, pérfida e cobarde que travaram contra ela, de 2014 a 2022, os governos ucranianos saídos do golpe de Estado sangrento (22 de Fevereiro de 2014) que derrubou, sem qualquer suporte constitucional, o presidente livremente eleito da Ucrânia, Viktor Ianukovych.

4) Num país historicamente plurinacional, defesa do reconhecimento e respeito escrupuloso pelo direito de autodeterminação das suas componentes nacionais (especialmente as minoritárias), nas suas diversas modalidadesautonomia étnica transterritorial [3], autonomia étnica regional, federalismo étnico [4], secessão, integração voluntária num outro país. É o caso, por exemplo, das populações da Crimeia, do Leste (Donbass) e do Sul da Ucrânia que se sentem mais russas do que ucranianas e que expressaram (ou expressarem) livremente a sua vontade de autodeterminação através de referendos convocados para esse efeito.

5) Sempre que, num determinado país historicamente plurinacional, o respeito pela integridade territorial do Estado entre em conflito aberto com o direito à autodeterminação das populações etnicamente diferenciadas que vivem no seu seio, o conflito deve ser resolvido, na medida do possível, por meios pacíficos e diplomáticos. Em todos os casos, porém, a solução justa do conflito só é possível se for aceite o princípio de que o direito à autodeterminação dos povos deve prevalecer sobre a integridade territorial do Estado em causa [5].

O desrespeito por este princípio só pode levar à guerra. Foi o que sucedeu na Ucrânia, com o desrespeito dos Acordos de Minsk (2014, 2015), que previam uma alteração da Constituição da Ucrânia de modo a acolher e garantir a autonomia étnica regional das populações dos oblasti de Lugansk e Donetsk, na Donbass, que se tinham sublevado vitoriosamente contra a opressão nacional de que eram alvo por parte dos governos ucranianos saídos do golpe de Estado de 22 de Fevereiro de 2014.

Se a Ucrânia, a França e a Alemanha tivessem cumprido esses Acordos que foram celebrados entre a Ucrânia e as Repúblicas Populares de Donetsk (RPD) e Lugansk (RPL) e que tinham sido mediados e avalizados pela França e pela Alemanha (por parte da Ucrânia) e pela Rússia (por parte da RPD e da RPL), em vez de os sabotarem ciente e sistematicamente, não teria havido uma guerra fratricida na Donbass que fez mais de 14 mil mortos (a grande maioria dos quais civis) durante 8 anos (2014-2022).

E também não teria ocorrido a “Operação Militar Especial” (OME) que a Rússia desencadeou para responder ao grito de socorro que a RPL e a RPD lhe lançaram. Uma OME que haveria de se transformar, por intervenção maciça dos EUA, do Reino Unido, da UE e da OTAN, numa guerra devastadora para a Ucrânia e muito debilitadora para toda a Europa — uma guerra que já dura há quase quatro anos e que só agora se aproxima do fim por exaustão de uma das partes beligerantes. 

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NOTAS

[1] A expressão tem origem histórica. Em 49 a.C., Júlio César cruzou o rio Rubicão com as suas legiões. Ao fazê-lo, violou uma lei do Senado romano que proibia os generais de entrarem em Itália com exércitos, cruzando o Rubicão que servia de fronteira natural entre a província da Gália Cisalpina e o território directo de Roma (Itália). Destarte, ao cruzar o Rubicão, Júlio César cometeu um acto de insubordinação da maior gravidade que deu início à Guerra Civil Romana.

[2] Outros nomes poderiam ser acrescentados tanto em (i) como em (ii), mas esforcei-me por manter a lista curta, representativa e memorável.

[3] Por autonomia étnica “transterritorial” deve entender-se uma autonomia étnica aplicável em toda a extensão territorial de um determinado Estado. É o caso, por exemplo, da Suíça, onde três idiomas (Francês, Alemão e Italiano) têm estatuto oficial paritário (isto é, transterritorial) em toda a Federação Helvética (vulgo, Suíça). A autonomia étnica “transterritorial” tem como seu dual a autonomia étnica “intraterritorial” ou “regional”, isto é, aplicável nos limites de uma ou várias regiões de um Estado. É o caso, por exemplo, do Alemão e do Ladino que têm ambos estatuto oficial paritário (juntamente com o Italiano) no Tirol do Sul (Província de Bolzano) no Norte de Itália. Nesta região de Itália, o Alemão é simultaneamente o idioma maioritário e um dos três idiomas oficiais. Na prática, os dois conceitos de autonomia étnica (transterritorial e intraterritorial/regional) sobrepõem-se parcialmente em muitos casos. Por exemplo, embora o Francês, o Alemão e o Italiano tenham todos um estatuto paritário de transterritorialidade na Suíça, cada um destes idiomas é falado maioritariamente em certas regiões (cantões) e não noutras, por razões sociodemográficas com um grande lastro histórico.

[4] A Rússia é um exemplo de “federalismo étnico”. Por étnico deve entender-se, apenas e tão somente, linguístico-cultural. O conceito antropológico de etnia nada tem a ver com as noções obscuras de “raças humanas” e de “pessoas racializadas” (de cariz zootécnico), tão caras a todas as doutrinas de “supremacismo racial”: nazismo, sionismo, Ku Klux Klanismo, banderismo, apartheid, etc. Mais ainda, o conceito de etnia ou grupo étnico foi criado expressamente não para complementar o de “raça”, mas para banir definitivamente este termo do vocabulário técnico da antropologia, confinando-o à gíria dos criadores de cães, cavalos, gado bovino (incluindo touros bravos) e outras espécies de animais domésticos. Expressões como “quotas étnico-raciais”, tão caras ao “Bloco de Esquerda” e ao “Livre” (dois partidos políticos portugueses com assento parlamentar), são oximoros monstruosos.

[5] É fácil de compreender porquê. A integridade de um território só vale se for necessária para garantir a integridade de todos os seus habitantes. Seja qual for o país, só pode haver nele paz e desenvolvimento equilibrado e com benefício mútuo para os seus habitantes se as relações sociais entre eles num certo território forem baseadas no consentimento esclarecido e na entreajuda e não na coerção e na opressão de uma classe social sobre as outras ou de um grupo étnico sobre os demais.

O peso cultural e social de se estar “em cima” ou “em baixo”

(Pacheco Pereira, in Público, 27/12/2025)

Pacheco Pereira

Um dos traços mais presentes no nosso povo, de cima a baixo, dos pobres e dos ricos, é a prevalência de comportamentos conformes ao lugar social de cada um.


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Nunca fui da escola da “identidade dos portugueses” que teve um papel relevante no Estado Novo e que, de vez em quando, emerge com a ascensão do nacionalismo, como se passa nos dias de hoje com formas bastante perversas. Uma delas foi o exemplo nacional que o primeiro-ministro resolveu dar aos portugueses com um jogador de futebol, o Ronaldo, que é hoje um pajem de um assassino saudita, o que, aliás, não é alheio aos momentos em que parece que apenas o futebol enche o peito da turba com Portugal. É irónico ver agitar as bandeirinhas de um estranho Portugal que em vez das quinas tem pagodes chineses, mas não deixa de ser um retrato da correlação forte entre o nacionalismo futebolístico e a ignorância.

Mas nasci em Portugal, sou português, patriota no sentido em que me honram a língua, a literatura e, quer queira quer não, fui feito pela nossa história, muitas vezes pela via mais próxima de uma família antiga e pela cidade que me “moldou”, o Porto. Por tudo isto, esta é também a minha identidade, e dá-me pena e preocupação que tudo o que nós temos de melhor, e nalguns casos de muito melhor, como é a nossa ímpar literatura e o seu instrumento, a nossa língua, estejam numa profunda crise, exactamente quando elas são, mais do que nunca, necessárias para a boa “identidade” dos portugueses. É por isso que é um insulto aos portugueses atirar-nos como modelo motivacional da psicologia barata o Ronaldo. Estamos ao nível do Big Brother.

Mas, como de costume, os nossos nacionalistas, que se excitam todos por se dizer que fomos um povo esclavagista, ficam cegos, surdos e mudos quando um país que teve Fernão Lopes, João de Barros, Fernão Mendes Pinto, Damião de Góis, Manuel Bernardes ou o Padre António Vieira — e não é por acaso que escolho estes nomes —​ aparece personificado por um jogador de futebol de uma forma que nunca teria sido usada para o Eusébio, a começar porque este era preto.

Uma das razões pelas quais quando se olha para Portugal com a obsessão identitária se comete um erro que não é inocente é esquecermos um dos traços mais presentes no nosso povo, de cima a baixo, dos pobres e dos ricos, é a prevalência de comportamentos conformes ao lugar social de cada um.

Quem esteja atento, percebe que quem está em cima sabe onde está e lembra-o a quem não o veja nesse lugar e não reconheça a sua autoridade social, assim como quem está em baixo sabe muito bem qual é o seu lugar e quais os custos de não o reconhecer na submissão, mesmo invisível. Quanto aos do meio, é mais complicado, porque é um mau lugar para se estar, muito incómodo, principalmente quando se olha para cima e nunca se é tratado como igual. Toda uma indústria vive deste dilema da classe média, a começar pelos reality shows, das revistas do jet set à moda e aos seus os locais, sejam ginásios, sítios de férias, restaurantes, viagens, espaços de consumos culturais. Mas numa sociedade profundamente desigual no plano económico, cultural e social os comportamentos fixam-se no lugar onde se está e onde se deve estar.

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Há muitos exemplos de como essa hierarquia se “respira” como o ar. Por exemplo, a GNR, que fazia durante a ditadura as prisões nos campos, sabia que lhes podia começar a bater mal entravam na carrinha, enquanto a PIDE torturava, mas não deixava de saber de que família vinha o preso e proceder em consequência. Por outro lado, o escritor que escreveu um romance histórico sobre o escândalo dos Ballet Rose cometeu um anacronismo quando colocou um nobre titular envolvido a almoçar com um agente da PIDE, coisa que ninguém da “alta”, criminoso que fosse, faria, porque um agente da PIDE não se colocava na mesma mesa de um conde ou marquês. Um outro exemplo é a crueldade dos pobres com os outros pobres. O recente episódio de o ministro da Educação — que tem, como se diz, origem “humilde” — achar natural dizer que os estudantes das classes baixas são pobres, porcos e maus, e que por isso estragam as residências universitárias, é outro exemplo.

A dificuldade de tratar o peso das hierarquias sociais em Portugal é que elas transportam no seu interior aquilo a que os marxistas chamam “luta de classes”, ou seja, remetem para a desigualdade e a exclusão, como se dizia em termos pedantes, para a Weltanschauung.

Percebo muito bem que olhar se pode ter sobre o que eu escrevi, no fundo, criticar o Ronaldo, atirar ao Chega os erros de ortografia, e confrontar os nossos governantes que estão todos a “reler o Eça” (a resposta mais comum à pergunta sobre que é que estão a ler) com Fernão Lopes padece de um total e completo snobismo. Talvez, mas, exactamente por aquilo por onde comecei, é que responder à bruta à ignorância agressiva dominante é a melhor maneira de ser patriota. Ah! E outra coisa: lutar para que os portugueses ganhem mais, saiam da pobreza, tenham mais opções na sua vida, tenham uma boa e justa vida, o grande objectivo da democracia, a felicidade.