Dores de crescimento

(Hugo Dionísio, 24/10/2023)

O nível de encenação a que assistimos, na cobertura que os órgãos de comunicação dominantes fazem dos factos da guerra, só é comparável com a brutalidade do aparato de censura, cancelamento e doutrinação, colocados em vigor, num muito pequeno espaço de tempo.

Se, no primeiro caso, as “técnicas” desenvolvidas na cobertura mediática do conflito na Ucrânia representaram um exemplo deplorável, tão condenável quanto seguido, da construção de uma narrativa, cujo carácter sensacional convive com a distância em relação à realidade; no segundo caso da guerra de Israel, a eficácia e vastidão do sistema de censura colocado em prática, representam todo um novo nível de intervenção das classes dominantes, conseguindo, em dias, o que, no conflito ucraniano, demorou meses a atingir O que nos dizem estas diferenças?

A primeira coisa que me vem à cabeça é “descuido”; a outra é “desespero”. Imagens como aquelas a que temos assistido, com o monstro adormecido, Biden, a fazer referência a imagens que nunca viu, sabendo que se trata de notícias falsas (como no caso das criancinhas ou do hospital); imagens e áudios fabricados para fazer parecer que aconteceu o que não teve lugar; jornalistas a atirarem-se para o chão, fingindo estarem a proteger-se de bombas enquanto transeuntes circulam ao seu lado com toda a calma; jornalistas assassinados, vítimas enquanto “danos colaterais” por estarem a fazer o seu trabalho… Tudo aponta para o descontrolo, o desespero e a tomada de medidas contingentes que visam conter a enchente.

Neste momento é muito claro, até pela proposta que o monstro adormecido,Biden, faz ao Congresso, que os EUA se encontram envolvidos por uma profusão de fogos, por si ateados, não sabendo para que lado soprar com mais força. O pacote de mais de 100 mil milhões de dólares, incorpora dinheiro para a Ucrânia, a maior fatia, para Israel, para Taiwan e para combater a influência chinesa no domínio da comunicação, ou seja, mais e mais fake-news, uigures e trabalhos forçados sobre a China. O problema é que, qual saco de gatos, cada republicano que abre a boca, seja Lindsey Graham, seja Mitch Mcconnel, todos têm conceções diferentes sobre onde e como atacar o Eixo do Mal. Aliás, esta terminologia, criada por G. W. Bush em 2002, continua em voga, cristalizando-se no tal país que, segundo a propaganda liberal, não tem medo da mudança! Ah! Pois não!

A verdade é que, todas estas reacções, umas brutalmente desastradas, outras violentamente desesperadas, denunciam uma realidade factual que não escapa a um sem número, cada vez maior, de pessoas. É que a fractura social provocada pela situação no Médio Oriente, nas sociedades ocidentais, é de uma profundidade proporcional à desigualdade de forças dos interesses em confronto, tanto cá, como lá.

Se no caso da guerra, a que opõe a NATO à Rússia, passada na Ucrânia, cujo povo é usado como exército, as fracturas sociais, causadas pelos interesses em confronto, se demoraram a sentir e apenas se fizeram notar quando o cinto começou a não ter buracos para tanto emagrecimento, quando o carro começou a ficar na garagem e quando ligar o aquecimento se tornou um luxo; já no caso do conflito em curso no Médio Oriente, as ondas de choque e o antagonismo social, não passam ao lado de ninguém, envolvendo toda uma massa humana consolidada pela história de 75 anos de ocupação, opressão e apartheid (se contarmos apenas a partir de 1948 ao invés de o fazermos a partir da declaração de Balfour e do mandato britânico).

Diga-se, em abono da verdade, que, no caso português, nem numa situação, nem noutra, as fracturas estão suficientemente expostas para que coloquem em causa a coesão social; o que já não é o caso de países como a França, a Inglaterra ou a Alemanha. Nesses casos, em especial dos continentais, os seus governantes, em face de uma contestação social que já não é de hoje, consideraram, simplesmente, que o sistema não comporta o nível de protesto que se fez antever. A solução, muito típica de sistemas que dizem uma coisa e fazem o seu oposto, foi a mesma de sempre, proibir, proibir, proibir. E assim, perante o desespero causado pela sensação de descontrolo, rapidamente se volta à sociedade proibitiva que se dizia ultrapassada.

Mas, mesmo no nosso “brando” Portugal, nunca a causa palestiniana levou tanta gente a uma manifestação como a última realizada no Martim Moniz, na qual a representação jovem era muito considerável. Ao contrário, já a concentração pró-israelita apenas logrou levar à rua umas meras dezenas de manifestantes. Já se sabe que a direita, nestas coisas da rua, tem de lhe doer mesmo muito no bolso para que deixem o conforto das suas coberturas e moradias, limitando-se, normalmente, à utilização do imenso e socialmente desproporcionado poder que tem na comunicação social – cuja propriedade detém – e nas redes sociais, cujos bolsos profundos e recheados fazem maravilhas na compra de publicidade que aumenta, tão artificial como exponencialmente, as visualizações, sugestões, likes e demais variáveis algorítmicas.

O seu imenso poder económico também faz milagres quando se trata de cancelar e promover a censura, perseguição e estigmatização de quem promove os interesses contrários. Quando de cancelamento se trata – novo termo para a velhinha censura -, nem as maiores estruturas propagandísticas sobrevivem. A prová-lo está o sucedido com Paddy Cosgrove, co-fundador do enorme sucesso de marketing sociopolítico, a WebSummit. Um evento que propagandeava o novo e pós-industrial “Admirável Novo Mundo Digital”, não parece ser capaz de resistir às ondas de choque que se fazem sentir na decorrência do sucedido no dia 07/10/2023. Digo, apenas 07/10/2023, porque, para os interesses dominantes, todos os olhares se resumem a esse fatídico, mas muito previsível, momento. O momento que suscitou a corrida descuidada e desesperada a que assistimos agora. O momento análogo ao famoso “a guerra começou em 24/02/2022”.

O CEO da WeSummit terá mesmo acreditado que, por lhe terem concedido a tolerância para convidar um Noam Chomsky, em 2022, ou um Snowden em 2019, que o mundo digital das plataformas de Silicon Valley seria realmente livre? Será que ele não tinha percebido, entre muita fanfarra e glamour que, aqui e ali, os pesos pesados do capital tecnológico apenas permitiam umas figuras da “esquerda” liberal identitária, porque era preciso dourar a pílula e criar a ideia que, no Admirável Novo Mundo Digital, haveria espaço para todos? Paddy Cosgrave terá programado muitos algoritmos, ou talvez seja também propaganda, mas deveria ter lido o “Admirável Mundo Novo” de Aldous Huxley. Teria entendido que a maior capacidade tecnológica nas mãos erradas, produz um mundo errado. Um mundo errado, comandado por uma elite desesperada e descuidada é capaz de produzir efeitos realmente imprevisíveis.

O que não foi nada imprevista foi a reação de Silicon Valley às declarações de Paddy Cosgrave. É verdade que o único crime que Paddy Cosgrave cometeu foi o de pensar e opinar sobre o que considerava justo. Mas, no “Admirável Mundo Novo Digital”, todos tomam “soma” para não sentirem as contradições que o mundo contém. Nesse contexto, a droga que Huxley inventou para que as suas personagens não tivessem emoções, é substituída, por doses intermináveis de cancelamento, fake-news e muita, mas mesmo muita estupidez, em doses directamente proporcionais ao poder mediático que as grandes oligarquias financeiras têm sobre os meios de comunicação. Quando alguém a não toma, vê o que não deve, e, tal como no livro de Huxley, o poder não lho perdoa!

E foi assim que Paddy Cosgrave percebeu – e todos nós também – que, a ligação entre o poder hegemónico dos EUA e a existência do estado de Israel com as características arbitrárias, autoritárias e intolerantes, que se lhe conhecem, não é fonte de acaso, sendo, antes, uma relação umbilical, simbiótica, vital. Com este poder, tudo fia mais fino. O espaço para qualquer questionamento, no âmbito mediático, principalmente em eventos de grande abrangência, é próximo do zero. A forma urgente como se comportaram a META (Facebook, Instagram e Whatsapp), Alphabet (Youtube, Google), Amazon, Intel (microchips), Siemens, e outros pilares do Admirável Novo Mundo Digital, demonstra que, os termos “desespero” e “descuido” cabem muito bem na caracterização. Tomar a acção que tomaram, relativamente à organização em causa, não pode deixar de alimentar as ondas de choque que estas visariam, precisamente, evitar.

O que eu daria para saber agora o que vai na cabeça de um Carlos Moedas, uma figura paradigmática de um moçoilo bem-comportado do mundo digital (até o confundo com o Medina, tal a similaridade do perfil). “Livremente” obediente aos poderes de facto que nos governam, não pode vir defender a WebSummit; mas precisaria de a defender para defender a sua imagem e a imagem da Lisboa que diz querer mudar (e como a tem mudado… para pior, o que era difícil). Como sairá Moedas deste imbróglio sem ofender os seus patrocinadores?

O facto é que, se as semelhanças existem, mais ao nível do modus operandi, as diferenças para o caso ucraniano são absolutamente decisivas, por mais que Mariana Mortágua comparasse Israel à Ucrânia, ou o HAMAS à Rússia. Se, no caso ucraniano, ainda houve espaço para algum dissenso, aqui e ali, na comunicação social e, principalmente, nas redes sociais – isto apesar da censura dos canais de massas do “inimigo” -, no caso do reino dos sábios do Sião, não há possibilidade de dissenso possível. É o “estão comigo, ou contra mim”, mas em esteróides.

A diferença entre a situação ucraniana e a israelita é tão abissal que, quando se trata de defender os interesses do sionismo em Israel, a Ucrânia, com que há dois anos levamos 24/7, 365 dias por ano e 60 segundos por minuto, é apagada do mapa! Portanto, não foi apenas na WebSummit que se fizeram sentir as diferenças fundamentais, sistémicas, entre o “apoio” a Kiev e o apoio ao estado de Israel, mesmo na sua versão sionista mais radical. Essa diferença nota-se no unanimismo do congresso americano, no silêncio da União Europeia e no comportamento regrado de todos os burocratas políticos do arco do poder, de todos os países da UE. Aliás, deixem-me que pergunte: ainda existe a União Europeia? Onde anda Úrsula Von Der Liar?

A reacção dos poderes de facto, a qualquer enunciado que coloque em causa estes interesses, é tão violenta, tão brutal e decisiva, que visa afastar, desde logo, qualquer veleidade em emitir o mínimo vociferar que destoe do normal ruminar. A agressividade demonstrada pelos monopólios do digital, dos embaixadores dos EUA (seguramente) e (reconhecidamente) dos diplomatas de Israel, relativamente ao CEO (isto de se ser CEO tem as suas implicações em matéria de mordaça) do WebSummit, é mesmo para deixar qualquer um petrificado e em sentido. Não há melhor mordaça para esta gente do que o medo da perda do acesso às migalhas, a que muitos também chamam “sucesso” e outros “meritocracia”.

Se, mesmo na Ucrânia dominada por Kiev, os jornalistas ocidentais só começaram a ver o seu acesso ao terreno em causa, a partir do momento em que se percebeu que a teoria da vitória era, isso mesmo, uma teoria; em Israel, os jornalistas são simplesmente impedidos de entrar nos locais do conflito, e muito menos em Gaza.

Daí que, nos telejornais do fact-checking e do polígrafo, se multipliquem as peças sobre os reféns, sobre o dia 07/10 e sobre os reféns, e sobre o dia 07/10, e mais uma vez sobre os reféns e sobre o dia 07/10.

Mas na Ucrânia, o poder hegemónico dos EUA sentia-se ainda, no controlo. É claro que já sentia a pressão da urgência, mas, mesmo assim, ainda podemos detectar um vislumbre de estratégia, embora tudo fosse muito marcado pelos tacticismos, alguns deles muito amadores. Mas hoje, no tempo que corre, não há nenhum indício que nos dê a certeza definitiva de que o poder hegemónico se sente no controlo. E não sou eu apenas quem o diz, são os diversos poderes que o pressentem. Que mensagem passa Mahmoud Abbas quando rejeitou a reunião com Biden? E que mensagem passa o Ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão quando não recebe as chamadas de Blinken? E que mensagem passam as autoridades dos EUA quando, ao invés de ameaçarem, como era costume, se resumem ao silêncio? Penso que dois porta-aviões e 2000 marines são resposta suficiente para o que esta gente deve estar a sentir, em face de tão enorme impotência!

Em Gaza, no que à imprensa diz respeito, só lá estão os jornalistas que lá estavam e que ainda não foram assassinados pelo… É melhor não escrever, pois não quero que cancelem o que escrevo. Mas vocês sabem bem a que poder me refiro. E é nesta fase que eu me lembro do que escreveu o filósofo José Gil no jornal o Público. Diz José Gil que, o que faz com que Israel conte com a simpatia da maior parte das pessoas é o facto de o Hamas tratar de forma tirânica, o povo palestino de Gaza, e, ao invés, Israel ser governado por um poder democrático.

Coisas da construção da opinião colectiva à parte, mas que não deveriam escapar a um filósofo; dizer que um estado que impõe um apartheid sobre um povo, sobre os árabes que habitam o seu território; um estado que prende e julga crianças, o qual detém anos a fio, sem acusação e sem processo crime; que há mais de um século ocupa e despeja de suas casa os árabes que vivem na Palestina… É um poder democrático… É razão para dizer, se a democracia não garante um tratamento mais humanista do que as piores ditaduras, estamos perdidos.

E novamente voltamos ao descuido e ao desespero. José Gil, como um equilibrista na corda bamba, também diz que outra razão pela qual as pessoas tomam o partido de Israel está no facto de o Hamas ser conotado com o mal. Ora, eu cá para mim não sei, mas pelo que vejo, quase metade da população judaica de Israel não está nada de acordo com José Gil. A quantas manifestações temos de assistir com gente a chamar ao Bibi corrupto, ditador e terrorista? Também não gostam do HAMAS? Claro que não! E quantos palestinos gostam de Bibi? Não valerão o mesmo, ontologicamente, as opiniões de uns e outros?

E não saberá José Gil que, se o Hamas é mau, que tal “maldade”, para além de se tratar de uma categoria eminentemente moral, a mesma não resultará, ao invés, da exploração de um atroz sofrimento causado pela frustração, pela desesperança e pela perpétua humilhação a que aquele povo é submetido? Não estudou ele, José Gil, como a miséria, a desesperança e o medo moldaram e cimentaram o fascismo que se alimenta desse horror? Como pode uma pessoa que se diz “filósofo” passar ao lado dos efeitos que tal sofrimento tem na consciência individual e colectiva de um povo? E por fim, como pode José Gil passar ao lado da influência que os poderes de facto têm, através do controlo dos meios de comunicação, na construção das opiniões? Será que José Gil vive num vácuo?

O que me parece é que, como filósofo, José Gil sabe melhor do que ninguém quais os poderes que estão em causa, e, como tal, tendo que viver “dentro”, porque “fora” não dá, pressentindo o desespero com que os mesmos tratam qualquer vislumbre de dissensão, o que faz o filósofo é recorrer à racionalização. Fosse pela ciência e José Gil saberia que a liberdade não existe no vácuo e não prospera em sociedades marcadas pela violência, pela opressão e pelo medo. Daí que as piores ditaduras fomentem o medo, para depois fazerem prosperar a alienação. Daí que 1984 de Orwell assente na ideia de guerra eterna e os EUA de hoje tenham medo da sua própria sombra, dividindo o receio entre Big Foot, Aliens e Ovnis, Chineses, Russos, Cartéis mexicanos, latinos, gangues de negros e outras obras “satânicas”.

Por outro lado, dizer que a opressão em Gaza é resultado do Hamas, como faz José Gil, é esquecer que Gaza está cercada por muros, várias centenas de postos de controlo e o seu povo não é livre de entrar, sair, comprar, vender, emitir e transmitir as suas escolhas. Já para não dizer que, a posição de José Gil esquece as causas da própria origem do Hamas. Acusar o Hamas de negar a liberdade ao povo que governa é o mesmo que acusar os leitores de José Gil, como eu, de serem os responsáveis pela falta de liberdade que certamente sentiu ao escrever a sua análise. Lamentável.

O que José Gil pressentiu foi que a fractura social é tão profunda, a linha divisória é tão marcada, que se tornou um tormento escrever qualquer coisa que não a tivesse em conta. E tentando, acabou por ela marcado, dividido e, como tudo o que é dividido, é incongruente.

O que José Gil sabe, como todos nós, é que o desespero leva às mais imprevisíveis e inesperadas consequências. Com medo delas, optam todos por fazer o que fazem tão bem quaisquer figuras de “sucesso” quando se trata opinarem sobre assuntos sérios e fracturantes como a desproporcionalidade abissal entre a força israelita e a fraqueza palestina: dizer disparates, generalidades, ou não dizer mesmo nada!

Numa altura em o funcionário dos Rothchild, Emmanuel Macron, optou pelo disparate, e veio propor uma solução “à Síria”, para ocupar o norte de Gaza e aceder ao gás natural que aí abunda, tal como usaram o esquema “combate ao ISIS” para ocupar um terço do território sírio, devemos questionar-nos sobre quão grande é o desespero que os leva a tentar uma solução que pode fazer despoletar um conflito de larga escala. Uma segunda iteração síria em território palestino, já não apanhando ninguém de surpresa, soa a uma coisa absolutamente desesperada.

Sendo aterrador, este desespero também resulta do crescimento: do crescimento das alternativas de desenvolvimento; do surgimento de novas alternativas de luta; da construção de um novo mundo que rejeita a entrega de toda a hegemonia a um qualquer povo que se considere privilegiado ou eleito.

Nesse sentido, e com todos os perigos que caracterizam a situação, o desespero denunciado não mais resulta que das dores de crescimento de uma resistência que vai ganhando forma, tracção e momento. Sem o dizerem, todos os sabem!

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A cultura israelense da mentira

(Chris Hedges*, in Resistir, 24/10/2023)

Israel foi fundado sobre mentiras. A mentira de que a terra palestina estava em grande parte desocupada. A mentira de que 750.000 palestinos fugiram de suas casas e aldeias durante  a sua limpeza étnica pelas milícias sionistas em 1948 porque foram  instruídos a fazer isso pelos líderes árabes. A mentira de que foram os exércitos árabes que iniciaram  a guerra de 1948 que viu Israel tomar 78% da Palestina histórica. A mentira de que Israel enfrentou a aniquilação em 1967, forçando-o a invadir e ocupar os 22% restantes  da Palestina, bem como terras pertencentes ao Egito e à Síria. Israel é sustentado por mentiras.

A mentira de que Israel quer uma paz justa e equitativa e apoiará um Estado palestino. A mentira  de que Israel é a única democracia no Oriente Médio. A mentira de que Israel é um “posto avançado da civilização ocidental num mar de barbárie”. A mentira de que Israel respeita o Estado de direito e os direitos humanos.

As atrocidades de Israel contra os palestinos são sempre saudadas com mentiras. Eu ouvi-as. Eu gravei-as. Publiquei-as nas minhas histórias para The New York Times quando era chefe da filial do jornal no Médio Oriente. Cobri a guerra durante duas décadas, incluindo sete anos no Médio Oriente. Aprendi bastante sobre o tamanho e a letalidade dos dispositivos explosivos. Não há nada no arsenal do Hamas ou da Jihad Islâmica que pudesse ter replicado o enorme poder explosivo do míssil que matou cerca de 500 civis no hospital cristão árabe al-Ahli, em Gaza. Nada. Se o Hamas ou a Jihad Islâmica Palestina (PIJ) tivessem este tipo de mísseis, enormes edifícios em Israel seriam escombros, com centenas de mortos. Eles não. O som de assobio, audível no vídeo momentos antes da explosão, parece vir da alta velocidade de um míssil. Este som denuncia isso. Nenhum foguete palestino faz esse barulho. E depois há a velocidade do míssil. Os foguetes palestinos são lentos e pesados, claramente visíveis enquanto arqueiam no céu e depois descem em queda livre em direção aos seus alvos. Eles não atacam com precisão nem viajam a uma velocidade próxima da supersónica. Eles são incapazes de matar centenas de pessoas.

Os militares israelenses lançaram foguetes ‘destruidores de telhados’ sem ogivas no hospital nos dias que antecederam o ataque de 17 de outubro, o aviso familiar dado por Israel para evacuar edifícios, de acordo com funcionários do hospital al-Ahli. Funcionários do hospital também disseram que  tinham recebido  telefonemas de Israel dizendo ‘visámos vocês duas vezes para evacuar’. Israel exigiu que todos os hospitais no norte de Gaza fossem  evacuados.

Após o ataque ao hospital, Hananya Naftali, uma “assessora digital” do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu,  postou  no X, antigo Twitter: “A Força Aérea israelense atacou uma base terrorista do Hamas dentro de um hospital em Gaza”. A postagem foi rapidamente apagada.

Desde a incursão de 7 de outubro em Israel por combatentes da resistência palestina, que supostamente deixou cerca de 1.300 israelenses mortos, muitos deles civis, e viu cerca de 200  sequestrados  como reféns e levados para Gaza, Israel realizou 51 ataques a instalações de saúde em Gaza que mataram 15 profissionais de saúde e feriram 27,  de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). Dos 35 hospitais em Gaza, quatro não estão a funcionar devido a danos graves e a ataques. Apenas oito dos 22 centros de cuidados de saúde primários da UNRWA estão ‘parcialmente funcionais’, afirma a OMS.

A ousadia das mentiras israelenses surpreendeu aqueles de nós que reportámos a partir de Gaza. Não importava se tivéssemos visto o ataque israelense, incluindo o o abate de palestinos desarmados. Não importava quantas testemunhas entrevistássemos. Não importava que evidências fotográficas e forenses obtivéssemos. Israel mentiu. Pequenas mentiras. Grandes mentiras. Enormes mentiras. Estas mentiras vieram reflexiva e instantaneamente dos militares israelenses, dos políticos israelenses e dos media israelenses. Foram amplificadas pela bem oleada máquina de propaganda de Israel e repetidas com uma sinceridade enjoativa nos media internacionais.

Israel pratica tipos de mentiras de bradar aos céus que caracterizam regimes despóticos. Não deforma a verdade, inverte-a. Pinta um quadro diametralmente oposto à realidade. Aqueles de nós que têm feito a cobertura dos territórios ocupados tÊm-se deparado com as narrativas de Alice no País das Maravilhas de Israel, que obedientemente inserimos nas nossas histórias – exigidas pelas regras do jornalismo americano – embora saibamos que são falsas.

Israel inventou um léxico orwelliano. Crianças mortas por israelenses tornam-se crianças apanhadas no fogo cruzado. O bombardeamento de bairros residenciais, com dezenas de mortos e feridos, torna-se um ataque cirúrgico a uma fábrica de bombas. A destruição das casas palestinas torna-se a demolição das casas dos terroristas.

A Grande Mentira — Große Lüge — alimenta as duas reações que Israel procura suscitar — racismo entre os seus apoiantes e terror entre as suas vítimas. A Grande Mentira promove o mito de um choque de civilizações, uma guerra entre a democracia, a decência e a honra, de um lado, e o terrorismo islâmico, a barbárie e o medievalismo, do outro.

No seu romance Mil novecentos e oitenta e quatro, George Orwell chamou a Grande Mentira de “duplipensar”. O duplipensar usa “lógica contra lógica” e “repudia a moralidade enquanto a reivindica”. A Grande Mentira abole nuances, ambiguidades e contradições que podem atormentar a consciência. O seu objetivo é criar dissonância cognitiva. Não permite zonas cinzentas. O mundo é preto e branco, bom e mau, justo e injusto. A Grande Mentira permite que os crentes tenham conforto – um conforto que procuram desesperadamente – na sua própria superioridade moral, ao mesmo tempo que anulam toda a moralidade. Alimenta aquilo que Edward Bernays chamou de “compartimento à prova de lógica da adesão dogmática”. A propaganda eficaz, escreve Bernays, tem como alvo baseia-se nesses “hábitos psicológicos” irracionais.

Os apoiantes de Israel têm sede destas mentiras. Não querem saber a verdade. A verdade forçá-los-ia a examinar o seu racismo, auto-ilusão e cumplicidade na opressão, assassinato e genocídio.

Acima de tudo, a Grande Mentira envia uma mensagem sinistra aos palestinos. A Grande Mentira afirma que Israel travará uma campanha de terror em massa e genocídio e nunca assumirá a responsabilidade pelos seus crimes. A Grande Mentira destrói a verdade. Oblitera a dignidade do pensamento humano e da ação humana. Isso oblitera os fatos. Isso oblitera a história. Isso oblitera a compreensão. Isso destrói a esperança. Reduz toda a comunicação à linguagem da violência. Quando os opressores falam aos oprimidos exclusivamente através da violência indiscriminada, os oprimidos respondem através da violência indiscriminada.

O cartunista Joe Sacco e eu vimos soldados israelenses insultarem e dispararem sobre meninos no campo de refugiados de Khan Younis, em Gaza. Entrevistámos os meninos e os seus pais depois no hospital. Em alguns casos, assistimos aos seus funerais. Tínhamos os nomes deles. Tínhamos as datas e locais dos tiroteios. A resposta de Israel foi dizer que não estávamos em Gaza. Nós tínhamos inventado isso.

O primeiro-ministro israelense, o ministro dos Negócios Estrangeiros, o ministro da Defesa e o porta-voz das Forças de Defesa de Israel (IDF) imediatamente atribuíram a culpa pelo assassinato da jornalista da Al Jazeera, Shireen Abu Akleh, em 2022, a homens armados palestinos. Israel divulgou imagens de um combatente palestino que, segundo eles, disparou e matou a jornalista, que usava um colete à prova de balas e um capacete identificando “IMPRENSA”.

Benny Gantz, que na época era Ministro da Defesa, afirmou  que “nenhum tiro [israelense] foi dirigido à jornalista” e que o exército israelense “viu imagens de disparos indiscriminados cometidos por terroristas palestinos”.

Esta mentira foi divulgada até que imagens de vídeo examinadas pelo B’Tselem, Centro israelense para os Direitos Humanos nos Territórios Ocupados, identificaram a localização do atirador palestino captado no vídeo. O vídeo, descobriu a organização de direitos humanos, foi feito num local diferente de onde Shireen foi morta.

Quando Israel é apanhado a mentir, como aconteceu com o assassinato de Shireen, promete uma investigação. Mas essas investigações são uma farsa. Investigações imparciais sobre as centenas de assassinatos de palestinos cometidos por soldados e colonos judeus raramente se realizam. Os perpetradores quase nunca são levados a julgamento ou responsabilizados. O padrão de ofuscação israelense é previsível. O mesmo ocorre com o conluio  de quase todos os media corporativos, juntamente com os políticos republicanos e democratas. Os políticos dos EUA condenaram o assassinato de Shireen e repetiram obedientemente o velho mantra,  pedindo  uma “investigação completa” por parte do exército que executou o crime.

Poucos meses depois, Israel admitiu  que havia uma “grande possibilidade” de um soldado israelense ter matado a jornalista por acidente, mas nessa altura a erupção de protestos de rua e a raiva pelo assassinato da jornalista já havia passado e o seu assassinato em grande parte esquecido.

Quando surgirem provas conclusivas sobre o bombardeamento do hospital, também esta será uma memória distante.

Há imagens dramáticas capturadas pela France 2 TV em setembro de 2000 no cruzamento de Netzarim, na Faixa de Gaza — onde vi um menino de dezenove anos baleado e morto por um atirador israelense, um pai tentando proteger o seu traumatizado filho de 12 anos, Muhammad al-Durrah, dos tiros israelenses que acabaram por o matar.

O assassinato do menino resultou na típica campanha de propaganda de Israel. As autoridades israelenses passaram anos mentindo sobre o assassinato, primeiro  culpando  os palestinos pelos disparos, depois sugerindo que a cena era falsa e, finalmente, insistindo que o menino ainda estava vivo.

Quando um soldado israelense, em 2003, assassinou a estudante de 23 anos e ativista americana Rachel Corrie, esmagando-a até a morte com uma escavadora enquanto ela tentava impedir a demolição ilegal da casa de um médico palestino, o exército israelense  disse  que era um acidente pelo qual Corrie fora responsável.

Os militares israelenses mataram “pelo menos” 20 jornalistas desde 2001, sem qualquer responsabilização, de acordo com um relatório de 2023 do Comité para a Proteção dos Jornalistas, com sede em Nova Iorque. “Imediatamente após um jornalista ser morto pelas forças de segurança, as autoridades israelenses muitas vezes apresentam uma narrativa contrária às reportagens dos media”, concluiu o CPJ. Isto inclui atribuir as mortes ao “fogo indiscriminado” dos palestinos ou às tentativas de desacreditar os mortos como “terroristas”.

Israel bloqueia  o trabalho de organizações independentes de direitos humanos nas atrocidades e crimes de guerra que comete em Gaza e na Cisjordânia.  Recusa-se  a cooperar com o Tribunal Penal Internacional em possíveis crimes de guerra nos Territórios Ocupados. Não coopera com o Conselho de Direitos Humanos da ONU e  proíbe  o Relator Especial da ONU sobre a situação dos direitos humanos nos territórios palestinos ocupados desde 1967 de entrar no país. Israel  revogou  a autorização de trabalho de Omar Shakir, diretor da Human Rights Watch (Israel e Palestina), em 2018 e expulsou-o.

Em maio de 2018, o Ministério de Assuntos Estratégicos e Diplomacia Pública de Israel publicou um relatório  apelando  à União Europeia e aos estados europeus para que suspendessem o seu apoio financeiro direto e indireto e financiamento a organizações palestinas e internacionais de direitos humanos que “têm ligações com o terrorismo e promovem boicotes contra Israel”.

Após o bombardeamento do hospital, Israel divulgou pela primeira vez um vídeo que pretendia mostrar foguetes da Jihad Islâmica Palestina atingindo o hospital. Os israelenses apagaram o vídeo à pressa quando os jornalistas notaram que os carimbos de hora mostravam que as imagens tinham sido captadas 40 minutos após o ataque ao hospital.

Os propagandistas israelenses – conscientes de que os foguetes palestinos têm pouco poder explosivo – alegaram então que o Hamas armazenava munições no hospital. Fora isso que causara a enorme explosão, disseram eles. Mas se isso fosse verdade, significaria que haveria uma explosão secundária. Não houve nenhuma. E agora Israel divulgou o que dizem ser uma  gravação  de dois militantes do Hamas discutindo o ataque com mísseis ao hospital. Os militantes perguntam-se uns aos outros, numa conversa autoincriminatória que é demasiado ridícula para acreditar, se o Hamas ou a PIJ levaram a cabo o ataque. Por favor. Como é que Israel ficou completamente no escuro sobre uma incursão de milhares de militantes palestinos armados de Gaza em Israel no dia 7 de outubro e foi capaz de captar esta conversa incriminatória entre dois alegados militantes?

“Israel tem unidade inteira de ‘mistaravim’, agentes secretos judeus israelenses treinados para se passarem por palestinos e operarem secretamente entre os palestinos”, escreve o repórter Jonathan Cook. “Israel produziu uma série de TV muito popular sobre essas pessoas em Gaza, chamada Fauda. É preciso ser mais do que crédulo para pensar que Israel não poderia, e não iria, armar um apelo como este para nos enganar, tal como engana regularmente os palestinos em Gaza”.

Há muito que Israel também visa  instalações médicas, ambulâncias e médicos, como aponta o estudioso do Médio Oriente Norman Finkelstein. Bombardeou um hospital infantil palestino durante a guerra de 1982 no Líbano, matando  60 pessoas. Também realizou ataques com mísseis  contra ambulâncias libanesas claramente identificadas durante a guerra de 2006 entre Israel e o Líbano. Danificou ou destruiu 29 ambulâncias e quase metade das instalações de saúde de Gaza,  incluindo  15 hospitais, durante o ataque a Gaza de 2008-2009, conhecido como Operação Chumbo Fundido. Proibiu rotineiramente que palestinos feridos fossem recolhidos por ambulâncias durante esta operação, muitas vezes deixando-os morrer. Durante a Operação Margem Protetora, o ataque de 51 dias a Gaza em 2014, Israel destruiu ou danificou 17 hospitais e 56 centros de saúde primários e danificou ou destruiu 45 ambulâncias.

A Amnistia Internacional, que investigou os ataques israelenses a três destes hospitais em 2014, rejeitou como falsas as “evidências” dos ataques oferecidas por Israel. “A imagem tuitada pelos militares israelenses não corresponde às imagens de satélite do hospital al-Wafa e parece representar um local diferente”, concluiu o relatório.

Denuncias as mentiras israelenses e és atacado por Israel e pelos seus apoiantes como um anti-semita e apologista dos terroristas. És banido dos grande media. Impedem-te de participar em fóruns para falar sobre o assunto e, como aconteceu comigo, és desconvidado  de eventos universitários.

Trata-se de um jogo antigo, que joguei como repórter muitas e muitas vezes. Carrego as cicatrizes das mentiras espalhadas por Israel e pelo seu lóbi. Entretanto, Israel continua a sua carnificina, endossada e até elogiada pelos líderes políticos ocidentais, incluindo Joe Biden, que acompanham a torrente de mentiras de Israel como um coro wagneriano”.

[*] Jornalista, estado-unidense.

O original encontra-se em Sheerpost e a tradução de OLima em Ambiente Ondas3

Fonte aqui


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A Rússia esbofeteia Israel ao dar ao Irão acesso à base aérea de Khmeimim na Síria

(Hal Turner, in La Cause du Peuple, 23/10/2023, Trad. Estátua de Sal)

Depois de Israel ter atacado os aeroportos de Damasco e Aleppo, na Síria, pela terceira vez numa semana, na noite passada, ambos os aeroportos estão fora de serviço. A Rússia decidiu, portanto, autorizar a utilização da sua base aérea de Khmeimin em Latakia em vez dos aeroportos de Damasco e Aleppo, inclusive para voos de carga militar iraniana! 


Foram as alegações de Israel de que o Irão estava a transportar armas para a Síria, que seriam usadas (mais tarde) para atacar Israel, que de alguma forma justificaram o ataque aos aeroportos de Damasco e de Aleppo por parte de Israel. Agora, o que Israel fará? Será que ele ousará tentar atacar uma base aérea russa?

A base aérea possui extensas defesas aéreas. Na verdade, um general da NATO disse em 2015 que a base tem essa capacidade de defesa: “Estamos a ver a formação de espaço aéreo A2/AD (anti-acesso/negação de área) no Mediterrâneo”.

Alguém quer pensar no cenário bíblico do que aconteceria se Israel atacasse a base aérea russa na Síria?

Como todos sabem, Israel lançou o que muitos chamam “deslocamento forçado” de árabes que vivem na Faixa de Gaza. Os bombardeamentos quase incessantes de aviões de guerra israelitas já mataram 4.000 palestinianos e destruíram mais de 10.500 casas, enquanto a Força Aérea Israelita lança bombas de fósforo branco sobre edifícios de apartamentos para os demolir até às fundações.

A Faixa de Gaza também está sitiada por Israel, que há quase duas semanas proibiu a entrada de camiões que transportassem alimentos e água.

Ainda ontem, Israel permitiu a entrada de vinte semi-reboques, mas NENHUM com combustível, de que os geradores de energia dos hospitais necessitam desesperadamente, uma vez que a Gaza Power Company está a ficar sem combustível e já não consegue produzir electricidade.

Vinte semirreboques trouxeram o que puderam, mas para alimentar uma população de 2,3 milhões de pessoas são necessários pelo menos 100 semirreboques por dia.

A fome é, portanto, também um problema para os habitantes de Gaza.

A Rússia convocou um total de TRÊS reuniões do Conselho de Segurança da ONU sobre a situação em Gaza. Numa dessas reuniões, foi apresentado pelo Brasil um projeto de resolução para um cessar-fogo imediato; mas os ESTADOS UNIDOS vetaram esta resolução!

O lixo humano que é o Embaixador dos Estados Unidos nas Nações Unidas vetou, todas as vezes, uma resolução a favor de um cessar-fogo numa situação em que civis estão a ser massacrados em grande escala.

Portanto, agora já que os russos não parecem capazes de obter um comportamento humano no Conselho de Segurança da ONU, acabaram de aumentar a aposta no Armagedão contra os Estados Unidos e Israel. A Rússia abriu a base aérea de Khmeimim, que será usada no lugar dos aeroportos de Damasco e Aleppo, o que significa que também estará aberta para aviões militares de carga iranianos.

Se Israel atacar esta base, a Rússia atacará Israel em legítima defesa.

Foi para arrastar a Rússia desde o início?

Oh . . . . espere . . . . talvez esse fosse o plano de jogo o tempo todo?
Os Estados Unidos tentaram iniciar uma guerra direta com a Rússia na Ucrânia, mas falharam.
Os Estados Unidos forneceram tanques Abrams, MK-140 HIMARS de longo alcance. Milhões de cartuchos. Centenas de milhares de projéteis de artilharia. Até o senador norte-americano Lindsay Graham disse na televisão que esta foi a melhor quantia de dinheiro que os americanos gastaram para matar russos.

A Rússia não mordeu o isco.

Portanto, agora os Estados Unidos parecem prontos a usar Israel para atacar a base aérea russa, o que logicamente nos arrastaria DIRETAMENTE para a Terceira Guerra Mundial.

Talvez esta seja a REAL razão pela qual os EUA enviaram dois grupos de ataque de porta-aviões para o Mediterrâneo Oriental, ao largo da costa da Síria? Porque talvez a Rússia tenha sido o seu objectivo o tempo todo e a base russa em Latakia, na Síria, fica mesmo no Mar Mediterrâneo, exposta a todo o poder de fogo da América.

Agora também sabemos porque é que o Presidente russo, Vladimir Putin, lembrou, educadamente, a todos na semana passada que os seus jactos MiG-31, que patrulham o espaço aéreo neutro sobre o MAR NEGRO, estão armados com mísseis hipersónicos Kinzhal. Esses mísseis, disse ele, têm um alcance conhecido de 1.000 km e viajam a Mach 9.

O que ele não disse, mas todos compreenderam, foi que estes caças russos, no Mar Negro, podem disparar estes mísseis Kinzhal e atingir porta-aviões americanos até ao Mar Mediterrâneo.  

Embora o Kinzhal possa ser armado com um alto explosivo convencional, também pode ser armado com uma arma nuclear tática entre 5 e 50 KT.

Esses mísseis podem afundar porta-aviões e seus grupos de ataque. Os mísseis, se disparados do Mar Negro, levariam apenas 6 minutos para chegar ao Mar Mediterrâneo.

Talvez seja por isso que a tripulação do USS Gerald R. Ford recebeu um jantar de bife e lagosta na noite passada? ( História aqui ) Eu coloquei a mim próprio a pergunta: será que a tripulação estava realmente recebendo algum tipo de “última refeição”, porque os chefes sabiam que todos iriam ser mortos?

Agora talvez possamos entender POR QUE aqueles marinheiros e fuzileiros navais comeram bife e lagosta na noite passada. Os patrões parecem saber que pretendem usar Israel para atacar a base aérea de Latakia, o que provocará uma resposta militar russa, que eliminará tanto os porta-aviões como os seus grupos de ataque. Tudo parece já planeado!

O Pentágono parece ter enviado porta-aviões e os seus grupos de ataque, sabendo que pretende matá-los a todos, iniciar a Terceira Guerra Mundial, torná-la nuclear e assim retirar os 33 biliões de dólares que os Estados Unidos devem ao mundo inteiro após o  cancelamento da dívida de guerra.

Tudo combina perfeitamente.

Acho que tudo foi feito de propósito.

MAIS: Por que enviar THAAD?

Na verdade, após cuidadosa consideração, penso que foi exactamente por ISSO que o Secretário da Defesa dos EUA, Lloyd Austin, anunciou que iria enviar mísseis Terminal High-Altitude Area Defense (THAAD) para o Médio Oriente. A única coisa para a qual o THAAD é bom. . . .é interceptar mísseis balísticos intercontinentais (ICBM) na sua fase terminal, no alto da atmosfera. O THAAD é inútil para mísseis próximos num raio de 80 quilômetros. Então, porquê enviá-los para o conflito Israel-Hamas?

Penso que estão a enviar o THAAD porque sabem que Israel já irá atacar a base aérea russa na Síria, talvez com uma arma nuclear, e que a Rússia responderá bombardeando Israel. . . então eles querem o THAAD instalado e funcionando para tentar se defender disso!

E se não conseguirem defender-se e as armas nucleares russas atingirem Israel, felizmente há terras verdadeiramente férteis disponíveis na Europa de Leste, onde quase todos os homens já morreram na guerra, e Israel poderá instalar-se lá: a Ucrânia, ou o novo Israel .

Você vê como é prático.

O PIOR DE TUDO

Com todo o poder de fogo instalado e todas as peças alinhadas, o cenário que descrevi acima pode acontecer literalmente a qualquer momento. Talvez ainda esta semana.

Dentro de algumas HORAS, os mísseis poderão estar a caminho.

O original encontra-se aqui.


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