País em apagão, Governo em curto-circuito

(David Pontes, in Público, 28/04/2025)

Imagem gerada por IA

Quando tudo colapsa desta forma, os olhares dirigem-se para quem comanda o país à procura de uma mensagem de serenidade. Só que não foi isso que sucedeu.


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Até ao fecho da edição em papel do jornal (sem ainda saber se a poderemos fazer chegar às vossas mãos) nos nossos ecrãs ia crescendo a imagem de um país à porta de um cenário pré-apocalíptico.

Um apagão geral de energia, sem previsão de resolução, mostrava, sem margem para dúvidas, a fragilidade de uma sociedade que se baseia na electricidade para funcionar.

Metro parado, pessoas bloqueadas nos elevadores, filas nos multibancos, supermercados invadidos por gente em busca de água, funcionários da EMEL a tentar controlar o trânsito, hospitais e serviços de emergência a funcionar com geradores, bombas de gasolina fechadas, restaurante fechados, farmácias a funcionar à luz de telemóvel… Só faltavam as pilhagens para o roteiro do inimaginável estar completo.

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Na redacção perdemos comunicação com metade da redacção, mas fomos garantindo que as nossas notícias abertas do PÚBLICO chegavam a todos os que, num momento de muitas interrogações, precisavam de informação fiável sobre o que estava a acontecer. Sim, porque se faltava energia, não faltava desinformação. No TikTok, no WhatsApp, circulavam comunicados inventados e as informações mais fantasiosas. Mesmo estações de televisão e agências de notícias acabaram a emitir informações que não se confirmaram, mostrando que a verdade é mesmo um objecto frágil em momentos de tensão.

Quando tudo colapsa desta forma, os olhares dirigem-se para quem comanda o país à procura de uma mensagem de serenidade. Só que não foi isso que sucedeu. A primeira voz do executivo foi a do ministro Adjunto e da Coesão Territorial, Castro Almeida, a admitir a hipótese de um ciberataque, algo que até agora ninguém conseguiu confirmar. Veio depois Leitão Amaro, a dizer que o problema não tinha origem em Portugal, e só depois o ministro da Defesa (?) entabulou um discurso afinado com a necessidade, apelando à tranquilidade.

Mais uma vez a Administração Interna primou pela ausência, o site do Governo esteve em baixo, não houve preocupação em usar as redes para dar conselhos, nem sequer um SMS da Protecção Civil. Lá pelas 15h00, o primeiro-ministro veio falar ao país, mas foi pouco, porque foi tarde.

Num momento em que todos nos sentimos fragilizados, em que muitos ainda não sabem como chegar a casa, ou como aquecer o jantar e, principalmente, ninguém sabe, com certeza, até quando isto vai durar, permanecemos em défice de segurança pela acção do executivo.

Comemorações do 25 de Abril de 2025

(Carlos Esperança, in Facebook, 27/04/2025), Revisão da Estátua)


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O MELHOR:

– Manifestações populares em todo o País numa prova de que o 25 de Abril está vivo e tem quem o defenda.

– Comemorações autárquicas, incluindo autarcas do PSD, lembrados os seus titulares da Revolução a que devem o direito de ser eleitos e a honra de estarem legitimados.

– A profusão de cravos vermelhos, as canções, a alegria, enfim, a festa.

– A prisão do 1.º juiz fascista, 51 anos depois do 25 Abril, logo solto ☹. André Ventura veio defendê-lo, provando que aprende depressa, já tem o ser CDS, o Ergue-te.

O PIOR:

 – A declaração de luto nacional no dia 25 de Abril (Ver imagem acima).

– Marcelo, que usou cravo na lapela quando precisou, até foi à festa do Avante, a exaltar o 25 de Abril na AR. Depois dos golpes que urdiu, disfarçou bem a sua responsabilidade na degradação ética do regime e nos golpes que urdiu para impor ao País este Governo.

– Os traidores ao 25 de Abril a exonerarem da lapela o cravo sem repararem em Mota Amaral e Eanes (Presidente da República, Presidente da Assembleia da República e Primeiro-ministro), e o Conselho de Administração da SPINUMVIVA a ser fotografado com um terrorista do MDLP, ora Vice-Presidente da Assembleia da República e vários deputados.

O Procurador-Geral da República (PGR) , sem cravo, claro, com o ar infeliz que lhe confere ser Procurador-Geral do Luís (PGL), função que cumpriu eficazmente ao promover e tornar pública uma Intervenção Preventiva ao líder do PS por uma denúncia já, há anos, arquivada.

As Terras Raras e a Ucrânia: verdade e embuste

(Fernando Oliveira, in A Tertúlia Orwelliana, 25/04/2025) 

Os 17 elementos terras raras com os respectivos símbolos

“A verdade vive dispersa no meio de toda a espécie de poeiras.” (Éric Vuilard)


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E de repente, um raio de luz brilhou e revelou mais uma razão justificativa da invasão da Ucrânia pela Rússia: há “terras raras”! Também lhes chamam “minerais/metais/minérios raros/preciosos/essenciais/críticos”, há expressões para todos os gostos.

Se a esta variada nomenclatura juntarmos alguns outros ingredientes lançados para o ar como sejam possíveis existências (ouvi referir 15 mil toneladas, 100 mil toneladas), os valores económicos em jogo (quando Trump atirou 500 mil milhões como o valor da ajuda americana à Ucrânia e depois foi avançando outros valores, estes números passaram a ser a medida do que poderia existir/valer na Ucrânia como “terras raras”) e a suposição de que boa parte desses eventuais recursos poderá estar nas regiões ocupadas pela Rússia, então as “terras raras” passaram a ser, para alguns comentadores, “a” razão. Os russos já sabiam do manancial e vá de avançar! A propalada “reconstituição do império soviético” (o que quer que isso possa significar), passou para segundo plano.

Por outro lado, a palavra “terras” causa alguma confusão porque estamos mais habituados a associá-la à “terrinha” onde plantamos as batatas, as couves, os cereais, etc., o que não corresponde à verdade. A Ucrânia tem, de facto, terras agrícolas riquíssimas, a “Terra negra”, extremamente fértil, que não conhece fronteiras e se prolonga para a Rússia. Ao que parece já têm donos, mas isso são outros “quinhentos”, que talvez justifiquem um artigo específico.

Vamos então procurar dar uma vista de olhos sobre o que são as “terras raras”, tentando ser rigoroso, mas não fastidioso.

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