Os órfãos de Biden e o Minotauro de Washington

(Viriato Soromenho Marques, in Blog Azores Torpor, 14/03/2025)

(A cambada lá conseguiu calar o Viriato na sua coluna semanal que mantinha, há anos, no Diário de Notícias, Andava a ser demasiado incómodo a abrir os olhos aos carneirinhos. Pelos vistos o homem agora tem que publicar em blogs de muito menor visibilidade. Mas há sempre alguém atento. Assim sendo, lá descobri mais este excelente artigo.

Estátua de Sal, 17/03/2025)


Como explicar a rapidez do novo plano de rearmamento, apresentado pela Presidente da CE, totalizando 800 mil milhões de euros? Como explicar a célere anuência dos chefes de Estado e de governo, perante uma proposta sem qualquer base legal que a fundamente? […]


Gosta da Estátua de Sal? Click aqui

A proibição do candidato presidencial favorito na Roménia, Calin Georgescu, de concorrer às eleições presidenciais de maio próximo, com a cumplicidade interveniente da Comissão Europeia, revela o estado lastimoso do que resta de democracia representativa na União Europeia. Georgescu teria ganho a segunda volta das eleições em dezembro último. Contudo, como a sua campanha vitoriosa propunha o cessar do apoio militar romeno a Kiev, e a saída do país da NATO, o Supremo Tribunal Constitucional de Bucareste apressou-se a anular os resultados da primeira volta, fechando todo esse processo eleitoral. Nessa altura, era Anthony Blinken o presidente de facto dos EUA. Ele nunca permitiria que uma das bases mais importantes da NATO pudesse vir a ser encerrada. Aparentemente, desta vez, Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, moveu sozinha as suas peças. O Vice-Presidente dos EUA, J. D. Vance tem mostrado a sua condenação desse golpe contra a expressão da vontade popular em Bucareste.

Calin Georgescu

Na verdade, o que se passa hoje no Ocidente, não é uma tensão entre os Estados Unidos e a União Europeia, mas sim, estranhamente, um conflito entre os EUA, governados por Trump, e a nomenclatura de Bruxelas, que continua fiel aos EUA de Biden. A União Europeia há muito que deixou de existir como entidade autónoma, com vontade política e estratégica próprias. Isso ficou visível, para quem o queira ver, a partir do momento em que se submeteu cega e incondicionalmente ao comando de Washington na “guerra por procuração” (proxy war) da Ucrânia. O exemplo mais gritante é o da Alemanha, que deixou Biden executar a sabotagem do Nord Stream 1 e 2, em setembro de 2022, contra o interesse direto da economia alemã e europeia, sem nunca o admitir, e até com o aplauso de muitos dos políticos de Berlim. A atual crispação visível nas expressões dos dirigentes europeus, no seu frenesim de reuniões, denota uma dimensão pessoal, e não apenas genericamente política. Não é de colocar de lado, a hipótese levantada por vários observadores, de que comissários e primeiros-ministros europeus receiem que a nova administração em Washington, na sua inquirição das agências federais, acabe por deixar derramar para o exterior pormenores desagradáveis sobre ligações perigosas, e duplas filiações e dependências de alguns dos atuais dirigentes europeus (1).

Explosão dos gasodutos Nord Stream

O receio profundo da burocracia europeia em relação à nova direção nos EUA talvez ajude a explicar a agilidade bélica de Bruxelas. Como explicar a rapidez do novo plano de rearmamento, apresentado pela Presidente da CE, totalizando 800 mil milhões de euros? Como explicar a célere anuência dos chefes de Estado e de governo, perante uma proposta sem qualquer base legal que a fundamente? Para além da russofobia delirante que justifica a proposta, a verdade é que ela constitui uma afirmação voluntarista e arbitrária de funcionários que tomaram nos seus dentes o freio do poder. A mobilização dessa verba astronómica para o armamento não enraíza nem no Tratado da União Europeia, nem no Tratado de Funcionamento da União Europeia. A UE não tem política de defesa própria nem forças armadas integradas e autónomas. Pior ainda, o rearmamento colide grosseiramente com as regras orçamentais e os limites de dívida pública estabelecidos pelo Pacto de Estabilidade e Crescimento. A comissária europeia, Maria Luís Albuquerque revelou na reunião anual do Banco Europeu de Investimento, no Luxemburgo, que vai ser criada uma União das Poupanças e Investimentos, permitindo mobilizar para o rearmamento anunciado o aforro dos cidadãos europeus, que totaliza 10 biliões de euros em toda a União (2).  Esta manobra significa que todos iremos, na condição de aforradores, participar no esforço de militarização da UE, mesmo que como cidadãos discordemos completamente…

A explicação mais plausível, embora à primeira vista surpreendente, é a de que os partidários de Biden, governantes da nossa declinante UE, querem agradar a Trump. Não se trata de construir uma defesa europeia autónoma, o que implicaria pensar numa estratégia e em forças armadas integradas, como se tentou no falhado projeto da Comunidade Europeia de Defesa, entre 1951 e 1954. Para uma tarefa tão delicada e complexa como essa, nenhuma das personalidades reunidas na Comissão Europeia, no Conselho Europeu e, suponho também, que no próprio Parlamento Europeu apresenta talento, currículo, experiência, ou sequer sensibilidade. O que se pretende é apaziguar o grande Minotauro de Washington com um tsunami de compras de armamento, diretamente, às indústrias americanas (Raytheon, Lockheed Martin, General Dynamics, Northrop Grumman, Boeing…), ou indiretamente, a empresas europeias, com forte participação de capital americano (BAE Systems, Rheinmetall, Thales, Safran, Finmeccanica…).

A interpretação da atual vertiginosa mudança da paisagem internacional é um exercício de decifração difícil, carregado de sombras e incertezas. Sobre dois dos mais importantes assuntos que envolvem a Europa penso que poderemos parafrasear, com adaptações, o grande Mark Twain: as notícias de uma paz próxima na Ucrânia e de um divórcio atlântico são manifestamente exageradas…


Notas:

  1. 10 03 2025 Charles Gave, Pourquoi Trump fait Trembler l’Europe. https://www.youtube.com/watch?v=XeCvFF2sWpA
  2. Bárbara Silva, «União das Poupanças e Investimentos chega dia 19», Jornal de Negócios, 6 de março de 2025, p. 2.

Fonte aqui

A realidade da luta “moral” da Ucrânia: mobilização forçada!

(Major-General Raúl Cunha, in Facebook, 17/03/2025, Revisão da Estátua)


Gosta da Estátua de Sal? Click aqui

Mais uma das já habituais cenas sombrias das ruas da Ucrânia: um homem é brutalmente pontapeado e espancado pela polícia enquanto algumas mulheres tentam desesperadamente protegê-lo. O seu crime? Ser procurado pelos recrutadores militares, isto de acordo com um dos jornais locais. Na Ucrânia de Zelensky, fugir do recrutamento forçado é agora punível com espancamentos na rua, patrocinados pelo Estado.

Este é o regime que o Ocidente insiste que está “a lutar pela democracia e pela liberdade” e arrasta das ruas os homens relutantes como se fossem gado para serem atirados para o triturador de carne.

Mas vamos expor esta fraude pelo que ela é: quando as pessoas realmente acreditam numa causa como sendo sua, não precisam ser apanhadas como gado. Os irlandeses não precisaram ser sequestrados das ruas para lutar pela independência. Os vietnamitas não precisaram ser caçados para resistir à ocupação dos EUA. Os palestinos não precisam de espancamentos policiais para pegar em armas contra o apartheid real e brutal dos sionistas.

Se a Ucrânia estivesse realmente a lutar pelo seu povo, o seu povo lutaria pela Ucrânia. Em vez disso, os homens correm, escondem-se e resistem, não contra a Rússia, mas contra o seu próprio governo, que agora é pouco mais do que uma ditadura fracassada apoiada pela UE e pelos suspeitos do costume, enquanto se dispõe de uma quantidade já decrescente de carne humana para canhão.

Esta não é obviamente uma “luta moral”. Este é um suicídio imposto por um Estado, controlado pelos fascistas ucranianos, em benefício de Bruxelas, do restante ocidente alargado e dos gatunos (sobretudo ingleses e franceses) apoiados pela BlackRock e quejandos, que pretendem dividir entre si os recursos da Ucrânia aproveitando a sua atual corrupção e fraqueza.

Enquanto isso, Zelensky esconde-se no seu bunker, a observar o seu país a sangrar enquanto os seus patrocinadores bilionários em Londres, Paris e Bruxelas tentam calcular os frutos das suas piratarias, incluindo o roubo (atividade que lhes resulta natural) dos ativos russos nos bancos europeus.

O que acontecerá quando a Ucrânia ficar finalmente sem homens? Será que o pederasta geriófilo Macron e o protetor de pedófilos Starmer enviarão os filhos dos seus próprios compatriotas para morrer nessa guerra que tanto desejam que se prolongue e alargue? Ou será que continuarão a enviar armas e uma retórica sem substância enquanto esta grande experiência de uma guerra por proxy se vai lentamente esfumando?

Vejam-se agora os últimos estertores, choradeiras, gritarias e mentiras (juro que gostava de saber a troco de quê…) dos estultos devotos dos nazis ucranianos que temos cá no burgo.

É, de facto, uma pena que os nojeiras, milhafres, chouriços, arautos, urineus, orcas, etc., ainda não se tenham oferecido para integrar a legião internacional das Forças Armadas Ucranianas na frente de combate, em vez de nos continuarem a azucrinar os ouvidos com os seus disparates e falsificações…!

A história lembrar-se-á desta guerra pelo que ela realmente é. Não pela falsa alegação de ser uma luta pela liberdade e pela democracia, mas sim por consistir no sacrifício brutal de uma nação inteira em prol da cobiça geopolítica das elites ocidentais.


A foto acima – escolhida pela Estátua -, foi retirada do vídeo abaixo, da “respeitável” BBC, para não me acusarem de difundir imagens falsas.

O fim da democracia na Europa e a nova forma de coação

(Andrea Zhok, in Resistir, 16/03/2025)

Gosta da Estátua de Sal? Click aqui

Com o voto do Parlamento Europeu a favor do plano de rearmamento (419 SIM, 204 NÃO, 46 abstenções), podemos dizer que simbolicamente, no dia de hoje, a democracia na Europa desapareceu; antes era murcha, hoje as pétalas secas caíram.

Não foi substituída, como muitos temiam, por uma ditadura.

A história assume sempre formas diferentes e surpreendentes.

Não, desta vez a democracia foi esmagada pela conquista das instituições e dos media, a partir do interior, pela oligarquia financeira e pelos seus assalariados.

Ler artigo completo aqui.