Nota do diretor: É mais do que um embuste. É enganar os portugueses

(João Vieira Pereira, in Expresso, 12/04/2024)

O Aldrabão

(O Irão salvou o Montenegro retirando esta notícia das parangonas. Mas a Estátua anda atenta e lamenta que as eleições de 10 de Março tenham retirado o poder a um governo sofrível entregando-o a um governo de aldrabões e cobardes que nem coragem tem para assumir às claras a sua agenda conservadora. Até ver já lá vão dois embustes. Negociou com o Chega a eleição do Presidente da AR, mas quando o Ventura deu com a língua nos dentes, mentiu alarvemente dizendo que nunca tinha havido acordo nenhum! Agora esta falcatrua no IRS à pala do PS.

Até o Expresso – esse manto diáfano de cobertura do regresso do PSD de Montenegro ao poder – se sentiu corneado. E com razão. Com tantos e tão bons serviços prestados à causa da Direita, esta devia tido o cuidado de evitar beliscar a credibilidade do “jornal de referência”.

Com o mea culpa do Diretor o Expresso pretende lavar a face e continuar com a sua campanha melíflua em prol do Montenegro e seus amigalhaços. Parece que a Impresa está financeiramente muito mal, mas Deus é grande e o Estado com o PSD ao leme é ainda maior… Business is business e uma mão lava a outra.

Estátua de Sal, 14/04/2024)


(João Vieira Pereira, in Expresso, 12/04/2024)

O Expresso errou. Pior, publicou uma notícia falsa. Pelo facto pedimos desculpa aos nossos leitores. A publicação desta notícia seguiu as regras e procedimentos que exigimos antes da publicação de uma notícia. Não contávamos era com o facto de o primeiro-ministro ter, no Parlamento, ludibriado os portugueses.


O Expresso publicou em manchete na sua última edição o seguinte título: “Montenegro duplica descida do IRS até ao verão”. A notícia começou a ser desenvolvida a partir das declarações do primeiro-ministro proferidas na abertura da discussão do programa do Governo. Luis Montenegro disse aos portugueses que ia fazer de imediato uma redução de IRS que teria um impacto de 1500 milhões de euros. Com base nesta afirmação, o Expresso fez perguntas ao gabinete do Ministro das Finanças e contactou várias fontes. Ninguém desmentiu o que tinha sido dito no Parlamento, ninguém corrigiu a informação.

Mais: o Expresso esteve atento a cada palavra do primeiro-ministro no debate. Primeiro disse isto: “Aprovaremos na próxima semana uma proposta de lei que altera o artigo 68º do Código do IRS, introduzindo uma descida das taxas sobre os rendimentos até ao oitavo escalão, que vai perfazer uma diminuição global de cerca de 1500 milhões de euros nos impostos do trabalho dos portugueses face ao ano passado, especialmente sentida na classe média”.

Mas, na dúvida, pelo menos um deputado questionou o primeiro-ministro sobre o montante da redução. Confessando a sua “desilusão” com o programa de Governo, em particular sobre a dimensão da descida do IRS, Rui Rocha (líder da Iniciativa Liberal), afirmou que “o alívio do IRS em nenhum caso representa um alívio superior a 10 euros. Fica sempre abaixo desse valor”. Na resposta, Luis Montenegro, contrariou-o: “Na próxima semana vamos materializar a baixa de IRS para 2024. Vamos fazer com que o esforço fiscal dos portugueses sobre os rendimentos do trabalho seja desagravado em 1500 milhões de euros o que vai perfazer que aquele exemplo que deu não é realista. Vamos estar cinco, seis, sete [vezes], consoante os escalões, muito acima”, garantiu o primeiro-ministro.

Afinal o Expresso errou. Pior. O Expresso publicou uma notícia falsa. Pelo facto pedimos desculpa aos nossos leitores. A publicação desta notícia seguiu as regras e procedimentos que exigimos antes da publicação de uma notícia. Não contávamos era com o facto de o primeiro ministro ter, no Parlamento, ludibriado os portugueses.

Saiba mais aqui

 

A redução de IRS que Luis Montenegro anunciou com pompa e circunstância, a redução de impostos que andou na campanha eleitoral a defender, é afinal falsa. São apenas pequenos ajustes sobre a redução já anunciada por António Costa no Orçamento para este ano. Os 1500 milhões de euros são apenas €170 milhões, porque 1330 milhões de euros foram já implementados pelo anterior governo.

Luis Montenegro apresentou uma redução de impostos que não passa de um embuste.

A verdadeira redução de imposto é contrária à ideia que o primeiro ministro vendeu no Parlamento. É contrária à ideia do que andou durante toda a campanha eleitoral a anunciar. Só tenho uma palavra para descrever tudo isto. Fraude.

Contudo, no final do dia, quem errou foi o Expresso. Por ter sido ingénuo a acreditar nas palavras do primeiro-ministro de Portugal. Mais uma vez, peço desculpa aos nossos leitores. Não voltará a acontecer.


Gosta da Estátua de Sal? Click aqui.

Assim vai o mundo: As guerras

(Daniel Vaz de Carvalho, in Resistir, 14/04/2024)

O mundo hoje está confrontado com três guerras:  a da NATO na Ucrânia; a de Israel na Palestina; a guerra contra a China em acelerada preparação. A propaganda de guerra, o constante semear de pânico, ódios, irracionalidade contra ameaças da Rússia, China, Irão, RPDC, enfim contra tudo o que não se submeta ao poder imperial dos EUA, tornou-se o padrão da desinformação nos países do dito ocidente – uma lavagem ao cérebro da opinião pública para aceitarem os sacrifícios e perda de direitos que a oligarquia e o imperialismo necessitam para manter o seu poder em declínio e disfarçar as crises.

Ler artigo completo aqui.


Gosta da Estátua de Sal? Click aqui.

O fascismo e os seus avatares

(António Guerreiro, in Público, 12/04/2024)

António Guerreiro

Muitas diferenças separam as novas direitas radicais dos seus antepassados dos anos 1930, mas não conseguimos prescindir completamente do conceito de “fascismo”.


Quando observamos as tentativas para tornar inteligível através de conceitos (à maneira de Reinhart Koselleck, o fundador da “história dos conceitos”) os elementos políticos, sociais e culturais que desenham a história das últimas décadas, verificamos que não se tem ido muito além de um uso imoderado dos prefixos “pós” e “neo”, acrescentados a conceitos quase sempre fixados desde as primeiras décadas do século passado. A “tonalidade” dessa época parece ser uma herança que não foi superada e nos cabe ainda administrar. Ou então tornámo-nos linguisticamente pobres e repetitivos.

Estas actualizações terminológicas feitas à custa de partículas que se limitam a modalizar o sentido de velhos conceitos alcançaram uma nova etapa nos neologismos formados com um prefixo de negação. É o caso de “iliberal”, para designar uma democracia – a “democracia iliberal” –, que já não se ajusta bem ao seu nome, mas para a qual ainda não se fixou um nome próprio; e é também o caso de “afascista”, palavra usada num livro italiano recente intitulado precisamente Democrazia afascista, da autoria de Gabriele Pedullà e Nadia Urbinati. É com esta palavra (cuja primeira ocorrência já vem de Mussolini) que os autores do livro reconstroem a ascendência e o parentesco político de Giorgia Meloni, a primeira-ministra italiana. Enquanto laboratório político, a Itália não podia deixar de ser também um laboratório terminológico. Ao fascismo e ao antifascismo, acrescenta-se agora o afascismo, que introduz um novo rosto nessa família polimorfa.

Assine já

Meloni nunca usou tal palavra. Mas suscitou-a no seu discurso político, no modo como tem gerido as suas relações com o fascismo histórico, enquanto líder de um partido, Fratelli d’Italia, que descende directamente do Movimento Social Italiano. O ponto de partida dos dois autores do livro é uma carta, um verdadeiro manifesto ideológico, que Meloni escreveu há cerca de um ano, publicada no Corriere della Sera.

Nessa carta, Meloni diz que o seu partido não cultiva nenhuma nostalgia pelo passado fascista e que, não se reclamando do fascismo, a direita que ela representa está em condições de considerar que o antifascismo, a bandeira que se tem erguido contra ela, é uma coisa anacrónica, uma arma de exclusão, um resíduo inútil de uma história e de uma cultura política que pertencem ao passado. Se o fascismo desapareceu de uma vez por todas, então brandir a arma anacrónica do antifascismo só serve para condicionar a democracia e amarrá-la aos vestígios do passado.

Meloni nunca usou tal palavra. Mas suscitou-a no seu discurso político, no modo como tem gerido as suas relações com o fascismo histórico, enquanto líder de um partido, Fratelli d’Italia, que descende directamente do Movimento Social Italiano. O ponto de partida dos dois autores do livro é uma carta, um verdadeiro manifesto ideológico, que Meloni escreveu há cerca de um ano, publicada no Corriere della Sera.

Nessa carta, Meloni diz que o seu partido não cultiva nenhuma nostalgia pelo passado fascista e que, não se reclamando do fascismo, a direita que ela representa está em condições de considerar que o antifascismo, a bandeira que se tem erguido contra ela, é uma coisa anacrónica, uma arma de exclusão, um resíduo inútil de uma história e de uma cultura política que pertencem ao passado. Se o fascismo desapareceu de uma vez por todas, então brandir a arma anacrónica do antifascismo só serve para condicionar a democracia e amarrá-la aos vestígios do passado.


Gosta da Estátua de Sal? Click aqui.